3 RESULTS AND DISCUSION
4.1 Main Conclusions
Destacamos um dos documentos da coletânea analisado, com data de 13/06/2001 e que apresenta uma Proposta para os Conselhos de Classe17. Aqui, fizemos uma importante descoberta: inicialmente, os Fóruns de Classe eram denominados de Conselhos de Classe. A proposta pesquisada foi elaborada por profissionais que atuavam no 3º ciclo, incluindo professoras, coordenação pedagógica e SEAPE (atual SEAPPS). Encontramos, nessa proposta, a necessidade de rever o conceito de Conselho, o qual, segundo o próprio documento, significa: “Conselho: Superioridade, Juízo/Tribunal, Opiniões, Advertências e Senso/Conveniência – (Aurélio: p. 457). Uso inadequado e desgastado historicamente pelas práticas desenvolvidas pela escola/educação” (UFU. ESEBA, [2005]c).
Há, nesse documento, a preocupação com a palavra conselho e seus significados mais comuns e, com isso, um grupo de profissionais da escola, que atua no 3º ciclo, propõe o uso do termo Fórum, apresentando seus significados: “Foro, Praça Pública, Local para Debate, Reunião, Debate para o mesmo fim; Centro de Múltiplas Atividades” e, assim, sugerem um novo termo, em substituição ao Conselho de Classe: “Fórum de diálogo e participação entre alunos(as), professoras, direção, coordenação e SEAPE18” (UFU. ESEBA, [2005]c).
17 Para melhor organizar nossa pesquisa, destacamos em itálico os nomes dos documentos
analisados.
Na busca de compreender o significado da palavra Fórum, termo de origem latina, utilizamos o dicionário Latino-Português (1975, p.413), o qual traz o seguinte conceito: “Recinto ou cercado em volta de uma casa. Foro (centro da vida romana, onde se tratavam assuntos de interesse público e privado, onde se regulavam contestações e processos, e em torno do qual se erguiam os monumentos públicos mais importantes, como templos, tribunais etc)”.
Salientamos que, embora se diga que os Fóruns se justificam pela necessidade de promover o diálogo e a participação entre todos os segmentos da escola, pelo que se constata em outros documentos e pela fala de sujeitos da escola, os Fóruns de Classe ocorrem como avaliação apenas dos alunos, sendo que, na prática, as professoras e outros setores da escola não se avaliam e nem são avaliados.
Percebemos que a mudança na nomenclatura envolve também a possibilidade de mudar a função do Fórum no cotidiano da escola. Aspira-se a uma prática mais democrática nas relações professor/direção/aluno, pois segundo a proposta dos profissionais do 3º ciclo, o momento de avaliação do rendimento escolar e os conflitos de comunicação entre alunos e professora, podem desgastar as relações entre as pessoas.
Ainda nesse documento, verificamos o objetivo do Fórum e, em vista de sua importância, citamo-lo: “Abrir espaço para dialogar sobre as questões que envolvem o cotidiano: a aprendizagem, o desenvolvimento humano e social, a participação coletiva na escola e o exercício da cidadania” (UFU. ESEBA, [2005]c). Nota-se que a escola, já em 2001, planejava organizar-se para promover discussões e práticas para promover um coletivo. Pelo documento, percebe-se uma ênfase no diálogo e não na avaliação; porém, pelo teor de outros documentos constantes na pasta,
verificamos que a preocupação maior - mesmo que não se queira ou que não seja visto assim por pessoas da escola - é, na verdade, com a avaliação discente e mais, uma grande preocupação com a organização das atividades dos alunos dentro do Fórum.
Consolidando o movimento da Escola em busca de organizar os Fóruns de Classe, pesquisamos o documento Avaliação dos Fóruns 2003 e planos para 2004, o qual, conforme o próprio documento, foi organizado nos seguintes termos: “As coordenadoras do 1º, 2º e 3º ciclo (do ano de 2003) em reuniões com os professores das diversas Áreas de Conhecimento que atuam nesses ciclos, em dezembro de 2003, avaliaram os Fóruns-2003, e entregaram um relatório de uma lauda à Direção sobre essa atividade de avaliação qualitativa” (UFU. ESEBA, [2005]c).
Percebe-se que a ESEBA possui um saber que caracteriza o Fórum de Classe como uma avaliação qualitativa do aluno, mas, da forma como os Fóruns estão organizados, constatamos haver uma ênfase na quantificação da avaliação, em que a nota torna-se a finalidade do processo, mais importante que as relações entre sujeitos do processo educativo.
Detectamos, nesse “relatório”, que todos os Ciclos propõem a continuidade dos Fóruns, pois, de acordo com justificativa ali exposta, “representa um momento de diálogo, reflexão, redimensionamento do processo de avaliação, valorizando aspectos formativos; revisão da metodologia de trabalho; um avanço no processo de avaliação qualitativa, espaço coletivo para o aluno ouvir os professores” (UFU. ESEBA, [2005]c). O próprio relatório menciona – ou talvez deixe escapar – a tônica que nos parece prevalecer no Fórum: um momento no qual os alunos podem (mais uma vez!) ouvir as professoras. Quando se analisam os itens do que vale e do que não vale, embora se queira demonstrar clareza nas intenções da escola para com os
alunos, para o comportamento destes, a impressão que se tem é que são as professoras que sempre falam e determinam o que é certo para a escola e os alunos, cabendo aos discentes apenas ouvir e obedecer.
