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Maktkamper om kombinerte stillinger

In document Musikklæreren i kombinert stilling (sider 97-102)

5. Diskusjon og avslutning

5.2 Maktkamper om kombinerte stillinger

Esse artigo é uma espécie de continuação, uma segunda parte de outra publicação do ano anterior, intitulado Os pais como educadores – Parte I: a

compulsão a educar e suas causas (1926). O teórico discute pontos

relacionados à educação, possibilidades profiláticas e a visão patologizante da masturbação infantil, posto que havia na época uma orientação médico- higienista bastante forte que condenava essa prática em todas as idades.

O autor inicia o texto apresentando o eixo principal do artigo de 1926, expondo ―o fato de as expressões dos impulsos da criança frequentemente representarem uma ameaça à manutenção dos recalques sexuais dos adultos‖ (p. 102). A exuberância sexual infantil teria um efeito sobre as defesas adultas e, por isso, os pais (ou educadores) se defenderiam ignorando ou punindo tal tipo de conduta. Essa ação educacional – inadequada na visão reichiana – era apoiada e, de certa forma, incentivada, por autoridades dos campos da sexologia e médico. É importante ressaltar que Reich parecia considerar a presença de uma dinâmica emocional presente entre a criança e os adultos e questiona ―porque todas as explicações de que a masturbação em certa idade é um fenômeno natural não surtiram efeito?‖ (p. 102).

Na trilha dessas críticas à educação punitiva, o autor dispara que ―toda vez que encontramos noções rígidas, inalteráveis e grotescas, certamente vislumbramos também as razões inconscientes que lhes deram origem‖ (p. 102, grifo nosso). Podemos verificar, nessa passagem, a conotação negativa que Reich imprime ao falar sobre a rigidez moral, conceitual, educacional.

Apesar de não utilizar explicitamente o termo pesquisado, apontaremos aspectos que podem justificar a inserção do artigo em nossa pesquisa. Primeiramente, há uma clara referência à rigidez num sentido de inalterabilidade. O aspecto crônico pode ser indício de algo que se automatizou e responde a diferentes situações sempre da mesma maneira.

Nesse sentido, a exuberância pulsional da criança ameaça a manutenção dos recalques no adulto, que se defende contra a emergência desses conteúdos. Reparamos, assim, a função de defesa. A crença de que a masturbação trará malefícios à saúde – seja por noções morais, religiosas – provavelmente levará pais e educadores a proibirem seus filhos a agir contrariando seus preceitos. Dependendo do grau de rigidez, mesmo diante de fatos que comprovem o contrário, tenderão a manter sua posição inalterada, para não lidar com seus próprios conteúdos sexuais. Fica presente a noção de cronicidade e automaticidade, dado que, diante da criança, os adultos agirão conforme suas estruturas de caráter. Portanto, não nos parece exagero considerar que a constatação de rigidez em suas diferentes facetas - moral, psíquica, educacional, conceitual - ou qualquer indicação de cronificação parece sugerir, segundo Reich, a presença, mesmo que mínima, de algum grau de encouraçamento.

3.3 PSICOPATOLOGIA E SOCIOLOGIA DA VIDA SEXUAL (1927)

No livro em tela, Reich buscava discutir alguns pontos que considerava ser um ―prolongamento direto das teorias da psicanálise‖, na tentativa de ―uma melhor aplicação da teoria das neuroses à terapêutica‖ (REICH, 1927/s/d, p. 26). Desse modo, já parecia dar indícios de futuras discordâncias, tentativas de complementação ao saber psicanalítico, bem como uma criação própria. Isso fica claro na seguinte afirmação:

embora este trabalho se baseie inteiramente na teoria sexual de Freud e na sua teoria das neuroses, com certeza, não posso pretender que a concepção aqui exposta da dinâmica da terapia e das suas tarefas tem lugar entre as concepções já admitidas pela escola daquele psicanalista; esta concepção corresponde às minhas próprias experiências clínicas (p. 26).

