Em tempo de mudanças, a escola e toda a sua envolvência tem constantemente sofrido alterações e cabe ao professor uma atualização permanente da sua formação. A planificação é uma ferramenta essencial para o professor na preparação das aulas.
Segundo os autores Connelly e Clandinin (1988: 4) a planificação “é o conhecimento pessoal do professor que determina todos os assuntos com importância para a condução planificada das aulas”.
Para Zabalza (1994: 47), planificar é “converter uma ideia ou um propósito num curso de acção”.
De acordo com Clark e Peterson (1979, cit in Zabalza, 1994: 48) a planificação pode ser “o conjunto de processos, através dos quais a pessoa visualiza o futuro, faz um inventário de fins e meios e constrói um marco de referências que guie as suas acções”.
Nesta importância do ato de planificar, Clark e Yinger (1979, cit in Zabalza, 1994:48-49) prepararam questões, no sentido de verificarem quais as razões dos professores planificarem. No seguinte quadro mostraremos as respostas obtidas.
Quadro Nº 6 - Porquê Planificar?
Porquê planificar? 1.ª Resposta
“Os que planificavam para satisfazer as suas próprias necessidades pessoais: reduzir a ansiedade e a incerteza que o seu trabalho lhes criava, definir uma orientação que lhes desse confiança, segurança, etc.”
2.ª Resposta
“Os que chamavam planificação à determinação dos objectivos a alcançar no termo do processo de instrução: que conteúdos deveriam ser
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aprendidos para se saber que materiais deveriam ser preparados e que actividades teriam de ser organizadas, que distribuição do tempo, etc.”
3.ª Resposta
“Os que chamavam planificação às estratégias de actuação durante o processo de instrução: qual a melhor forma de organizar os alunos, como começar as actividades, que marcos de referência para a avaliação, etc.”.
Fonte: Clark e Yinger, (1979 cit in Zabalza, 1994: 48-49).
De acordo com Zablaza (1994) existem razões que nos demonstram a importância de planificar uma atividade, as quais passaremos a apresentar:
Quadro N.º 7 - Razões para Planificar Razões para planificar 1.ª Informa-nos acerca do que pretendemos levar a cabo;
2ª Permite estabelecer ligações entre objetivos mais gerais e outros mais específicos a
eles ligados;
3.ª Define o tipo de aprendizagem que se pretende;
4.ª Prevê com antecedência dificuldades e determina os meios para as ultrapassar; 5.ª Define a que domínio pertence a aprendizagem, assim como as taxonomias;
6.ª Conduz à seleção de estratégias, meios e materiais que se afiguram adequados aos
objetivos em vista;
7.ª Prepara antecipadamente um plano de avaliação e elabora os instrumentos
necessários;
8.ª Permite ultrapassar dificuldades e contribuir para o sucesso de ensino e de
aprendizagem.
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Assim sendo, é necessário que o sistema de ensino procure estabelecer uma ligação entre a formação que se pretende para os alunos e aquela que realmente os alunos conseguem. É também fundamental que a elaboração de um plano de ensino se efetive numa preparação pensada, refletida e adequada às exigências e necessidades manifestas a quem é dirigido, ou seja e de acordo com Wassermann (1994), não há nenhuma regra que atribua um modelo único de planificação, o que existem são modelos que se mostram de acordo com as diversas necessidades de aprendizagem. Esses mesmos modelos podem ser sujeitos a alterações, a qualquer altura, desde que o professor o ache necessário e pertinente.
“Não existe nenhuma regra que imponha um modelo único de planificação (...) Qualquer que seja o modelo de planificação, as condições essenciais para a aprendizagem incluiem o respeito pelas crianças, a cedência de oportunidades para que as crianças possam fazer as suas escolhas, e os desafios ao desenvolvimento intelectual das crianças” (ibid.:85).
ME/DEB (1997:26) sustenta a mesma opinião, no sentido em que defende a importância da planificação na vida de um educador/professor porque “(…) implica que o educador reflita sobre as suas intenções educativas e as formas de as adequar ao grupo, prevendo situações e experiências de aprendizagem e organizando os recursos humanos e materiais necessários à sua realização.”.
Para Hameline (1991:50), o ato de planificar deve ser encarado como uma paixão e “(…) entrar em transe com a perspectiva de uma turbulência que não se deseja. O planificador é sempre um indivíduo dominado pela emoção”, com o medo de ser verdadeiramente apanhado.” No entender de Arends (1995:67) a planificação tem aspetos positivos “…pode aumentar a motivação do estudante, ajudá-lo a centrar-se na aprendizagem e eliminar os problemas de gestão da sala de aula”, mas por sua vez, “…pode também apresentar aspectos negativos não previstos; pode, por exemplo, limitar a iniciativa do estudante na aprendizagem e tornar os professores insensíveis às ideias dos seus alunos.”.
Deste modo e no entender de Wassermann (1994: 39) é necessário que o “professor que pretenda ensinar aos seus alunos um conceito importante começa por planear uma experiência que passe pelo jogo”.
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Para terminar, e corroborando a ideia dos vários autores acima citados, a planificação é um importante instrumento para o professor, na medida, em que o orienta na preparação da sua organização pedagógica. E acima de tudo, é fundamental que o docente analise e reflita sobre o mesmo e faça as devidas alterações, de acordo com as necessidades e dificuldades dos seus alunos.
Assim sendo, a planificação,
“ assume um papel essencial, na medida em que leva a uma reflexão cuidadosa do educador sobre as actividades que vai realizar com o grupo de crianças, reflexão essa que permite sempre interrogar-se em função dos resultados e dos processos vivenciados. Isto pressupõe uma autocrítica, constante, para, numa permanente busca, melhorar a sua acção. (…) Assim, o docente deve adoptar estratégias de avaliação que fundamentem o desenvolvimento do “currículo” e o processo de ensino e de aprendizagem, tendo presente o conhecimento das áreas de conteúdo e a necessidade de se proporcionar uma grande diversidade de experiências (…) (Secretaria Regional de Educação e Ciência Pré-Escolar e Avaliação 2008: 13).”