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Del 3: Arbeidsmetodikk

6   Økonomiske konsekvenser

6.1   Marginal driftskostnad

Após expor o comportamento de Pedro, o qual foi o porta-voz dos discípulos no diálogo introdutório, as palavras seguintes de Jesus são apresentadas no plural. Portanto, no nível da narrativa o discurso é para os onze seguidores passarem adiante, ao GJ. O tema da sua ida evoca o tema do caminho. Num tom provocativo, Jesus acrescenta: “Para onde eu vou conheceis o caminho”. Conhecer o caminho é crer na fala, no modo de vida de Jesus. É o fato de amarem-no e praticarem as obras62. Esse é o caminho feito

por Jesus.

A imagem do caminho é universal. No NT ela aparece 101 vezes, sendo empregada de maneira personificada uma única vez no QE (14.6). Em sua concepção fundamental, significa não somente uma rota, mas uma caminhada, uma viagem entendida como ação, muito comum na Bíblia, em que “o caminho que conduz à vida” é oposto ao “caminho que conduz à morte”. A Lei que foi revelada a Moisés e que é celebrada pelo Sl 119 é, por excelência, o caminho da vida (Dt 5.33).

O uso dessa metáfora traz à lembrança de todo o Israel o Êxodo, quando o Senhor traça a rota para a Terra Prometida. Em sua fala, Jesus afirma que os discípulos aprenderam com ele “o caminho” — um método que leva ao Pai, que leva “à verdade” e que leva “à vida”. Tomé, conhecido como o incrédulo, cujo temperamento ousado é familiar aos leitores, exprime em 11.16 a inteligência obtusa dos discípulos. Porém, em 20.28, é ele o discípulo que cita a revelação máxima de Jesus “εeu Senhor e meu Deus!” (o` ku,rio,j mou kai. o` qeo,j mouÅ) — um possível recurso literário do narrador implícito para descredibilizar outros escritos, uma oportunidade do autor do QE, com o personagem Jesus, articular suas ideias intencionalizadas a convencer um grupo, provavelmente indo em sentido contrário aos evangelhos de Nag Hammadi.

Jesus deixa claro em sua resposta que “ninguém” chega ao Pai senão por ele, pelo caminho, pelo seu modo de vida apresentado no QE. Uma expressão de máxima certeza, sua ressonância vem por meio de uma fórmula de revelação, a qual reúne numa

só categoria diferentes concepções acerca da revelação (fórmula de apresentação, fórmula de qualificação, fórmula de reconhecimento). Jesus se revela com ou em suas palavras para dizer o que e quem ele é. O conteúdo de sua revelação é a sua própria relação íntima com o Pai, por outro aspecto, o dom salvífico que se expressa no QE por meio de numerosos conceitos soteriológicos: a verdadeira vida (15.1-5); o pão da vida (6.35;6.41.48-51); o bom pastor (10.11,14); a luz do mundo (8.12; 12.46); a ressurreição e a vida (11.25), o caminho, e a verdade, e a vida (14.6).

Jesus é a verdade (14.6) em virtude de nele residir plenamente a realidade divina (o Espírito do amor), que realizou nele a plenitude da realidade humana. Com sua atividade em favor do homem (10.37), que manifesta o amor de Deus, revela ao mesmo tempo a verdade sobre Deus e sobre o homem.63

A afirmação contida na metáfora “eu sou o caminho” (evgw, eivmi h` o`do.j) está alicerçada em “o caminho” (v.6) e se liga ao pronome preposicionado genitivo “por mim” (“diV evmou/”), que apresenta a metáfora como sendo exclusivista64, um único ponto

de vista. A essa afirmação se agregam “e a verdade, e a vida” (h` avlh,qeia kai. h` zwh,\). Essa unidade vem se confirmando desde 11.25, com o uso enfático de “eu sou a ressurreição” (evgw, eivmi h` avna,stasij) — conceitos personificados no personagem Jesus que levam até o Pai. Àqueles que se identificam com essa verdade que leva à vida, “esta verdade comunica a vida verdadeira”.65

O caminho do adversário gera morte (7.19).

O caminho da verdade gera vida (14.6).

O caminho da liberdade gera vida (8.32).

