Como já enfatizado, desde o primeiro momento da discussão do grupo as participan- tes falaram sobre suas percepções da revista em termos de aspectos positivos e negativos, de modo que estes dois polos serão os pilares de organização de tais falas neste texto. Não seguirei, portanto, a ordem do roteiro para explicitar as discussões que empreendemos8.
Detalharei a seguir a relação das leitoras com a revista, quais suas expectativas, como e onde essa expectativa é nutrida pela enunciadora. Em seguida, passarei às frustrações da leitura, destacando os pontos consensuais e, por fim, aos itens sobre os quais as leitoras não partilham uma perspectiva unânime - tal como sobre a seção Ensaio que, por isso, pode ser pensada como condensadora da relação “conturbada” ou “de amor e ódio”, como disseram, que as leitoras mantêm com o contrato de comunicação da revista TPM.
Este capítulo é, portanto, complementar ao anterior, na medida em que, a partir da fala das leitoras, explora aspectos do contrato de comunicação da revista ainda não contemplados aqui. Os itens ressaltados pelas leitoras na pesquisa empírica como positivos e fortes da revista dizem respeito, especialmente, às seções detalhadas no capítulo 2, como
Vermelhas, Capa, Reportagem e, em menor grau, Perfil. As seções que dele ficaram de fora
são referidas pelas participantes como fracas e negativas e, deste modo, serão exploradas neste capítulo assim que se façam presentes nas falas destacadas das leitoras. Como dito no segundo capítulo, essa organização foi pensada tanto a partir da fase da pesquisa com os sete anos de edições, detalhada há pouco, quanto da percepção das leitoras expressa nas reflexões realizadas no grupo focal. O objetivo ao final deste capítulo, portanto, é termos uma noção, não exaustiva, mas sim abrangente e crítica, do contrato de comunicação da revista TPM.
Expectativa
Ao longo do debate realizado no grupo focal as participantes verbalizaram conceber a revista TPM como diferente das outras revistas femininas, no que diz respeito aos conteúdos e à forma de enunciação. Identificaram-se como leitoras da revista TPM, mas não como leitoras de revistas femininas, pois para elas a revista TPM apresenta a mulher de modo diferente das demais, de maneira tal que as possibilidades de ser mulher são ampliadas. TPM está mais próxima da realidade das mulheres e por isso consegue contemplar a pluralidade de modos de ser mulher que as leitoras percebem no momento atual. Há a sensação entre elas de que a revista assume uma posição que se configura como um questionamento de aspectos do social. TPM é para essas leitoras uma revista que se
8 Para acesso às falas na ordem em que aconteceram na entrevista e no grupo, cf. Apêndice B e
arrisca a cada edição. Como dizem elas:
Valéria: Um ponto forte é justamente esse. Mostrar a mulher de uma
forma diferente do que as outras revistas femininas mostram.
Valesca: Eu acho que tem uma coisa que a TPM às vezes traz como
temática, que acho bastante interessante, que é assim... as subjetividades femininas. As várias maneiras de ser mulher hoje, né? Hoje a gente tem um leque muito maior. Acho que isso é muito bom. Nos dá uma vivência, uma riqueza muito maior.
Marcela: Eu acho que a TPM se arrisca sempre.
Samanta: Ela tá disposta a questionar coisas e ela sabe que você vai
‘requestionar’. Ela sabe que não está dado. E a gente vai continuar lendo.
Valéria: A TPM acho que não chega a fazer uma lavagem cerebral, de
você ter que estar nesse perfil [que a mulher tenha que estar linda e arrumada]. Por mais que ela aborde moda e beleza ela não te coloca nesse padrão de “você tem que ser assim”. Acho até que ela quer quebrar isso, mesmo que não consiga. De vez em quando ela dá uma escorregada, mas tem essa intenção.
Esse “mostrar a mulher de uma forma diferente” é explicado por elas como apre- sentar uma mulher não idealizada, o que as outras revistas fariam ao estampar em suas páginas mulheres sem que apareçam conflitos ou problemas em suas vidas. Elas valorizam o que chamam de “uma mulher mais real” ou “natural”, seja quando se trata de uma pessoa conhecida do público ou não. As capas e as entrevistas longas são elementos mencionados pelas participantes como pontos fortes da revista no sentido de que atendem e constroem suas expectativas desse “mais real” da mulher TPM. Nas capas as mulheres não são figurativizadas como o usual nas capas das outras revistas femininas. As entrevistas longas, por sua vez, são valorizadas por não tratarem somente de realizações e felicidade ou por não serem feitas unicamente com celebridades. Nas palavras delas:
Valesca: Quando há um excesso de maquiagem, de coisas maravilhosas,
não parece que é real. Mas você pode ter sucesso e construir uma carreira, ter quedas e conseguir conquistar outras coisas. Então contar uma história em que aparece várias temáticas e várias realizações não parece real.
Valéria: A TPM mostra uma mulher mais real. Tanto que as capas, não
sei se são menos produzidas, mas a mulher não tá com aquele cabelão feito no cabeleireiro, maquiagem carregada. Mostra uma mulher mais real, beleza mais natural. Mas não é só beleza. Até nos assuntos que ela aborda. Tem muita entrevista e também em matéria de comportamento da TPM que falam com personagens reais. [...] Mas a mulher real tá muito presente nas matérias da TPM.
Samanta: Eu gosto disso também. Quando não são artistas. São pessoas
reais falando de coisas legais que fizeram para o mundo.
