1.1 Why use the data from climate simulations of the past?
3.1.1 Marine sediment cores and locations
A mineralização aurífera se distribui ao longo de aproximadamente 7 km de extensão (Figura 6), segundo duas direções preferenciais, uma NNW-SSE, com os corpos denominados, de norte para sul, Urucum, Taperebá C, B e A, enquanto o corpo Taperebá D apresenta direção NW.
Borges (1999 in Dardene & Schobenhaus 2002) sugere modelo de mineralização do tipo hidrotermal, estruturalmente controlado por zona de cisalhamento transcorrente sinistral, de direção NNW-SSE, e do tipo metassomatismo de contato ou skarn. Os maiores teores de ouro estão associados à FFb, ocorrendo também em rochas carbonatadas (mármores calcíticos), anfibolitos e rochas cálcio-silicáticas. Segundo o mesmo autor, a maior concentração de ouro está associada à zona de cisalhamento.
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Foto 1: Mina do Amapari - cava entre Taperebá A e B – granito cortando FFb mineralizado em Au.
Foto 2: Mina do Amapari - cava entre Taperebá A e B – afloramento de FFB mineralizado em Au.
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Melo (2001), Melo et al. (2001) e Melo & Villas (2001) estudam o corpo Urucum e concluem que a mineralização aurífera primária é disseminada e associada à pirrotita e pirita, esta última presente apenas nos alvos Taperebá. Calcopirita, pentlandita, esfalerita, galena e arsenopirita ocorrem em quantidades bem subordinadas. As maiores concentrações de sulfetos ocorrem onde as rochas estão mais deformadas. Fluidos aquo-carbônicos devem ter transportado o ouro na forma de (AuHS)2- e o estilo de mineralização é do tipo orogênico (Melo 2001).
Faraco (2003) realiza estudos petrográficos e minerográficos nos corpos Taperebá A, B e D. Segundo a autora, no corpo Taperebá A, predomina a FFb do tipo silicato e mais raramente o tipo óxido. A primeira encerra maior conteúdo de sulfetos, na forma disseminada. Os principais sulfetos são a pirrotita e pirita, com quantidades subordinadas de calcopirita. No corpo Taperebá B, a FFb tipo óxido é mais abundante que a FFb tipo silicato; esta última contém zona escarnitizada com intercrescimentos de galena, esfalerita e pirrotita, além de pirrotita disseminada ou preenchendo planos de foliação. A FFb do corpo Taperebá D é orientada segundo NW-SE, onde há predomínio de rocha carbonática que está cortada por leucosienogranito.
Ainda segundo a autora, a mineralização aurífera está hospedada em escarnito, associada à pirrotita, na forma disseminada. Pirita, calcopirita, galena e esfalerita são minerais de ocorrência subordinada. A mineralização hospeda-se preferencialmente em escarnitos ou zonas escarnitizadas. As formações ferríferas tipo silicato têm maior quantidade de sulfetos. De acordo com a maneira de ocorrência, a mineralização do alvo Taperebá é correlacionada com o depósito de Nevoria, no Cráton Yilgarn (Austrália).
25 CAPÍTULO IV - ESTUDOS PETROGRÁFICOS
Os estudos petrográficos realizados em testemunhos de sondagem diamantada dos alvos denominados, de norte para sul, Urucum, Taperebá C, B, A e D, Martelo e Vila do Meio (Figura 7), objetivam caracterizar as rochas hospedeiras/encaixantes da mineralização aurífera do depósito do Amapari, constituídas por formações ferríferas bandadas (FFb), rochas carbonáticas e cálcio-silicáticas. Os alvos Martelo e Vila do Meio não constituem corpos mineralizados em ouro, porém a empresa MMX desenvolve projeto de pesquisa para ferro, tendo bloqueado recurso neste bem mineral. Os corpos auríferos Urucum, Taperebá (Tap) C, B e A se distribuem ao longo de 7 km (Figura 7), apresentam direção N-S, enquanto o Taperebá D, situado a oeste do corpo Taperebá A, apresenta direção NW-SE.
