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Machine Learning

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9.5 Other possible solutions

9.5.3 Machine Learning

God, he was so mad I could se the smoke coming out of his ears. Deus, ele estava tão louco que eu podia ver a fumaça saindo de suas orelhas.

quanto do alvo na mesclagem. A mesclagem vai além de instâncias dos papéis do

enquadre cognitivo existente na fonte com os participantes no enquadre cognitivo alvo,

como foi visto nas redes de escopo único. Nesse caso, há uma ampla criatividade das mesclagens com novas conceptualizações de outras velhas. Como resultado, temos a metáfora INTENSITY IS HEAT (INTENSIDADE É CALOR), que poderia indicar um crescimento na intensidade na raiva de uma pessoa.

Apresentamos a seguir, um diagrama referente à esta situação, proposto por Dirven e Ibánez (2008).

INPUT x (recipiente) INPUT y (substância queimando)

Conteúdos substância queima

Abertura fumaça é produzida e liberada

Paredes calor é emitido

Recipiente contento em seu uma pessoa sente raiva em seu interior uma substância queimando interior, transpira profusamente e que libera fumaça por meio de uma abertura sua pele está quente (como na parede do recipiente e que emite calor evidência de sua vermelhidão)

FONTE COMBINADA ALVO INPUT 1 INPUT 2

(pessoa com raiva)

As experiências de uma pessoa sob uma raiva extrema que provavelmente atingiu seu limite antes de a pessoa perder o controle BLEND

Figura 11: A raiva - fumaça saindo das orelhas. Fonte: Dirven e Ibánez (2008)

As redes são construídas em múltiplas combinações. Uma mesclagem é utilizada como input que, combinado com outros inputs, dá origem a uma nova mesclagem, e assim sucessivamente. Não há limites para as várias combinações e

implicação

projeção projeção

integração

recombinações, caracterizando a multimesclagem. Quem determina o limite das combinações é o potencial criativo da mente humana. A multimesclagem fica na memória operacional ou memória de trabalho (curta). A multimesclagem é um espaço provisório (como uma bolha de sabão) e depois passa para a memória de curta duração. A mesclagem conceptual não é algo seqüencial. Uma imagem que poderia representar isso é várias bolhas de são formadas (temporárias e provisoriamente).

Com relação às redes de escopo múltiplo, Fauconnier e Turner (2003, p. 292) asseguram que muitas redes têm não apenas dois mas muitos espaços de entrada. Ele cita um dos célebres exemplos de uma rede de múltiplo escopo: Grim Reaper (literalmente, O Ceifador Severo) – o símbolo da morte, representada como um esqueleto encapuzado segurando uma foice. Essa rede contém múltiplos espaços de entrada: o espaço de colheita, o da morte humana, o de matar, e o da tautologia causal, ou seja, são três inputs relacionados a três agentes: (1) um CEIFADOR, que usa uma foice para cortar plantas, (2) um MATADOR, que assassina suas vítimas e (3) a MORTE, que trás a morte de um indivíduo. Esse terceiro agente não é humano, é um agente abstrato e é, em si, uma mesclagem metafórica. Há uma personificação da morte.

As correspondências são as seguintes: Ceifador  morte em geral

A planta  a pessoa que morre. O ato de cortar  o evento de morrer Ceifar  causar a morte

Essas correspondências podem ser representadas por um diagrama (figura 12).

Morte humana Tautologia causal

maneira Causa Vazia CAUSA

evento específico elementos de de morrer classe de eventos

Ceifador Matador Morte

matador Morte em geral

ceifador CAUSA CAUSA

CAUSA

sendo ceifado morrendo evento de morrer

ceifa mata

por sentidos específicos

planta vítima pessoa que morre

Morte, o ceifador

Ceifando/matando/causando morte Planta/vítima/pessoa que morre

Mesclagem: Death - The Grim Reaper (Morte – o Ceifador Severo)

Figura 12: Morte - O Ceifador Severo (Death: the Grim Reaper) Fonte: Fauconnier e Turner (2003, p. 292)

Este é um caso de personificação. Lakoff (1994, p. 231), ao estudar uma variedade de poemas, em inglês, sobre a morte, concluiu que ela era personificada em um número relativamente pequeno de formas: motoristas, cocheiros, ceifadores e destruidores ou oponentes em uma luta ou jogo. Lakoff então se pergunta: (a) Por que essas formas? e (b) Por que a morte não é personificada como um professor ou um carpinteiro ou um vendedor de sorvetes? Estudando a personificação em geral, ele concluiu que os modelos acessados são: eventos (como a morte) que são entendidos em termos de ações por algum agente (um ceifador). É este agente que é personificado. Se levarmos em conta a metáfora EVENTOS SÃO AÇÕES ou A MORTE É PARTIDA, as partidas são eventos. Se entendermos este evento como uma ação da parte de um agente causal – alguém que é causa ou ajuda a causar a partida, então suscita figuras como motoristas, cocheiros e assim por diante. Se considerarmos a metáfora PESSOAS SÃO PLANTAS, e

plantas assim como homens vivem e morrem e, se vemos esse evento como uma ação causal da parte de algum agente, esse agente é o ceifador.