O Cristo do QE ensina o adepto a participar do conhecimento da verdade que, até então, somente o filho possuía, ensina a alcançar um amadurecimento espiritual a ponto de fazer-se ou constituir-se outro ser, um ser novo, nascido para uma nova vida (3.5). Por meio dele o GJ tem pleno conhecimento do Pai e precisa ser livre para

63 MATEOS; BARRETO, 2005, p. 278.

64 “Esta declaração parece ser muito exclusivista para nossa mentalidade atual, por isso é preciso ler o QE no seu contexto histórico e social. A preocupação de João não era abrir diálogo com o mundo pós- moderno [...], seus leitores ouvintes são os membros da comunidade [...] queria mostrar àqueles que diretamente ou por meio da comunidade (20.29) chegaram a conhecer Jesus de Nazaré, que para eles a salvação não estava na volta à sinagoga, nem em qualquer outro caminho que não passasse por Cristo” (KONINGS, 2005, p. 273).

permanecer na palavra (14.15-17). O caminho adverso gera morte. Semanticamente a palavra morte apresenta similaridades com exploração, caos, perda, desigualdade, opressão, abandono, exílio, exclusão social, injustiça, desequilíbrio emocional e outras nesse sentido.

“Eu sou” (evgw, eivmi) é uma expressão literária que cumpre duas funções, sendo uma a veterotestamentária para o nome de Deus em Êx 3.1-7. No hebraico não consta o verbo ser, o que torna a tradução bastante difícil. O que mais se aproximaria é a forma “Aquele que está aí”, mas que foi traduzida como “Eu sou” pela Septuaginta. Portanto, quando Moisés pergunta o nome da divindade que está falando com ele a resposta não foi evgw, eivmi,. Em uma série de textos joaninos encontramos a fórmula “Eu sou” seguida de um adjetivo ou de um símbolo que metaforicamente representa a vida em sua existência. Desse modo, o autor estaria fazendo uso mimético da expressão traduzida do AT, a fim de legitimar a identidade de Jesus.66

6.35 Eu sou o pão da vida

O que vem a mim não terá fome.

8.12 Eu sou a luz do mundo

O que me segue não caminhará em trevas Mas, terá a luz da vida.

10.14 Eu sou o bom pastor

Eu conheço minhas ovelhas E minhas ovelhas me conhecem.

11.25 Eu sou a ressurreição

Quem crê em mim, ainda que morra viverá E quem vive e crê em mim jamais morrerá

14.6 Eu sou o caminho e a verdade e a vida

Ninguém vem ao Pai senão por mim.

15.1 Eu sou a verdadeira videira

E meu pai é o agricultor.

O valor dessas fórmulas revelatórias reside no significado que os símbolos carregam, em como se associam com a pessoa de Jesus e com as necessidades básicas da vida como um todo: a representação simbólica e imagética da fome saciada; a luz

66 Cf. RIGAUX, Beda; LINDARS, Barnabas. Para uma história de Jesus: o testemunho do Evangelho de João. Espanha: Desclée De Brouwer, 1979, p. 120-130.

como metáfora iluminando as ideias, as escolhas; um pastor que tem um relacionamento íntimo com os seus, pronto a dar a vida, é a própria ressurreição do que está morto. Simbolicamente, Jesus com suas crenças tem a capacidade de mudar, transformar o ser. Ele é o próprio modelo de vida, é a videira, o que promove alegria, sombra, mata a sede, e seu Pai, o agricultor. Ou seja, a videira não morre, significando uma vida plena e próspera.

1.10.6 “Conhecer a Deus!” O caminho leva ao Pai (8-11)

Conhecer a Deus é o grande desejo de Jesus para os seus seguidores. Os que participam na cena do lava-pés, numa ação de pertença, uma característica do GJ, conhecerão a Jesus e o Pai: “E desde agora conheceis ele e vistes ele” (14.7). Jesus, o filho de Deus, deu a conhecer o Pai; é o portador do caminho, da verdade e da vida. Mas aos que saíram do seu grupo, ou ainda, a outros grupos disseμ “σão conheceis nem a mim nem a meu Pai; se me conhecêsseis, conheceríeis também meu Pai” (14.8). Porém para os que Jesus chama de “filhinhos” (13.33) e depois de amigos (15.5), o caso é diferente.67

