7. Implementing the TSI Control-Command and Signalling
7.3. Rules for ERTMS
7.3.5. Main European ports, marshalling yards, freight terminals and freight transport areas
Nas formas tradicionais de custeamento, os custos inicialmente são distribuídos aos
centros de custos ou departamentos em que a empresa está organizada, para posterior alocação
aos produtos ou serviços. O ABC, ao contrário, focaliza primeiramente os processos que, em
geral, podem abranger mais de um centro de custo ou departamento. Na óptica do ABC, os
processos englobam um conjunto de atividades requeridas para elaboração, total ou parcial, de
um produto ou prestação de determinado serviço, seja para um cliente interno, seja para um
cliente externo à organização.
Convém salientar que os processos abrangidos pelo ABC podem envolver outras áreas e
não exclusivamente o ambiente fabril. Ou seja, se desejável pela administração da empresa o
ABC pode ser aplicado também em processos da área administrativa ou comercial, como compra
de materiais, venda de produtos, concessão de crédito, distribuição das mercadorias,
atendimentos pós-venta, etc.
A necessidade de expandir tal abrangência deve estar fundamentada na relevância dos
gastos com tais processos, pois se os processos extra-fábrica consomem recursos de valor
acentuado, cabe que lhes seja destinada especial atenção. No custeio tradicional (Absorção), estes
gastos são considerados como despesas, e não são apropriados aos produtos, são lançados
diretamente ao resultado; ao contrário do custeio ABC que identifica a maneira como as
atividades consomem recursos e serve para custear as atividades, ou seja, demonstra a relação
entre os recursos gastos e as atividades.
O método de custeio ABC focaliza as atividades como elementos-chave para análise do
comportamento dos custos, associando os recursos às atividades. O método por absorção, para
chegar ao custo unitário do serviço, acumula os recursos por meio de departamentos de produção
para, no final, dividir o custo total por um indicador de produção geral; no caso deste estudo,
foram as horas efetivas de realização de cirurgias. A metodologia ABC mensura a quantidade de
recurso que participa em cada atividade, para chegar ao valor final pelo somatório dos custos de
todas as atividades. Especificamente, a mão-de-obra (médicos, enfermagem e outros) foi dividida
pelo volume de direcionadores (tempo dispensado em cada atividade), ou seja, quantidade de
cirurgias cardíacas de pequeno, médio e grande porte.
A metodologia baseada em atividade-ABC representa uma evolução com relação ao
método por absorção que, mesmo que não abandonando de vez os rateios dos custos indiretos,
procura analisar a verdadeira relação entre o custo e a atividades por meio do direcionador de
recurso. Assim, ao invés vez de agrupar os custos indiretos aos departamentos, as taxas são
calculadas para cada atividade individual. As taxas são baseadas em fatores causais que medem o
consumo, conforme cálculos mostrados na tabela 4.19.
A metodologia por absorção divide o hospital por departamentos e atribui a estes, por
meio da apropriação e rateios, os custos de apoio ao seu funcionamento. Inclui também o método
seqüencial para distribuição dos departamentos de apoio. Para o departamento do Centro
Cirúrgico, utilizou-se, para atribuir os custos indiretos aos serviços, duas bases: a hora de cirurgia
e volume de cirurgias. Portanto, presume-se que os serviços praticados (as cirurgias executadas)
consomem custos indiretos na mesma proporção das bases escolhidas. Assim, para atribuir os
custos indiretos às cirurgias, multiplica-se a taxa do departamento por uma das bases escolhidas.
A utilização de taxas departamentais pode causar distorções nos custos indiretos dos
produtos ou serviços. O uso dessas taxas faz supor que o consumo dos custos indiretos esteja
relacionado à quantidade de horas ou volume de cirurgias. E, assim sendo, o direcionador não é o
número de cirurgias, mas sim a freqüência necessária para o seu procedimento, pois diferentes
especialidades cirúrgicas irão exigir maior ou menor número de horas dispensadas para cada
procedimento cirúrgico.
Como foi visto na metodologia por Absorção aplicada no HCU, conforme tabela 4.8, o
valor do custo às cirurgias é calculado por hora cirúrgica. Isto acaba tornando o custo final um
valor médio que é pouco representativo e com baixo impacto gerencial.
Ao contrário, o método ABC apura os custos de cada etapa do processo de cirurgias
cardíacas, fazendo com que o resultado final torne perceptível diferenças de tratamento que,
efetivamente, existem entre cirurgias de pequeno, médio e grande porte.
