O corpus de análise desta pesquisa é composto a priori por duas técnicas que juntas reproduziram de forma mais complexa os conteúdos das mensagens localizadas no escopo da produção científica da PBCIB.
Para a primeira fase da análise dos dados utilizaremos a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (2010). De acordo com esta autora, a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens (BARDIM, 2010, p.40). Neste sentido, a análise do conteúdo feita nos resumos dos artigos selecionados na revista nos permitiu fazer inferências dos conhecimentos relativos às condições de produção (ou, eventualmente, de recepção), esta inferência ocorre normalmente a partir de indicadores quantitativos ou não (BARDIN, 2010). Essa análise preconiza que o texto é um meio de expressão do sujeito, onde o analista busca categorizar as Unidades de contexto (palavras ou frases) que se repetem, inferindo uma expressão que as represente (SOUZA, 2010).
Minayo (2007) afirma que esse é o método mais adotado no tratamento de dados de pesquisas qualitativas, com a finalidade de produzir inferência, trabalhando com vestígios e índices postos em evidência por procedimentos mais ou menos complexos. O processo de explicitação, sistematização e expressão do conteúdo das mensagens promovido pela análise de conteúdo é organizado em três etapas conforme apontado por (SOUZA, 2010, p. 54) no mapa conceitual a seguir:
FIGURA 5: FASES DA ANÁLISE DE CONTEÚDO DE BARDIN
Conforme dito anteriormente e de acordo com as fases da análise de conteúdo, os resumos de interesse desta pesquisa foram selecionados e anotados em planilha, com vistas a atender os requisitos da Análise de Conteúdo, que preconiza a leitura minuciosa como instrumento para a busca textual e temática dos documentos utilizados.
Na análise de conteúdo a coleta dos dados é divida em três fases. Na fase de pré- análise, localizaram-se os resumos de artigos contidos no periódico eletrônico PBCIB. Na fase seguinte, qual seja a de exploração do documento, os resumos foram separados a partir de sua temática, que uma vez constituída, permitiu-nos dar seguimento à análise. Neste item, consideramos as palavras-chave.
No intuito de melhor caracterizar a PBCIB como um instrumento de pesquisa inovador no âmbito dos periódicos de referência, partimos para a segunda fase da análise dos dados, onde utilizamos o mapa conceitual, com vistas a compreender as relações existentes entre as temáticas abordadas pela PBCIB e as áreas da Biblioteconomia e Ciência da Informação.
A escolha do mapa conceitual como um dos instrumentos de análise dos dados deu-se pela facilidade de se indicar as relações entre conceitos, ou entre palavras que usamos para representar conceitos, a partir de uma estrutura hierarquicamente organizada. Entretanto, é pertinente fazermos uma distinção entre mapas conceituais e mapas mentais, haja vista, que ainda existem equívocos entre os conceitos, tanto na literatura quanto entre pesquisadores.
De acordo com Buzan (2005, p. 22), os mapas mentais são ferramentas de ordenamento do pensamento que ajudam na introdução e extração de informações do cérebro. Já para Hermann e Bovo (2006, p. 91), o mapa mental é uma técnica de registro visual e conceitual de informações. Nesse aspecto, entende-se que os mapas mentais são idéias formuladas a partir de um referencial de imagens individuais, ao contrário dos mapas conceituais, que envolvem recursos textuais para serem compreendidos e fazer sentido.
De acordo com Novak (2006), mapas conceituais são ferramentas para a organização e representação do conhecimento, hierarquizando conceitos, usualmente colocados dentro de círculos, conectados por linhas e palavras (conectores) que representam as relações entre esses conceitos. Além disso, não são auto-explicativos, necessitam ser apresentados ou, no mínimo, acompanhados de um texto explicativo, pois existem diversas maneiras de expor conceitos e suas relações em um mapa conceitual.
Moreira (2006) afirma que mapas conceituais são diagramas de significados, de relações significativas; de hierarquias conceituais. Ao contrário das redes semânticas que normalmente não se organizam por níveis hierárquicos e não obrigatoriamente incluem
apenas conceitos. Este autor, complementa ainda que os mapas conceituais não buscam classificar conceitos, mas sim relacioná-los e hierarquizá-los.
Entretanto, Martins (2010, p.73), argumenta que a “Teoria dos Mapas Conceituais proposta por David Ausubel (1968) parte da premissa de que o conhecimento pode ser representado por meio de mapas comunicantes que, quando desdobrados, podem representar a estrutura interna de um domínio”. Corroborando desse pensamento, entendemos que a representação do conhecimento, a partir do uso de organogramas hierarquicamente estruturados através das relações existentes entre palavras ou termos conceituais, é uma alternativa crível na tentativa de expor melhor os achados da pesquisa científica, no intuito de validar os métodos de coleta utilizados, e reforçar os conceitos utilizados para referenciar os resultados obtidos. Conforme assevera Martins (2010, p.74),
O uso dos mapas conceituais em pesquisas científicas possibilita que o conhecimento seja representado através da utilização de conceitos e palavras de ligação que explicitam as relações existentes entre esses conceitos. Essa modelagem é representada pela tríade conceito, relação e conceito.
Para Freitas Filho (2007) o uso de mapas conceituais, possibilita a exteriorização do conhecimento através da utilização de conceitos e palavras de ligação, formando proposições que mostram as relações existentes entre conceitos percebidos por um indivíduo.
Assim, a utilização de mapas conceituais em pesquisas envolve a identificação de conceitos ou ideias relativas a um assunto, e a descrição das relações existentes entre essas idéias na forma de um desenho esquemático.