τ verbo “conhecer” aparece em três tempos diferentesμ no perfeito (evgnw,kate, = conhece), um suposto conhecimento adquirido pelos discípulos; no futuro (gnw,sesqe = conhecereis), para o conhecimento do Pai; e proclamado no presente (ginw,skete = conheceis), como se já estivesse em ação. A mudança do futuro para o presente é introduzida por um “desde agora” (kai. avpV a;rti), “já agora” (13.19). Jesus não está se referindo ao tempo futuro, mas ao tempo de sua presença terrestre, tal como em “vós vistes”68. Aqui o narrador utiliza como ferramenta literária os verbos ginw,skw

(conhecer) e dei/xon69 (ver), ambos pertencentes ao vocabulário da Aliança, reconhecer

plenamente. Conhecer “o Pai” no QE é modificado para conhecer “o σome”, isto é, Deus, o que João manterá em 17.3. O ver está em sequência com conhecer na literalidade e os v.8-9 perseveram de modo exclusivo. “εostra-nos o Pai e isso nos

67 KONINGS, 2005, p. 75.

68 LÉON-DUFOUR, 1996, v. 3, p. 75.

69 “τ verbo ‘dei,knumi’ pertence ao vocabulário da revelação; em João 5.20 ‘O Pai mostra ao Filho tudo o que faz’; 10.32: Jesus mostrou obras vindas do pai; 13.15: Ele dá um ‘exemplo’ (u`po,deigma) aos discípulos; 2.18: pede-se a Jesus que mostre sinais” (LÉON-DUFOUR, 1996, v. 3, p. 75).

basta” remete à oração de εoisés a YHWHμ “εostra-me (dei/xon) a tua glória” (Êx 33.18).

É no diálogo de Jesus com Felipe que encontramos a afirmação: “Mas o Pai em mim permanece (e) faz as obras dele” (v.10-11). A narrativa ganha um ritmo crescente, acelera. Jesus intensifica o verbo ver no fato do Pai habitar nele, permanecer (me,nw). A afirmação “o Pai é quem realiza suas obras” ocorre três vezes: a primeira e a última num apelo a crer (v.10-11) e a segunda (10c), numa frase que acentua a ação do Paiμ “É o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas (próprias) obras”.

Jesus recorre às obras para legitimar a afirmação: “Eu e o Pai somos um”. Suas palavras deveriam ser suficientes para a comunidade reconhecê-lo como o portador escatológico da revelação e da salvação. Seus atos, suas obras têm valor de sinais e testemunhos, e podem significar uma ajuda para homens em que a força da crença ainda é fraca.70

Se Jesus é o caminho, e a verdade, e a vida (v.6), não o é de maneira temporária. O objetivo é o Pai; não é a sinagoga como para alguns judeus. Como o texto apresenta de maneira intensa, o GJ tem livre acesso ao Pai pela sua adesão por meio do seu filho Jesus.

A Torá, a Lei de Moisés, tem um mythos próprio, constitui uma relação ao deslocamento do exílio. Quando o povo de Israel foi deportado para a Babilônia, teve seu Templo destruído e sua vida religiosa arruinada. No século VI a.C., o texto da Lei se tornou um novo “santuário” em que os exilados cultivam a Presença Divina. A codificação dos objetos puros e impuros, profanos e sagrados, correspondeu a uma criativa reorganização de um mundo despedaçado.71

Semelhantemente, o GJ passa por um período parecido: o templo foi destruído, os que assumem a identidade do grupo são expulsos da sinagoga (12.42), sofrem um exílio, um deslocamento físico e espiritual, uma extirpação violenta72, perde-se a

identidade. Tem-se a necessidade de um “santuário”, um lugar de perdão de pecados. No GJ o santuário será revelado por Jesus (14.16-17). Pode-se fazer um paralelo com as muitas moradas (14.2). Quem permanecer no grupo terá morada do Pai.

70 SCHNACKENBURG, 1980, p. 101.

71 ARMSTRONG, Karen. Em nome de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 37. 72 ARMSTRONG, 2001, p. 26.

1.10.7 Um solene “Amém, amém!” O caminho para um novo santuário (12-24)

No processo de construção identitária do cristianismo do GJ, o narrador se vale dos elementos da linguagem religiosa em que está inserido. Nos embates com os intelectuais, as autoridades judaicas, Jesus assume uma posição de destaque com a fórmula introdutória “Amém, amém”.

