4.1 24½ - timers mannen
4.3 Manns-alder og erfaring
Como se verificou anteriormente, há casos em que não há identidade de tipo textual nos segmentos da construção adversativa. Procura-se verificar, aqui, por que isso ocorre.
Para tanto, apresentam-se estas ocorrências:
206) O presidente da Funai foi desaconselhado a fazê-lo – por questões de segurança – por representantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Federal. Mas, na terça-feira, tomou emprestado um helicóptero do Ibama e foi sozinho à aldeia. Foi a primeira vez que esse grupo indígena – em contato com os homens brancos há menos de 50 anos – recebeu visita dessa importância. Assim, Meira foi recebido com festa e saiu com os reféns libertados. Mas é claro que não se pode contar unicamente com arrojo – ou temeridade – dessa espécie para resolver situações de intermitente conflito em que se envolvem populações indígenas. Pouco antes desse seqüestro, a propósito, três policiais de Mato Grosso já haviam se tornado reféns e 350 indígenas crenaques e pataxós já haviam ocupado a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). (OESP, 15/12/07)
207) Durante dois ou três dias, Chávez dirigiu insultos pesados contra Uribe, que o
dispensara da função de mediador entre o governo colombiano e as narcoguerrilhas das Farc. O que disse de menos insultuoso foi que Uribe é “um servil instrumento do império (...), um peão do império”. Depois, convocou o embaixador venezuelano em Bogotá para consultas. Finalmente, declarou que não teria mais qualquer tipo de relacionamento com a Colômbia, enquanto Uribe fosse presidente. Mas isso não significa que tenha rompido relações diplomáticas com o país vizinho. Apenas não quer conversa com Álvaro Uribe. Apenas não quer conversa com Álvaro Uribe. (OESP, 30/11/07)
No que se refere às adversativas, em todos os casos em que não há identidade de tipo textual entre os segmentos, há tipo textual narrativo no segmento inicial e tipo textual dissertativo no segmento adversativo, como acontece em 206 e 207. Nessas ocorrências, nota- se que o segmento adversativo encerra uma sequência textual narrativa que vinha sendo apresentada não somente no segmento inicial mas também em uma porção anterior do texto. Isso mostra que o tipo textual presente no segmento inicial e no segmento adversativo é diferente.
Como se vê, em 206 e 207 o mas ocorre em início de enunciado, havendo uma pausa maior entre os segmentos da adversativa. Pode-se dizer, assim, que a mudança de sequência textual é favorecida pela pausa que ocorre entre os segmentos da construção adversativa.
Dessa forma, é possível afirmar que é o caráter paratático da adversativa que influi na ocorrência de construções com segmentos que trazem diferentes tipos textuais, pois, na relação paratática, a “ligação” entre os segmentos é mais frouxa.
Por outro lado, as concessivas identificadas no córpus, como já se apontou, trazem categoricamente identidade de tipo textual nos segmentos. Isso corresponde à expectativa, pois, na relação hipotática adverbial, o segmento hipotático é governado pelo segmento nuclear, sendo, dessa forma, (relativamente) dependente deste último.
Nas concessivas, o que pode ocorrer é o “isolamento”, no segmento concessivo, de trecho descritivo que remete, por exemplo, a algum elemento da narrativa apresentada no segmento nuclear, como acontece nesta ocorrência:
208) Utilizando outra metodologia e outro grupo de empresas, a Sondagem da Indústria de
Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) também constatou, embora com números diferentes, a disposição da maioria das indústrias de investir mais no próximo ano. (OESP,
03/12/07)
Em 208, o segmento concessivo traz descrição que remete ao termo constatou, presente no segmento nuclear, que, por sua vez, traz predominantemente tipo textual narrativo. Pode-se entender que é o tipo de conexão presente nessa construção, conexão oração-sintagma, que favorece o isolamento de trecho descritivo no segmento concessivo.
Entende-se, aqui, que não se trata de mudança de tipo textual, mas apenas de “isolamento” de um determinado tipo textual, pois a descrição remete a um elemento presente no trecho narrativo. Esse isolamento, além de ser favorecido pela conexão oração-sintagma, que ocorre com relativa frequência nas concessivas (em pouco mais de 16% dos casos no córpus de controle), é decorrente da intercalação do segmento concessivo, que topicaliza algum elemento do segmento nuclear, trazendo uma breve descrição sobre ele.