Este estudo compreende a descrição de 61 lâminas delgadas polidas, de amostras de 16 furos de sondagem diamantada, sendo 14 do alvo Urucum, 5 do Taperebá C, 11 do Taperebá B, 12 do Taperebá A, 8 do Taperebá D, 2 do Martelo e 9 de Vila do Meio (Figura 7 e Anexo 1). A localização das respectivas amostras encontra-se nas seções de sondagem (Anexos 2 a 13).
As amostras são identificadas pelo número do furo de sondagem, seguida do número da amostra (FD 795-5485). A barra de escala mostrada em Fotomicrografias corresponde a 800 μm (2,5X); 400 μm (5X); 200 μm (10X); 100 μm (20X) e 40 μm (50X).
O resumo da classificação das rochas e seus respectivos alvos, bem como o resumo dos furos encontram-se no quadro abaixo:
Alvo Tipo Quant.
Abreviaturas: formação ferrifera bandada -FFb
FFb 8
Urucum Rocha carbonática 5
Cálcio-silicática 1 Taperebá C FFb 3 Rocha carbonática 2 Taperebá B FFb 2 Rocha carbonática 8 Cálcio-silicática 1 Taperebá A FFb 8 Rocha carbonática 4
Taperebá D Rocha carbonática 8
Martelo FFb 2
FFb 4
Vila do Meio Rocha carbonática 4
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Resumo dos Furos - Amapari-AP
Alvo Furo FD UTM_X UTM_Y Zona Elevação (m) Inclinação (O) Rumo (Az) Extensão (m)
795 401992.740 99249.380 22N 256.17 63 255 180,05 Urucum 815 402111.000 100037.920 22N 235.02 76 253 590,45 829 402176.000 98411.580 22N 136.89 75 256 332.55 Taperebá C 162 402204.690 96559.100 22N 145.59 60 90 270.45 703 402325.080 94873.910 22N 231.11 75 270 227.95 Taperebá B 192 402395.158 94709.375 22N 210.84 63 90 254.95 659 401957.860 93764.060 22N 115.39 63 90 139.25 Taperebá A 708 401909.010 93764.070 22N 112.85 63 90 115.00 196 401806.452 94229.75 22N 91.96 60 270 320.65 Taperebá D 640 401166.900 94801.940 22N 113.62 70 270 128.55 669 401105.710 94785.000 22N 115.39 86 270 80.80 Martelo 76 405056.171 91004.221 22N 205.83 90 0 24.00 13 406403.656 8957.032 22N 126.79 70 45 52.05 Vila do Meio 65 407374.039 89168.446 22N 175,96 70 45 70.55 FVD 002 407413.310 89053.080 22N 141.96 60 45 142.75 FVD 007 407370.000 89273.00 22N 207,89 60 0 240.85
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Figura 7: Amapari – localização dos furos de sondagem diamantada e dos corpos mineralizados, Urucum, Tap A, B, C e D e os alvos de Fe Martelo e Vila do Meio.
Urucum Tap C Tap B Tap A Tap D Martelo Vila do Meio
28 Para a classificação das FFb utilizam-se os critérios de Trendal (1983) pelos quais a formação ferrífera é definida como um sedimento químico, finamente bandada ou laminada, cuja principal característica química é o conteúdo anomalamente alto em ferro, usualmente, mas não necessariamente contendo camadas de chert.