Essa porção da obra reichiana surgiu a partir de seu trabalho clínico com doentes mentais utilizando o tratamento psicanalítico. Ele relata ter ficado ―impressionado por certas relações entre as reações terapêuticas, quer positivas, quer negativas, desses pacientes e a sua genitalidade‖ (p. 25). Reich se atentava para as convergências entre os quadros de neurose e perturbações da função genital, tais como a frigidez e a impotência. Essa trilha foi profundamente explorada e sinaliza o interesse reichiano pelas possíveis pontes que ligam os fenômenos psíquicos às manifestações biofisiológicas. O autor advertia que o orgasmo ―é um fenômeno psico- fisiológico‖ (p. 28) e presumia que a escassez de investigações sobre a vida sexual conjugal e social, somada à moral sexual dominante e seus efeitos, demonstrava ―que a função do orgasmo não passará do filho mal amado da psicologia e da fisiologia‖ (p. 27-28).

Reich se filia a muitas das concepções freudianas das duas primeiras décadas do século XX e alerta sobre a importância de ―partir das manifestações mentais das perturbações somáticas da vida sexual que Freud agrupou sob o nome de neuroses atuais e que contrapôs às psiconeuroses‖ (p. 28, grifo do autor). Nessas aproximações entre as causas mentais das neuroses e o soma, ele deixa claro que a ―estase libidinal – cujo conceito era originalmente essencialmente somático - suscitou nos analistas um interesse menor‖ (p. 28, grifo do autor). O psicanalista, confesso admirador de Freud, relata que a definição de estase libidinal, segundo o próprio fundador da psicanálise, ―significa [...] uma acumulação de substâncias bioquímicas sexuais que [...] provoca tensões corporais e se manifesta como um impulso instintivo para a satisfação sexual‖ (p. 28-29). Para Reich, a discussão que abarcava as neuroses atuais e os núcleos somáticos das neuroses inseria o conceito de libido que, em seu ponto de vista, é - ou deveria ser considerada - ―uma energia psíquica e biológica‖ (p. 29). A impressão que fica é a denúncia de um movimento de afastamento do interesse dos psicanalistas da época pelas bases orgânicas implicadas nas dinâmicas das neuroses. Em sua visão, o movimento da teoria psicanalítica se direcionava cada vez mais rumo a uma fundamentação do aparelho mental não localizável anatomicamente, seguindo

uma priorização das representações, numa trilha intelectualista e esse fato parece ter criado incômodos para o jovem estudioso. Ele alerta que

este trabalho tem igualmente por objetivo relembrar que Freud nos indicou uma solução do problema da base orgânica das neuroses e demonstrar que podemos tirar partido, teórica e praticamente, da sua descoberta por demais e por muito tempo menosprezada (p. 29).

Estamos procurando clarificar uma parte do percurso reichiano que margeava e adentrava os terrenos psíquico e biológico. Nesse livro de 1927, podemos perceber o interesse de Reich nessa inter-relação entre as duas esferas, buscando maneiras de costurar essa malha biopsíquica por meio da investigação da vida sexual.

Conforme exposto no capítulo 2 da presente dissertação, Freud teoriza sobre o escudo protetor construindo tal ideia juntamente com a discussão acerca das neuroses traumáticas, levantando algumas questões sobre como o organismo se defende de perigos externos e possíveis inundações excitatórias extremas. Essa é uma das razões que nos impeliu a ler algumas noções que parecem se aproximar do tema couraça, mesmo que o termo não esteja citado. É possível que a noção de defesa, presente na teorização sobre o escudo protetor e a armadura narcísica, nos permita tal investida. Partindo dessa premissa, exporemos uma parte do capítulo IV intitulado A estase

somática da libido e o estado de angústia, do livro Psicopatologia e sociologia da vida sexual (1927). O que nos interessa aqui é uma breve abordagem sobre

a angústia atual, a angústia em face de um perigo real e como o organismo se defende de tais ameaças. A relação com nossa pesquisa reside no fato de que há uma articulação entre os sistemas vegetativo e motor, as funções psíquicas e possibilidades de defesa.