A seguir, apresenta-se a tabela 4.22, que demonstra a capacidade instalada do Centro
Cirúrgico HCU (em horas), no período estudado (Set./05 a Nov./05), lembrando que tanto para a
aplicação da metodologia do custeio ABC, como para o Custeio por Absorção, utilizou-se o
mesmo período. O número de salas de cirurgias disponíveis é: no horário das 07:00 às 19:00
horas, utilizam-se 11 (onze) salas e, no horário das 19:00 às 07:00 horas e final de semana, as
salas disponíveis são somente 05(cinco)..
Horário Salas Cirurgias
Disponíveis Tempo/Horas/Disponíveis Quantidade /Dias Instalada ( em Capacidade
horas)
07:00 às 19:00
horas 11 salas 12 horas 65 dias 8.580 horas
19:00 às 07:00
horas 05 salas 12 horas 65 dias 3.900 horas
Sábado e domingo 05 salas 24 horas 26 dias 3.120 horas
Total 15.600 horas
Tabela 4.22: Capacidade Instalada Centro Cirúrgico HCU (em horas) - (Set./05 a Nov./05).
Fonte: Elaborada pela pesquisadora.
Com referência à tabela acima, percebe-se que o Centro Cirúrgico do HCU, no período
estudado, possui capacidade instalada de 15.600 horas cirúrgicas, e que efetivamente foram
utilizadas 6.076 horas que representam 39% da capacidade disponível. Conforme já abordado
anteriormente (verificar tópico 4.2), no ano de 2005, no HCU, a taxa de cirurgia (procedimentos
cirúrgicos / total de pacientes internados) foi de 57.4%, a qual diverge do percentual efetivo de
realização de cirurgias (horas totais de realização de cirurgias).
Quanto à apuração dos custos indiretos, considerando-se somente as horas efetivas de
cirurgias (6.076 horas), realizadas no período (Set./05 a Nov./05), percebe-se que o HCU não está
avaliando a capacidade ociosa (o custo dos recursos não utilizados) o que, neste caso, é bastante
significativa.
Para melhor evidenciar a diferença entre a mensuração de custos pela metodologia ABC
e por Absorção, a tabela 4.25, a seguir, exibe um comparativo entre os valores encontrados nas
tabelas 4.8 e 4.20, por meio dos dois métodos aplicados ao Centro Cirúrgico HCU. O ABC,
especificamente, para cirurgias cardíacas de pequeno, médio e grande porte, e o absorção, para o
departamento Centro Cirúrgico, utilizando-se a taxa unitária por hora cirúrgica para alocar às
cirurgias cardíacas.
Cirurgias/Cardíacas Taxa Unit. /Custeio
Absorção Taxa Unit./Custeio ABC Diferença/ Taxa unit.
Pequeno Porte 462,40 282,77 179.63
Médio Porte 462,40 314,76 147.64
Grande Porte 462,40 324,04 138,36
Tabela 4.23: Taxas Cirúrgicas Unitárias / Custos Indiretos
Na tabela 4.23, observa-se a diferença da taxa cirúrgica unitária para a classificação das
cirurgias cardíacas, considerando as duas metodologias aplicadas.
O método de custeio por Absorção divide o hospital e analisa onde os recursos estão
sendo distribuídos por meio dos departamentos (centros de custos), sem, no entanto, avaliar como
eles estão sendo aplicados. Além disso, seus resultados são limitados para estudos particulares de
determinado item de custo ou para determinar o custo por tipo de serviço.
Em relação à utilização da metodologia do custeio por absorção, considerando-se o
tempo gasto nas cirurgias cardíacas, no período estudado, a atribuição do custo indireto
supercusteia as cirurgias cardíacas em todos os portes. É considerada uma taxa única (neste caso
R$ 462,40) para alocação dos custos indiretos às cirurgias, consequentemente, nesta taxa inclui-
se custos dos recursos não utilizados ( tempo ocioso).
Observando-se a utilização das duas metodologias, a comparação das taxas dos custos
indiretos por atividade e departamento mostra claramente os efeitos de se usar apenas taxa única
para atribuir os custos indiretos aos serviços. A atribuição de custo baseado em atividade reflete
melhor consumo dos custos indiretos e é mais precisa, por utilizar várias taxas para atribuir
custos aos serviços.
