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Marine-terminating glaciers and their controls

In document Deglaciation of the Norwegian fjords (sider 15-20)

O maior problema do trabalho por turnos é o trabalho durante a noite. Contudo, o horário ou “hora do dia” a que os turnos começam, por exemplo, um turno de manhã que comece, por exemplo, às 6 horas acarreta uma perda de sono equivalente. Os turnos da manhã em que é necessário acordar muito cedo ou os da tarde que terminam tarde, entre as 21 horas e as 23 horas, para além de diminuírem o período destinado ao sono, limitam a vida familiar e social. Isto faz com que apenas 20% das mulheres que trabalham em grandes hospitais universitários tenham horários sincronizados com o resto da sociedade (Cristofari, Estryn-Béhar, Kaminski & Peigné 1989).

No que se refere à duração dos turnos e paralelamente à rotação rápida dos turnos, tem havido a tendência para aumentar a duração do turno de 8 para 12 horas. Alguns sectores adoptam as chamadas "semanas curtas de trabalho" (compressed workweeks), esquemas nos quais a pessoa trabalha por períodos superiores a oito horas, de onde resultam semanas com menos de cinco dias de trabalho. Esse tema tem

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merecido especial atenção nos debates sobre esquemas de trabalho, dada a tendência de adopção de turnos de 10 ou 12 horas, em substituição dos de 8 horas (Axelsson et al., 1998; Lowden et al., 1998). As opiniões a respeito das vantagens e problemas decorrentes desses esquemas são controversas. No entanto, tanto os trabalhadores como os gestores têm favorecido este esquema, mesmo estando demonstrado que ele resulta num aumento da fadiga (Smith et al., 1998) e numa diminuição do desempenho (Duchon & Smith, 1993; Rosa et al 1989).

Jornada prolongada de trabalho é definida como sendo aquela que é maior que o normal. Assim sendo não há consenso na sua definição já que uns autores consideram que as jornadas longas são as que se situam entre as 8 e as 12 horas de trabalho, outros autores deixam essa denominação para os turnos de duração superior a 12 horas (CCHST, 2006). Tal ambiguidade resulta muitas vezes dos resultados encontrados nalguns estudos relativamente às consequências de tais jornadas de trabalho já que não é unânime entre os autores a definição de que 12 horas representem um tempo muito prolongado, já que numa revisão de Smith et al. (1998), não foram encontrados impactos negativos sobre a saúde. Entretanto, os autores acima mencionados não descartam a necessidade de serem avaliados os impactos das exigências do trabalho, especialmente físicos e outros efeitos que possam exacerbar os efeitos das cargas de trabalho no aparecimento de doenças, levando a um envelhecimento funcional precoce. Já num sistema de turnos de 8 horas, com rotação anti-horária "quase" rápida, 65% dos trabalhadores apresentavam queixas graves do sono, das quais a insónia inicial e de manutenção eram as mais frequentes (Melo, 2000).

Embora exista alguma controvérsia em relação à duração da jornada de trabalho e suas repercussões no alerta (Duchon & Smith, 1993; Rosa et al., 1989; Smith, Folkard & Tucker 1998), os dois primeiros autores apresentam nas suas publicações, resultados negativos tanto no alerta quanto no desempenho, em pessoas a trabalhar 12 horas, tendo ocorrido queda significante com o passar das horas durante o turno de trabalho nocturno (12 horas de noite), enquanto que no decorrer do turno diurno não foram observadas diferenças significantes ao longo das horas de trabalho e as médias dos alertas permaneceram praticamente estáveis durante as 12 horas de trabalho. Os resultados vão ao encontro dos de Fischer et al. (2000).

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Os turnos de 12 horas só devem ser equacionados se a natureza do trabalho e da carga de trabalho forem ajustadas para actividades de longa duração, se o esquema é planeado para minimizar o acumulo de fadiga, se há arranjos adequados para cobrir faltas e se não houver necessidade de cumprir horas-extras (Knauth, Schonfelder & Hornberger, 1990).

Relativamente ao sistema de rotação dos turnos é um factor exógeno, situacional, que tem sido considerado como preditor de grande importância na determinação da tolerância do trabalho por turnos, tendo alguns autores chegado a referir que a intervenção a este nível pode ser uma forma bastante efectiva de reduzir os problemas vivenciados pelos trabalhadores por turnos (Comperatore et al., 1990; Folkard, 1992; Knauth, 1998; MacDonald, Tucker, Smith & Folkard, 1998).

Num estudo realizado por Folkard & Tucker (2003) relacionado com a produtividade e a segurança no trabalho por turnos nocturnos, concluiu-se que tanto a segurança como a produtividade diminuem durante a noite. Segundo os autores, a segurança diminui (aumentando o risco) com o número de noites sucessivas e quanto maior for o turno. Eles sugerem que, na escolha para determinar qual o melhor sistema de turno para uma empresa, que se devem considerar todos os factores que podem influenciar a segurança e a produtividade. Assinalam, como exemplo, que um turno longo com pausas de descanso frequentes pode resultar melhor que um turno curto com menos pausas. Embora as conclusões geradas por alguns estudos (Folkard & Tucker, 2003; Folkard & Akerstedt, 2004) coincidam em que o risco aumenta com o número de turnos nocturnos consecutivos, não são, no entanto, tão explícitos noutros aspectos como a duração dos turnos e a importância dos descansos ou das sestas.