As rochas carbonáticas e as cálcio-silicáticas são classificadas segundo critérios de Rosen et al. (2007) - International Union of Geological Sciences (IUGS) - Subcomission on the
systematics of metamorphic rocks (SCMR) (2007), onde as rochas metacarbonáticas são
classificadas de acordo com a composição modal dos minerais de Ca e Mg, nos limites de 95%, 50% e 5% na rocha (Figura 8). O limite de 95% separa os mármores puros dos mármores impuros, enquanto o limite de 50% dos minerais separa os mármores impuros das rochas carbonato silicáticas, e o de 5% separa as rochas carbonato silicáticas das rochas cálcio-silicáticas e rochas silicáticas com carbonato. Termos estruturais mais específicos podem ser adicionados, tais como: xistos, gnaisses e granofels. Na falta de uma definição precisa dos minerais cálcio- silicáticos, os autores propõem uma lista com os seguintes minerais: granada cálcica da série ugrandita, plagioclásio cálcico, escapolita cálcica, diopsídio-hedenbergita, minerais do grupo do epidoto, hidrogrossulária, johannsenita, frenita, pumpelita, titanita, vesuvianita e wollastonita. Williams et al. (1982) consideram que as rochas cálcio-silicáticas e escarnitos constituem-se quase totalmente de silicatos de cálcio. Os hornfels são derivados de calcários argilosos enquanto o termo “escarnito” é reservado para rochas petrograficamente similares, derivadas de calcários e dolomitos quase puros e nas quais tenha havido introdução de grande quantidade de Si, Al, Fe e Mg. O modo de origem para hornfels e escarnito pode ser distinguido com base nas evidências de campo. O escarnito está restrito à zona de junção entre mármores e rochas plutônicas, enquanto os hornfels gradam em direção às rochas menos alteradas, de composição química similar. Com o aumento na quantidade de calcita, os escarnitos gradam para mármores cálcio-silicáticos.
Em termos econômicos, Meinert (1989) indica que os depósitos do tipo escarnito resultam da interação hidrotermal de magma silicoso, quente, com rochas sedimentares frias. Distribuem- se por todo o mundo, e são fonte importante para vários metais básicos e metais preciosos. Os depósitos escarníticos podem ser divididos em cinco tipos de grupos maiores que são: de ouro, ferro, cobre, cobre pórfiro e chumbo-zinco. Ainda, segundo o mesmo autor, a maior reserva e produção de ouro ocorre em escarnitos relacionados a intrusões mineralizadas em cobre pórfiro, portanto fazem parte deste tipo de depósito e apresenta grande volume e baixo teor em ouro. A
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Figura 8: Gráfico rocha carbonática x cálcio-silicática x rocha silicática com carbonato, de acordo com a composição modal dos minerais de Ca e Mg. Fonte SCMR (2007).
maioria dos escarnitos, de alto teor em ouro, contém pequena quantidade de cobre, chumbo e zinco, e é diferente daqueles escarnitos de metais básico. Contêm ainda maior quantidade dos elementos arsênio, bismuto e telúrio, os quais não são abundantes em outros tipos de escarnitos. Os corpos plutônicos associados com escarnitos mais ricos em ouro estão associados a dioritos reduzidos e plutons granodioríticos. Os principais minerais cálcio-silicáticos são a granada e o piroxênio. As granadas tendem a ser grandita mais aluminosa, em relação aos outros tipos de escarnito. O piroxênio varia do diopsídio para a hedenbergita. Outros minerais importantes de escarnitos são: feldspato potássico, biotita, idocrásio, frenita, apatita, esfeno e escapolita. A arsenopirita e a pirrotita são os sulfetos mais importantes, com quantidades subordinadas de marcassita e pirita. Grande quantidade de minerais de bismuto e teluretos tem sido relatados em alguns depósitos. Meinert (1989) aponta que, em escala de depósito, o zoneamento mineral é comum. A granada é tipicamente proximal, em relação ao corpo ígneo, enquanto o piroxênio é mais abundante e mais rico em ferro, na zona distal. Escarnitos de zona proximal geralmente são mais ricos em cobre, com Au, As, Bi e Te concentrados na zona distal (zona do piroxênio). Alguns depósitos exibem halo de Pb-Zn-Ag, além do limite da escarnitização. A maioria dos escarnitos de cobre é enorme, mas com teores baixos de ouro; os de maiores teores estão associados a zonas de alto conteúdo em sulfetos e intensa alteração retrógrada, especialmente em zona de silicificação de baixa temperatura. O epidoto, anfibólio e a clorita são os principais
30 produtos de alteração retrógrada de granadas e piroxênios, e também ocorrem em zonas de substituição de escarnitos de sulfetos maciço. As maiores médias de Ag e Au ocorrem em escarnitos ricos em sulfetos e abundante alteração retrógrada.