A atribuição por meio do custeio baseado em atividades diminuiu os custos das
cirurgias cardíacas de pequeno, médio e grande porte. Dessa maneira, ao apropriar custos que não
aumentem na mesma proporção do volume de produção e tenham serviços diversificados, utilizar
o custeio por absorção pode levar a uma aparência enganosa de que um serviço é altamente
lucrativo ou não, e pode causar um impacto negativo na determinação do preço e competitividade
de um outro produto ou serviço.
A aplicação mostra que, basicamente, o que distingue uma metodologia da outra é a
maneira como os custos são atribuídos aos serviços, conforme pôde ser constatado na tabela 4.19,
sob a orientação da metodologia ABC que atribui custos aos serviços utilizando vários geradores
e, na tabela 4.8, que utiliza um único gerador para custear as horas de cirurgias. Esta constatação
vem confirmar o que enfatizam Kaplan & Cooper (2000, p.106): “Uma das principais diferenças
entre os sistemas de custeio baseados na atividade e os sistemas tradicionais é o uso de geradores
de custo não-unitários”.
Assim, com o uso da metodologia de custeio ABC foram identificadas as atividades
mais significativas nos procedimentos das cirurgias cardíacas e os direcionadores para que os
custos das atividades fossem associados aos portes das cirurgias (pequeno, médio e grande),
considerando efetivamente o tempo utilizado nas cirurgias. Já, com a utilização da metodologia
de custeio por absorção, a apropriação dos custos indiretos utilizou a taxa cirúrgica por hora,
considerando o tempo efetivo de realização das cirurgias no período, não se evidencia como os
recursos estão sendo aplicados.
O ABC representa uma evolução do método tradicional de custo que, mesmo não
abandonando a ótica da organização funcional, adiciona a esta visão a perspectiva do processo
produtivo.
Com relação à não utilização de recursos (ociosidade) existentes na capacidade
instalada do Centro Cirúrgico/HCU, deve-se considerar, conforme alguns estudos feitos no setor
hospitalar, que os mesmos não conseguem manter a taxa de ocupação de 100%; esta taxa, na
média, está entre 70% a 85%.
No centro cirúrgico, poderá ser gerada uma capacidade não utilizada, derivada de uma
capacidade reserva que existe para atender a pacientes específicos com demandas imprevisíveis.
Nesse caso, utilizados ou não, existirá o custo desta capacidade.
Conhecendo-se o custo desta ociosidade, cabe aos hospitais redimensionar sua
capacidade para níveis mais factíveis, reduzindo o custo desnecessário. O método ABC contribui
para uma correta identificação do custo dos recursos utilizados e não utilizados na execução das
atividades, criando oportunidades para que decisões que utilizem informações de custos sejam
tomadas de forma consciente e segura.
No tópico a seguir, serão abordadas as considerações com referência à aplicabilidade da
metodologia do custeio ABC nas organizações hospitalares.
4.7 Considerações sobre a aplicabilidade do Custeio ABC em entidades hospitalares
Por se tratar de uma entidade prestadora de serviços, os custos indiretos são
predominantes. No caso de hospitais, pode-se dizer que, excetuando-se material e medicamentos,
praticamente todos os demais custos são indiretos (fixos), inclusive a mão-de-obra.
Para efeito da implementação da metodologia do custeio baseado em atividades, em
uma entidade hospitalar, torna-se uma tarefa complexa relacionar os recursos consumidos no
hospital com todas as atividades peculiares de seus serviços. Conforme explicado anteriormente,
vários recursos consumidos no hospital são atribuídos aos diversos departamentos que compõem
a estrutura do mesmo; dessa forma, os custos são apropriados aos departamentos de apoio e
posteriormente alocados para os departamentos de produção, utilizando-se os direcionadores de
recursos.
A atividade hospitalar, demonstrada neste trabalho, é complexa e exige instrumentos de
gestão que acompanhem o nível de exigência da organização. Como parte fundamental do
método ABC, a análise de processo, além de propiciar a compreensão das inter-relações entre
recursos durante o processo produtivo, detalha as atividades que compõem a prestação de serviço,
relacionando-as aos seus respectivos custos. A forma de apresentação das informações, por meio
de subprocessos e atividades para cada recurso, faz com que o profissional da área fim possa
compreender melhor como sua atuação afeta nos custos, facilitando a gestão das atividades fins.
Para a implementação da metodologia do custeio baseado em atividades, é fundamental
custos e, conseqüentemente, da proporção consumida por estes, utilizar-se-ia dos direcionadores
de atividades para apropriar os custos aos serviços.
Na abordagem tradicional de custos, o foco está na natureza do recurso, ou seja, o gestor
geralmente utiliza-se do balancete para analisar os gastos com pessoal, energia elétrica, telefone,
material, etc.
