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3. Experimental methods

3.4 Machining and testing of specimens

Fragmento 6:

Disponível em: <http://ieceblog.blogspot.com.br/2010/11/o-que-e-musica-boa-e-musica-ruim.html>. Acessado em: 30 de junho de 2013.

Em busca de um assunto que trouxesse comentários ao Ieceblog, a estagiária de jornalismo da escola presenciou um debate na portaria da escola e trouxe a discussão para o

blog.

Esses dias eu, J., estava lá na portaria e presenciei uma conversa muito polêmica! Vocês acreditam que o I. não gosta do Pink Floyd? O S. e a M.

não conseguiram aceitar tamanho absurdo. ‘O quê?? Você não gosta do Pink Floyd?? Como é possível?’. Até o próprio I. ficou sem graça e quase

mudou de opinião diante de tanta pressão.

(Retirado do Fragmento 6)

Ao se fixar no debate, a estagiária percebeu a forte tensão existente sobre o assunto. Bastante jovem, pôde identificar-se na cultura adolescente em relação à música. Boa parte dos jovens aprecia e usa os recursos musicais vinculados à internet, de um modo ou de outro escuta, divulga, faz downloads e, a partir de suas escolhas, o gosto musical mostra e compartilha seus valores (GRIBL, 2012).

Entende-se que a cultura jovem se constrói a partir das práticas letradas específicas, bem como as redes sociais se tornam um ambiente propício de relacionamento dialógico e para analisar os critérios elencados. Quando o assunto é música, cabe considerar que os posicionamentos sociais ficam atravessados por ela, seja ela boa ou ruim. Nesse sentido, a postagem foi campo para debate – rico em opiniões, ressaltou valores sociais que, em combate, mantiveram a discussão acesa, repleta de argumentos, o que justificou a escolha do fragmento para análise.

A postagem alerta para o conflito, trazendo, de início, uma visão dicotômica entre dois tipos de música de forma dissidente, a boa e a ruim. Isso aparece, provocando a questão que intitula a postagem: “o que é música boa e ruim?”. Na discussão, não existe o meio termo, a dicotomia demarca a incompatibilidade entre os gostos. Amar todo tipo de música é impossível para quem gosta de “boa” música, e, para entrar no embate, é preciso “sair do muro”, ou seja, posicionar-se – um convite para a argumentação dentro do blog (DANTAS, 2013).

Disponível em: <http://ieceblog.blogspot.com.br/2010/11/o-que-e-musica-boa-e-musica-ruim.html>. Acessado em: 30 de junho de 2013.

Assim como nos fragmentos anteriormente analisados, a matéria sígnica presente na imagem dialoga, em interação, com o texto, reforçando a cumplicidade de sentido entre linguagem imagética e linguagem verbal. Entretanto, no Fragmento 6, o que difere é que a imagem foi montada especialmente para a postagem, apontando para certa autonomia como enunciado responsivo que suscita resposta. A imagem não está a serviço da simples contemplação, ela é bem provocativa e pode, por si só, promover as discussões, acentuando o olhar sobre o objeto focado nas práticas sociais na perspectiva dos multiletramentos, assim como acontece no Fragmento 3.

A concepção bakhtiniana sobre o herói (BAKHTIN, 2000) pode auxiliar na reconstrução do texto contido na imagem. Nessa visão, os heróis expostos na imagem entram como os protagonistas do debate, e o que era para ser uma discussão acerca da música boa e ruim é canalizado para outro tipo de debate, voltado para Justin Bieber e Pink Floyd, suas músicas e seus valores.

Vale salientar que, na relação entre autor e herói, os dois se imbricam através do dialogismo. Mesmo que o autor se posicione externamente à imagem numa perspectiva de acabamento da obra, personagens e autor estão interligados através do diálogo, numa interação carregada de tensão peculiar, a exotopia, seja no espaço, no tempo aproximando e distanciando os valores (TEZZA, 2001). No fragmento em destaque, o sujeito J, autor da postagem inicial, se mostra, se identifica, expõe a opinião viva de alguns alunos, mas todos cedem lugar aos heróis, os representantes axiológicos dos dois públicos dissidentes.

