Erfaring fra andre hendelser
11.5 MANGLENDE ALTERNATIV OPPVARMING I PRIVATBOLIGER
Estes dois aspectos - a) e b) - da ação social são trabalhados por MAX WEBER. Com relação ao primeiro aspecto, WEBER distingue quatro tipos de ação, duas das quais racionais: ação racional com relação a fins (zweckrational), racional com relação a valores (wertrational), ação afetiva e ação tradicional. No primeiro caso, a ação é determinada
" ...por expectativas quanto ao comportamento de objetos do mundo exterior e de outras pessoas, utilizando essas expectativas como 'condições' ou 'meios' para alcançar fins próprios, ponderados e perseguidos racionalmente, como sucesso;..."58
que é a racionalidade utilitária, como vimos; também (como é inevitável), esta ação racional de WEBER conduz à questão da previsão, na forma da "expectativa de comportamento de objetos e de outras pessoas", que nada mais é do que o cálculo das conseqüências, de HOBBES. Mas WEBER admite outras
58Weber, Max Economia e sociedade, Brasília, Ed. UnB, 1991, v.1, p. 15. Em prosseguimento à sua
caracterização da ação racional referente a fins, WEBER afirma: "Age de maneira racional referente a
fins quem orienta sua ação pelos fins, meios e conseqüências secundárias, ponderando racionalmente tanto os meios em relação às conseqüências secundárias, assim como os diferentes fins possíveis entre si: isto é, quem não age nem de modo afetivo (e particularmente não-emocional) nem de modo tradicional. A decisão entre fins e conseqüências concorrentes e incompatíveis, por sua vez, pode ser orientada racionalmente com referência a valores: nesse caso, a ação só é racional com referência a fins no que se refere aos meios. Ou também o agente, sem orientação racional com referência a valores, na forma de 'mandamentos' ou 'exigências', pode simplesmente aceitar os fins concorrentes e incompatíveis como necessidades subjetivamente dadas e colocá-los numa escala segundo sua urgência conscientemente ponderada, orientando sua ação por essa escala, de modo que as necessidades possam ser satisfeitas nessa ordem estabelecida (princípio da 'utilidade marginal'). A orientação racional referente a valores pode, portanto, estar em relações muito diversas com a orientação racional referente a fins. Do ponto de vista da racionalidade referente a fins, entretanto, a racionalidade referente a valores terá sempre caráter irracional, e tanto mais quanto mais eleve o valor pelo qual se orienta a um valor absoluto; pois quanto masi considere o valor próprio da ação (atitude moral pura, beleza, bondade absoluta, cumprimento absoluto dos deveres) tanto menos refletirá as conseqüências dessa ação. Mas também a racionalidade absoluta referente a fins é essencialmente um caso-limite construído." Idem,
ibidem, p. 16. Aqui WEBER adianta: a irracionalidade dos valores do ponto de vista da ação
absolutamente racional (referente a fins), conforme a discussão que se seguirá, mormente na voz da Escola de Frankfurt (neste Capítulo, à frente); e a consideração racional de meios e conseqüências, incluindo a consideração das conseqüências secundárias (que denominamos efeitos colaterais), e o encadeamento possível de ações racionais (sejam as ações da cadeia todas racionais referentes a fins ou não), tópicos que serào discutidos por SIMON, no Capítulo 4. Quanto ao encadeamento das ações
racionais, observe-se que, nas organizações burocráticas, os meios são tratados racionalmente (cientificamente inclusive), no interior de uma ação racional referente a fins: trata-se de uma racionalidade recursiva ou metarracionalidade: em realidade, a adequação de meios para a consecução de fins traz consigo a usura de meios do ascetismo religioso, que leva esta adequação à minimização, como queria SIMON na definição de racionalidade do Capítulo 2 (p. 6).
