WESTERN MACKEREL
3 MACKEREL STOCK COMPONENTS: NORTH SEA, WESTERN AND SOUTHERN AREAS .1 North Sea Mackerel
Além de serem fundamentais na equipe, porque são eles que puxam os cavalos durante as montarias, os auxiliares-guia são incumbidos de pegar os cavalos no pasto, no início da manhã, e levá-los de volta, ao final da tarde. São eles também que preparam os cavalos para as sessões de montaria, seguindo uma série de procedimentos a serem descritos mais à frente no texto. Além
trabalhar em algum horário, ou não dormiu bem. Só que a gente controla, eles não. Criança também não controla”.
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Esta afirmação faz lembrar das impressões dos terapeutas a respeito dos comportamentos dos cavalos “presos” nas baias em comparação com os cavalos “soltos” no pasto, oposição marcada em termos de liberdade/descontrole e confinamento/controle.
105 disto, os auxiliares-guia são encarregados da limpeza das baias; retiram as fezes dos cavalos em meio à serragem, com o auxílio de uma pá, garfo especial (forquilha), e carrinho de mão. Depois, fazem a cama dos cavalos, preenchendo a baia com mais serragem, de modo que o chão fique recoberto deste material e, para finalizar, “afofam-no” com a vassoura.
No início da pesquisa havia dois auxiliares-guia, e no segundo momento, apenas um. Inicialmente, podia ser que fossem dispensados em sessões de Pré-Esportivo, mas posteriormente a equipe decidiu por incluí-los mesmo nestas por conta da manutenção de segurança. Assim, os auxiliares-guia são também encarregados da função como seguranças.
Gabriel. Ele lida com cavalos há mais de 21 anos; na Hípica, há mais de 4 anos.
Antigamente, usou boi para trabalhar, abrindo caminho em plantações de soja e milho. Em sua opinião, os bois são bravos, mas, uma vez amansados, fica fácil de lidar com eles: “Tem uns mansinhos. É igual cavalo”. Ele também lidou com cavalos xucros, assim me disse a terapeuta. Para ele, este tipo de trabalho era pesado, enquanto este que lhe cabe na equoterapia é parado. Ele disse que levou um tempo para se acostumar com estas diferenças no ritmo de trabalho.
Certa vez, em um intervalo entre os atendimentos, perguntei a Gabriel o que ele pensava sobre a ideia de que os cavalos conseguem entender o que dizemos a eles. Ele disse achar que não, que os cavalos não entendem o que se fala a eles, mas entenderiam os barulhos, por exemplo, aqueles sons feitos com a boca.
Quando perguntei a Gabriel se ele tinha algum cavalo favorito, ele disse que não, e que cavalo era tudo igual. Depois de alguns instantes, porém, ele acrescentou: “Só o Vagalhão, né”, porque este era o cavalo mais calmo. Gabriel também considera os cavalos da equoterapia bem
cuidados, pois estão constantemente sendo tratados com remédios, ao contrário dos que ficam soltos por aí, e que podem ser picados por bichos.
106 Da parte dos terapeutas, certa vez, Gabriel foi referido como bruto e limitado, além de não saber falar e ler direito. É oportuno dizer que Gabriel tinha algumas opiniões diferentes daquelas dos terapeutas, por exemplo, sobre a história da corda que apareceu na barriga de Dominó. Quando Marina me contou este episódio, ela disse que o pedaço de corda encontrado dentro da barriga do animal fora esquecido na ocasião da cirurgia de sua castração, anos atrás. No entanto, para Gabriel, que não confiava em veterinários, esta estória tratava-se de uma bobagem. Este desencontro semântico entre a terapeuta e o auxiliar-guia me trouxe algo semelhante com o que o antropólogo Guilherme Sá (2010) toma por “ser brindado com o flagrante contraste entre os dois pontos de vista” (p.187). Em seu caso em particular, Sá atenta para a desavença conceitual entre um informante fazendeiro e uma informante bióloga, quanto às chances de integração e reprodução entre o grupo dos macacos mono-carvoeiros (muriquis) e os macacos barbados nas matas de uma Reserva em Minas Gerais. Mas, se, em seu caso, é a bióloga quem toma o conhecimento do fazendeiro por “baboseira”; no caso que presenciei na Hípica, é o auxiliar-guia quem toma o conhecimento do veterinário por “bobagem”.
Outro acontecimento merece ser mencionado, porque ilustra certa competição nas regras entre terapeutas e auxiliares-guia. Uma vez, enquanto aguardávamos que a próxima praticante chegasse, a narina do cavalo Tic-Tac continha um pouco de sangue. Ao perceber isto, Gabriel pegou um tubo de pomada medicamentosa, de dentro da cesta apoiada na plataforma e aplicou na narina do cavalo, embora a terapeuta Beatriz tivesse dito para ele não fazê-lo, porque Marina notaria no dia seguinte que ele havia aplicado o medicamento no cavalo sem a sua autorização. Isto significa, então, que embora os auxiliares-guia não falassem naquelas circunstâncias, eles são pessoas ativas, que têm opinião, tomam decisões e, neste local, fazem as coisas por conta própria.
107 respeito de Dominó, Rafael considerava-o o cavalo mais “fácil de lidar”; Dominó e Fantasia eram os cavalos de quem ele mais gostava. No segundo momento de minhas visitas a campo, porém, ele já não trabalhava lá. Incluo ele aqui, ainda assim, porque ele trouxe pontos de vista divergentes e que contribuíram para analisar mais detalhadamente as dinâmicas neste local.
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Antes, porém, de avançarmos para a discussão relativa ao funcionamento das sessões e ao modo como os cavalos são nelas posicionados junto às ações dos outros membros da equipe, vejamos alguns dados gerais sobre o funcionamento da equoterapia, a começar pela primeira tarefa do dia, a saber, pegar os cavalos no pasto e prepará-los para as sessões, tarefas cumpridas, sobretudo, pelos auxiliares-guia.