Esse vocábulo era empregado em predições, vaticínios e argumentações; portanto em suas descrições de acontecimentos e instruções, membros do grupo joanino deixavam claro que o pronunciamento de Jesus de Nazaré não fazia um pronunciamento litúrgico como o faria um religioso judeu. O Amém autoriza a fundamentação da argumentação.73

O duplo amém é mais uma característica do QE. Ele aparece 48 vezes em 24 pares, sendo 2 pares em nossa perícope. Assim como no AT havia a fórmula litúrgica da Aliança (“Serei o vosso Deus, vós sereis o meu povo” — Gn 17.7; Dt 29.12; Jr 7.23), marca da construção da identidade do povo escolhido, do povo de Israel, do povo abraâmico, o duplo amém na fórmula litúrgica do GJ passa a fazer parte da construção identitária desse grupo, uma fórmula litúrgica exclusiva do personagem Jesus no QE.

O narrador implícito inicia a sequência dos v.12-14, os quais se unem em torno do verbo poie,w (fazer), que ocorre três vezes: “Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará maiores do que essas” (14.12). Jesus introduz na comunidade a possibilidade dos que assumirem a identidade pelo crer (que será retomado) fazerem obras que, ao menos em extensão e quantidade, superarão as que ele, em sua limitação histórica, pôde realizar74. Que obras são essas? Em nossa perícope a obra está em amar

o Pai, amar a Jesus, amar o outro, servir em igualdade.

O narrador insiste em desmitologizar a escatologia tradicional. A volta de Jesus depois de sua exaltação não é um evento apocalíptico, mas ele retornará aos tekni,a = “filhinhos” (13.33) com o espírito que será dado como consolador (v.15-17), também chamado de “espírito da verdade” (to. pneu/ma th/j avlhqei,aj), oposto ao espírito do erro (pneu/ma th/j pla,nhjÅ) em 1 João 4.6. Em 14.16, Jesus fala aos discípulos que pedirá ao Pai e ele lhes dará “outro Paráclito”.

73 SANTOS, João Batista Ribeiro. Identidade e memória no cristianismo sírio-palestinense: o amém nos ditos de Jesus de Nazaré. IX Fórum de Debates em História Antiga, Universidade do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010, p. 1-10.

Mas quem é esse outro Paráclito? No QE essa figura é identificada com a parousia de Jesus, quando ele se fará presente com os seus discípulos novamente como resposta às petições da comunidade que continua o seu trabalho terreno nas obras, nos sinais que pratica.75

Um aposto o identifica: ele é o Espírito da Verdade (v.17). Essa construção para designar o espírito de Deus é característica, na Bíblia, dos escritos joaninos. Remetendo à proclamaçãoμ “Eu sou o caminho e a verdade e a vida”, ela qualifica o Espírito de Jesus-verdade e evoca não apenas a sua revelação, mas também a descriminação que esta opera entre os homens segundo a sua resposta (9.39), [...] na acolhida que se faz a ele, entre o “mundo” e os “fiéis”ν aqueles que rejeitam crer no Filho não podem receber aquele que desconhecem.76

O termo Paráclito (para,klhtoj) aparece cinco vezes no NT. Segundo o texto, o mundo, os que não são do GJ não o conhecem, mas o GJ o conhece. Ele é o espírito da verdade (14.16-17; 15.26), e o espírito da verdade que vem do Pai é para os que permanecem na palavra de Jesus. Estes conhecem a verdade (8.31-32): “se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecerão a verdade e a verdade vos libertará” (8.31-32). Isso foi dito aos judeus que nele haviam crido. O caminho de Jesus é uma verdade que gera vida livre das leis mosaicas; ser do GJ está para além do fato de ser judeu.

