Os dados coletados tiveram de ser pertinentes aos objetivos pretendidos, como também foram fundamentais para testar a hipótese levantada quando da intenção do projeto.
Neste trabalho, antes da análise dos dados e consequente conclusão, foi delimitado o universo da pesquisa estabelecendo-se critérios para a seleção dos entrevistados, onde estes seguiram um roteiro de entrevista semiestruturada possibilitando uma maior interação entre as partes, buscando derrubar formalismos e estimular a espontaneidade do entrevistado.
Segundo Queiróz, “o relato oral está pois na base da obtenção de toda a sorte de informações e antecede a outras técnicas de obtenção e conservação do saber” (1988, p.3). Com isso, a autora reforça que a técnica de coleta de dados depende da habilidade do pesquisador e da qualidade das informações obtidas através da conversação estabelecida com o agente que as está oferecendo. Sendo que, por mais informal que o pesquisador tente conduzir o diálogo, este deve sempre dirigir a
38
conversa de forma que os objetivos não sejam esquecidos e não se distanciem do roteiro estabelecido.
A descrição e delimitação da população, consequentemente da amostra selecionada, foi associada ao grau de representatividade do grupo que se pretendia estudar. Não havendo neste caso um número predeterminado estabelecido de integrantes, pois a quantidade de entrevistas ficou condicionada à qualidade das informações obtidas em função das respostas repetidas ou divergentes ao longo do processo. Onde, a partir desse ponto, pôde-se concluir que não havia mais necessidade de novas entrevistas quando não se constatavam mais novidades nas informações, pois uma vez que o que se tinha já era suficiente para se estabelecer um padrão. Como também, se caso ocorresse em determinado ponto a necessidade de trilhar outro caminho em busca de dados originais, mudanças na condução das entrevistas podiam se tornar necessárias.
A intenção foi de estabelecer um padrão de entrevistas semi-estruturadas. Contudo, apesar de haver um guia para as perguntas, todos puderam responder da sua maneira, havendo somente sugestões e dicas de uma forma bem flexível.
Ao longo das nove entrevistas – três encontros com três participantes – foram registradas todas as reações do pesquisado; ansiedade, nervosismo, aversão, angústia, etc.. Onde, o investigador manteve todo o cuidado para não induzir a determinado raciocínio direcionando as respostas para determinada questão (Anexos III, IV e V), mas sim, aproveitando cada situação para registrar qualquer sinal apresentado pelo entrevistado durante cada uma de suas respostas (Anexo VI).
O investigador esteve a todo o momento incentivando o entrevistado a ser o mais natural possível, empregando estratégias que o deixasse mais confortável durante o período que os dois estiveram juntos. Onde, em certos momentos, assuntos frívolos e amenos foram utilizados para manter a entrevista o mais agradável possível. Deixando uma margem possível de desvio do roteiro caso ao longo da entrevista fosse percebida que uma ou outra pergunta não foi bem interpretada ou, gerou desvios e divergências do que se pretendia obter como modelo aceitável para as respostas. Como também, sabendo que algumas perguntas suscitavam respostas muito extensas
39
e subjetivas, estas foram evitadas, pois podiam dificultar no estabelecimento de padrões.
A coleta de dados foi centrada na perspectiva do observador, pois o pesquisador conduziu todo o processo analisando todos os aspectos presenciados, participando de forma que melhor lhe possibilitou compreender determinado fenômeno.
O investigador procurou interagir o máximo possível com os indivíduos selecionados, como observador participante, buscando extrair todas as nuances apresentadas ao longo do trabalho. Sendo que, estando este fazendo parte do contexto existente na associação, o pesquisador colheu dados mais fidedignos, resultando em uma melhor análise. Onde o seu potencial de abstração ao que não estivesse em conformidade com a pesquisa foi alcançado mediante a sua familiarização com o ambiente. Pois, segundo Coutinho, “a sua análise depende fundamentalmente das capacidades integradoras e interpretativas” (2011, p. 290).
As observações tiveram por base tanto uma parte descritiva quanto uma reflexiva. Na primeira houve um detalhamento de tudo que ocorreu no ambiente, sendo que na segunda, a experiência do pesquisador teve que prevalecer ao ponto de melhor analisar e interpretar as gradações dos acontecimentos.
As anotações foram feitas tão logo o investigador percebesse algo que justificasse ser guardado para posterior análise, o mais próximo do momento em que elas ocorreram. As notas de campo indicaram sempre o dia, mês, ano e hora da anotação, identificando o agente e o indivíduo investigado, com também o tempo decorrido na observação.
A outra forma de coleta de dados foi executada mediante o processo de entrevista em profundidade. Pois esta é adequada quando há pouco conhecimento sobre o fenômeno pesquisado ou quando a intenção é ter um aprofundamento acerca da percepção individual que cada membro do grupo apresenta.
As informações coletadas tinham características subjetivas, pois representavam não só a forma individual e particular de entendimento, como também, estávam
40
relacionadas com as experiências anteriores de cada pessoa, associadas aos seus valores e expectativas.
Não foram adotados procedimentos padronizados para guiar cada entrevista. Contudo, segundo Seidman (1991), algumas regras foram seguidas para que houvesse uma resposta mais positiva:
Ouvir mais que falar; Evitar perguntas fechadas;
Não interromper. Aprender a esperar a resposta; Perguntar coisas concretas;
Tolerar o silêncio (sinal de que o entrevistado está a pensar);
Não julgar os pontos de vista do entrevistado. O entrevistador está ali para aprender as perspectivas do entrevistado, esteja ou não de acordo com elas; Não discutir ou debater as respostas obtidas. O seu papel é recolher informação.
(Seidman, 1991, citado por Coutinho, 2011)
Mais uma vez a experiência do entrevistador demonstra ser de suma importância para que o clima se torne o mais propenso à obtenção de informações úteis e que possam consequentemente se transformar em dados precisos e aplicáveis, podendo com isso conhecer melhor qual era o panorama de cada participante sobre cada situação apresentada.
Para Vygotsky (2003), o “processo de ensino-aprendizagem inclui sempre aquele que aprende, aquele que ensina e a relação entre essas pessoas" (Vygotsky, 2003, p. 77). Com isso, o acompanhamento do investigador como mediador de todo processo foi de suma importância não só como estímulo, mas, como também, para identificar o quanto de progresso pôde ser percebido dentro do contexo sócio- construtivista. Onde, a aprendizagem não pode ser desassociada da interação social.
A fase da entrevista teve por objetivo maior apresentar mais dados os quais não foram obtidos somente através da observação. Procurando com isso aprofundar na perspectiva dos participantes e como eles mesmos estavam interpretando o seu próprio comportamento ao longo do trabalho.
As entrevistas foram individuais e todas gravadas (Registro digital, Anexo VIII), para que o entrevistado não precisasse aguardar e se sujeitar ao tempo do entrevistador, ficando consequentemente livre para se expressar naturalmente. Onde
41
estes, foram orientados a falar o que lhes passasse pela cabeça no momento, independente de tentar agradar o pesquisador buscando responder o que parecia ser o esperado. Pois, assim, tiveram liberdade para expor principalmente quais foram as suas impressões negativas do processo.