• No results found

5. DISKUSJON OG ANALYSE

5.3 M ETODER FOR IDENTIFISERING

A capacidade de balancear o componente analítico da gestão de riscos como ciência e os aspectos ligados às crenças, culturas, valores e comportamento do público envolvidos na organização é que determinam a eficácia e as conseqüências do gerenciamento.

Indo mais além, a partir do momento em que não se consideram aspectos fora do perfil técnico da segurança está se criando o pior dos males: a falsa sensação de segurança18, já que as soluções atenderão a critérios técnicos, mas não englobarão a reação do ambiente. Aqui se encontra a origem dos problemas advindos da simples replicação de métodos para diferentes realidades: o risco é subjetivo, por mais que se utilizem tratamentos quantitativos na análise, ao contrário do que alguns autores e professores brasileiros da segurança afirmam. NOBREGA (2004. p.87) bem resume este tipo de problema para a gestão: “em gestão, atributos genéricos (idéia estrangeira ou não, pessoa determinada, sonhadora, etc. ou não) não são, em geral, um bom critério para se tomarem decisões. São apenas o primeiro estágio de

18

Este termo é muito utilizado no meio técnico e quer transmitir a idéia de que as medidas ou soluções de segurança implantadas não traduzem o controle dos riscos a que se propõem.

categorização e, normalmente, o máximo que revela é uma correlação, não uma relação de causa e efeito”.

O público é impactado diretamente tanto pelas medidas que buscam o tratamento do risco, quanto à própria percepção da existência deste, já que a influência de fatores psicológicos, ambientais, dentro de um contexto situacional e temporal torna o problema muito mais complexo do que simplesmente a apresentação de uma solução a um evento que traga impactos para a organização – o equilíbrio entre a irracionalidade e a racionalidade das decisões são desafios a serem desvendados.

Esta é a principal falha existente na atividade de segurança atual, que distancia o especialista (o propositor de medidas) do gerenciador de riscos. A combinação da avaliação empírica com a avaliação intuitiva é que viabiliza a condução de ações que buscam alcançar níveis aceitáveis do tratamento do problema, que segundo Duque (p.3, 2005), caracterizam-se por ser o nível que a organização é capaz de suportar a concretização de um risco, isto é, se o nível de risco está abaixo desta linha, está dentro do suporte estratégico para desenvolvimento da organização. Entretanto, quando está acima, obriga um determinado tratamento, pois é capaz de por em perigo a corporação.

Não se pode esquecer que é psicologicamente impossível para o decisor tomar uma atitude sem estar impregnado de fatores inconscientes que o influenciarão e tenderão o processo para uma alternativa em relação a outra. Lidar com segurança e risco, fatores entremeados de sensibilidade e incerteza, obrigam a um assessoramento muito mais profundo do que apenas ações para controle do perigo.

O que se espera é que os especialistas também saibam lidar com os desvios da racionalidade: “pesquisadores descobriram que as pessoas se fiam em diversas estratégias simplificadoras ou regras práticas ao tomar decisões, são as heurísticas” (BAZERMAN, 2004, p.7).

Portanto, tratar de riscos apenas sob o aspecto técnico é reduzir o problema à contraposição entre probabilidade de ocorrência e impacto nas organizações. O grande desafio consiste em estabelecer a relação entre o quanto o cálculo da análise pode ser corroborado pelo ambiente, e quanto o tratamento do risco pode ser fundamentado apenas pela perspectiva técnica: “Tomadores de decisões sacrificam a melhor solução em favor de outra que seja aceitável ou

razoável. Em vez de examinar todas as alternativas possíveis, eles simplesmente procuram até achar uma solução que satisfaça um nível aceitável de desempenho” (BAZERMAN, 2004, p. 6).

BARTON (1998, p. 92) chama a atenção sob as pessoas no processo decisório:

“As diferenças quanto a estilos cognitivos preferidos acrescentam outra nota potencialmente dissonante às reuniões para soluções compartilhadas. A mais famosa tipologia de personalidades é provavelmente aquela traduzida pelo Indicador de Tipos Meyers-Briggs, que emprega quatro características bidimensionais para descrever as pessoas” (...) “sensação versus intuição, juízo versus percepção” (...) “Essas preferências cognitivas têm importantes implicações para os que administram projetos criativos”.