motivações para o agir humano. Na ação racional referente a valores esta motivação se dá
" ...pela crença consciente no valor - ético, estético, religioso ou qualquer que seja sua interpretação - absoluto e inerente a determinado comportamento como tal, independentemente do resultado;..."59
Para quem acompanhou a trajetória da razão desde a Filosofia da Grécia até a modernidade, uma tal ação cujo valor reside no ato que a produz e não em resultados previamente calculados não parecerá novidade. E menos estranhamento ainda causará o fato deste ato, valioso em si mesmo, ser balizado conscientemente contra um corpo ético, religioso ou de outro tipo. WEBER assim cristaliza uma cisão que será fundamental na ulterior produção teórico- crítica da razão.60
Os demais tipos de ação definem-se por si próprios: a afetiva é emocionalmente motivada, "é o soco dado numa partida de futebol pelo jogador que perdeu o controle dos nervos"61; a ação tradicional dá-se "por
costume arraigado".62
No que diz respeito ao segundo aspecto, WEBER introduz as relações de poder, ou, mais especificamente, de dominação63, que regulam o
relacionamento entre a ação individual e as dos indivíduos ou grupos inseridos no âmbito dessa dominação. A dominação ocorre por motivos e meios diversos; com freqüência (mas não necessariamente) serve-se de um quadro administrativo, e, dentre estes e outros fenômenos circundantes, interessa especialmente a legitimação, a "crença na legitimidade", de que a dominação quase sempre se faz acompanhar, se quiser aumentar suas chances de sobrevivência64. Existem, então, para WEBER, três tipos puros65 de dominação
legítima: a racional,
"...baseada na crença na legitimidade das ordens estatuídas e do direito de mando daqueles que, em virtude dessas ordens, estão nomeados para exercer a dominação (dominação legal);..."66
a tradicional, e a carismática.67 Interessa-nos a do primeiro tipo, é claro. As
outras duas categorias servem a WEBER como o estudo de tribos distantes
59Idem, ibidem.
60Vide p. 30, à frente, a citação de TRAGTENBERG e a discussão subseqüente.
61Aron, Raymond As etapas do pensamento sociológico, S.P./Brasília, M. Fontes/UnB, 1987, p. 465. 62Weber, ibidem.
63"Poder significa toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra
resistências, seja qual for o fundamento dessa probabilidade. (§) Dominação é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis;
disciplina é a probabilidade de encontrar obediência pronta, automática e esquemática a uma ordem, entre uma pluralidade indicável de pessoas, em virtude de atividades treinadas." Weber, op. cit., p. 33.
64"Conforme ensina a experiência, nenhuma dominação contenta-se voluntariamente com motivos
puramente materiais ou afetivos ou racionais referentes a valores, como possibilidade de sua persistência. Todas procuram despertar e cultivar a crença em sua 'legitimidade'."Idem, ibidem.
65Conforme sua construção metodológica do "tipo ideal". 66Idem, p. 141.
67A tradicional é estabelecida consuetudinariamente sobre o valor que se atribui à tradição, e na
legitimidade da autoridade tradicional; a carismática apóia-se nas características da personalidade de um líder (vivo ou morto), que fazem acreditar ter este (ou seus representantes) alguma relação com a
servem ao antropólogo urbano: fornecem a alteridade necessária à sua genial análise de nosso tipo de organização social68.
É esta dominação racional que se faz acompanhar do aparato legal- burocrático como quadro administrativo. Suas características são o exercício impessoal da autoridade, vinculado sempre a normas aceitas pelos membros da comunidade, exercidas em geral por delegação através dos membros do aparato administrativo, de acordo com uma hierarquia definida. Necessita ainda de qualificação técnica de seus membros, que caracteriza a competência através da qual estes podem galgar a hierarquia, num sistema meritocrático. Objetiva, através de tais meios, a racionalidade dos fins organizacionais. Detalhes sobre estas características são encontradiços, não por acaso, em livros de teoria administrativa.69
Indubitavelmente, estamos diante da estrutura que materializa a racionalidade administrativa: é seu objeto e anima sua lógica interna. É o ponto de partida para qualquer referencial, inclusive crítico, da análise teórica da administração moderna. É a partir da burocracia como racionalidade estrutural da sociedade industrial que 1) as principais contribuições à teoria das organizações vão prosseguir e 2) a crítica desta racionalidade vai-se construir, conforme veremos.