Como se vê, está envolvido aí o caráter hipotático das adverbiais concessivas. Nestas, como demonstram os resultados obtidos na análise, não há conexão entre enunciados, que faria que houvesse uma maior independência entre os segmentos da construção, favorecendo a mudança de tipo textual, como ocorre no caso das adversativas. Além disso, as concessivas especificamente, dada sua natureza de margem, de satélite, podem vir na posição intercalada, favorecendo o “isolamento” de um certo tipo textual, como se vê em 208.
No caso das adversativas, diferentemente do que se dá em 208, haveria, realmente, mudança de tipo textual, o que se verifica pelo fato de que em 207, por exemplo, no segmento adversativo se inicia novo tipo textual (dissertativo) que se mantém na frase subsequente a esse segmento. Diferentemente do que se dá no caso das concessivas, o caráter paratático das
adversativas favoreceria a conexão entre elementos que se encontram acima do nível da oração, o que, por sua vez, contribuiria para a ocorrência de mudança de tipo textual. Registre-se que, no córpus analisado, em 47% das adversativas há tipos de conexão acima do nível da oração.
Vale reiterar, no entanto, que o caráter opositivo (em sentido lato) de ambas as construções em questão é determinante para a maior ocorrência de segmentos com identidade de tipo textual, visto que, como já se disse, a relação contrastiva entre as construções implica, necessariamente, a existência de alguma semelhança, que pode ser, por exemplo, a que se dá entre tipos textuais.
A última observação a se fazer é referente à função textual presente nos segmentos das construções contrastivas. Pode-se dizer que, nas adversativas, em específico, a conexão entre porções maiores do texto, da mesma forma que determinaria mudança de sequência textual, favoreceria, por vezes, mudança de função textual. Em 206, por exemplo, há função constatativa na porção inicial e função avaliativa e/ou opinativa no segmento adversativo. Isso não quer dizer, porém, que não possa haver a mesma função textual em ambas as porções da construção adversativa, pois, como se viu, há funções que aparecem independentemente do tipo textual presente na construção. Lembre-se, também, que, nas adversativas, há, na maioria das vezes, identidade de função textual nos segmentos, o que seria relacionado ao fato de que, nas paratáticas, existe identidade de função sintática, ficando os segmentos da construção, assim, em uma mesma hierarquia.
Por fim, também se registram casos em que o segmento inicial da construção adversativa traz mais de um tipo textual, não sendo verificável, assim, o critério identidade x não identidade de tipo textual.
Como se apontou anteriormente, isso ocorre em pouco mais de 4% das adversativas (13 ocorrências). Acrescenta-se, aqui, que em cerca de 69% desses casos (9 ocorrências) o segmento adversativo traz tipo dissertativo e em pouco mais de 30% dos casos (4 ocorrências) o segmento adversativo apresenta tipo narrativo.
Tal como se expôs, isso acontece, em geral, quando o segmento adversativo se liga a porções acima do nível da oração, como se verifica neste trecho:
209) Percebem-se, de um só golpe, o desequilíbrio psicológico e a vocação ditatorial do
coronel Hugo Chávez pela maneira como conduz os negócios da Venezuela. O rompimento de relações com o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, contém esses dois elementos de instabilidade. Durante dois ou três dias, Chávez dirigiu insultos pesados contra Uribe, que o dispensara da função de mediador entre o governo colombiano e as narcoguerrilhas das Farc. O que disse de menos insultuoso foi que Uribe é “um servil instrumento do império
(...), um peão do império”. Depois, convocou o embaixador venezuelano em Bogotá para consultas. Finalmente, declarou que não teria mais qualquer tipo de relacionamento com a Colômbia, enquanto Uribe fosse presidente. Mas isso não significa que tenha rompido relações diplomáticas com o país vizinho. Apenas não quer conversa com Álvaro Uribe. Esse comportamento não é novo. Repete o que fez em 2005, quando o então presidente Vicente Fox não gostou de sua interferência no processo eleitoral mexicano. Confrontado, reage não como chefe de Estado, mas como menino malcriado e cheio de vontades.