Assim, se faz premente analisar algumas teorias e fundamentações que buscam determinar quais são os aspectos cognitivos que influenciam ou sobressaltam no processo decisório ligadas a riscos e que, diretamente, influenciarão na aceitabilidade das medidas propostas, já que não somente a probabilidade e o impacto do risco são importantes, mas fundamentalmente como a organização irá se comportar perante a ele.

a. Teoria da Utilidade Esperada

No que concerne à independência que uma decisão individual pode ter sobre o contexto, um estudo importante que verificou o distanciamento entre a cientificidade da avaliação dos riscos e a decisão propriamente dita é a teoria da Utilidade de Daniel Bernoulli (1738). O interessante de sua teoria reside no fato em que ao considerar as probabilidades alcançadas dos estudos matemáticos, o tomador de decisão tende a buscar a maximização – proveito ou satisfação – dos valores verificados (BERNSTEIN, 1997, p. 104): “o sentimento rege a mediação”. Este estudo é fundamental para os critérios de aceitabilidade porque se pauta no viés de que aquilo que produz satisfação derivada de um aumento de riqueza seria inversamente proporcional à quantidade de bens anteriormente possuída, acarretando uma aceitabilidade maior aos riscos, dentro do ambiente vivido. No caso de riscos que envolvam segurança, por exemplo, um dirigente de uma organização que a cada dia abra uma nova filial, apesar do assessoramento lhe dizer que o risco de furto é alto, pode decidir por colocar e manter seus bens valiosos nas prateleiras da entrada do estabelecimento indiscriminadamente, se perceber que isto manterá as metas de venda pré-determinadas.

Outro aspecto cognitivo observado na decisão é o que Thaler (1985) chamou de utilidade transacional, que se caracteriza pela qualidade com que as informações são analisadas e o peso diferenciado em relação ao mesmo problema. Se houver um risco de assalto, com características idênticas e probabilidades idênticas, o tratamento a ser dado ao risco ao local mais importante é maior do que o outro, mesmo tendo as perdas as mesmas características (Bernstein, 1997). Conseqüentemente, aspectos que envolvam o tempo e o armazenamento de fatos ou experiências do decisor, trazem à tona fatores que influenciarão diretamente a decisão. Por exemplo: Se no dia que o decisor estiver indo para o trabalho para decidir sobre os investimentos de segurança da organização houver uma tentativa de assalto num sinal de trânsito. Não haverá influência sobre os investimentos que serão decididos mais tarde?

Ainda sob este escopo, Thaler também observou que aquilo que pertence ao decisor, tanto valor real quanto afetivo, tem importância diferenciada em relação a um bem com as mesmas características. Com isso, a avaliação do risco tende a impactar muito mais o bem do decisor do que o outro ativo. A implicação deste conceito reside numa supervalorização da propriedade, criando uma inconsistência entre a perda real e a perda cognitiva.

c. Teoria da Perspectiva

Ao contrapor-se a idéia da necessidade de uma dependência ao ambiente para a tomada de decisão, surge um dos estudos mais utilizados na análise das heurísticas influenciadoras da decisão: a Teoria da Perspectiva de Daniel Kahneman e Amos Tversky (1979). O cerne da teoria está em perceber que os fatores responsáveis pela violação por parte das pessoas do comportamento racional (esperado)19, encontram-se principalmente pela dificuldade de percepção do que estão lidando, gerando comportamentos característicos a esta fundamentação.

Assim é que, partindo de um ponto de referência neutro e dependendo da estruturação do problema, as pessoas podem tanto tender a um comportamento maior de exposição ao risco e, no mesmo problema, se tornarem mais avessas a este (Bazerman, 2004). Quando se analisa o aspecto de estruturação da escolha, verifica-se que, em determinados casos, “a soma das alternativas indesejáveis predomina sobre a soma das alternativas desejáveis! Assim, a

19

Este estudo não tem a pretensão em discutir aspectos conceituais sobre a racionalidade. Entretanto aproveitará o enfoque de Bazerman (2004) que afirma que os pilares fundamentais da tomada racional de decisão são: consistência e coerência.

estruturação do problema combinado em duas partes resulta em reversão das preferências” (...) “a descoberta sugere que a subdivisão da tomada de decisões por toda a organização provavelmente aumentará o potencial de inconsistência e escolha irracional” (BAZERMAN, 2004, p.65). Trazendo para a gestão de riscos, percebe-se que a consciência sobre este viés fortalece a certeza sobre aspectos científicos alcançados em consonância com uma segurança interdisciplinar, para que as soluções apresentadas sejam de todos e não de um setor específico.

