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3. BESKRIVELSE AV DESTINASJONEN 18

3.2.6 Solvik Gård og FabLab

A primeira fase foi representada por um estudo de casos pilotos. Este tipo de estudo consiste em uma investigação muito mais ampla e menos direcionada do que o plano final para a coleta dos dados. Ele auxilia o pesquisador a aprimorar os planos de coleta de dados no que se refere ao conteúdo dos dados e também quanto aos procedimentos que devem ser seguidos, bem como ajuda a desenvolver o alinhamento relevante das questões (YIN, 2001).

Para efeito desta pesquisa, teve como finalidade fornecer melhor visão das questões básicas em estudo, possibilitando ao pesquisador maior familiaridade com o fenômeno que seria investigado em um estudo subseqüente de contextura mais elevada. Nesse sentido, esta fase teve caráter mais exploratório, conforme definição de Selltiz et al. (1965).

Esses autores reforçam que estudos como este têm também, dentre outros, o objetivo de esclarecer conceitos e estabelecer prioridades para pesquisas posteriores (SELLTIZ et al.,

1965). Sob essa perspectiva, o estudo de casos pilotos serviu também para fornecer subsídios para a definição do sistema de categorização que seria utilizado na segunda fase, contribuindo com a elaboração do instrumento de coleta de dados.

Gil (1996) aponta que os casos a estudar podem ser representados por um sujeito, uma família, uma comunidade, um conjunto de relações ou processos (a exemplo de conflitos no trabalho) ou uma cultura. Para que se obtenham resultados significativos, recomenda-se que seja estudada uma certa variedade de casos, que devem ser definidos a partir de algumas regras, como: a) casos típicos: exploram objetos que pareçam ser a melhor expressão do tipo ideal da categoria; b) casos extremos: fornecem uma idéia dos limites dentro dos quais as variáveis podem oscilar; e c) casos marginais: exploram casos atípicos ou anormais para, por contraste, conhecer as pautas dos casos normais, bem como as possíveis causas do desvio. Delimitar a unidade-caso que constitui o estudo é o primeiro procedimento a ser adotado.

Isso posto, foram definidas as unidades-casos desse estudo: cursos de graduação em administração de IES localizadas em Belo Horizonte.

O curso de graduação em Administração foi escolhido devido à sua representatividade. Em 1998, detinha o primeiro lugar em número de vagas oferecidas (12,80%), o segundo lugar em número de inscrições no vestibular (9,66%) e também o segundo lugar em número de matrículas em todo o País (12,11%). Em 2004, já era o curso que concentrava maior número de alunos no País (14,91% do total de matrículas em cursos de graduação).

Quanto à representatividade do município escolhido tem-se que, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2002, Belo Horizonte encontrava-se em quarto lugar em quantidade de alunos matriculados no País (2,68% do total de matrículas em cursos de graduação), quinto lugar em quantidade de Instituições da Educação Superior (2,08% do total) e em sexto lugar em número de cursos de graduação (1,49% do total).

Nesta fase da pesquisa, buscou-se, primeiramente, levantar quais seriam as IES em Belo Horizonte que ofertavam cursos de graduação em Administração para, a partir daí, definir os critérios de escolha. Nesse levantamento, foram identificadas 22 IES e 37 cursos de Administração, com suas respectivas habilitações/ênfases. Para tanto, foi utilizada a base de dados do Conselho Regional de Administração de Minas Gerais (CRA/MG), que possuía a relação de todas as instituições que ofereciam cursos de administração em Minas Gerais.

A partir de pesquisa pelo nome do município desejado – Belo Horizonte –, foi apresentada uma listagem com o nome das Instituições de Educação Superior, endereço, telefone e site. Em seguida, foi realizada pesquisa no site de cada instituição e feito contato telefônico, quando necessário, a fim de identificar os cursos em funcionamento (com suas habilitações/ênfases) e sua data de início.

Feita essa identificação, foram estabelecidos critérios para delimitar a população de referência, ou “população-mãe”, como denominado por Albarello et al. (1997), visando à constituição da amostra final.

Ficou então definido que os cursos deveriam ter formado pelo menos a primeira turma até o final do segundo semestre de 2002 pois, assim, o projeto inicial já estaria totalmente implementado quando da realização da pesquisa, que seria iniciada no primeiro semestre de 2003. Partindo desse novo critério, chegou-se a 15 cursos presentes em oito instituições. Essa era, então, a população de referência da primeira fase da coleta de dados.

Definida a “população-mãe”, tomou-se a decisão de se tentar trabalhar com a totalidade de seus elementos, tendo em vista a dificuldade de se conhecer quais cursos representavam casos que fossem típicos, extremos ou marginais, segundo a proposta de Gil (1996).

Na seqüência, foi realizado contato telefônico com os responsáveis pela gestão dos cursos, a fim de convidá-los a participar da pesquisa, sendo a resposta positiva em todos os casos.

Em síntese, os casos pilotos foram representados, nesta fase, por 15 cursos presentes nas oito IES, tendo sido considerados tanto cursos que possibilitavam formação generalista (cinco cursos) quanto aqueles que possuíam habilitações/ênfases (10 cursos), conforme apresenta o QUADRO 2:

QUADRO 2

Relação de cursos que participaram da primeira fase da pesquisa de campo

Cursos de administração com suas habilitações/ênfases

IES Categoria administrativa (pública x privada)

Data de início do curso

• Administração 01 Pública 16/12/1949

• Administração 02 Privada 01/03/1963

• Administração (ênfase em gestão de negócios) 03 Privada 24/08/1998

• Gestão Ambiental e Recursos Naturais

• Gestão de Negócios

• Marketing

• Promoção de Eventos, Lazer e Esporte

04 Privada 07/04/1999 07/04/1999 07/04/1999 07/04/1999 • Administração de Empresas • Comércio Exterior

• Administração de Sistemas de Informação

05 Privada 01/02/1966 26/06/1979 08/01/1993 • Administração de Empresas • Comércio Exterior • Marketing 06 Privada 31/01/1972 01/02/1985 01/08/1998

• Administração de Empresas 07 Privada 16/03/1966

• Administração Pública 08 Pública 16/03/1987

Fonte: Elaborado pela autora, a partir de dados do INEP, 2005c.

Identificados os casos pilotos, o próximo passo consistiu em definir as técnicas de coleta de dados. Optou-se por realizar um levantamento de dados documentais, especialmente por meio dos projetos pedagógicos e de entrevistas semi-estruturadas com os gestores dos cursos.

A seleção dessas pessoas para a entrevista ocorreu com base no critério de adequação aos objetivos da investigação. Isso pode ser corroborado por Albarello et al. (1997, p. 103),

que afirmam que “nos estudos qualitativos interroga-se um número limitado de pessoas, pelo que a questão da representatividade, no sentido estatístico do termo, não se coloca. O critério que determina o valor da amostra passa a ser a sua adequação aos objectivos da investigação”. Dessa maneira, para efeito de atendimento aos objetivos deste estudo, considerou-se que os gestores dos cursos eram as pessoas mais capacitadas e que mais informações poderiam fornecer a respeito de seu funcionamento.

A escolha da entrevista enquanto técnica de coleta de dados ocorreu por permitir ao investigador retirar informações e elementos de reflexão “muito ricos e matizados”, como afirmam Quivy e Campenhoudt (1998, p. 192). Outro fator importante para essa escolha refere-se à flexibilidade, à abertura e à capacidade adaptativa possibilitadas pela técnica durante a coleta de dados. Enquanto os questionários pressupõem hipóteses e questões bastante fechadas, o roteiro de entrevista tem outras características. Ele é “sempre um guia, nunca um obstáculo, portanto não pode prever todas as situações e condições de trabalho de campo. É dentro dessa visão que deve ser elaborado e usado” (MINAYO, 2000, p. 100).

Minayo (2000) afirma, ainda, que

[...] a investigação qualitativa requer como atitudes fundamentais a abertura, a flexibilidade, a capacidade de observação e de interação com o grupo de investigadores e com os atores sociais envolvidos. Seus instrumentos costumam ser facilmente corrigidos e readaptados durante o processo de trabalho de campo, visando às finalidades da investigação (MINAYO, 2000, p. 101).

A entrevista do tipo semi-estruturada foi escolhida por contemplar essas características. Neste tipo de entrevista, apesar de o entrevistador possuir uma série de perguntas-guias, relativamente abertas, não necessariamente as colocará pela ordem em que as anotou e sob a formulação prevista.

Tanto quanto possível ‘deixará andar’ o entrevistado para que este possa falar abertamente, com as palavras que desejar e pela ordem que lhe convier. O entrevistador esforçar-se-á simplesmente por reencaminhar a entrevista para os objectivos cada vez que o entrevistado deles se afastar e por colocar as perguntas às quais o entrevistado não chega por si próprio no momento mais apropriado e de forma tão natural quanto possível (QUIVY e CAMPENHOUDT, 1998, p. 192).

Triviños (1987) acrescenta que a entrevista semi-estruturada pode ser definida como aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e perguntas que interessam à pesquisa, e que oferece um amplo campo de interrogativas, fruto de novas perguntas que vão surgindo à medida que se recebem as respostas dos informantes.

O roteiro de entrevista abordou os seguintes aspectos: conceituação, processo de inserção da noção de competências no curso, competências do corpo docente, competências do corpo discente, estrutura curricular, papel do coordenador do curso e aspectos gerais. Para validá-lo, tomaram-se por base a análise realizada por professor-pesquisador na área de competências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a entrevista piloto realizada com o coordenador do curso de Administração da unidade da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) em Contagem. As sugestões foram incorporadas ao instrumento de pesquisa, resultando no roteiro que consta no APÊNDICE A.

O período da coleta de dados nesta fase compreendeu os meses de março, abril e maio de 2003, tendo sido realizadas nove entrevistas, que contaram com a participação de 12 pessoas no total. O QUADRO 3 apresenta um síntese desses dados:

QUADRO 3

Número total de entrevistados na primeirafase da pesquisa de campo

Instituição Entrevistados Número de

pessoas

Código do entrevistado

1 • Coordenador de curso 1 E1.1

2 • Chefe de departamento

• Docente envolvido no processo de reestruturação curricular

1 1 E2.1 E2.2 3 • Coordenador de curso • Consultor 1 1 E3.1 E3.139

4 • Coordenador de curso 2 E4.1

5 • Diretor de faculdade 1 E5.1

6 • Coordenador de curso 2 E6.1

7 • Coordenador de curso 1 E7.1

8 • Coordenador de curso 1 E8.1

Total de entrevistados 12

Fonte: Dados da pesquisa.

Naquelas instituições em que o curso apresentou-se com diversas ênfases ou habilitações, o responsável por ele foi entrevistado40 sempre que foi possível. Nas IES 3, 4 e 6, uma única entrevista foi realizada, com a presença simultânea dos dois entrevistados. Apenas na IES 2 ocorreram duas entrevistas, sendo uma com E2.1 e outra com E2.2. Com isso, obteve-se um total de nove entrevistas.

Todas as entrevistas foram gravadas, sendo a duração média de cada uma delas de sessenta minutos. Posteriormente, fez-se a transcrição dos dados, para que pudesse ser iniciado o seu processo de tratamento e análise.

O foco desta fase estava centrado na seguinte questão: Como a questão das competências é tratada nos cursos pesquisados? O objetivo era identificar se a noção de competências estava inserida na lógica dos cursos pesquisados e demonstrar como tal noção vinha norteando, de forma ampla, a elaboração dos currículos e a organização acadêmica

39

Os dois entrevistados na IES 3 serão identificados com um único código (E3.1), pois como foi realizada uma única entrevista com a participação simultânea de ambos, suas falas se misturaram. Ou seja, um costumava completar a resposta do outro ou então a confirmava com outras palavras. Não houve, em momento algum, divergência de opiniões entre eles. O mesmo ocorreu nas IES 4 e 6.

40

desses cursos. A partir das informações obtidas, montou-se o instrumento de coleta de dados utilizado na etapa seguinte.