Uma das preocupações da investigação tem sido a identificação dos factores que tornam os sistemas mais facilmente toleráveis. Embora ainda não se tenha encontrado um sistema de turnos óptimo, tem havido a preocupação de fazer recomendações para que sejam desenhados sistemas de turnos que evitem uma perturbação contínua dos ritmos circadianos e que propiciem a minimização dos problemas psicológicos, físicos e

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sociais, associados ao trabalho por turnos. Têm sido sugeridas, por isso, duas estratégias:

• Minimizar a perturbação, ajustamento, através do menor número de noites consecutivas em sistema de rotação rápida, ou;

• Maximizar o ajustamento circadiano, através do maior número de noites consecutivas de trabalho ou sistemas nocturnos permanentes (Gomes, 1998; Silva, 1999).

Os sistemas de trabalho com turno nocturno permanentes são referenciados como tendo as seguintes vantagens: uma menor frequência de queixas, uma maior duração do sono, melhor desempenho e menores problemas de saúde, maior liberdade de escolha do regime de trabalho, maior sentimento de independência e maior espírito de camaradagem, devendo, por isso, serem implementados (Wilkinson, 1992; Barton & Folkard, 1993; Knauth, 1993, 1995).

Os sistemas de rotação semanal, “intermédia”, tendem a ser desaconselhados por muitos dos investigadores, na medida em que a duração dos turnos é suficientemente longa para afectar os ritmos circadianos, para além de não permitir uma adaptação completa destes. Desta forma, os ritmos podem permanecer em constante perturbação, devido às orientações diurnas e nocturnas a que o trabalhador tem de se submeter (Minors & Waterhouse, 1981; Wilkinson, 1992; Knauth, 1993, 1996, 1997).

Relativamente aos sistemas de rotação lenta e de rotação rápida, a principal diferença é que, na primeira, a adaptação é pelo menos parcial e está associada a alguma alteração dos ritmos circadianos19, enquanto que, na última, a adaptação é menor, resultando em pouca alteração na fase dos ritmos20. Ainda não são claros os benefícios de um, nem de outros sistemas (Minors & Waterhouse, 1981; Folkard, 1992). Apenas é do consenso geral que o sistema de rotação de turnos constitui uma fonte de stress fisiológico, variando o grau de tolerância ao trabalho por turnos com a rapidez de rotação.

19Encoraja a actividade nocturna e o sono diurno. 20Mantém mais uma orientação diurna.

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A adaptação completa dos ritmos circadianos a uma inversão do ciclo sono-vigília raramente ocorre, uma vez que estes tendem a ajustar-se lentamente e que, nos dias de folga, os trabalhadores tendem a retomar uma orientação diurna (Minors & Waterhouse, 1981; Corlett et al., 1989; Folkard, 1992; Knauth, 1993, 1995; Monk; Folkard & Wedderburn, 1996). Quando se trabalha em noites sucessivas, há grande probabilidade de ocorrer um défice de sono, uma vez que o sono diurno se tem revelado de menor duração e qualidade, enquanto que, após uma ou duas noites, esse défice pode ser mais facilmente compensado (Folkard, 1992; Knauth, 1993, 1995, 1997; Silva, 1999). Os sistemas de rotação rápida têm-se também revelado facilitadores: de contactos sociais mais frequentes, do cumprimento de obrigações, do funcionamento familiar e da actividade sexual (Folkard, 1992; Knauth, 1993, 1997). Trabalhadores por turnos, após terem mudado de um sistema de rotação semanal para um de rotação rápida, mostraram preferência pelo segundo (Knauth, 1996).

Muitos investigadores (Folkard, 1992; Knauth, 1993, 1995, 1997; Silva, 1999 preconizam por isso o sistema de rotação rápida, em detrimento do sistema de rotação lenta21 e dos sistemas nocturnos permanentes. Os argumentos que fundamentam as posições a favor dos sistemas de rotação rápida podem resumir-se nos três pontos seguintes:

• A perturbação dos ritmos circadianos pode ser minimizada; • A acumulação dos défices de sono pode ser evitada;

• Possibilita uma maior sincronização com a vida familiar e social.

Apesar de ainda se verificarem divergências relativamente ao design do sistema de turnos mais adequado, a tendência surge no sentido de serem recomendados os horários de 8 horas de rotação rápida, já que parecem ser mais favoráveis em termos de quantidade total de sono nocturno do que os padrões de rotação semanal. Contudo, há defensores para a rotação rápida e para a lenta, devendo ser sempre considerada a situação do emprego como um todo, incluindo o tipo de trabalho em causa, antes de se tomarem decisões acerca do sistema de turnos. Mostra-se por isso necessária mais investigação nesta área, que deverá entrar em linha de conta com critérios como a segurança, o desempenho em função do tipo de tarefa, o esforço e o alerta nas horas de

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trabalho, a frequência de acidentes, a fadiga e as perturbações da saúde e da vida social (Knauth, 1993, 1995, 1996, 1997; Silva, 1999; Santos 2003).

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