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In document ÅRSMELDING FOR 2019 (sider 33-52)

A organização da sala espelha o trabalho que é desenvolvido pelos/as docente. A disposição das mesas, os lugares dos/as alunas, imagens e símbolos colocados nas paredes são indícios de uma prática docente. Neste estudo interessava perceber se optava pela educação monocultural, alheia à diversidade, ou pela educação multi/intercultural.

De uma forma geral, nas quatro turmas, as mesas estavam dispostas em filas (verticais ou horizontais). Esta disposição das mesas privilegia o trabalho individual dos/as alunos/as, em detrimento do trabalho em grupo essencial para o auto e hetero conhecimento dos/as discentes. A disposição das mesas nunca foi alterada em nenhuma das turmas no período da observação. Apenas os/as alunos/as mudavam de lugar. A professora do 2º ano tinha por hábito mudar constantemente os/as alunos/as de lugar (notas de campo 2, 4 de Janeiro de 2007).

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Figura 3 – Esquema da sala do 1º ano

Legenda

1. Mesa dos/as alunos/as com mais dificuldades (dois alunos de etnia cigana e a aluna romena- A)

(Notas de campo 4, 10 de Janeiro de 2007)

A sala estava organizada em filas, três, e no lado direito havia uma mesa grande onde se sentavam a professora e os/as alunos/as com mais dificuldades. Havia dois computadores, um quadro de giz na parte da frente e outro mais pequeno no lado direito. No fundo da sala, havia uma bancada com uma torneira, prateleiras e armários onde eram guardados os manuais dos/as alunos/as. Havia três placares, um de cada lado do quadro da frente, e um mais pequeno situado no fundo da sala. No placar do fundo, estavam expostos alguns trabalhos dos/as alunos/as, textos e desenhos. Junto ao quadro, estavam afixados cartazes com o abecedário e com algarismos. À medida que iam aprendendo as letras e os algarismos a docente colocava o cartaz correspondente. A organização não sofreu grandes alterações ao longo de toda observação, apenas os cartazes do abecedário e dos algarismos foram aumentando, os trabalhos dos/as alunos/as foram retirados e colocados outros.

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Figura 4 – Esquema da sala do 2º ano

Legenda:

1- Aluno F 2- Aluno E 3- Aluna D

(Notas de campo 2, 4 de Janeiro de 2007)

As mesas estavam organizadas em filas na horizontal. Todas as semanas a professora alterava os lugares dos/as alunos/as. Os/as que estavam atrás passavam para a fila da frente e os/as que estavam atrás passavam para a frente, mantendo-se sempre a disposição das mesas. No lado esquerdo da sala estavam dois computadores e um placar, na frente estava o quadro de giz e mais dois placares. No fundo tinha uma banca com uma torneira, prateleiras e armários onde eram guardados os manuais dos/as discentes. Nos placares estavam expostos trabalhos das crianças- desenhos, textos, descrição de uma visita de estudo. Durante a observação alguns trabalhos expostos foram substituídos, mas nem todos. De uma forma geral, a organização da sala pouco alterou no tempo de observação.

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Figura 5 – Esquema da sala do 3º ano

Legenda:

1- Aluno C

2- Aluna B

(Notas de campo 3, 9 de Janeiro de 2007)

A sala do 3.º ano era a única onde as mesas estavam organizadas em filas. As dispostas em U, com três mesas no centro. No lado esquerdo, estavam dois computadores e dois placares. Junto a estes encontrava-se o cantinho da leitura, composta por duas prateleiras com livros. O quadro de giz estava ladeado por dois pequenos placares. Estes tinham expostos alguns trabalhos dos/as alunos (desenhos), junto à mesa da professora, estavam afixadas as regras da sala de aula. No fundo da sala havia uma banca com torneira, prateleiras e armários para guardar os manuais dos/as discentes. Não foram observadas alterações significativas na organização da sala ao longo da observação.