Sendo assim, a imagem mostra, ao alto, a fisionomia do jovem cantor de música pop canadense, de apenas 16 anos, Justin Bieber30, em composição com os representantes da velha guarda dos anos 1980, que aparecem logo abaixo, todos quatro formadores da banda, Pink

30 Bieber foi nomeado como a estrela mais quente pela revista J-14, revelação do ano pela MuchMusic, e listado

pela Celebuzz no top 10 dos artistas revelados pelo Youtube na década. Ele também é conhecido por gerar uma revolução na moda jovem, fazendo com que adolescentes de todo o mundo imitassem seu corte de cabelo e o seu estilo de vestir, com o uso de bonés da marca New Era e tênis coloridos. Em 2010, Bieber recebeu um pagamento de 53 milhões de doláres, tornando-se o artista adolescente mais bem pago do show bis segundo a revista People. Isso se deve ao fato de Bieber ter vendido 12,2 milhões de discos mundialmente.

Floyd31. Para pronunciar o embate, é sobreposto em vermelho um X, na cor vermelha, localizado no centro da figura, reforçando a ideia dicotômica de dois públicos.

A postagem faz parte da seção Desabafo da galera. Considerando o que o nome da seção – desabafo – sugere, a linguagem que se elege em sua apresentação aparece de maneira íntima e se manifesta em forma de confissão pessoal aberta ao público. Da forma como a postagem se anuncia, ela possibilita a retomada da ideia inicial sobre os blogs, situando-o, desta vez, como prática diarista (KOMESU, 2010). A confissão sai do título e passa ao texto, agora reforçando um estilo que se aloja no âmbito da intimidade:

Vou confessar uma coisa: não sou muito familiarizada com as músicas do Pink Floyd, mas "Eenie Meenie" do Justin Bieber já foi até toque do meu celular...

(Retirado do Fragmento 6)

O locutor, balançado em seu gosto musical, expõe-se ao público como amante de uma música teen do cantor Justin Bieber, Eenie Meenie. A confissão de ouvinte de uma composição do jovem cantor aparece em forma de constrangimento, logo após cede voz aos mais criteriosos da música que deixam a marca de indignação pautada pelos amantes do Pink Floyd, como se vê logo abaixo:

O quê?? Você não gosta do Pink Floyd?? Como é possível?”. Até o próprio I ficou sem graça e quase mudou de opinião diante de tanta pressão.

(Retirado do Fragmento 6)

A partir dos comentários, emerge uma riqueza de vozes que contracenam com o que foi postado por J., inicial escolhida para designar a estagiária que auxilia o GRA. Uma sucessão de anônimos se manifesta, colaborando para a compreensão de que os enunciados estão prenhes de posicionamentos e de valores sociais independentemente da identidade real do sujeito falante. Além disso, Dantas (2013) atenta para a linguagem híbrida do blog, em que as interações se aproximam mais ao discurso da vida, como amostra discursiva dialógica resultante das relações sociais circulantes de forma indiscriminada. Por isso, o grau de

31 Pink Floyd foi uma banda de rock britânica, formada em Cambridge, Inglaterra, em 1965, que atingiu sucesso

internacional com sua música psicodélica e progressiva. Seu trabalho foi marcado pelo uso de letras filosóficas, experimentações musicais, capas de álbuns inovativas e shows elaborados. O Pink Floyd é um dos grupos de rock mais influentes e comercialmente bem-sucedidos da história, tendo vendido mais de 300 milhões de álbuns ao redor do mundo. A banda foi induzida ao Hall da Fama do Rock and Roll em 1996.

liberdade presente que atravessa esse blog escolar em particular, permite posicionamentos que levam o debate a sério e outros que ficam na superficialidade e na brincadeira.

Os três primeiros comentários inaugurais, mesmo que superficiais, denotam o tom da desaprovação:

Anônimo disse...

os dois são ruis mais o do justem e pior

Anônimo disse...Esse post é tão absurdo que comentá-lo seria uma tremenda perda de tempo.

