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4.2 Success factors and challenges

4.2.3.1 Managing financial limitations

Novas dinâmicas concorrenciais têm levado as organizações a fortalecerem a sua performance e a estabelecerem redes de proteção e cooperação, seja com fornecedores ou clientes, ou até mesmo entre competidores. A crescente difusão e utilização do conceitos de redes no contexto organizacional surge como recurso estratégico para enfrentar um ambiente de turbulências e incertezas, caracterizado pela competitividade, por crises e movimentos de reestruturação, tanto nas diversas esferas de atuação pública como na gestão dos negócios; conjuntura que se aplica também à educação superior.

A partir dos anos 80, o número de alianças entre empresas aumentou rapidamente, mudando também a qualidade desses relacionamentos, que começaram a se entrelaçar cada vez mais (VILKAMO; KEIL, 2003). Alianças estratégicas e redes organizacionais são cada vez mais vistas como formas promissoras de relações interorganizacionais, pois estas

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abordagens fornecem um equilíbrio entre a cooperação e a competição evitando a supremacia de um desses princípios sobre o outro. Se por um lado conduzem à redução de custos através da especialização e competição, por outro lado, as relações orientadas para longo prazo permitem flexibilidade mútua, o uso conjunto de conhecimento técnico e econômico e assumir coletivamente custos e riscos (BACHMANN, 1999).

Os relacionamentos em rede viabilizam elos colaborativos, com empresas legalmente independentes, mas economicamente interdependentes. Em seguida apresenta-se (ver figura 13) síntese das configurações de cooperação existentes, na visão de Nohria e Eccles (1992), pertinentes ao presente trabalho:

As relações de cooperação estão baseadas no compartilhamento de custos, recursos, riscos e oportunidades. Para haver colaboração é necessária a coordenação, pois os membros

Figura 13 - Evolução dos Conceitos de Redes Sociais Numa Perspectiva Organizacional Fonte: Nohria, Eccles (1992, p. 11).

Teoria de Redes

Redes Sociais

Redes Intrapessoais (Bore, Grandi, Lorenzoni,

1992 ) Redes Interorganizacionais (Bilateral / M ultilateral ) Homogênea / Heterogênea Formal / Informal) Redes Alianças

• Redes Flexíveis de PME's (Redes de Subcontratação) • Redes de Inovação • Redes de Relacionamento • Redes de Informação • Redes de Comunicação • Redes de Pesquisa • De Fornecimento • De Posicionamento • De Aprendizado • Estratégica • Vertical • Horizontal • Transacional • Joint Ventures • Consórcios • Acordos Cooperativos • Fusões e Aquisições • Franchising • Organização Virtual • Clusters • Etc. Sociologia Antropologia Psicologia Biologia M olecular Teoria de Sistemas Interação Relacionamento Ajuda Mútua Compartilhamento Integração Complementaridade Redes Intraorganizacionais (Características da sua cadeia

de valor e do processo produtivo)

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possuem comportamentos e prioridades distintas, motivações e percepções dependentes do ambiente no qual estão inseridos, podendo em algumas circunstâncias competir entre si. Os sistemas produtivos são caracterizados pela necessidade inerente de adaptabilidade e flexibilidade e necessitam de mecanismos eficazes na coordenação do processo produtivo. Os relacionamentos de cooperação podem ser considerados uma decorrência dos conceitos e princípios das redes sociais.

São várias as razões para o aumento do interesse pelos conceitos de cooperação no contexto organizacional. Nohria e Eccles (1992),sugerem algumas motivações para estudar as organizações numa perspectiva de redes, dentre elas: as organizações constituem-se numa importante rede social e precisam ser discutidas e analisadas como tal; o ambiente organizacional pode ser caracterizado como um conjunto de empresas interligadas e em constante interação; às ações, atitudes e comportamentos dos atores nas organizações podem ser melhor explicadas e entendidas em termos de relacionamentos.

O ponto de partida fundamental é a necessidade de entender o que é uma rede de empresas, seus elementos estruturais constituintes e os mecanismos de transformação, reprodução e fortalecimento dessas estruturas ao longo do tempo. Esses elementos são: os pontos, as posições, as ligações e os fluxos (BRITTO, 1999).

Os pontos representam o conjunto de agentes que definem a rede. Estes pontos são, portanto, as organizações, que possuem características ou atributos distintos. Estes atributos, associados aos diferentes pontos que estão integrados na rede pelo estabelecimento de vínculos sistemáticos entre eles, definem os padrões de interdependência e complementaridade recíprocos entre as unidades inseridas nesses arranjos. A complementaridade entre as competências dos agentes, como se destaca, desempenha papel relevante na caracterização da estrutura do arranjo (BRITTO, 1999).

