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Iniciei meu projeto de pesquisa me propondo a analisar o processo de modernização das comunidades costeiras de Canoa Quebrada e Vila do Estevão, a partir da percepção dos diferentes atores sociais que atualmente residem nesses locais. Em face dos desafios impostos pela modernização, como estavam coexistindo as populações tradicionais que movimentam saberes ancestrais e um modo de vida compatível com suas origens foram indagações que me levaram a aprofundar o tema.

Portanto, conhecer aspectos do cotidiano dos moradores e as relações estabelecidas entre trabalho e tempo foram eixos norteadores no percurso trilhado para caracterizar a trajetória vivida, identificando paradigmas entre tradição e modernidade, avaliando os impactos da modernização e que estratégias as organizações coletivas estão utilizando no enfrentamento dessa realidade

.

Esse trajeto foi feito a partir de bases fundamentadas nas teorias da Saúde Pública, da Sociologia Política, da Antropologia e da História, onde foi possível estabelecer conexões entre autores conceituados nas suas respectivas áreas.

Partindo das concepções sobre a modernização e os padrões civilizatórios específicos desse processo, fui observando as mudanças nos sistemas tradicionais de vida, apresentadas nos valores humanos e sociais atualmente vivenciados nas comunidades costeiras.

Por meio de entrevistas temáticas, pude conhecer a trajetória dessas mudanças, assim como me aproximar, pela estada em campo, das dificuldades enfrentadas pelas transformações na dimensão da identidade dos povos litorâneos. São provocações que causam reações diferentes e foi nessa diversidade que comecei a entender a dinâmica, ora de luta, ora de adaptação ao sistema do capital, que age sem fronteiras, destruindo princípios de vida.

Em meio a especulações e invasões, encontrei ações transformadoras nascidas das bases, do povo que reage contra a força demolidora das estratégias expansionistas dos interesses econômicos. Pessoas que se unem para o enfrentamento, mesmo ciente da assimetria de poder, mas lutam por terem na união, o sustentáculo, a força impulsora na conquista dos seus direitos.

Na Vila do Estevão, como ação de resistência aos impulsos capitalistas, a comunidade tem participado de diversos momentos em que se fez necessária a força do coletivo para defender o direito à terra. Em Canoa Quebrada, onde o turismo se instalou de

forma plena, acompanhei na história contada pelos moradores, as fases e faces de um desenvolvimento desestabilizador e invasivo, comprometido com as manobras capitalistas de apropriação dos espaços, de intervenção das referências de tempo ao impor controle nas atividades laborais e centralidade no lucro.

Todas essas mudanças nascem com a promessa circunscrita nos tempos da modernidade, quando se estabelece um tipo de racionalidade que desperdiça saberes e experiências, a razão indolente, prevalecendo nas decisões mesmo quando presentes a destruição e a corrupção inerentes ao capital, criando abismos entre as nações, desigualdades entre os povos.

Para compor esse cenário de discussão, encontramos em Mészáros o aporte seguro na reflexão sobre a “crise estrutural do capital”, junto a Boaventura de Souza Santos seus pensamentos se fundem na ideia da emancipação como um processo a ser reinventado. Analisamos o contexto social de invisibilidade dos povos litorâneos e percebemos que há um esforço de tornar ausências em presenças, no sentido de serem sujeitos sociais reconhecidos na sua diversidade cultural, indispensáveis na pluralidade das ações políticas que move o global e o local.

Essa visão ora voltada para as comunidades da zona costeira nos fez entender fenômenos recorrentes que sinalizam a assimetria de poder, potencializando uma noção de inferioridade remanescente da situação de colonizados que inibe atitudes de enfrentamento, por sentirem-se dominados pela estrutura avassaladora do capital. Mas ainda que assimétrica, a esperança, a fé, a coragem, são princípios que sustentam as bandeiras das inúmeras lutas que são cotidianamente atualizadas, pois as ameaças não cessam.

Pudemos perceber o esforço da superação, mesmo quando a existência dos fatos são dados como realidades imutáveis, o inconformismo e a indignação são impulsos para contrapor a perversidade silenciosa de um sistema econômico que acirra as desigualdades sociais.

Compreendemos a resistência como a intervenção política de um coletivo que acontece pela provocação cotidiana de mudanças da realidade. Mais do que estar presente no movimento, é perceber como os sujeitos sociais se posicionam no mundo, como compreendem essa construção que se dá no engajamento, na interação com o outro, também ser político, juntos para transformar, para criar projetos.

O posicionamento dos sujeitos sociais orienta as ações transformadoras, porque não são situações de enfrentamento isoladas, mas uma consciência profunda e constante da

missão de romper com estruturas viciadas, esmagadoras, que invalidam dimensões significativas do sentido do viver.