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Figura 6 – Esquema da sala do 4º ano

Legenda: 1- Aluno K 2- Aluno J 3- Aluna I 4- Aluna H 5- Aluna G 6- Alunos do 3º ano

(Notas de campo 16, 14 de Março de 2007)

As mesas estavam dispostas em filas na vertical. Em cada lado do quadro de giz havia um placar, com um ou dois desenhos dos/as alunos/as. No lado direito da sala estavam dois computadores e no fundo um pequeno placar, uma banca com uma torneira, prateleiras e armários para arrumar os manuais dos/as discentes. A organização da sala pouco se alterou ao longo da observação. Apenas uma aluna e dois alunos mudaram de lugar.

De uma forma geral, as salas tinham poucas imagens, cartazes expostos. Havia alguns trabalhos elaborados pelos/as alunos/as, essencialmente textos, descrições de visitas de estudo e desenhos. Havia paredes quase despidas, como nas salas do 1º e 4º anos. Depreende-se deste facto que as docentes não valorizavam a decoração das salas. Sendo assim não foi possível perceber se eram utilizadas imagens e/ou expressões monoculturais ou multiculturais. Os trabalhos expostos reportavam-se a actividades, visitas realizadas pelas turmas. Deste modo, não se observou qualquer preocupação multicultural na organização das salas. Nada aludia à diversidade pois, também, havia pouco ou nenhum material exposto.

Por último, em todas as salas os/as alunos/as com mais dificuldades de aprendizagem, sentavam-se junto à professora. Nas turmas do 1º ano e do 4º ano, foi

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colocada uma mesa no lado direito da sala para estes/as alunos/as, as professoras passavam grande parte da aula sentadas nestes lugares. Por conseguinte e de uma forma geral, as docentes tentavam estar próximas dos/as discentes com mais dificuldades para lhes dar mais apoio. A docente do 2º ano optava por mudar periodicamente os/as alunos/as de lugar. Os/as que estavam na fila de trás passavam para a frente e os/as que estavam à frente passavam para trás.

Em todas as turmas observadas, a organização das salas orientava-se mais para o trabalho individual. As docentes falavam para a turma em geral, e os/as alunos ouviam. O processo ensino/aprendizagem era muito controlado pelas docentes, isto é, transmitiam os conhecimentos e os/as alunos/as assimilavam. E os/as discentes tinham um papel pouco activo na sua própria aprendizagem. Não se privilegiava a interacção entre os pares, cada um/uma, individualmente, desempenhava as suas tarefas escolares.

Mas segundo Díaz-Aguado ( 2000:17), as mudanças na informação e o aumento da incerteza “ que caracteriza o mundo actual obrigam a uma importante transformação dos processos a partir dos quais se constrói o conhecimento na escola”. Para a autora é necessário ensinar a cooperar e a desenvolver projectos próprios. A aprendizagem cooperativa surge como um “procedimento de grande eficácia para adaptar o ensino às actuais mudanças sociais e aos objectivos da interculturalidade” (Díaz- Aguado, 2000: 125).

Por isso, ao invés das salas estarem organizadas em filas, promovendo apenas o trabalho individual, poderia-se colocar as mesas em forma de U- como uma assembleia- ou em grupos. As mesas em U favorecem o desenvolvimento de assembleias, onde todo/as alunos/as podem participar e dar opiniões sobre temas que lhes dizem respeito e também uma maior aproximação da docente a todos/as alunos/as . Os grupos favorecem o trabalho cooperativo, essencial para o desenvolvimento da educação intercultural. Por fim, e como afirma Díaz-Aguado (2000:p. 125)

“Os contextos heterogéneos em que convivem os diversos grupos étnicos ou culturais contribuem para desenvolver a tolerância quando se dão oportunidades de igualdade de estatuto que permitam estabelecer relações de amizade com os membros de outros grupos, e parecem produzir o efeito contrário quando se dão oportunidades, razão pela qual deverão ser promovidas para desenvolver a tolerância e lutar contra a exclusão”.

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