O narrador continua mostrando aos destinatários, aos do GJ, a maneira de se obter a verdade que leva à vida. Agora, mediante a promessa àqueles que observam os seus mandamentos, a frase “se me amais observareis os meus mandamentos” reaparece quatro vezes sob a forma de sinônimos e enquadra o bloco dos v.14.15-24. O narrador utiliza um diálogo com o personagem Judas Iscariotes, introduzido bem no meio do refrão. Trata-se do v.22. A pergunta: “Senhor, (e) o que aconteceu por que para nós fareis revelar a ti mesmo e não ao mundo?” contribui com outro arranque, assim como a dificuldade de Felipe — o desenvolvimento literário que, mais tarde, provavelmente apresente a ideia de um propósito complementar das experiências acessíveis aos do GJ.

-- VEa.n avgapa/te, me( ta.j evntola.j ta.j evma.j thrh,sete\

-- Quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama! (v.21).

75 KONINGS, 2005, p. 210.

-- o` e;cwn ta.j evntola,j mou kai. thrw/n auvta.j evkei/no,j evstin o` avgapw/n me\

Diz a ele Judas não o Iscariotes: Senhor o que aconteceu que a nós vais manifestar e não ao mundo?

-- Le,gei auvtw/| VIou,daj( ouvc o` VIskariw,thj\ ku,rie( Îkai.Ð ti, ge,gonen o[ti h`mi/n

me,lleij evmfani,zein seauto.n kai. ouvci. tw/| ko,smw|È

-- Se alguém me ama, guardará a minha palavra (v.23).

-- eva,n tij avgapa/| me to.n lo,gon mou thrh,sei

-- Quem não me ama não guarda as minhas palavras! (v. 24).

-- o` mh. avgapw/n me tou.j lo,gouj mou ouv threi/\

Esse refrão não se restringe a si mesmo: a cada vez ele introduz o enunciado de uma ação do próprio Pai, apresentada na forma de catálogo culminativo:

-- e eu pedirei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito (v.16).

-- kavgw. evrwth,sw to.n pate,ra kai. a;llon para,klhton dw,sei u`mi/n

-- o espírito da verdade o qual o mundo não pode receber (v.17).

-- to. pneu/ma th/j avlhqei,aj( o] o` ko,smoj ouv du,natai labei/n

-- Não vos deixarei órfãos, venho para vós (v.18).

--Ouvk avfh,sw u`ma/j ovrfanou,j( e;rcomai pro.j u`ma/jÅ

-- porque eu vivo, vós também vivereis (v.19).

-- o[ti evgw. zw/ kai. u`mei/j zh,seteÅ

-- avgaphqh,setai u`po. tou/ patro,j mou( kavgw. avgaph,sw auvto.n kai. evmfani,sw auvtw/| evmauto,nÅ

-- e meu Pai o amará a ele viremos e morada junto a ele faremos (v.23).

-- kai. o` path,r mou avgaph,sei auvto.n kai. pro.j auvto.n evleuso,meqa kai. monh.n parV

-- e a palavra que ouvis...[é] do Pai que me enviou (v.24).

Assim, essa sequência de 15-24 apresenta a sua estruturação nas palavras amar (avgapa,w), observar (thre,w) e guardar (thre,w), cujo objeto é Jesus, seus mandamentos ou sua palavra77. “τs vv.16-17 se unem perfeitamente com os vv. 12-13 (os vv. 14-15

são uma glosa de E3)”.78

No NT, o termo para,klhtoj só aparece nos discursos joaninos de despedida (v.16), em que se refere ao Espírito, e uma vez em 1 João 2.1, em que caracteriza Jesus como intercessor celeste. Sua função no texto é “permanecer convosco para sempre” e o termo “outro” supõe que o título já se aplicava a Jesus exaltado79. O narrador, após

alentar em 13.33 com o termo “filhinhos” (tekni,a), faz uma ligação direta com “não vos deixarei órfãos” (v.1κ), estabelecendo um paralelo:

-- “Filhinhos, não vos deixarei órfãos”.