Dentro desta teoria, existem características bastante proeminentes que necessitam ser vistas separadamente para ampliar o escopo da análise (Bazerman, 2004) e (Bernstein, 1997):

O ponto de referência – a escolha de um ponto de referência pode tender a aspectos que sobressaltem os ganhos ou perdas e influenciarão diretamente sobre a decisão; • Arrependimento a fatos passados - O arrependimento leva a considerar os riscos,

pós-fato, de uma maneira menos aceitável do que se já não tive havido uma experiência passada;

Pseudocerteza – os eventos que tenham probabilidade de ocorrer próximos a certeza, isto é, certos de ocorrer ou certos de não ocorrer, são mais bem ponderados e recebem pesos distintos em relação a eventos fora desta proximidade. As pessoas atribuem mais valor à criação de certeza do que a um deslocamento de valor equivalente no nível de incerteza. A teoria da utilidade “pondera uma opção arriscada segundo a sua probabilidade; a teoria perspectiva afirma que tendemos a atribuir pesos excessivos à probabilidade de eventos de baixa probabilidade e pesos insuficientes aos eventos de probabilidade alta ou moderada” (BAZERMAN, 2004, p. 63). Quanto mais próximo da certeza, mas aproxima-se da decisão acarretando uma racionalização dos problemas em prol da certeza;

Autocontrole - a emoção muitas vezes destrói o autocontrole que dificulta a racionalidade na tomada de decisão;

Aversão à perda - as decisões entre resultados negativos são imagens invertidas de nossas escolhas entre resultados positivos, isto é, quando a escolha envolve perdas, as pessoas são favoráveis e não avessas aos riscos, sendo muito mais extremas as perdas do que respostas aos ganhos.

Falta de invariância ou estruturação do problema – as pessoas escolhem de forma incoerente quando o mesmo problema aparece sob perspectivas diferentes, principalmente da forma que é apresentado.

Sob este enfoque, quais seriam as conseqüências de uma decisão que pudessem acarretar a perda de uma oportunidade, em relação ao ganho possível? A dúvida reside em todas as etapas do processo decisório do que propriamente a aversão ou exposição ao risco. O decisor percebe que “a avaliação de uma oportunidade arriscada parece depender muito mais do ponto de referência, do qual o possível ganho ou perda ocorrerá, do que do valor final dos ativos que resultaria” (BERNSTEIN, 1997, p.274). Não obstante, verifica-se então que o caminho para a segurança é apresentar permanentemente a direção as possíveis conseqüências das estratégias da organização (em todo o ciclo produtivo), cabendo ao dirigente adotar aquela em que a motivação estará influenciada sob as suas vivências, de uma forma geral. É isto que este novo modelo pode agregar à instituição: “valor é uma cadeia em que cada elo deve agregar alguma coisa ao valor final que o cliente vai receber. Se não agregar é só custo e está reduzindo sua margem”.(NOBREGA, 2004. p. 51)

Esta teoria vem a fundamentar a própria alteração no nome da tarefa a ser desempenhada. A importância dos aspectos irracionais em relação aos riscos justifica não só a transição do nome da atividade SEGURANÇA para a GESTÃO DE RISCOS. A inclusão de PREVENÇÃO DE PERDAS reflete a característica de aversão a perda da teoria cujo cognitivo é afetado demasiadamente pela conseqüência do risco. Logo, nada melhor do que gerar um conforto com o próprio nome da tarefa.

d. Teoria das Fatias Finas (Malcom Gladwell)

Este autor enfatiza que as decisões são tomadas, em muitos momentos por impulso e envolvidas por toda a história que o ser humano traz consigo ao longo de sua vida. O termo fatiar fino “refere-se a capacidade do nosso inconsciente para encontrar padrões em situações e comportamentos com base em fatias muito finas de experiência” (GLADWELL, 2005, p. 27). Klein (1998) também em seus estudos em situações de tensão e risco elevados também pode constatar tal fato.

Todas estas heurísticas exemplificadas remetem a uma preocupação não somente com o tratamento do risco, mas também a decisão que será tomada. É por este fato, que se salienta a

importância de uma análise global e detalhada do momento da decisão, do contexto, das pessoas e, principalmente, de quem é o decisor, de forma a se conseguir realmente adequar o tratamento do riscos ao que a organização possa suportar.