Assim, a morte é personificada como um matador e mesclada com o espaço de ceifar. Quando isso acontece, a morte é integrada com o Reaper (ceifador) e a ação de matar com ceifar, a vítima com a planta, e o instrumento usado pelo matador com a foice que é usada pelo ceifador. Kövecses (2002, p. 229) afirma que essa personificação da morte assume duas metáforas conceptuais PESSOAS SÃO PLANTAS (PEOPLE ARE PLANTS) e EVENTOS SÃO AÇÕES (EVENTS ARE ACTIONS). A metáfora PESSOAS SÃO PLANTAS inclui mapeamentos: as plantas são pessoas; o ciclo de vida das plantas é o ciclo de vida dos seres humanos; o crescimento das plantas é o desenvolvimento e progresso que as pessoas fazem em suas vidas, e assim por diante. A metáfora EVENTOS SÃO AÇÕES é uma metáfora de nível genérico que é usada para conceptualizar eventos como ações. Na metáfora PESSOAS SÃO PLANTAS, as plantas correspondem a pessoas que podem ser cortadas por um ceifadorcom uma foice. A morte é um evento e este evento pode ser conceptualizado como uma ação via metáfora EVENTOS SÃO AÇÕES. A ação particular em termos da qual o ceifador é conceptualizado está cortando pessoas com uma foice ou simplesmente aparecendo diante das pessoas que estão para morrer. Em outras palavras, afirma Kövecses (2002, p. 229), temos dois domínios de entrada, a morte e as plantas, que são metaforicamente relacionados como alvo e fonte. O ceifador severo (Grim Reaper) não pertence a qualquer um dos domínios fonte ou alvo, mas ao espaço mesclado entre os dois. Kövecses se pergunta: Por que ele não emerge de nenhum dos domínios de entrada? E responde com o seguinte:

 O ceifador não pode residir no domínio alvo porque não há plantas e ceifadores no domínio de morte. A morte é um evento no curso de pessoas que morrem de doenças e acidentes, não por causa de doenças e injúrias infligidas pelos ceifadores;

 O ceifador não reside no espaço fonte de ceifar e colher plantas até porque os traços do ceifador são incompatíveis com nosso estereótipo de ceifar e colher;

Há muitos ceifadores e eles são intercambiáveis, mas há apenas um Grim Reaper que é definido. Isso explica o uso do artigo definido the na expressão The Grim Reaper; Os ceifadores são mortais, mas o Grim Reaper é imortal; ele é o mesmo Grim Reaper

que “cortou” nossos ancestrais e que nos “cortará”;

Os ceifadores estereotipados usam suas foices para ceifar, enquanto o Grim Reaper não necessariamente o faz; ele pode trazer a morte meramente pelo aparecimento diante de nós;

 Os ceifadores estereotipados trabalham por longos intervalos e usam roupas apropriadas para o trabalho. O Grim Reaper, por outro lado, atua apenas uma vez (traz a morte) e se veste apropriadamente como se fosse repousar;

 Os ceifadores tipicamente fazem seu trabalho por ceifar o campo inteiro indiscriminadamente, não prestando atenção à existência apenas em determinadas plantas. Em contrate, o Grim Reaper vem para uma pessoa específica em um momento específico,

 Finalmente, nós não pensamos normalmente em ceifadores como severos, mas pensamos na morte e a causa da morte como severos. Novamente, o espaço fonte tem conotações que são incompatíveis com aquelas do alvo.

A conclusão que chega Kövecses (2002, p. 230) é que isto serve para demonstrar que os elementos que são mesclados não emergem nem das fontes nem dos alvos mas de uma mesclagem conceptual no sentido literal de mesclagem. Um ponto geral aqui é que os espaços mesclados não são necessariamente projeções de contrapartes fonte e alvo no espaço mesclado; os espaços mesclados podem envolver novos elementos que não são simples combinações de elementos na fonte e no alvo. Sendo assim, afirma o autor, o Grim Reaper como um esqueleto vestido em um roupão encapuzado e que segura uma foice apenas existe no espaço mesclado. O ceifador na fonte corresponde à causa do evento de morte, e não ao esqueleto no alvo. O esqueleto está relacionado à causa de morte metonimicamente no alvo, na qual a causa da morte produz esqueletos. Na mesclagem, o Grim Reaper é uma combinação da causa da morte e o esqueleto do alvo, assim como o ceifador da fonte, mas o ceifador e o esqueleto não são contrapartes fonte e alvo

Para finalizar esta seção citamos o que foi dito pelo autor acerca da expressão The Grim Reaper, tecendo considerações sobre a associação entre mesclagem e metáfora,

[...] mesclagem e metáfora são, dentre outras, operações cognitivas básicas da mente. Elas podem produzir uma enorme variedade no pensamento humano. [...] Embora estes exemplos sejam produzidos por processos cognitivos universais, os produtos dos processos mostram variação. O Grim

Reaper pode existir apenas em uma civilização que tem o Cristianismo

como crença religiosa dominante. [...] Os processos cognitivos universais de usar a metáfora e a mesclagem em formas criativas estão disponíveis para todos os falantes em todas as culturas, mas não são utilizados no mesmo grau43. (KÖVECSES, 2005, p. 282)

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