Na pesquisa que ora apresento, pude ter a clareza de que os conflitos sociais se repetem, do litoral ao sertão pouco se diferenciam, é uma história antiga entre dominantes e dominados, onde existem aqueles que, conscientes de seus direitos, se encorajam na luta, enquanto outros se deixam iludir pelas infinitas promessas que nunca chegam a contemplar os interesses dos povos ameaçados. A trajetória de Canoa Quebrada e Vila do Estevão revelam essas faces diversas, reações diferentes aos processos de modernização.

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APÊNDICE A

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Prezado (a) Participante,

Você está sendo convidado a participar de uma pesquisa como voluntário. Trata-se de um estudo sobre a percepção dos moradores da Vila do Estevão sobre o processo de modernização nas comunidades tradicionais pesqueiras. Para este objetivo, desenvolveremos entrevistas com os moradores da comunidade para conhecer os impactos causados com a chegada do turismo, as consequências da especulação imobiliária, assim como as formas de resistências aos conflitos estabelecidos a partir dessa realidade. Será utilizado um gravador para registrar as entrevistas, que poderão acontecer mais de uma vez para o mesmo entrevistado. Esclarecemos que sua participação é decorrente de sua livre escolha e que sua identidade será mantida sobre sigilo total, podendo retirar seu consentimento a qualquer momento da pesquisa, se desejar. Desde já agradecemos sua participação para tornar esse trabalho exequível.

Endereço do responsável pela pesquisa:

Nome: Cláudia Ribeiro de Barros Leal Instituição: Universidade Federal do Ceará

Endereço: Rua Tomás Lopes, 200/507 Praia de Iracema Telefones para contato: 85 32191382 – 85 96199787

ATENÇÃO: Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a sua participação na pesquisa entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa da UFC – Rua Coronel Nunes de Melo, 1127 Rodolfo Teófilo fone: 3366-8344

Eu,_________________________________________________________,___anos,

RG:________________________, morador da Vila do Estevão, declaro que é de livre e espontânea vontade que estou participando como voluntário da pesquisa. Permito que os resultados obtidos sejam publicados em revistas científicas, apresentados em congressos, desde que mantido o da minha identidade. Eu declaro que li cuidadosamente este Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e que, após sua leitura tive a oportunidade de fazer perguntas sobre o seu conteúdo, como também sobre a pesquisa e recebi explicações que responderam por completo minhas dúvidas. E declaro ainda estar recebendo uma cópia assinada deste termo.

Fortaleza, ____/____/___

Nome do voluntário Data Assinatura

Nome do pesquisador Data Assinatura

Nome da testemunha Data Assinatura

(se o voluntário não souber ler)

Nome do profissional Data Assinatura

APÊNDICE B

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Prezado (a) Participante,

Você está sendo convidado a participar de uma pesquisa como voluntário. Trata-se de um estudo sobre a percepção dos moradores de Canoa Quebrada sobre o processo de modernização nas comunidades tradicionais pesqueiras. Para este objetivo, desenvolveremos entrevistas com os moradores da comunidade para conhecer os impactos causados com a chegada do turismo, as consequências da especulação imobiliária, assim como as formas de resistências aos conflitos estabelecidos a partir dessa realidade. Será utilizado um gravador para registrar as entrevistas, que poderão acontecer mais de uma vez para o mesmo entrevistado. Esclarecemos que sua participação é decorrente de sua livre escolha e que sua identidade será mantida sobre sigilo total, podendo retirar seu consentimento a qualquer momento da pesquisa, se desejar. Desde já agradecemos sua participação para tornar esse trabalho exequível.

Endereço do responsável pela pesquisa:

Nome: Cláudia Ribeiro de Barros Leal Instituição: Universidade Federal do Ceará

Endereço: Rua Tomás Lopes, 200/507 Praia de Iracema Telefones para contato: 85 32191382 – 85 96199787

ATENÇÃO: Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a sua participação na pesquisa entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa da UFC – Rua Coronel Nunes de Melo, 1127 Rodolfo Teófilo fone: 3366-8344

Eu,_________________________________________________________,___anos,

RG:________________________, morador de Canoa Quebrada, declaro que é de livre e espontânea vontade que estou participando como voluntário da pesquisa. Permito que os resultados obtidos sejam publicados em revistas científicas, apresentados em congressos, desde que mantido o sigilo da minha identidade. Eu declaro que li cuidadosamente este Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e que, após sua leitura tive a oportunidade de fazer perguntas sobre o seu conteúdo, como também sobre a pesquisa e recebi explicações que responderam por completo minhas dúvidas. E declaro ainda estar