(Retirado do Fragmento 6)

O tom de desfeita abre o debate na parte dos comentários, o termo “absurdo” acima reaparece para desconsiderar a hipótese da dúvida sobre a qualidade da música ou sobre a qualidade dos cantores, mas não deixa clara a posição do autor. Logo a seguir, surge uma menção a uma manifestação folclórica potiguar, o “coco de zambê”32. Uma voz representante da cultura local, como se aparece abaixo:

Massa é coco de zambê

(Retirado do Fragmento 6)

O que poderia significar côco de zambé em meio à discussão sobre Pink Floyd e Justin Bieber? Frente ao comentário postado acima, não há como definir ao certo porque o côco de zambê vem ao debate quando o assunto está relacionado diretamente à qualidade de música produzida por representantes de uma cultura estrangeira, mais especificamente da língua inglesa. O que resta pensar são as probabilidades que a fizeram aparecer: supor que o côco de zambê veio para provocar um debate que está situado, somente, em músicas estrangeiras, sem fazer nenhuma referência ao acervo nacional; ou que é uma provocação irônica desmerecendo um debate dessa ordem; ou que o comentário se encontra no âmbito do deboche, trazendo como exemplo uma manifestação folclórica muito pouco divulgada em meio aos ritmos mais escutados. A especulação encontra-se em aberto a outras considerações ainda não pensadas a fim de sanar a dúvida deixada. Entretanto, a única certeza que se pode afirmar é que um enunciado dessa ordem é extremamente potiguar, tanto na menção do ritmo quanto no uso da

32 O coco de zambê é uma dança rítmica do folclore potiguar, mais exclusivamente da região litorânea.

A dança apresenta a participação exclusiva de homens, que entram um de cada vez na roda, executam passos livres e escolhem seu substituto na roda com uma umbigada ou uma vênia com o pé. (Disponível em: <http://ftp.ufrn.br/pub/biblioteca/ext/bdtd/CyroHA.pdf>. Acesso em 28.04.2013).

interjeição massa (ver Fragmento 6), geralmente utilizada no sentido de aprovação. Dessa forma, em situação de reforço positivo, usa-se o enunciado “massa!” como se usa “legal!”.

Em contrapartida ao último comentário analisado, ressurge a voz que valoriza o estilo da música rock, da cultura dominante na língua inglesa, enunciada somente pela simples presença do nome da banda heavy metal australiana AC/DC, trazendo de volta à discussão a música, seja ela boa ou ruim, que não pertence à cultura do país de origem dos sujeitos em discussão. A música de língua inglesa se revela como preferida dos alunos da escola, como foi verificado em debates e enquetes promovidos pelo Grupo de Responsabilidade de Música (GRM) e também através de uma postagem mais antiga do Ieceblog que fala sobre a música de interesse dos alunos da escola, como pode ser observado no trecho abaixo:

... cansados de saber que a diversidade enriquece a alma, na nossa escola os alunos acabam tendo o gosto muito parecido e restrito - dão preferência somente ao rock e ao emocore33 (se não sabe o que é, pesquise na wikipedia).Por isso nós, forrozeiros de plantão, sugerimos que o GRM (grupo de responsa de música) varie mais os estilos para nos acostumarmos com outros modos de apreciar a música. E nada de preconceitos, pessoal! :)

(Disponível em: <http://ieceblog.blogspot.com.br/2008/11/forr-bom-demais.html>. Acessado em 6 de maio de 2013)

A postagem FORRÓ É BOM DEMAIS procurou democratizar o gosto musical da escola, estendendo-o para os tipos de música mais populares dentro da diversidade cultural brasileira. Mesmo que não fazendo parte do corpus desta pesquisa, a postagem se tornou útil para a análise do Fragmento 6 quando informa que “na nossa escola os alunos acabam tendo o gosto muito parecido e restrito - dão preferência somente ao rock e ao emocore”, mostrando que o gosto musical da maioria dos alunos está voltado para a música de origem na língua inglesa.

Apesar de a hibridização expandir espaços às divergências culturais, a fusão não acontece a qualquer modo. Canclini (2005) atenta para os obstáculos sociais, os quais podem acontecer, não oferecendo acolhimento ao convívio diversificado das culturas em todas as esferas das realizações humanas. Em geral, o adolescente da escola pesquisada escuta o Rock e não se abre espontaneamente para a música com origens na população periférica nordestina, mesmo que a instituição ofereça musicalização baseada no folclore para a Educação Infantil e

33 Emocore (termo proveniente da expressão em inglês "emotional hardcore") é um gênero musical

pertencente ao Rock tipicamente caracterizado pela musicalidade melódica e expressiva, e por vezes letras confessionais.

um encontro semanal de MPB para o Ensino Fundamental I no Cantando Juntos34 (PPP, 2010). A maioria dos alunos, filhos de uma elite intelectualizada, elege as músicas internacionais, principalmente as inglesas e as americanas, para serem ouvidas em seus aparelhos pessoais e pelo som da escola na hora do intervalo.