A cada versículo o discurso vai ganhando ritmo numa ordem crescente, com novas informações que confirmam a partida de Jesus. Ele agora diz aos discípulos que não os deixará órfãos. Jesus anuncia a sua partida e possivelmente esclarece a ideia de “vida” do v.1λ. O desamparo é somente aparente e os discípulos do GJ viverão outra realidade, experimentarão uma convivência, uma comunhão com Jesus mais profunda do que a vivida até aquele momento.80

O Paráclito é uma ajuda, um auxílio. O mundo (ko,smoj) incrédulo não verá (qewrei/) o espírito da verdade, fazendo um paralelo com o v.22. O ver para o GJ está fundamentado em ser expectador. Os discípulos conhecem o espírito da verdade porque está com eles e neles:

v. 17 me,nei — e;stai e v.19 zw/ — zh,sete v. 17 Permanece — Estará e v.19 Vivo — Vivereis

77 LÉON-DUFOUR, 1996, v. 3, p. 83. 78 VIDAL, 1997, p. 21-31, 475. 79 VIDAL, 1997, p. 21-31, 475.

O narrador implícito estrategicamente utiliza os dois primeiros verbos na primeira pessoa do singular e no tempo presente do indicativo. O estado atual é resultado de um acontecimento no passado.

O segundo verbo do v.17 está na terceira pessoa do singular e no tempo futuro — (ele) o “espírito da verdade” (pneu/ma th/j avlhqei,aj) “estará” — e o segundo verbo do v.19, também no futuro, na segunda pessoa do plural. Jesus afirma: “em vós permanece e em vós estará” e “eu vivo e em vós vivereis”.

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”, logo Jesus revela que ele é a verdade, o espírito da verdade. O termo espírito (pneu/ma) em João tem sentido positivo. Seu significado primordial é vento (força), alento (vida). Seu sentido positivo será o de força vital81, Espírito Santo (1.33; 14.26; 20.22), espírito da verdade (14.7; 15.26; 16.3),

Espírito e vida (4.23-24), Deus é Espírito (pneu/ma o` qeo,j), diferente de vento (a;nemoj)

em 6.18 — “τ mar vento grande soprando se erguia” (h[ te qa,lassa avne,mou mega,lou

pne,ontoj diegei,reto), com sentido negativo.

Os paralelos vão gerando o sentido de Espírito, verdade e vida, sendo o Espírito Deus, a verdade e a vida, Jesus. Portanto ele se personificou no caminho, método que tem direção ao Pai, pois o Pai nele permanece (v.10).

“E naquele dia...” (v.20): “a partir desse dia, os discípulos conhecerão de fato quem era Jesus de Nazaré: o Filho uno com o Pai, o Vivo por excelência (5.26) e descobrirão o que significa crer nele”.82

o` de. path.r evn evmoi. me,nwn

o mas Pai em mim permanece (v.10)

o[ti parV u`mi/n me,nei kai. evn u`mi/n e;stai

porque junto (a) vós permanece e em vós estará (v.17b)

Tau/ta lela,lhka u`mi/n parV u`mi/n me,nwn\

Estas (coisas) dito para vós a qual (em) vós permaneço! (v.25)

81 MATEOS; BARRETO, 2005, p. 87. 82 LÉON-DUFOUR, 1996, v. 3, p. 90.

Temos, então, que o Pai permanece no filho; o espírito da verdade permanece no presente e estará no futuro, “naquele dia”, dito isso junto aos discípulos, pois neles permanece! Pai e filho e o espírito da verdade.

Pai Filho

Espírito da verdade

Para a permanência recíproca dos discípulos e do filho encontramos uma explicação na imagem da vinha e dos ramos do capítulo 15.1 e 5, respectivamente: “Eu sou a videira a verdadeira (VEgw, eivmi h` a;mpeloj h` avlhqinh.); “Eu sou a videira, vós os ramos, o que permanece em mim, e eu em ele este produz fruto muito, porque sem mim não podeis fazer nada (evgw, eivmi h` a;mpeloj( u`mei/j ta. klh,mataÅ o` me,nwn evn evmoi. kavgw. evn auvtw/| ou-toj fe,rei karpo.n polu,n( o[ti cwri.j evmou/ ouv du,nasqe poiei/n ouvde,n). O verbo permanecer (me,nw) aparece 11 vezes em 15.1-16, sendo o tema central permanecer em Jesus, permanecer no caminho, e na verdade, e na vida. É válido lembrar que essa reciprocidade só vale para a relação entre o filho e o GJμ “Por que junto (a) vós o filho por um pouco de tempo e o mundo não mais vê” (v.19), ou seja, os que não pertencem ao GJ; “naquele dia vós conhecereis...” (v.20).