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4.5 - Makrodyreplankton og mikronekton

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Os entrevistados foram indagados em relação à globalização e se isso teve alguma implicação quanto à questão ou influência no patenteamento. Conforme o roteiro da entrevista completo em ANEXO B, foram pré-estabelecidos dois aspectos que deveriam ser lembrados ao entrevistado, caso este não os comentasse. Um relacionado ao fato de que a globalização gerou debate quanto à necessidade das universidades gerarem recursos devido à redução do financiamento governamental, o que afetou também o modo de pensar

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da alta administração da universidade e do seu corpo acadêmico. E o outro ligado à onda de privatizações ocorrida no Brasil, quando as multinacionais preferiram trazer as tecnologias das matrizes.

5.1.3.1 A globalização gerou debate quanto à necessidade das universidades

gerarem recursos devido à redução do financiamento governamental

O entrevistado 4 considera que a lógica da globalização é prejudicial quando exacerba a cobrança por resultados e quando obriga o pesquisador a ter que buscar várias fontes de fomento às pesquisas diferentes, para poder tocar seus projetos:

[...] A globalização prejudica no sentido da lógica comercial que leva a cobrança por resultados, muitas vezes, fora da realidade. [...] A diminuição das verbas públicas leva o pesquisador a ter que procurar várias agências de financiamento para poder dar seqüência a seus projetos de pesquisa.

Para o entrevistado 3, as políticas neoliberais do governo de Fernando Henrique Cardoso levaram à redução de verbas para manutenção de equipamentos e contratação de mão-de-obra especializada nas universidades. A saída foi o aproveitamento dos editais que previam parcerias entre universidades e empresas para que houvesse cooperação mútua e as universidades pudessem receber pelos serviços prestados e assim poder fazer a manutenção necessária aos equipamentos e contratar a mão-de-obra especializada para realizar as pesquisas. As universidades são consideradas lentas quando comparadas às empresas nesta questão, pois, sua principal mão-de-obra são os próprios alunos. No caso deste entrevistado, as parcerias têm sido muito boas para o seu setor, pois, têm alcançado excelentes resultados nas pesquisas e com os recursos recebidos das empresas foi resolvida a questão da verba para manutenção e contratação de mão-de-obra especializada quando necessário:

[...] Eu sou bastante otimista. Eu acho que a gente sempre está caminhando para o melhor. A universidade sempre teve recursos do governo. Tinha o PADCT que era um programa que sustentava grandes programas e grandes projetos. Então tinha recurso! Mas, o recurso era para comprar equipamentos. Novos equipamentos. Então, eu queria um RMN, eu queria um infravermelho, eu tinha o recurso do governo. [...] Porque a globalização, na verdade, se você for estudar, ela é uma fase do neoliberalismo. Então, ela é um movimento neoliberal. Por isso, que o governo do Fernando Henrique atuou muito bem aqui dentro do Brasil rompendo com a universidade. Universidade agora chegou! Vocês já ganharam de presente tudo! Agora vocês têm que correr atrás dos seus recursos! Eu associo assim: a universidade era tipo um “filinho de papai” que tinha tudo que queria. Era só ir lá no CNPq: Eu quero um computador. Eu preciso de um