Na Gestão Estratégica de Custos, ao implementar o Custeio Baseado em Atividades, o
gestor deve mudar o foco para as atividades envolvidas nos diversos processos de prestação de
serviços, ou seja, avaliar quanto custa para a entidade prover cada atividade de determinado
produto ou serviço.
Camacho (2004, p. 124) considera que, nas organizações hospitalares, a falta de
planejamento estratégico, operacional e até mesmo de orçamentos ocasiona uma discrepância
entre o corpo clínico e a área administrativa. Enquanto o corpo clínico é composto por médicos
altamente especializados, tendo a seu dispor modernos instrumentos e equipamentos, a área
administrativa carece de pessoal capacitado, sistemas informatizados sofisticados, além de
equipamentos, entre outros.
Entretanto, no HCU, objeto deste estudo, percebe-se a preocupação com a
profissionalização dos gestores. A diretoria é composta por quatro membros: dois diretores que
possuem formação na área de gestão hospitalar, e os demais estão participando atualmente de
uma especialização em gestão hospitalar promovida pela própria instituição, que está capacitando
trinta colaboradores das diversas áreas do hospital.
Outro fator positivo no desenvolvimento da pesquisa, principalmente para verificar a
aplicabilidade do custeio ABC, é a participação dos diversos colaboradores na identificação das
atividades desenvolvidas no Centro Cirúrgico do HCU, que envolve toda a equipe (técnicos de
enfermagem, instrumentadores, equipe médica, coordenação de enfermagem, farmácia do centro
cirúrgico , limpeza , secretaria e controladoria). A coordenação e técnicos de enfermagem são os
responsáveis em descrever e mensurar o tempo gasto nas atividades relacionadas às cirurgias
cardíacas; a equipe médica valida as informações descritas pela equipe de enfermagem com
relação às funções desempenhadas fora e dentro do campo cirúrgico; os colaboradores da
farmácia ( técnicos e farmacêuticos) estabelecem o tempo de atendimento na preparação dos
Kits-cirúrgicos e atendimento no balcão durante as cirurgias; os funcionários da limpeza e
secretaria descrevem as tarefas desenvolvidas destas duas áreas internas do centro cirúrgico. Os
responsáveis pela controladoria auxiliam na identificação das proporções, ou seja, os
direcionadores de recursos para apropriação dos custos às atividades, além de fornecer todos os
relatórios de custos já utilizados no HCU.
Alguns autores (COGAN, 1994; MARTINS, 2003) consideram que a metodologia do
custeio baseado em atividades reflete, da melhor maneira possível, o real consumo de recursos
numa empresa, especialmente quando a organização apresentar um montante de despesas e custos
indiretos substancialmente elevados, produzir grandes volumes de produtos ou serviços
diferenciados, e estes estiverem envolvidos com diversos processos (atividades) e vinculados às
necessidades de uma grande variedade de consumidores. Consegue-se custear os processos que
ocorrem dentro da empresa, e a análise das atividades fornece uma visão que permite não só
melhorar, como também estruturar ou, até mesmo, eliminar as atividades dentro do processo,
podendo assim melhorar o desempenho competitivo da empresa.
Conforme abordado na delimitação deste estudo, não consiste em objetivo desta
pesquisa avaliar as atividades envolvidas no processo de cirurgias cardíacas, no sentido de
segregar as atividades que agregam ou não valor ao procedimento cirúrgico; mas reconhece que
custeio ABC é fundamental para conhecer o custo de cada atividade desempenhada, facilitando
seu gerenciamento. A análise e eliminação das atividades que não agregam valor (NAV)
promovem a dinamização dos processo e redução dos custos, e, consequentemente, irá refletir em
um melhor resultado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES
Conclusões
Com base na fundamentação teórica, a aplicação prática do sistema ABC no
procedimento de cirurgia cardíaca do HCU, proporcionou aos gestores conhecer uma proposta de
inovação com relação ao método de calcular seus custos.
Nota-se que a metodologia ABC permite que os processos ocorridos na empresa sejam
custeados, pois são compostos por atividades que se inter-relacionam. Com isso, possibilita a
visualização das atividades que podem ser melhoradas, reestruturadas ou, até mesmo, eliminadas
dentro de um processo, de forma a melhorar o desempenho competitivo ou de sustentabilidade da
empresa.