Reich parte da pergunta sobre a relação entre a angústia atual e a angústia sentida diante de um perigo real. Para ele, ―enquanto a angústia atual é consequência de uma irritação do sistema vegetativo, a angústia real,

por sua vez, é causa de tal irritação‖ (p. 134). Diante de uma situação de ameaça real, o organismo apresenta algumas reações que ―como observou Freud, trata-se de uma reação absolutamente inadaptada‖ (p. 134), tais como, tremores, taquicardia, arrepios, suores frios e paralisação. Na opinião do autor, seria mais apropriado defender-se por meio da atividade motora, lutando ou fugindo, posto que tais reações do sistema vegetativo descritas como inadaptadas, correspondem a uma função instintual de conservação filogeneticamente antiga. Já a aquisição da ―função nervosa voluntária é, pelo contrário, [...] recente no desenvolvimento do organismo animal‖ (p. 134). Segundo o autor, no ser humano, tal função protetora vegetativa (involuntária) foi se tornando menos predominante, e a aptidão intelectual juntamente com a atividade motora voluntária tornaram-se mais eficientes, realização que se deu de modo satisfatório, pois o ser humano passa a ter mais condições de prever e evitar perigos. No texto Inibições, sintomas e

angústia (1926), explorado anteriormente, Freud pontua sobre uma situação

de perigo externo na qual a atividade muscular será de extrema importância para defender-se.

Podemos notar que Reich discute funções defensivas nos eixos voluntário (motor) e involuntário (vegetativo) e parece indicar que o primeiro, somado à possibilidade intelectual, apresentaria um modo bastante eficaz para lidar com ameaças reais. No entanto, o trauma caracteriza-se, entre outros elementos, pelo fator surpresa, ou seja, a imprevisibilidade. Em tais casos, ―o indivíduo apenas pode por em funcionamento o mais primitivo dos mecanismos de defesa, dada a impossibilidade momentânea de qualquer raciocínio intelectual‖ (p. 135). É digno de atenção o fato de que há, portanto, uma função defensiva (autoconservação) de extrema importância promovida pelo sistema vegetativo, dado que o sistema intelectual e motor não são tão eficientes em alguns casos.

Parece haver uma oscilação entre aquilo que seria o desejável e o que é possível, no que tange às reações de defesa. Reich esboça certa convicção e aposta no fato de que as reações adequadas para lidar com excessivas estimulações externas deveriam se dar via motora e intelectual. Essas seriam

formas suficientemente boas para re-equilibrar os níveis de tensão do sistema nervoso afetado. Contudo, a mobilização de recursos biológicos e involuntários é que tentam dar conta diante das situações de possíveis neuroses traumáticas. Todavia, tais reações involuntárias, são biologicamente importantes e, talvez, imprescindíveis para que o organismo consiga descarregar altos níveis de excitação prejudiciais. Chama-nos a atenção o fato de Reich concordar com a assertiva de inadequação, posto que há uma tendência deste teórico em ressaltar a importância dos recursos biológicos intrínsecos ao organismo. Porém, torna-se compreensível essa conduta se nos atermos ao contexto histórico. O então psicanalista dá alguns indícios de uma movimentação que procurava tecer aspectos teóricos freudianos a uma compreensão apreendida por meio de sua experiência clínica. Na época, sua atenção se voltava para a relação das neuroses e suas bases orgânicas, no caso, a genitalidade.

Importante notar que o teórico não fez uso explícito do termo couraça nesse texto. No que concerne à discussão desta pesquisa, chamou a atenção a articulação entre os sistemas motor e vegetativo, as funções psíquicas e as possibilidades defensivas. Se utilizarmos algumas noções que temos até o instante, justifica-se a inserção dessa porção da obra reichiana em nosso trabalho. Sabemos que uma das implicações da couraça está diretamente relacionada ao sistema de defesa. Até 1927, ano da publicação desse livro, o autor havia apontado a possibilidade de ocorrência de uma armadura narcísica, sem se referir a aspectos somáticos da mesma. No entanto, podemos arriscar dizer que nesse mesmo período, já havia indícios de um olhar investigativo para o âmbito biológico e suas possibilidades defensivas.

3.4 SOBRE A TÉCNICA DE INTERPRETAÇÃO E DE ANÁLISE DA

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