Nessa percepção, Rojo (2012) entende a importância da escola em reconhecer que a virtualidade, tão presente na vida dos jovens, não pode envolver somente o entretenimento, o local de desejo do aluno. Ao se lidar com as práticas sociais que envolvem os multiletramentos, é preciso ter toda uma preocupação direcionada às diferentes linguagens e mídias, em busca da inclusão das diversidades culturais, de modo a ultrapassar as fronteiras, porém sem forçar demais os seus limites.

No segmento, a partir do que se quer analisar sobre as práticas sociais na perspectiva dos multiletramentos, a discussão se aquece a partir da argumentação que surge:

É até sofrível ter que comentar sobre uma discussão tão simples... A diferença é que o Pink Floyd é uma banda com músicos competentes que fizeram verdadeiros clássicos como Dark Side of The Moon, Wish You Were Here e Meddle, enquanto Justin Bieber não passa de um produto da indústria fonográfica com o intuito de comercializar. O artista em questão chega a ser caricato por ter apenas 16 anos e já se achar no direito de escrever uma auto-biografia. Sem falar no quesito mais gritante, que são suas músicas porcamente arranjadas e suas letras infantis e repetitivas. Espero que essa crítica construtiva não seja levada em vão e que pensem um pouco antes de ignora-la só por que foi escrita por um anônimo.

(Retirado do Fragmento 6)

O anônimo defensor do Pink Floyd sustenta um ar de sabedoria, em tom arrogante, trazendo como golpe certeiro três exemplos do repertório da banda de sua preferência. Mencionar Dark Side of The Moon, Wish You Were Here e Meddleem sequência aponta para a estratégia do embate a fim de enfraquecer a posição do outro, que, em atitude contrária, provavelmente, desconhece o repertório da banda. Assim, a voz de autoridade sobre música se apresenta com propriedade, Pink Floyd é colocado no lugar de uma banda “competente” enquanto Justin Bieber é subjugado pelo tom agressivo e no uso de expressões depreciativas como “caricato”, produtor de “músicas porcamente arranjadas”, “letras infantis e repetitivas”. Interessante destacar a preocupação do interlocutor com a aceitação do seu anonimato que, em forma de suspeita, receia que o seu comentário possa ser ignorado.

34 Cantando Juntos – momento semanal em que os alunos do Ensino Fundamental (do 2º ao 5º ano)

Após comentários consecutivos que sustentam opinião favorável ao Pink Floyd, aparece a discórdia, alcançando o objetivo de letramento desejado. As alunas do GRA, A. e I, assim designadas para a pesquisa, entram na área do embate em defesa do Justin Bieber. As pré-adolescentes iniciam a argumentação com polidez e elegância, com o devido cuidado de não expressar termos mais agressivos, como a citação retirada do comentário a qual se está respondendo, conforme se vê abaixo:

Ok, cada um tem que respeitar a sua opinião e a da outra pessoa. Sr. Anônimo, vc pode achar que Justin Bieber é 'porcamente' tosco.

(Retirado do Fragmento 6)

A seguir, no mesmo comentário, os argumentos favoráveis ao Pink Floyd são confrontados, ressaltando-se a incompreensão das alunas com a linguagem elevada e metafórica das músicas da banda como “estranhamente de outro 'mundo'”. Ao longo do debate, as estudantes do 5º ano imitam a forma crítica do anônimo (com letra minúscula) de se posicionar. Elas têm o seu comentário como um exemplo, o que aponta para a apropriação do modo do outro de argumentar. Percebe-se que, a partir da escrita do outro, torna-se viável se amoldar ao gênero por meio do reconhecimento de suas similaridades e adaptá-lo às circunstâncias, reforçando a ideia de que é na relação das múltiplas linguagens que os sujeitos podem reestruturar as produções escolares nas interações (FARACO, 2009). Nesse caso, a produção do argumento, pela ocasião do debate, é realizada no ambiente virtual em situação real e não espera pelo ensino do professor em sala de aula, com as tradicionais produções argumentativas ou criação de um texto de opinião. O debate envolve emoção e sair em defesa do Justin Bieber significa muito mais do que escrever um texto para o professor corrigir.

