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5.1 I MPLICATIONS OF R ESULTS

5.1.5 Total re-spending

Considerando as informações apresentadas sobre a escolha da escola, a pesquisa começou no final de março de 2009, momento em que apresentei, com mais detalhes, os propósitos e a proposta metodológica da pesquisa para o diretor. Nesse contato inicial tive a confirmação de que havia escolhido a escola adequada em relação ao problema da pesquisa, principalmente em virtude de uma informação apresentada pelo diretor: o fato de que essa escola era considerada como umas das últimas opções quando os professores não conseguiam carga horária nas demais escolas da cidade4. Essa informação foi abordada também em alguns momentos nas conversas informais que aconteceram na sala dos professores5, confirmando que se tratava de um local com adversidades significativas em relação a como os professores lidavam com as situações de frustração do seu cotidiano.

Nesse encontro ficou acordado um espaço para a apresentação da pesquisa ao grupo de professores na reunião que teriam na última terça-feira do mês. No dia combinado participei da reunião, porém, considerando a quantidade de assuntos que estavam sendo abordados e a necessidade que o grupo de professores tinha em debatê- los com a direção, considerei inapropriado interromper esse momento para apresentar a pesquisa. Ao final do encontro, o diretor marcou uma reunião extraordinária com os professores para a semana seguinte, com o objetivo de continuar a abordagem dos assuntos da pauta, momento em que me apresentou brevemente ao grupo e falou que eu teria um espaço naquela data para conversar com o grupo sobre a pesquisa.

Com isso, o contato dos professores com a proposta da pesquisa aconteceu no início de abril. Na ocasião propus ao grupo a realização da seguinte atividade: sem se identificar, cada professor escreveu cinco palavras, expressões ou frases que expressavam como se sentiam em relação à profissão de professores. Os papéis foram recolhidos e redistribuídos aleatoriamente. Cada professor leu os registros da folha que       

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Apêndice 1.

4 Informação do relatório de observações nº 1, de 27 de março de 2009. 5

  Informações dos relatórios de observações nº 5 e 9, de 17 e 30 de abril de 2009, respectivamente.

recebeu, sendo evidenciados já, nesse momento inicial da pesquisa, sentimentos e emoções contraditórias no grupo. A partir daí apresentei o tema e os propósitos da pesquisa, convidando o grupo a se envolver com o processo metodológico que seria desenvolvido no decorrer do semestre. Aproveitei o momento para solicitar autorização do grupo para a utilização das informações no processo de construção da pesquisa6, bem como para gravar as falas das reuniões, sendo aceito sem objeções. Esse momento se constituiu no processo de construção do cenário da pesquisa. Conforme González Rey (2005b), as estratégias utilizadas no processo de aproximação dos sujeitos no momento inicial da pesquisa são importantes principalmente em virtude da compreensão da sua subjetividade.

Assim, a partir desse momento iniciou-se o período das observações do cotidiano da escola, as quais aconteceram principalmente na sala dos professores, sendo as informações registradas em diário de campo e posteriormente detalhadas em relatórios. Foram realizadas 21 observações no decorrer dos meses de março a agosto, com exceção do mês de julho, período que os professores estavam em férias. As observações aconteceram com uma periodicidade de duas a três vezes por semana, no turno matutino em virtude de ser nesse horário o funcionamento dos anos iniciais do ensino fundamental, com uma permanência na escola entre uma hora e meia a três horas e meia, totalizando 48h45min de observações.

A definição da sala dos professores como principal local para a realização das observações deu-se a partir das observações iniciais da pesquisa, momentos em que percebi que ali os professores se sentiam à vontade para expressar suas emoções, seus sentimentos e seus pensamentos sobre a vida dentro e fora da escola. Poucas vezes as coordenadoras pedagógicas vinham nessa sala e, quando isso acontecia, normalmente os professores aproveitavam para envolvê-las nas conversas sobre algum assunto em andamento, tanto de ordem pedagógica como assuntos gerais.

Além disso, esse era o local do planejamento dos professores, que acontecia uma vez por semana no decorrer de toda a manhã. Nesse dia as crianças tinham aula com os professores de Pesquisa e Produção de Texto, e em cada dia da semana um grupo de professores, de um dos anos do ensino fundamental, reunia-se para o planejamento das suas aulas.

      

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Assim, considerando que a sala dos professores se constituía em um espaço de liberdade de expressão do grupo, considerei como adequada minha permanência nesse local, tendo em vista a construção de informações sobre a subjetividade social do coletivo dos professores, bem como da subjetividade individual dos mesmos (GONZÁLEZ REY, 2005a). Além disso, essa aproximação era necessária para proceder à seleção dos professores que participariam da pesquisa como casos singulares de análise em relação ao tema em estudo.

Convém destacar que a minha presença nesse ambiente rapidamente passou a ser vivenciada com naturalidade pelo grupo. Inicialmente alguns não se sentiam à vontade, principalmente pelo fato das anotações que eu fazia no diário de campo, situação essa que aconteceu somente no primeiro mês de observações. Em maio ocorreu um episódio interessante que confirmou essa informação7. Na reunião mensal que aconteceu na última terça-feira do mês, um professor fez uma colocação que não compreendi e tive interesse em saber mais alguns detalhes sobre o ocorrido. Em uma das observações daquela semana o professor estava no seu horário de planejamento e pedi a ele se poderia me explicar a situação que havia comentado na reunião. Ele ficou surpreso com a minha solicitação e disse que não havia percebido que eu estava na reunião. Outra professora participou da conversa e disse que não tinha receios de falar porque confiava em mim, que às vezes nem percebia a minha presença entre eles.

A questão da aceitação e do envolvimento dos professores com as propostas da pesquisa foi uma situação importante para o processo de construção das informações, principalmente em virtude do tema em questão: a subjetividade. Se não tivéssemos conseguido construir essa relação de confiança, certamente não teríamos alcançado os objetivos da pesquisa, pois a expressão de sentimentos, emoções e pensamentos dos professores foi imprescindível para a aproximação da subjetividade social e individual desse coletivo de profissionais da educação.

Além dos momentos de observação na sala dos professores, também observei a sua prática no cotidiano geral da escola, ou seja, a organização espacial e material das salas de aula, seus movimentos nos encaminhamentos das questões rotineiras do seu trabalho, o atendimento informal a alunos nos corredores, a resolução de situações consideradas pelo grupo como problemáticas ou dificultadoras do bom andamento do seu trabalho, as conversas com alguns pais, o relacionamento entre os professores e a equipe gestora, dentre outros. Assim, todo esse conjunto de situações evidenciou que as       

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informações que estavam sendo sistematizadas se mostravam suficientes para a análise do problema da pesquisa.