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É certo que o envelhecimento é uma das fases da vida na qual se verificam maiores transformações, exigindo ao indivíduo uma capacidade de adaptação nesta nova etapa. Porém, não podemos esquecer que, salvo exceções, continuam a ser pessoas que têm autonomia e capacidade para gerir o seu dia-a-dia e tomar as decisões sempre que necessário. Mesmo que possam encontrar-se em situação de dependência continuam a ter autonomia e competências, como tal devem ser envolvidas no desenvolvimento das diversas atividades, participando ativamente na consecução das mesmas.

Esta participação manifesta-se como um grande desafio na sua aplicação, pois ainda não foi possível implementá-la nas diversas organizações, entre elas as que prestam apoio aos idosos. A lógica de funcionamento institucional impede a intervenção ativa do idoso, submetendo as principais questões apenas aos órgãos superiores hierárquicos, normalmente representados pelas direções.

42 Antes de partirmos para a participação no contexto do idoso, é importante definirmos o conceito de participação. Estivill et al. (2006, p.14) consideram que “é possível aventurar-nos a fazer uma delimitação do conceito de participação, afirmando que o mesmo seria um processo em que mais de duas pessoas, que partilham algo, decidem atuar e perseguir, juntas, um objetivo comum.”

Na ótica de Fazenda (s.d.) o empowerment pode funcionar como promotor de participação proporcionando, por um lado, maior responsabilização e, por outro, o aumento do sentimento de pertença e de coesão. Assim, conclui-se que para podermos falar em participação é necessário que esteja implícita a cooperação, o sentimento de pertença, a partilha de ideias, a existência de objetivos comuns, bem como a tomada de decisões, quer individuais, quer coletivas. Assim, após o debate de ideias acerca de determinado tema e da exposição da posição de cada um, deverá chegar-se a um consenso, para que se tome uma decisão unânime, que vá ao encontro de objetivos comuns.

Quando falamos na participação do idoso não nos referimos apenas à sua participação na definição e desenvolvimento das atividades de animação sociocultural, que é normalmente a vertente onde há uma maior flexibilidade e maior abertura a sugestões. A participação no contexto institucional é mais abrangente, devendo ser principalmente um agente ativo na definição do seu quotidiano, mesmo que se encontre institucionalizado. É essencial desmistificar a ideia de que a instituição é sinónimo de condicionalismo e que os seus utilizadores se limitam a cumprir com as regras pré- estabelecidas sem que se verifique qualquer flexibilidade.

A participação do idoso na definição do seu quotidiano é essencial para que o seu bem-estar psicológico seja preservado. Segundo Novo (2003) citado por Afonso (2011), o bem-estar psíquico implica a prevalência de qualidade no funcionamento psicológico, nomeadamente no que concerne à autonomia, ao domínio do meio, às relações positivas com os outros, aos objetivos de vida, ao crescimento pessoal e à aceitação do Eu. Ammann (1978) considera que a participação não depende do eixo dependência- autonomia. Porém, a independência poderá ter alguma influência quando falamos em negociações, relações sociais e transações entre as forças políticas.

43 Mesmo que o idoso se veja obrigado a integrar uma instituição, todas estas vertentes devem ser conservadas de modo a que o sénior possa assegurar a continuidade no que compete à manutenção da sua qualidade de vida3.

As instituições devem estar preparadas e adaptadas para acolher as pessoas da terceira idade, proporcionando-lhes qualidade de vida e bem-estar para que o idoso “se

sinta em casa”. Este deve ser capaz de tomar decisões e gerir o seu quotidiano, tal como

o fazia até ao momento da sua integração. Contudo, é percetível que tal não acontece em muitas estruturas residenciais, daí que Cox e Parsons (1994) atentam que, muitas vezes, os idosos institucionalizados em lares estão desprovidos do direito de decidir até sobre os mais rudimentares aspetos de vida diária, nomeadamente, acerca de quando se levantar e, em muitos lares, acerca até do que vestir.

Para que tal seja possível é necessário trabalhar o conceito de empowerment junto do idoso, de forma a desenvolver a emancipação, a iniciativa e a opinião própria, que lhe permitam tomar decisões e é neste sentido que o assistente social deve ter um papel ativo.

Pinto (2013, p.57) entende que “a participação é uma faceta fundamental do empowerment […] implica o estar presente e atuante nas várias configurações sociais, ser elemento ouvido e com influência sobre o que se decide e sobre os resultados da decisão. Uma participação que revele a validação e o reconhecimento daquele que participa.”

É necessário que o idoso seja ouvido e que expresse a sua opinião, de forma a participar nastomadas de decisão. Porém, nem todos os profissionais (desde auxiliares a animadores socioculturais) chamam os indivíduos a intervir aquando do desenvolvimento das diversas atividades, mesmo que se tratem de cuidados pessoais, descuidando-se amiúde na promoção de autonomia, devido à escassez de tempo.

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Por qualidade de vida entende-se a perceção que o indivíduo tem da sua vida no seu contexto cultural, no seu sistema de valores e em relação aos seus objetivos, expectativas e preocupações, é um conceito amplo que inclui não só saúde ao nível físico, como outras dimensões psicológicas, sociais e ambientais. (OMS, cit. in Afonso) A qualidade de vida possui um carácter multidimensional, vai para além da saúde implicando inclusivamente características de foro social, emocional e psicológico. A monotorização da saúde, o suporte social, o apoio formal ou informal para a sua assistência são fundamentais daí que, por vezes seja necessário integrar o idoso numa instituição para assegurar a qualidade de vida do idoso.

44 Relativamente às atividades de tempos livre, normalmente os planos são apresentados e definidos pela animadora sociocultural, e os residentes limitam-se a cumpri-los deixando para trás ações que anteriormente eram do seu interesse. É necessário alterar a atuação dos profissionais e a política da instituição nesse sentido, para que os idosos sejam chamados a dar o seu contributo na definição do seu dia-a-dia e nas atividades que desenvolve.

Existe uma participação possível nas instituições, o que poderá significar que estas abrem espaço para que as pessoas e os grupos possam expressar-se, organizar-se e modelar as suas atuações. Noutros casos, são elas mesmas que se auto-organizam e fazem pressão junto das instituições já constituídas e as obrigam, de certa forma, a modificar as suas posições. (Estivill et al., 2006, p.23)