Nessa mesma linha de produção, as alunas do GRA mostram que já possuem certa compreensão sobre o gênero argumentativo e sobre a produção para o Ieceblog, portanto trazem para discussão a voz do Justin Bieber como valor agregado à sua defesa, expondo estrategicamente uma de suas músicas, Pray. Importar a música para o embate significa adicionar à discussão os valores sociais de inclusão, justiça social e posicionamento antiguerra ao cantor – o herói enunciativo do combate. Assim, a música á apresentada da seguinte forma:

Agora, vejam um trecho da música Pray, de Justin Bieber: ''Eu simplesmente não consigo dormir esta noite

Sabendo que as coisas não estão certas

Está nos jornais, na TV, aonde quer que eu vá Crianças estão chorando

Soldados estão morrendo

Algumas pessoas não têm um lar'' Grande diferença, hein?

Caso dúvidem entrem na página do vagalume e procurem a música.

(Retirado do Fragmento 6)

Fazendo parte integrante da legião de fãs do cantor, as alunas do GRA usam essa identidade para elevar a posição do jovem artista ao rank dos melhores cantores. Desse modo, a réplica à desfeita das jovens de 10 anos vem com força total, reposicionando o grupo dos anos 1980 para baixo. Entretanto, a vitória das alunas dura pouco tempo, pois a citação do ilocutor sobre os álbuns conceituais da velha banda destituem a simplicidade da letra de Pray, dando maior ênfase ao embate e às vozes que emergem, como pode ser visto a seguir:

Um álbum conceitual é algo com que o Justin provavelmente nunca nem sonhou, que não consiste apenas em músicas colocadas aleatoriamente num mesmo disco, mas músicas que complementam-se mutuamente.

(Retirado do Fragmento 6)

Ao primeiro olhar, as letras do Pink Floyd podem até parecer estranhas, mas, a partir de uma leitura mais profunda, é possível entrar em sintonia com as causas mais humanas do ser, como a loucura e as psicopatias – vozes ainda desconhecidas para as jovens apreciadoras de Justin Bieber, cujos conhecimentos e valores sociais, ainda imaturos, não as permitem participar da corrente da comunicação verbal que envolve o tema (VOLOCHÍNOV, 2006) como ressalta o Anônimo da vez:

A diferença é que enquanto o Justin retratou a guerra com um refrão direto e não muito desenvolvido, Pink Floyd abordou o tema em álbuns completos como The Final Cut e The Wall, despertando o entendimento intelectual e filosófico por parte do ouvinte.

(Retirado do Fragmento 6)

A voz do mercado aparece a seguir, em favor da banda de rock inglesa, conforme mencionado a seguir:

A propósito, parece que a legião de milhões de fãs de Justin Bieber não curte muito comprar discos... Dark Side Of The Moon ocupa "somente" a terceira colocação no ranking dos discos mais vendidos do mundo, perdendo apenas para "Thriller" de Michael Jackson e "Back in Black" de AC/DC.

Conforme o comentário acima, o número de vendas de discos e cd’s do Pink Floyd ultrapassa, em muito, as vendas decorrentes da produção musical de Justin Bieber. O argumento no Ieceblog sobre as vendas favorece a banda em discussão, entretanto, desconsidera que discos e cd’s, atualmente, não são as únicas fontes existentes para se conseguir e escutar música. Cabe ponderar que, em dias atuais, em tempos de facilidades discutíveis como os downloads de músicas alheias, a venda de discos e cd’s não traduz o contexto socioenconômico global do mercado fonográfico. Existem outros meios de se apropriar de músicas – por meio de mídias digitais em rede que, principalmente, os jovens em multidões dominam – e que não foram contabilizados para o debate em foco.

O conceito “legião de fãs”, usado pelas alunas do GRA, também não se sustenta, e conduz a tribo do jovem cantor ao desmerecimento, como pode ser visto no argumento a seguir: