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7. Empirical results

7.1 Main regression results

As escavações para túneis rodoviários e do metropolitano, passagens desniveladas e parques de estacionamento sob áreas públicas ou em caves de edifícios, têm representado nas últimas décadas as obras geotécnicas por excelência nos centros urbanos [50], situando-se algumas delas em zonas históricas. Quando tais escavações se realizam a céu aberto, são geralmente utilizadas estruturas de contenção das terras, sendo actualmente as cortinas tipo “Berlim”, as cortinas de estacas de betão armado e a técnica das paredes moldadas as técnicas mais utilizadas.

Figura 30- Esquema da entivação tipo “berlim” e tipo parede moldada ancoradas e contenção de

fachada de um edifício histórico

A primeira tornou-se muito popular e consiste na instalação no terreno de perfis de aço verticais, com determinado espaçamento entre si. Posteriormente são moldados painéis em betão armado ou introduzidos “tabuões” entre os perfis. A 2ª vertente desta técnica tornou-se usual em situações onde não se pretende usufruir da entivação como elemento estrutural do edifício a construir. Com esta solução poder-se-ão atingir profundidades de

escavação significativas, especialmente quando se recorre à ancoragem da cortina. Para além das significativas profundidades de escavação, conforme pode ser observado na figura 31 e 32, outra vantagem da utilização deste tipo de cortinas em relação às escoradas é que garantem um espaço totalmente livre dentro da área de escavação.

Figuras 31a e 31b- Execução de uma entivação tipo “berlim” ancorada utilizando “tabuões”

Dentre as cortinas de estacas de betão armado destacam-se as tangentes que permitem obter uma cortina de contenção dos solos mesmo antes das escavação. Esta solução é bastante útil nas zonas urbanas onde se procura minorar o transtorno aos utentes e transeuntes.

Nas figuras 32a e 32b apresenta-se uma solução em que, depois de se cravarem as estacas, se procedeu à escavação até à profundidade necessária para se betonar a laje de tecto de um túnel rodoviário, servindo neste caso o terreno como cofragem da mesma. A obra em causa situa-se num cruzamento de tráfego intenso e com esta solução foi possível limitar a circulação dos veículos por cima da laje, apenas o tempo necessário para a cura do betão. Seguidamente restabeleceu-se a circulação dos veículos e procedeu-se à escavação do túnel conforme as figuras 32a e 32b podem atestar.

Figuras 32a e 32b- Exemplo de entivação utilizando a técnica das estacas tangentes escavação de

túnel já com a laje de tecto executada

Outra alternativa para a execução de painéis de contenção antes da escavação, é a técnica das paredes moldadas (ver figura 33), que permite obter uma descompressão desprezável do terreno ou dos edifícios circunvizinhos.

Figura 33- Exemplo de entivação utilizando a técnica das paredes moldadas

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Os níveis de vibração e de ruído resultantes da sua construção são bastante modestos comparativamente com os outros métodos alternativos. Esta é também uma forte razão de preferência em casos de obras a realizar em zonas urbanas.

Os processos descritos são adequados em obras onde se procure minimizar os movimentos associados às escavações e acautelar qualquer tipo de dano em estruturas e infra-estruturas vizinhas, mormente em zonas urbanas onde os edifícios estão geralmente mais próximos e principalmente nos Centros Históricos onde as estruturas são antigas e na maioria frágeis. Geralmente, este tipo de soluções evita as operações de recalcamento das fundações. No entanto, sempre que a construção ou remodelação de um edifício introduza riscos nas fundações dos edifícios próximos, deverá ser sempre levado a cabo um recalcamento das fundações ou paredes resistentes, utilizando técnicas adequadas para tal, por forma a precaver consequências de maior gravidade [72].

A utilização de sistemas de contenção de fachadas de edifícios tem vindo a ser uma prática muito comum na reconstrução de edifícios nos Centros Históricos (ver figura 31). Para além de uma consequente diminuição dos resíduos e do ruído produzidos, esta solução possibilita também preservar o património.

No campo das tecnologias construtivas alternativas para as zonas históricas são de referir as cada vez mais frequentes galerias técnicas. Embora seja uma solução mais onerosa do que os processos tradicionais, os benefícios compensam o investimento pela sua funcionalidade e facilidade que proporcionam em futuras intervenções em arruamentos e zonas onde as obras devem ser reduzidas. Recentemente foram construídas galerias técnicas visitáveis e não visitáveis nas zonas históricas das cidades de Barcelos, Ponte de Lima e Viseu.

A construção pré-fabricada tem sido apontada como uma das formas mais eficientes para reduzir o impacto ambiental provocado pelos estaleiros das obras. Os meios de estaleiro e os espaços sociais necessários são geralmente reduzidos por força da reduzida carga de mão de obra. Assim, não são necessárias as betonagens de bases para a implantação das instalações sociais no estaleiro e posterior demolição e remoção dos resíduos. Se as construções não forem muito altas, utilizam-se gruas móveis, evitando-

se a construção e posterior demolição dos maciços de betão para as gruas torre. Não é necessário criar espaços de carpintaria nem de corte e moldagem de armaduras eliminando-se consequentemente os desperdícios associados a estas instalações como sejam os restos de madeira e de varões de aço.

Figura 34- Galeria técnica visitável em construção no Centro Histórico de Barcelos

Estima-se que os desperdícios de betão, argamassa e restos de alvenaria sejam para um edifício tradicional de volume igual a 10% da área de construção [42]. Isto significa que para um edifício de 22 fogos com uma área aproximada de 2400m2, se produzem 240m3 de resíduos.

Desta forma, para além doutras vantagens, como a diminuição do prazo de construção, utilização de mão de obra qualificada, aumento da qualidade do produto final, a construção pré-fabricada possibilita melhorar as condições de segurança nos estaleiros e diminuir o impacto ambiental provocado pela montagem do estaleiro e pelos desperdícios existentes na construção convencional. Constitui, portanto, uma solução muito vantajosa e a ter em linha de conta na concepção e remodelação de edifícios, especialmente em zonas onde se pretenda reduzir o impacto das construções e dos seus estaleiros à expressão mínima, como é o caso das zonas históricas urbanas.

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