Mas há lógica nessa loucura. (OESP, 30/11/07)
O segmento adversativo destacado em negrito em 209 traz uma sequência dissertativa. A porção à qual esse segmento está relacionado se inicia com sequência dissertativa, no entanto há sequências narrativas (aqui sublinhadas) que se intercalam às sequências dissertativas. Dado que o trecho que antecede o segmento adversativo constitui um parágrafo do texto, é de esperar que ocorra mais de um tipo de sequência.
210) (...) Outra emenda ao projeto dos salários fixou um limite para o crescimento de gastos
com obras, instalações, construções de novas sedes e reformas de prédios da administração pública. Esses gastos não poderão superar 25% do total das despesas de pessoal dos órgãos interessados. Isso evitará obras suntuosas, segundo o autor da emenda, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).
Mas a oposição não se contentou com as inovações, embora as tenha aprovado na
Comissão. (OESP, 06/12/07)
Em 210, por outro lado, o segmento adversativo traz tipo textual narrativo, e a porção à qual esse segmento está relacionado é iniciada com sequência narrativa e finalizada com sequência dissertativa (trecho sublinhado).
No entanto, na maioria dos casos identificados no córpus, na porção inicial da construção adversativa as sequências dissertativas se intercalam a sequências narrativas, tal como ocorre em 209. Essa intercalação entre sequências é significativa, pois, em muitos casos, as sequências narrativas servem para sustentar a argumentação. Em 209, por exemplo, para comprovar o desequilíbrio psicológico e a vocação ditatorial do coronel Hugo Chávez, o locutor lança mão de sequências narrativas, que demonstram as atitudes tomadas por Chávez, o que dá maior credibilidade aos argumentos apresentados, os quais têm função de avaliação/opinião (o desequilíbrio psicológico e a vocação ditatorial do coronel / isso não
significa que tenha rompido relações diplomáticas com o país vizinho).
Essa já seria uma diferença em relação às construções concessivas: como estas não trazem mais de um tipo de sequência textual em um dos segmentos, não seria possível elas apresentarem sequências narrativas para dar maior credibilidade aos argumentos apresentados na construção.
Além disso, no córpus analisado, nos casos em que não é verificável o critério identidade x não identidade de tipo textual, o critério identidade x não identidade de função textual também não o é. Em 209, por exemplo, o primeiro período da porção inicial da construção adversativa tem função constatativa e os demais períodos dessa porção trazem função avaliativa e/ou opinativa.
Por outro lado, reitere-se que, nas adversativas, há, como se viu, um maior número de ocorrências que trazem identidade de função textual do que nas concessivas, o que poderia ser motivada pela identidade de função sintática das paratáticas (adversativas).
A partir do que se mostrou, verifica-se que especificamente nas adversativas pode haver não identidade de tipo textual nos segmentos. Nesses casos, é comum que não haja também identidade de função textual. Também é no caso das adversativas que o critério identidade x não identidade de tipo textual não se aplica por vezes. Nesses casos, o critério identidade x não identidade de função textual também não é verificável. Esses resultados, como se mostrou, são decorrentes da condição paratática das adversativas, ou seja, da existência de (relativa) independência nos segmentos paratáticos.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
No tópico 5.1, para a comparação das construções estudadas, observou-se de que forma o caráter de margem, de satélite das adverbiais concessivas influi para determinar efeitos de sentido particulares.
A primeira observação feita é referente ao critério identidade x não identidade de tipo textual. Em relação às concessivas, há identidade de tipo textual em todas as ocorrências, o que era de esperar, dada a (relativa) dependência entre os segmentos. Nas adversativas, por outro lado, há casos em que não existe identidade de tipo textual nos segmentos e casos em que não é verificável o critério identidade x não identidade, o que se deve à (relativa) independência das paratáticas, produzindo-se, assim, efeitos de sentido particulares. De qualquer forma, informe-se que, como as construções contrastivas (adversativas e concessivas) estabelecem um cotejo, já era de esperar que houvesse poucas ocorrências com não identidade de tipo textual em ambos os tipos de construção em estudo.
Para a comparação entre as adversativas e as concessivas, também se levou em conta o critério identidade x não identidade de função textual. Verificou-se que, apesar de em ambas as construções ser mais recorrente a identidade de função textual, há um maior número de ocorrências de concessivas que trazem não identidade, resultado que se atribui, aqui, à relação
hierárquica presente nas hipotáticas adverbiais, decorrente da condição de margem do segmento hipotático adverbial.
Vistos esses aspectos, passou-se a verificar de que forma os tipos textuais e as funções textuais presentes nas adversativas e nas concessivas determinam diferentes efeitos de sentido.
Observou-se que, quando há identidade de tipo textual nos segmentos, as adversativas e as concessivas manifestam os tipos textuais dissertativo, narrativo e descritivo. Como se viu, quando está envolvido o tipo textual dissertativo, essas construções são utilizadas com o propósito de convencer. Quando está em questão o tipo textual narrativo, as construções são utilizadas, em geral, para informar sobre fatos/eventos inesperados, embora, por vezes, esteja em segundo plano o objetivo de convencer o interlocutor, sobretudo nas concessivas. Quando há tipo descritivo, por sua vez, as construções são utilizadas para informar ou para caracterizar. Nesse caso, também pode haver o propósito de convencer, visto que a caracterização implica um posicionamento pessoal.
Nota-se que, tanto nas adversativas quanto nas concessivas com tipo textual dissertativo, narrativo e descritivo, as funções textuais mais frequentes são a de avaliação e/ou opinião e a de constatação. No entanto, em cada tipo de construção são produzidos efeitos de sentido particulares, decorrentes, muitas vezes, da anteposição do segmento adverbial concessivo, que se dá na maioria das construções concessivas, considerando-se os três tipos textuais referidos: há pouco mais de 60% de concessivas com segmento adverbial anteposto (no córpus inicial e no de controle).
É curioso notar que esse resultado diverge daqueles registrados por Zamproneo (1998) e por Neves (1999). Zamproneo (1998), ao analisar as construções concessivas127, identifica, no total, 53% de ocorrências que trazem segmento adverbial posposto em textos de literatura técnica, oratória e dramática. No que se refere às orações concessivas, em específico, a autora encontra, em todos os tipos de literatura, maior porcentagem.
Neves (1999), ao analisar concessivas em textos da língua falada128, também registra que a maioria dos segmentos adverbiais vem na posição posposta: em 70,9% dos casos. Até mesmo quando são considerados apenas os segmentos concessivos com embora, há, na maior parte das vezes, segmento adverbial posposto: em 73% dos casos.
127 Os conectivos concessivos estudados foram os seguintes: embora, ainda que, mesmo que, por
mais/menos/muito/maior/menor que, quer ... quer, se bem que, mesmo se, nem que, conquanto, como/quem/onde quer que, ainda quando.
128 Os conectivos concessivos analisados foram estes: mesmo que, ainda que, embora, apesar que, apesar de
Por outro lado, Decat (1993), ao analisar as construções hipotáticas adverbiais do português, verifica que a maioria dos segmentos concessivos que ocorrem em texto
dissertativo escrito vem em posição anteposta. A autora diz que se trata de uma “localização estratégica”129 do segmento concessivo, que, na posição anteposta, estaria servindo ao encaminhamento do discurso. Pode-se dizer que algo semelhante ocorre com os segmentos concessivos do córpus aqui analisado: quando eles estão presentes em textos dissertativos escritos (os editoriais), o predomínio da posição anteposta também se configuraria como um recurso para o encaminhamento do discurso. O próprio fato de muitos dos segmentos antepostos atuarem como “guia”, tal como se apontou, contribui para demonstrar isso.
No entanto, há que considerar que, como se viu, além do tipo dissertativo, as concessivas manifestam os tipos textuais narrativo e descritivo, e, em todos os casos, há predomínio de segmento adverbial anteposto, que pode atuar, muitas vezes, como guia, servindo, assim, ao encaminhamento do discurso.
Isso levaria a pensar que a anteposição do segmento concessivo é motivada, sobretudo, pelo gênero discursivo no qual a construção concessiva está presente. Lembre-se que Beltrão (1980, p. 59) aponta que o editorialista deve “antecipar-se às críticas e destruir previamente as objeções que seriam formuladas ao ponto de vista expresso”. Sendo assim, parece que a necessidade de antecipar-se às críticas levaria o editorialista a utilizar com mais frequência as concessivas com segmento adverbial anteposto, já que, por meio dessa ordem, é possível acionar a estratégia de antecipação, produzindo-se, assim, diferentes efeitos de sentido em relação às adversativas.
Lembre-se, por exemplo, que, por meio da antecipação, exibe-se, muitas vezes, a estratégia de preparação defensiva nas concessivas, que contribui para que o falante poupe a face do outro ou para que ele se resguarde contra fortes objeções. Nas adversativas, por outro lado, verifica-se que há, muitas vezes, o propósito de atacar, pois se traz crítica no segmento adversativo. Identificou-se caso em que a concessiva traz crítica, reforçando, da mesma forma, argumento defendido pelo locutor, mas, nessa construção, além da crítica, há o mecanismo de antecipação, que, como se disse, também contribui para destacar argumento defendido.
Verifica-se que, até mesmo quando não há segmento adverbial anteposto na construção concessiva, motivações particulares determinam a utilização dessa construção em vez da construção adversativa. Viu-se, por exemplo, que, nas concessivas, a função de
relativização é apresentada no segmento que traz argumento fraco, diferentemente do que se dá no caso das adversativas.
Afinal, observou-se que, na análise da inserção textual das adversativas e das concessivas, pode ser incluído o papel desempenhado pelos valores semânticos dessas construções.
Nas adversativas e nas concessivas com tipo textual dissertativo, destaca-se, sobretudo, o papel exercido pelo valor de restrição. Esse valor favorece a presença da função discursiva de adendo em ambas as construções. Por outro lado, tal valor contribui para a ocorrência da função de relativização nas adversativas e nas concessivas e da função de questionamento especificamente nas adversativas.
Nas construções em estudo que trazem o tipo textual narrativo, destaca-se principalmente o papel desempenhado pelo valor de negação de inferência, que, como se viu, contribui para que se crie efeito de surpresa.
Nas adversativas e nas concessivas que apresentam tipo descritivo, por outro lado, parece que não se destaca um valor semântico em específico para o favorecimento de uma dada função, apesar de haver a predominância de um dos valores semânticos no caso das sequências descritivas.
Observa-se, ainda, que ambas as construções em estudo se regem pela “lei da preferência” (GARCÍA, 1994), prevalecendo um dos argumentos apresentados, que, em casos excepcionais – quando há mudança de posição em construções com sequência dissertativa ou descritiva – é o do interlocutor.
A seguir, passa-se a tratar do estatuto informacional presente nos segmentos das construções em estudo, verificando-se, entre outros aspectos, os diferentes efeitos de sentido produzidos em cada uma delas.
5.2 Adversativas e concessivas: estatuto informacional
Para a comparação entre as adversativas e as concessivas, investiga-se a questão do estatuto informacional a fim de verificar quais seriam as possíveis motivações de uso de uma dessas construções em vez de outra.
Registram-se, primeiramente, os dados referentes à construção adversativa. No que diz respeito a essa construção, a primeira verificação a fazer é se os segmentos presentes nela exibem o mesmo tipo de estatuto informacional.
Nas adversativas, há identidade de estatuto nos segmentos em quase 80% dos casos (251 ocorrências) e não há em cerca de 20% dos casos (64 ocorrências). Nas concessivas, por sua vez, verifica-se que há identidade de estatuto nos segmentos em pouco mais de 72% dos casos (26 ocorrências) e não há identidade em cerca de 28% dos casos (10 ocorrências). Como se vê, registra-se uma maior porcentagem de ocorrências de concessivas nas quais não há identidade de estatuto informacional entre os segmentos.
Para que esses dados sejam confirmados, observam-se os resultados de análise obtidos no córpus de controle. Nesse córpus, há identidade de estatuto nos segmentos em 75% dos