Pretendendo-se “caraterizar e avaliar o nível de qualidade de vida de um modo geral e o bem-estar subjetivo e/ou psicológico dos idosos institucionalizados” apresentam-se os resultados obtidos através do WHOQOL-100 (World Health
Organization Quality Of Life); instrumento que adota um conceito amplo,
multidimensional e transcultural, baseando-se no pressuposto de que a qualidade de vida é um conceito subjetivo, inerente às noções individuais de cada um, ou seja, à perceção individual (Fleck, Leal, Louzada, Xavier, Chachamovich, Vieira, Santos & Pinzon, 1999a).
Assim, nesta amostra de 30 idosos pelos resultados obtidos no WHOQOL- Bref, verificámos que, relativamente à Faceta Geral, que avaliava a perceção da qualidade de
vida e da satisfação com a sua saúde (medida por uma escala de Lickert de avaliação), os
idosos institucionalizados inquiridos avaliavam, na sua maioria, a sua qualidade de vida como “nem boa nem má”, já que se obteve uma média de 54,58 e um desvio padrão de 22,38, indicando alguma variação. Com estes valores, foi atingido a média da totalidade do score possível de se obter, embora exista uma tendência muito discreta para atingir o bom. Os valores obtidos, nomeadamente o mínimo e o máximo, mostram-nos ainda que
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alguns dos inquiridos consideravam a sua qualidade de vida muito má ou muito boa com o mínimo de 12,50 e o máximo de 100, respetivamente (Tabela 5.6).
Por outro lado, torna-se pertinente referir que no instrumento WHOQOL-Bref, quanto mais alta a pontuação obtida, melhor a perceção de qualidade relativa ao domínio que se avalia (Canavarro, et al., 2007).
Em relação ao Domínio Físico, que avaliava a qualidade de vida percebida em termos de aspetos físicos, nomeadamente, presença de dor e desconforto incapacitante, energia e fadiga, sono e repouso suficiente, capacidade para se movimentar, necessidade de medicamentos ou tratamentos médicos no seu dia a dia, capacidade para o trabalho ou atividades de vida diária/quotidiana, obtivemos uma média de 64,17, o que nos indica que os inquiridos avaliavam a sua qualidade de vida acima da média, sob o ponto de visto físico. Este dado explica o facto destes idosos se sentirem funcionais e terem atingido no
Índice de Barthel um nível de independência funcional de 86,7%. No que respeita ao
valor mínimo obtido, podemos concluir que não se detetaram idosos que revelassem estar totalmente insatisfeitos neste domínio (Tabela 5.6). Ainda no âmbito do Domínio Físico assinala-se que, a contratação de uma fisioterapeuta especializada em promover atividades de flexibilização, de treino de força, atividades lúdicas com componente física, pode ter contribuído para ajudar a tornar os idosos mais aptos a desenvolver atividades básicas da vida diária e proporcionou-lhes, por outro lado, uma certa autonomia e facilitação muscular (e.g. atividades – dança promotora do treino do equilíbrio; ginástica específica para idosos no parque geriátrico promotora de resistência e flexibilidade;
atividade física que implica adotar técnicas de mobilização e, por isso, permite não perder
a força; atividades de relaxamento que permitem ao idoso encontrar algum equilíbrio emocional; caminhadas; hidroterapia e jogos de grupo como o basquetebol e o futebol). Por conseguinte, a existência de uma fisioterapeuta nesta Aldeia-Lar pode estar a afigurar-se como uma mais-valia institucional.
No Domínio Psicológico que avaliava a qualidade de vida percebida em termos dos aspetos psicológicos, nomeadamente a presença de sentimentos positivos (aproveitar a vida), negativos (desespero, ansiedade, depressão ou mau-humor) ou espiritualidade/crenças/religião, capacidades cognitivas (memória, concentração), aceitação da imagem corporal/aparência e autoestima, obteve-se uma média de 69,03, a mais alta de todos os domínios do instrumento, tendendo esta para um valor correspondente ao “satisfeito” em termos de opinião. Os valores obtidos, nomeadamente
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o mínimo e o máximo, mostram-nos ainda que alguns dos inquiridos consideravam a sua
qualidade de vida má ou muito boa no domínio psicológico, com o mínimo de 20,83 e
com o máximo de 100, respetivamente (Tabela 5.6).