As posições definem como os diferentes pontos se localizam no interior da estrutura. Em particular, estas posições estão associadas a uma determinada divisão do trabalho entre as empresas, o que reforça a interdependência entre os agentes no interior das redes (BRITTO, 1999).

As ligações, enquanto elementos morfológicos das redes, referem-se ao mapa dos relacionamentos entre os diversos pontos contidos na rede, com especial atenção sendo dada à

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forma e ao conteúdo destas articulações. Quanto à forma dos relacionamentos, o ponto central é o arcabouço contratual que regula as relações entre os agentes, principalmente definindo mecanismos de coordenação e de prevenção contra possíveis comportamentos oportunistas por parte dos agentes, além de reforçar o comprometimento com os objetivos das partes envolvidas. O conteúdo se refere aos objetivos do relacionamento não excludentes entre si, que podem ser mercadológicos, de integração de etapas ao longo de uma cadeia produtiva ou de realização de esforço tecnológico conjunto (BRITTO, 1999).

Finalmente, os fluxos referem-se à natureza e ao conteúdo dos estímulos que circulam entre os distintos pontos da rede. Os diferentes fluxos geralmente presentes nas redes podem ser classificados em tangíveis e intangíveis. Os fluxos tangíveis são mais fáceis de serem identificados qualitativa e quantitativamente em termos de volume e valor. Por outro lado, os fluxos intangíveis correspondem às informações que conectam as diversas empresas integradas à estrutura em rede. Contrariamente aos fluxos tangíveis, os fluxos intangíveis são mais difíceis de se investigar devido à sua imaterialidade. No paradigma da tecnologia da informação, é crescente a capacidade de codificação de informações e conhecimentos, embora uma parcela expressiva destes ainda se constitua de elementos tácitos e, portanto, nem sempre passíveis de transferência. Assim, o grau de codificação das informações transmitidas pode variar bastante. Além disso, é preciso considerar o caráter idiossincrático do processo de aprendizado, pois eles são próprios das organizações e seus ambientes, sendo assim difíceis de serem copiados por outras estruturas (BRITTO, 1999).

Essa caracterização é importante porque permite entender a intensa adoção dessa nova forma de organização ocorrida nas últimas décadas, inserida em novas bases competitivas, suportada pela tecnologia da informação e fortemente difundida nos diversos setores econômicos. Apesar de não se tratar de um fenômeno novo, as influências da internacionalização da competição e as pressões tecnológicas, econômicas, mercadológicas impuseram grandes mudanças tanto quantitativas quanto qualitativas na conformação desses arranjos, principalmente a partir da década de 1980. Quantitativamente, o que se verificou foi o grande crescimento de novos acordos cooperativos entre organizações. Já qualitativamente, foi o movimento de mudança na importância relativa das diferentes formas de cooperação. Aqueles acordos que priorizavam estratégias puramente minimizadoras de custos tornaram-se cada vez menos constantes em detrimento do aumento daqueles que visam aperfeiçoamento das competências organizacionais, motivados basicamente pela maior incerteza,

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complexidade e interdependência (FREEMAN, 1991; HAGEDOORN, 1990; NARULA; HAGEDOORN, 1999).

A razão desse intenso relacionamento interorganizacional se explica pela forte interdisciplinaridade e interdependência envolvida nestas novas configurações organizacionais. Esse novo expediente, redes interorganizacionais, permite explorar a complexidade dos conhecimentos envolvidos e o desenvolvimento de capacidades e acesso a recursos, através da interação e cooperação que, de outra forma, dificilmente seriam obtidos (CASTELLS, 2000). Nos dias atuais, são raros os produtos e serviços que não incorporam habilidades e conhecimentos específicos de áreas diversas. Diante de tal complexidade, onde modificação ou inovação em determinados componentes de um produto ou processo podem afetar o sistema como um todo, a especialização tecnológica das organizações e a suas ligações umas às outras, surge como resposta à necessidade de desenvolvimento de competências em áreas distintas (CASTELLS, 2000).

Portanto, a relevância do conceito de redes interorganizacionais reside em sua capacidade primária de aglutinação das diversas competências tecnológicas e produtivas complementares. Seu impacto direto, por conseguinte, é o de permitir a geração das capacidades necessárias ao enfrentamento da sofisticação da atual dinâmica mercadológica, econômica e social e o de potencializar a capacidade inovativa através da forte interação destas competências e do aprendizado entre os agentes envolvidos (CASTELLS, 2000).

Uma das variantes mais importantes do fenômeno de redes interorganizacionais é a conformação das alianças estratégicas. O caráter estratégico das ligações entre os pontos da rede, compreendendo cooperação e competição, é o seu principal traço distintivo. Após breve esboço da teoria das redes interorganizacionais, serão estudadas em detalhes as alianças estratégicas, objeto do presente trabalho.