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A manera de introducción: dimensiones supramundanas, o cómo configurar a Arto Paasilinna

2. SEGUNDA PARTE

2.2 A manera de introducción: dimensiones supramundanas, o cómo configurar a Arto Paasilinna

A escolha de uma metodologia de investigação adequada é fundamental para o desenvolvimento de um estudo científico. Neste sentido, os investigadores têm-se preocupado, cada vez mais, em enquadrar os seus estudos, nas vertentes de investigação que têm surgido ao longo do tempo, atendendo a que estas não são imutáveis.

No âmbito das ciências sociais e económicas, bem como noutras áreas, têm sido identificadas fundamentalmente três categorias de investigação: positivista, interpretativista e crítica ( Hopper & Powell, 1985; Chua, 1986; Orlikowski & Baroudi, 1991; Guba & Lincoln, 1994).

Segundo Orlikowski & Baroudi (1991) e Caldeira (2000), para que uma investigação possa ser classificada de positivista tem que cumprir com algumas características, destacando: identificação e verificação empírica através de proposições formais significativas; utilização de variáveis quantitativas; verificação das hipóteses; inferências sobre o fenómeno, partindo de uma amostra; encontro e dedução de relações causais. Guba & Lincoln, (1994) acrescentam que o positivismo assenta o conhecimento apenas nos factos observáveis e rejeita qualquer especulação. Para Saudagaran & Diga (1999) e Davila & Oyon (2008) o objetivo da investigação positivista será o de

descobrir uma realidade objetiva e obter conhecimento, de forma a poder prever e controlar essa realidade. Para esse efeito deverão ser elaboradas leis gerais ou teorias que expressem relações regulares entre os fenómenos. Amaratunga et al. (2002) realçam que este tipo de investigação terá que utilizar métodos quantitativos e experimentais, que permitam testar as hipóteses formuladas. Referem, no entanto, tal como Bryman (1984), que o investigador necessita de independência em relação ao fenómeno observado, para que possa validar essas hipóteses.

A investigação interpretativista tenta compreender e explicar os fenómenos que ocorrem na realidade, em vez de se centrar na procura de relações de causalidade (Vieira, 2009). Neste contexto, Saudagaran & Diga (1999) referem que o principal objetivo é explicar e compreender fenómenos36 no âmbito de uma realidade construída socialmente. Assume uma posição onde o investigador é participante no fenómeno que está a analisar e procura a interpretação dos factos sociais inseridos no seu contexto (Chua, 1986; Orlikowski & Baroudi, 1991). Para um minucioso conhecimento do fenómeno, são normalmente utilizadas ferramentas de índole qualitativa, seguindo um processo interativo que o interpreta no seu contexto e sob o ponto de vista dos diferentes intervenientes (Vieira, 2009).

No que concerne à investigação crítica Orlikowski & Baroudi (1991) referem que tem como objetivo criticar o status quo, através da apresentação de contradições estruturais nos sistemas sociais, de forma a sugerir transformações em relação aos mesmos. Klein & Myers (1999) acrescentam que os investigadores podem agir de forma consciente para mudar as suas condições sociais e económicas. No entanto, têm de reconhecer que a capacidade humana para melhorar as suas condições, poderá ser limitada por vários fenómenos de indole social, cultural e política, bem como pelas leis naturais e limitações de recursos.

Chua (1986) enuncia, para cada um dos tipos de investigação, vários pressupostos que apresentamos no quadro seguinte.

Quadro 5.1. Pressupostos associados à investigação

Positivista Interpretativista Crítica

Crenças sobre o conhecimento

- A teoria é independente das observações que poderão ser utilizadas para validar ou contrariar uma teoria

- Aceitação do método hipotético- dedutivo

- Utilização dos métodos quantitativos de recolha e análise de dados, o que permite fazer generalizações

- Tenta explicar

cientificamente a intenção humana. A sua adequação é avaliada pela sua

consistência lógica, interpretação subjetiva, bem como de acordo com as interpretações de senso comum dos atores - Etnografia, estudos de caso

e observação participante são os métodos utilizadas para o estudo do dia a dia dos atores

- Os critérios de avaliação das teorias são temporais e limitados contextualmente

- Os métodos mais utilizados são a investigação histórica, etnográfica e estudos de caso

Crenças sobre a realidade física e social

- A realidade empírica é objetiva e externa ao sujeito

- Os atores humanos

caracterizam-se como objetos passivos, não sendo responsáveis pela realidade social

- Os atores tentam de forma racional maximizar a utilidade individual

- A sociedade e as organizações são essencialmente estáveis e o conflito “disfuncional” poderá ser gerido através da conceção de sistemas apropriados de controlo

- A realidade social é emergente, subjetivamente criada e objetivada através da interação humana - Todas as ações têm uma

intenção e são baseadas num contexto social e histórico

- A ordem social é assumida. Os conflitos são mediados através de significados partilhados.

- Os seres humanos têm

potencialidades intrínsecas que são alienadas através de mecanismos restritivos, que só poderão ser compreendidas através de um estudo da sua evolução histórica e das alterações na totalidade das relações

- A realidade empírica é

caracterizada por relações objetivas e reais que se transformam e reproduzem através de uma interpretação subjetiva - Aceita-se a intenção humana a

racionalidade e a agência, mas são criticamente analisadas

considerando a falta de consciência e ideologia - O conflito é endémico na sociedade Relação entre a teoria e a prática

- Especifica os meios e não os fins. Aceitação das estruturas institucionais existentes

- Tenta explicar a ação e compreender a forma como se produz e reproduz a ordem social

- A teoria apresenta um imperativo crítico: a identificação e a eliminação das práticas ideológicas e de domínio

Fonte: Adaptado de Chua (1986)

Tendo presente o enquadramento teórico anterior, bem como os objetivos da investigação neste capítulo, iremos fazer uma abordagem positivista ao tema, com recurso à metodologia quantitativa (Amaratunga et al., 2002). Desta forma, formularemos as hipóteses, numa perspetiva de podermos vir a aceitá-las ou rejeitá-las, através da experimentação (Blaikie, 2000; Carqueja, 2007; Ferreira & Sarmento, 2009). Este enquadramento também poderá ser justificado devido à necessidade de termos de recorrer a instrumentos de análise estatística, para comprovar e validar as nossas hipóteses (Pardal & Correia, 1995). Neste sentido, as hipóteses de investigação que iremos formular, terão por base a necessidade de tentar compreender o fenómeno do endividamento dos municípios portugueses. Utilizaremos métodos quantitativos e estatísticos que nos permitirão validar ou refutar as mesmas, de forma a podermos colaborar numa melhor previsão e controlo do endividamento municipal em Portugal.