Tabela 5.6 – Estatística descritiva da Escala de Qualidade de Vida – WHOQOL-Bref, Canavarro, et al. (2007)
WHOQOL-Bref Domínios
Min. Mediana Máx. Média Desvio
Padrão Faceta Geral (avaliação da qualidade de vida e satisfação com a sua saúde) 12,50 56,25 100 54,58 22,38 Domínio Físico 7,14 69,65 100 64,17 26,52 Domínio Psicológico 20,83 70,83 100 69,03 21,24 Domínio Relações Sociais 25,00 66,67 91,67 60,83 16,55 Domínio Ambiente 28,13 70,31 93,75 67,29 17,63
No entanto, apesar dos dados no Domínio Psicológico se apresentarem satisfatórios, os idosos em conversas informais com a investigadora apontaram para a necessidade de terem acesso a técnicos superiores especializados que lhes pudessem prestar apoio psicológico, socioemocional na própria Aldeia-Lar e, mais objetivamente, reclamaram pela existência de alguém especializado em mediação de conflitos.
Relativamente ao Domínio das Relações Sociais, que avaliava a qualidade de vida percebida em termos de aspetos das relações sociais, nomeadamente a satisfação dos idosos face às relações pessoais (família, amigos, conhecidos e colegas), ao suporte social (apoio que recebia dos amigos) e atividade sexual, obteve-se a média de 60,83, revelando uma avaliação de “satisfeito” relativamente aos itens questionados. O valor mínimo obtido, 25,00, indica-nos não existir nenhum inquirido totalmente insatisfeito, enquanto que o valor máximo, 91,67, nos indica existirem inquiridos muito próximos da satisfação total neste domínio (Tabela 5.6). Por outro lado, apesar dos dados deste domínio se apresentarem satisfatórios, os idosos salientaram que se torna pertinente desenvolver um melhor e maior convívio com as suas famílias e amigos, na própria instituição. Neste
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âmbito, foi focada a necessidade de desenvolver mais atividades de animação sociocultural que fizessem “chamar” os familiares à Aldeia-Lar. Ainda assim, é de salientar que a existência de um setor de animação específico para desenvolver atividades de animação e a presença simultânea de uma animadora dinâmica e ativa já parece proporcionar níveis de satisfação consideráveis nos idosos.
Por último, no Domínio Ambiente, que avaliava a qualidade do lar e do ambiente circundante, sentimento de segurança física e proteção, oportunidades de lazer e para adquirir novas informações e habilidades, recursos financeiros para as necessidades, acesso e qualidade dos serviços de saúde e meio de transporte, obtivemos uma média de 67,29, indicando um grau de satisfação correspondente ao “satisfeito”. Também neste domínio o valor mínimo obtido, 28,13, indica-nos não existir nenhum inquirido totalmente insatisfeito e o valor máximo de 93,75 indica que o grau de satisfação máximo verificado atinge o “muito satisfeito” (Tabela 5.6). Ainda assim, à parte dos dados deste domínio se apresentarem satisfatórios, assinala-se que, em conversas informais com os idosos, estes afirmam desejar ter acesso a uma farmácia e a cuidados específicos prestados por um especialista na área das Ciências Farmacêuticas. Os idosos admitem ainda que só deste modo teriam um acesso controlado aos medicamentos que necessitavam. Acrescentam ainda que, por outro lado, dessa forma, seria mais fácil controlarem as despesas monetárias com os medicamentos.
Do ponto de vista global, as médias obtidas relativamente aos domínios do
WHOQOL-Bref demonstraram que os inquiridos apresentam uma perceção mediana da qualidade de vida, variando essa perceção ente os 7 e os 100.