A utilização da metodologia ABC para o centro cirúrgico poderá trazer grandes
contribuições à mensuração dos custos aos serviços; neste trabalho, o objeto de custos são as
cirurgias cardíacas, possuindo o Centro Cirúrgico do HCU atualmente dezoito especialidades de
cirurgias, ressaltando-se que as atividades envolvidas nos procedimentos cirúrgicos possuem
variações significativas.
Pode-se avaliar com o estudo de caso que o HCU utiliza a taxa cirúrgica por hora para
alocação dos custos, independente da especialidade da cirurgia, ou seja, não evidencia os recursos
aplicados para cada processo.
As formas tradicionais de custeio, ainda muito utilizadas, não são as mais adequadas aos
controles internos dos processos. Além disso, não exploram com a profundidade gerencial
necessária à identificação dos componentes de custo.
O método tradicional (centro de custo) é largamente empregado pelos hospitais no Brasil.
O item 4.6 deste trabalho avalia a diferença entre os métodos ABC e Absorção de forma a
demonstrar que as informações proporcionadas pelo método ABC são mais aprofundadas e
qualificadas do que aquelas demonstradas pelo Custeio por Absorção. Na medida em que avalia o
custo de cada atividade, pela visão de processo, o ABC proporciona resultados mais precisos e
melhores condições de gerenciamento. Ao contrário, o tradicional (Absorção) realiza alocações
por índices de volume, criando médias de custos distantes do custo efetivo.
A determinação dos custos das cirurgias, considerando as especialidades, é uma
informação que pode ser utilizada nas negociações com as instituições que remuneram os
serviços, seja pelo Sistema Único de Saúde, ou outros convênios de assistência, públicos e
privados.
Até o término da pesquisa, o contexto dos Hospitais Universitários permanece inalterado,
ou seja, mantém-se uma grave crise financeira que vem se prolongando ao longo dos anos, e
ameaça a sustentabilidade dessas organizações. Os recursos disponibilizados pelo governo para a
área de saúde são insuficientes para dispensar à comunidade uma completa assistência à saúde.
Principalmente, para os hospitais universitários, que são mantidos por verbas públicas e são
caracterizados primeiramente como centros de atendimento de alta complexidade, e considerados
como referência na região onde atuam.
Os Hospitais Universitários estão integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e têm
em seus recursos a maior parcela de seu financiamento. O SUS reembolsa os hospitais com base
numa tabela única de preços para cada procedimento. Os hospitais são reembolsados por esses
valores, não importando o tempo de permanência no hospital ou os custos reais incorridos com os
pacientes. Por isso, acredita-se que a utilização da metodologia do custeio ABC pelo segmento
hospitalar pode representar um diferencial que contribua de modo significativo para que essas
instituições tenham êxito no alcance de seus objetivos, ou seja, a eficiência na gestão dos recursos
escassos.
Os resultados preliminares do estudo bibliográfico demonstram que o custeio baseado
em atividades é uma ferramenta gerencial eficaz que direciona corretamente o planejamento e
controle dos custos. O sistema de custeamento baseado em atividades busca melhorar as
informações, partindo do pressuposto de que os recursos gastos pela organização são consumidos
pelas atividades desenvolvidas e que os produtos ou serviços consomem essas atividades.
Algumas pesquisas feitas com gestores hospitalares demonstram que a experiência na
aplicação do ABC em hospitais no Brasil é muito pequena, visto que suas aplicações não são alvo
de discussão pela comunidade dos gestores hospitalares porque são iniciativas isoladas,
caracterizadas por ações em áreas restritas ou pelo uso parcial dos conceitos do ABC.
Os responsáveis pela controladoria e diretores do HCU demonstram-se receptivos com
relação aos resultados do trabalho, percebendo que a metodologia do custeio ABC poderá
auxiliar para o conhecimento, com maiores detalhes, das atividades envolvidas nos
procedimentos (processos) desenvolvidos no hospital, além de auxiliar na avaliação dos custos
dos recursos não utilizados (ociosidade).
Destaca-se, também, como contribuição desta pesquisa para a entidade objeto do estudo
de caso, a identificação dos custos indiretos por cirurgia cardíaca de pequeno, médio e grande
porte.
Além disso, confirma-se o pressuposto de que a metodologia do custeio ABC se adequa
ao segmento hospitalar, respeitando suas peculiaridades de aplicação, sua filosofia, princípios e
metodologia.
Considerando as questões de pesquisa enunciadas na introdução deste trabalho, busca-se
responder as mesmas, bem como demonstrar se os objetivos foram alcançados ou não. Dessa