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equipamento. E sempre recebia. Sem nada em troca. Depois da globalização, o governo percebeu que a universidade tinha que fazer o papel dela, que era ajudar a indústria! Porque a indústria ia sucumbir. Então começou a colocar editais com parceria universidade-empresa, dar bolsas, etc., etc. e aí o que acontece? A universidade teve que correr atrás. É aquele filho que completa 18 anos e que agora não vai mais ter mais mesada. [...] O governo fez isso com a universidade. Você busca seus parceiros que você ganha projetos. Mas, seu parceiro é a indústria, porque a indústria brasileira precisa de ajuda. Eu acho que isso foi bom! Até porque aqui, antes a gente tinha recursos para equipamentos. Eu te falo com muita propriedade, porque eu trabalhava no outro lado. Eu trabalhava na indústria. Eu conheço os dois lados. Na época que o PADCT bancava toda a universidade, ela não tinha dinheiro para a manutenção. Nunca teve dinheiro para a manutenção. Não tinha dinheiro para pessoal. Quando o governo aproxima a universidade da indústria, a indústria começa a pagar a universidade por serviço, isso é uma parceria boa! Porque a universidade começa a ter recursos para a manutenção, começa a pagar mão de obra. Mas, por que a universidade era sempre acusada de ser lenta? A gente da indústria – quando eu era indústria – tinha muita canseira lá – mas a universidade é muito lenta perto da indústria! Por quê? Não tem mão de obra! Qual que é a mão de obra que nós temos? Alunos. Aluno trabalha quando quer, não é? Ah não, agora estou fazendo crédito! Não vem pro laboratório. Agora eu estou fazendo prova! E isto atrasa! Não tem cronograma que dê conta! Então no momento que você tem projetos com bolsas DPI como agora você tem. Como a universidade vende serviço pra indústria, ela tem dinheiro, ela pode alocar estes ganhos, ela começa a ter dinheiro para contratar pessoas, pra fazer manutenção... Eu acabei de assinar aqui um contrato, antes de você chegar. Um contrato para manutenção de equipamento da ordem de 20 mil reais. Mas, por que eu posso fazer isso? Porque eu tenho um cliente, eu posso tirar 20 mil reais por ano para fazer a manutenção dos equipamentos. Eles nunca podem parar! Então isso é um ganho! Por quê? Porque meu aluno também que pesquisa, vai ter um equipamento que nunca para! Ele pega carona. É uma infra-estrutura que funciona bem! Porque eu tenho cliente! [...] Então eu tenho serviço, eu vendo serviço, eu tenho dinheiro! Eu não fico esperando FAPEMIG nem CNPq.

O entrevistado 1 considera que o financiamento governamental é essencial e a geração de recursos próprios pela universidade deve ser um adicional. Por isso, para ele a redução do financiamento governamental e a universidade como geradora de recursos: “Isto eu acho que não está certo. Eu acho que tem que ser assessória, além do governamental. O governamental não pode deixar de existir!”

Para ele a universidade deve se preocupar com o conhecimento que é produzido de maneira que não seja apropriado por empresas de outros países. Uma postura de proteção dos produtos e processos descobertos que têm potencial para industrialização seria mais importante. O governo deveria dar mais incentivos às universidades para acelerar este processo:

[...] Sim, com certeza! Mas, eu acho que é tudo muito novo e o problema é que está tudo muito rápido ainda. Acho que é por isso que fica difícil. Aos poucos vai se criando esta cultura na universidade. Mas, o problema é que

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não pode demorar muito. O governo deveria fazer de fato incentivos na universidade para poder acelerar este processo.

O entrevistado 2 reconhece que a globalização trouxe uma nova dinâmica aos mercados, na qual tudo acontece muito rápido e a concorrência passa a ser global. Trata-se de um processo irreversível do qual não adianta reclamar ou resistir. Temos que nos integrar a ele sem perder nossa identidade. Nesse sentido, ele chama a atenção para a importância do fortalecimento dos Arranjos Produtivos Locais (APLs), pois, existe uma seleção natural por meio da qual as empresas inovadoras em produtos ou em modelo de negócios sobreviverão às demais:

[...] A globalização afetou todo mundo! Inclusive a pesquisa! A pesquisa sempre tende a ser algo internacional. Ela compartilha resultados com a comunidade do mundo inteiro! Mas a globalização fortaleceu isso demais! Desde as coisas pequenininhas, agora nas formas de comunicação tudo é muito rápido! [...] Eu consigo acessar artigos de coisas que estão acontecendo, imediatamente! E a globalização é um processo que, enfim, tem algumas conseqüências negativas pra algumas pessoas e setores. Mas, é o caminho! A gente resistir e reclamar da globalização é perder tempo eu acho. É uma realidade. O que a gente tem que entender é que é um processo irreversível e que a gente tem que ir com ele! Mas, não deixar que a globalização tire da gente a nossa identidade! Porque isso é valioso! Então, as empresas brasileiras estão sofrendo muito com a globalização! Tem pólos aqui de indústrias – pega ali em Itaiandú, pólo calçadista – as pessoas têm que entender que o concorrente dele não é quem está ali do lado vendendo um produto parecido. O concorrente dele é quem? É o chinês! O sapato que está ganhando mercado aqui no Brasil, não é produzido aqui. É chinês! Então tem um impacto que... As empresas que não são competitivas vão morrer! E as empresas que são competitivas, elas têm que entender que com chinês não dá para você ser competitivo no preço! Mas aí, vai cair a ficha de que ela tem que inovar! Inovar nos produtos! Inovar no modelo de negócios. Então, as empresas só vão conseguir sobreviver quando elas conseguirem inovar! Nos produtos, no negócio, nos processos. Elas vão ter que ser mais eficientes! Vão ter que trazer novos produtos! Procurar o público que esteja disposto a pagar um preço um pouquinho mais caro por um produto que seja especial e que não quer um sapato barato que os chineses fazem! Um produto para o consumidor que tenha consciência ambiental, social e não quer o produto chinês porque sabe que este produto não olha as pessoas e degrada. Então, essas empresas... Eu acho que isso vai ser um processo de seleção natural muito bom. Muita gente vai falir! Muita gente boa vai perder o emprego! Só os que, realmente conseguem se adaptar, só os melhores vão sobreviver! Pro Brasil, eu acho que isso faz parte de uma economia mais saudável. Então é isso. Nós temos que estar abertos à globalização. A gente tem que estar exposto! E o governo de alguma maneira tem que atuar e dar alguma ajuda pra empresa sobreviver. A empresa que não é eficiente e não consegue inovar vai acabar morrendo mesmo!

O entrevistado 3 também enfatiza esta questão ao lembrar que as empresas estão em uma competição acirrada no mercado globalizado. Deste modo, elas tiveram que se fundir ou buscar parcerias com universidades a fim de desenvolver tecnologias próprias

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para a inovação. Com as parcerias, as universidades poderiam além de receber pelos serviços prestados e pelos royalties relativos às operações de transferência de tecnologia e comercialização de patentes, contribuir indiretamente com o desenvolvimento econômico e consequentemente, com a arrecadação de impostos com os quais o governo pode fazer o reinvestimento nas pesquisas acadêmicas e no sistema nacional de inovação. Ele considera que o DQ é ainda um pouco acanhado e que sempre existiu muita resistência cultural às parcerias:

[...] Quando começam a perceber que com a globalização elas não vão achar tecnologia para comprar como achavam antes. Agora ela tem que competir. Uma empresa brasileira hoje, tem que competir com uma empresa suíça, com uma empresa japonesa... [...] Se vamos competir num mesmo mercado, por que eu vou te dar ou te vender o meu know-how se nós dois vamos disputar o mesmo cliente? Então, não existe mais a tecnologia como um produto de prateleira, como existia antes da globalização. Isso significa que nossas empresas têm que realmente buscar mais parcerias ou se fundirem ou procurar desenvolver produtos com as universidades. Que é o que está acontecendo. As universidades aceitaram este desafio e têm ajudado. Mas eu acho que aqui no nosso Departamento de Química ainda é acanhado. É a própria natureza. Minas Gerais não tem indústria química. Se fosse na metalurgia... Então, assim, a gente faz mas, se fosse uma UNICAMPI ou uma USP... Por que a química na UNICAMPI interage muito mais? Porque o setor químico está lá no entorno. A gente tinha que ser mais proativo. E a Petrobras? Tem a Petrobras, a gente está correndo atrás. Mas eu acho que tem muito uma cultura do pesquisador, do professor do UFMG, uma cultura assim dele não se vender. Dele ser um purista. Numa interação com a indústria quando eu cheguei na UFMG em 1996, era como se a gente quisesse vender a universidade. Uma colega minha brincava comigo debochando: você é uma business woman. Porque eu interagia com a indústria. Isso aqui é do povo, com o dinheiro do povo. Qual a melhor forma da gente ter mais recurso? Como você acha que o governo brasileiro põe dinheiro aqui? De onde vem o dinheiro que é colocado aqui? Vem dos impostos. Quem é que gera mais impostos? É a indústria. Como é que faz para gerar mais impostos? Produzir mais e ter mais lucro. [...] Então, se eu quero ter mais recursos, eu também preciso ajudar mais a indústria. Porque ela é fonte de geração de impostos que dá retorno pro governo pra ele repassar pra gente. Então é uma visão equivocada de quem pensa que... Eu não vou trabalhar com a indústria, que o dinheiro é do povo e tem que vir do governo. Como se o governo fosse um gerador. É uma visão totalmente limitada. O gerador de recursos do governo e que sustenta a universidade são os impostos. [...] Especialmente, de onde é que vem o dinheiro que vai para o reitor e para o CNPq? Então se você não ajudar... Ainda mais com a globalização, se as empresas brasileiras perderem competitividade e [...] falirem, não tem impostos e se não tem impostos, não tem investimento e sem investimento, não tem pesquisa. Falta visão às pessoas. As pessoas não têm esta clareza. [...] A maioria acha que: Não! Não pode! O governo é que tem que sustentar a universidade. Mas, o governo vai arrumar este dinheiro onde? É dos impostos.

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5.1.3.2 Com a onda de privatizações ocorrida no Brasil, as multinacionais preferiram

trazer as tecnologias das matrizes.

Para o coordenador da CT&IT, a cooperação para a inovação tornou-se uma necessidade, inclusive das próprias multinacionais a fim de reduzirem os altos custos em P&D de novos fármacos, por exemplo. Mas, para interagir com estas multinacionais, as universidades precisam se preparar a fim de ter muito mais profissionalismo e assim jogar o jogo da globalização:

[...] A gente observa um assédio muito forte da indústria farmacêutica multinacional que nunca se interessou em fazer P&D aqui interno e sim fazê-lo todo nas matrizes! A gente tinha um modelo de P&D externo nas suas matrizes, nas quais envolviam grupos de pesquisa, grandes grupos de pesquisa, dois mil doutores, por exemplo. E eles acreditavam que esse modelo poderia permitir, por exemplo, gerar, colocar novos produtos no mercado. Só que esse modelo começou, em 2000, a decair e hoje o modelo está falido! Por quê? Porque é muito caro! Chegando a quase um bilhão por fármaco desenvolvido no mercado! Então, é um valor que é insustentável! E aí surge uma nova necessidade inclusive de interação dessas empresas, por exemplo, com as universidades! Então, a universidade precisa ter uma estrutura mais aberta, mais profissional pra que interaja com essas empresas multinacionais que estão acostumadas a lidar de forma mais profissional com essas questões todas. E ninguém quer saber de que a nossa cultura é curta! Todo mundo quer saber é se você é profissional ou não é profissional! Então você é amador! Então, há um grande desafio que nós temos que colocá-lo na frente, da gente poder jogar o jogo da globalização, apesar de que nós não estejamos preparados o suficiente para tal! Mas, é o momento que o país tem!

O entrevistado 4 considera que a lógica da globalização é prejudicial quando reduz a demanda por desenvolvimento de tecnologias nacionais, devido à importação de tecnologias das matrizes das multinacionais, o que reduz também a contratação dos graduados formados no Brasil:

[…] A importação de tecnologia e o uso de tecnologia própria das multinacionais reduzem a demanda por contratação dos engenheiros e doutores formados no país para criarem tecnologias e pedirem patentes nacionais.

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