WEBER estava insatisfeito tanto com o pensamento positivo quanto com o idealismo de origem germânica. Sua teoria baseada na ação social resgata elementos de ambos os lados.70 Igualmente, influencia tradições em diferentes
68Observe-se que, diferentemente da ação racional referente a fins, nas demais ações o valor do ato
encontra-se no ato mesmo, quaisquer que sejam suas conseqüências (na racional referente a valores, o ato visa a normatividade; na tradicional, a tradição; na emocional, a pura vasão de energia psíquica pelo ato em si). Já na ação racional referente a fins, o valor do ato reside justamente na expectativa de produção das conseqüências, que estão além de si.
69Vide Lodi, J. B. História da administração, S.P., Pioneira, 1987; Motta, F. C. Prestes Teoria geral da
administração, S.P., Pioneira, 1991; Chiavenato, I. Introdução à teoria geral da administração, S.P., McGraw-Hill, 1983; sobre o assunto há farta literatura. Vide também BURREL e MORGAN, citado
abaixo.
70"WEBER estava travando uma guerra em pelo menos dois flancos. Ele estava insatisfeito com a
superficialidade que caracterizava a explicação positivista da sociedade, e também grandemente preocupado com o subjetivismo e a natureza 'anticientífica' do pensamento idealista. Sua solução para o problema é encontrada em seus escritos metodológicos, nos quais desenvolve a visão de que os fatos sociais (social affairs) necessitam ser 'adequados ao nível do significado' (...) ou seja, entender o significado subjetivos da ação social."; e, por outro lado, "Essencialmente, Weber está interessado em desenvolver uma teoria causal de explicação social, mais do que perseguindo as totais implicações do ponto de vista idealista da natureza da realidade social." BURREL, Gibson e MORGAN, Garret Sociological paradigms and organisational analysis - elements of the sociology of corporate life, London, Heinemann, 1980, pp. 230 e 231 (respectivamente). Tradução nossa dos trechos citados. Também "Não adianta, sustenta ele, constatar da maneira mais precisa e rigorosa que, sempre que expostos a determinadas situações, os indivíduos reagirão de maneira idêntica. Falta 'compreender' (as aspas são de Weber) porque sempre se reage assim. Vale dizer, precisamos ter condições para uma 'reprodução interna' da motivação dessas pessoas."; e, no entanto, "A Weber não interessa a vivência dos sujeitos, mas sua experiência. Vale dizer, também não lhe interessam sua ações de per si, mas sim o estabelecimento de nexos causais entre várias ações do mesmo agente (típico) ou entre as ações de sujeitos diversos, num mesmo contexto. (...) o que importa é transcender a ação singular como puro evento." Cohn, Gabriel Crítica e resignação - fundamentos da sociologia de max weber, S.P., T.A. Queiroz, 1979, pp. 80 e 81 (respectivamente).
correntes do pensamento sociológico e organizacional: desde, de forma mais objetiva, TALCOTT PARSONS e a sociologia positivista americana, até autores mais subjetivos como GOFFMAN, BERGER, e SILVERMAN; passando por uma tradição "integrativa" de estudo da burocracia, com MERTON, SELZNICK, GOULDNER eBLAU.71
Autores diversos, de dentro de diferentes paradigmas, ora reivindicam a tradição weberiana, ora criticam os aspectos de WEBER que não dizem respeito às suas próprias convicções - mas uma coisa é certa: é impossível falar-se de racionalidade ou burocracia sem se falar de WEBER. Ele escreveu os prolegômenos da matéria.