Normalmente, o grupo de professoras da escola reúne-se para estudo ou para o trabalho nas comissões por meio de folhas impressas que são coladas em locais específicos da escola com a convocação ou convite para os encontros. Assim, temos um convite ou convocação, da direção às professoras, com data de 24/05/2004, presente na coletânea, com o título: Reunião da Comissão de Fórum de
Classe, apontando a seguinte pauta: “1- Apreciação das solicitações dos alunos,
com presença apenas dos membros desta Comissão; 2- Avaliação do Fórum de Classe do 1º trimestre/2004, com presença dos membros desta Comissão junto com a Direção e SEAPPS e 3- Encaminhamentos pedagógicos e administrativos para os próximos Fóruns” (UFU. ESEBA, [2005]c).
Pelo documento citado acima, na discussão do Fórum, temos a participação das professoras e direção da escola, não incluindo os alunos. Este fato revela a forma como o grupo organiza-se em seu cotidiano com a discussão de algo que busca afirmar e construir o coletivo, tal como a proposta de Fórum de Classe, porém, reunindo apenas alguns sujeitos da escola, deixando de fora os discentes.
Como destacado no documento anterior, os Fóruns de Classe ocorrem trimestralmente, o que nos levou a considerar como relevante a forma como a escola buscou tal organização em seu cotidiano escolar.
A maneira como o Fórum está organizado no cotidiano da ESEBA tem a ver com o tempo escolar. Em uma Ata de Reunião do CPA redigida por uma Secretária da Escola, referente à reunião do CPA, realizada em 26 de abril de 2002, propôs a seguinte pauta: “Sistema de Avaliação da ESEBA para o ano letivo de 2002” (UFU.
ESEBA, [2005]c). A discussão acerca da temática avaliação nessa reunião, segundo consta no documento, envolveu a organização do calendário escolar em trimestres e não mais em bimestres como ocorria antes.
A Ata de Reunião do CPA apresentava uma outra decisão importante para o funcionamento do Fórum na escola. Naquela oportunidade, as coordenadoras dos ciclos19 levaram a sugestão de organizar o ano letivo em trimestres e não mais em bimestres, o que determinaria que as Avaliações, incluindo o Fórum de Classe, também acontecessem três vezes ao ano.
Encontramos, na Ata referida acima, a seguinte posição da diretora da ESEBA: “Na prática, a ESEBA já adota esse sistema em função do atraso das professoras em entregarem seus resultados20 na Secretaria Escolar” e, sobre uma professora, os seguintes comentários: “... externou que, no seu ponto de vista, a organização trimestral não vai facilitar para aluno” (UFU. ESEBA, [2005]c). As duas diferentes posições anteriores confirmam, para nós, os desafios cotidianos ou polaridades da instituição: apesar de discorrer sobre a importância do trabalho coletivo e da participação de todos, as posições da diretora e de uma professora expressam possíveis antagonismos ou, pelo menos, diferentes ênfases, pois a professora lembra que a organização trimestral pode dificultar o trabalho dos alunos, e a diretora sinaliza outra opinião, guiada pela realidade do que já vêm sendo feito, na prática, pelas professoras.
Outra questão que emerge mediante análise dessa ata é que a organização do tempo escolar não envolve apenas a avaliação do processo ensino- aprendizagem, mas esta parece ter sido a tônica da referida reunião. Portanto, fala- se em democracia e participação, mas opõem-se interesses de professoras e
19 Atualmente na ESEBA não há mais essa figura da coordenadora de ciclo. 20 Resultados referentes a avaliações e notas dos alunos.
alunos, fala-se em reorganização do tempo escolar, mas prevalece uma preocupação com a avaliação.
A proposta de organização trimestral foi votada e aprovada pela maioria dos presentes no CPA, não sendo especificada a quantidade de pessoas na reunião, apenas se registraram quatro abstenções e a aprovação do regime trimestral. Na referida reunião, a proposta da trimestralidade foi exposta pela direção, enfatizando a importância da organização trimestral do calendário escolar, a diretora fez a sua exposição, ressaltando a necessidade dessa organização no cotidiano escolar.
Momentos em que percebemos a participação do grupo, nesta reunião de CPA, foram aqueles em que alguns docentes expuseram suas idéias, quando referimos no exemplo acima, na opinião de uma professora, e também na hora da votação. Esse processo revela que a ESEBA tenta firmar suas decisões no grupo.
Salientamos que o Fórum de Classe ocorre trimestralmente na ESEBA, seguindo a lógica da avaliação da aprendizagem, ou seja, está interligado à nota do educando a cada final de trimestre. No próximo item, ressaltamos significados em torno do Fórum de Classe, tendo em vista a sua dinâmica nos anos anteriores a 2005.