Samanta: [...] sempre trazer alguma mulher que tá fazendo algo bacana
pelo mundo, sabe? Isso me chama a atenção. Geralmente é alguém que tá fazendo algo diferente, que vai fazer alguma conquista...
Além das capas e entrevistas, as matérias longas de edições temáticas são também espaços em que a enunciadora marca seu posicionamento questionador. Segundo elas,
as matérias são construídas explorando diferentes ângulos sobre um mesmo assunto e não apresentam uma resolução final. Não fornecer respostas é um aspecto central que distingue positivamente TPM das demais revistas femininas. Estas, em contrapartida, constroem matérias curtas e nelas apresentam muitas soluções, o que conferiria a elas um jeito pedagógico de lidar com a leitora, colocando-a como aquela que deve adquirir algum saber que somente a enunciadora possui. Pode-se dizer que seriam instrumentalizadoras e
TPM reflexiva, colocando suas leitoras na posição de interlocutoras:
Samanta: mas eu acho legal que a revista tem isso de conversar. É como
se tivesse conversando. Ela expressa uma ideia, vai te dar geralmente mais de um ponto de vista, então as pessoas vão dialogar naquela matéria, mas não necessariamente ela tem um fechamento. É isso que eu acho legal.
Ana Julia: E é um convite pra discussão, né? Samanta: Exato.
Marina: [...] Eu não tô lendo a revista pra gozar, entendeu? Eu já sei
gozar, já sei como fazer. [...] Eu enxergo [a TPM] como uma quebra de paradigma.
Valéria: Então, como eu disse que não da pra ser 100%, eu acho que ela
cumpre até certo ponto. Porque ela consegue te fazer pensar e mostrar outros caminhos, mas ela não te dá solução, e acho que nem é o propósito dela. Ela não vai te dar solução pro casamento perfeito. Ela vai te mostrar que existem X tipos de casamento: você pode casar na igreja, você pode juntar, você pode ser solteirona. E ela não vai te mostrar qual é o certo. Isso é legal.
Ao longo do debate as leitoras citaram entrevistas que as marcaram, quais suas seções preferidas, considerando onde a revista TPM tem sido mais feliz em realizar esse posicionamento que as leitoras percebem na revista. Metade das dez participantes relatou começar a leitura das edições pelo final, onde está a Coluna do meio, de Milly Lacombe. Como dito no capítulo anterior, Milly faz parte do corpo editorial da revista TPM desde seu primeiro ano de existência. É um nome conhecido entre as leitoras, assim como alguns aspectos de sua vida que são narrados em sua coluna. São temas frequentes, por exemplo, sua relação com os sobrinhos, como Na cama com dois homens (ed. 127 – dez. 2012), a relação que tinha com seu pai e a falta que sente dele desde seu falecimento há 10 anos, como descreve em Carta ao pai (ed. 106 – fev. 2011), seu gosto por futebol relatado, por exemplo, como um domingo comum na vida de um casal em que uma gosta de assistir futebol e outra não em O incrível cotidiano de um casal de suas mulheres (ed. 122 – jul. 2012), o conflito com sua mãe quando assumiu sua homossexualidade e a recente retomada da relação entre elas, narrada em Como reconquistei minha mãe (ed. 143 – jun. 2014) ou ainda em Entre duas mulheres (ed. 119 – abr. 2012), sobre o período que a acolheu em sua casa. Milly escreve especialmente sobre a rotina, sofrimento e alegrias no dia-a-dia. As participantes relataram identificarem-se facilmente com sua perspectiva leve sobre a vida, sua escrita sensível.
Além da Coluna do meio, as leitoras mencionaram a seção Badulaque, da jornalista Nina Lemos, também localizada no final da revista, que detalharemos mais adiante, e lembraram-se de algumas entrevistas em Páginas Vermelhas que as marcaram. Citaram, por exemplo, a entrevista com Rita Comparato (ed. 142 – mai. 2014), modelista famosa na década de 1990, cujo destaque é dado à sua trajetória descendente no mundo da moda, que a levou a encerrar uma carreira de sucesso para superar o vício em drogas, encontrar-se e buscar caminhos regidos por outros valores. Mencionaram a entrevista com Maria da Penha (ed. 82 – mar. 2009), em que a enunciadora interroga sobre o período de sua vida em que foi vítima de violência doméstica e ainda sobre seus 20 anos de luta para que o marido fosse punido e a lei que leva seu nome fosse criada. E a Vermelhas com a artista Adriana Varejão (ed. 141 – abr. 2014) na qual o assunto central foi racismo no Brasil, tema da edição, a partir da exposição chamada Polvo que a artista inaugurava em São Paulo.
Marina: A [entrevista com a] Rita Comparato me chama atenção. Como
ela fez ascensão, queda e redenção. Ela era uma filhinha de papai que ia dar tudo certo. Mas se fodeu. Desmontou e renasceu. E passa umas coisas legais pra quem tá com problema de “ai, minha vida não dá certo”. Eu gostei bastante.
Patricia: Minha Vermelhas preferida é da Maria da Penha. É aquela
marcante pra mim. Não dei a revista, continua guardada, porque achei impressionante aquilo.
Helena: Eu gostei da entrevista com a Adriana Varejão. Eu já conhecia
o trabalho dela, mas os estudos da obra nova dela sobre pele, não. Me marcou bastante.
Tais entrevistas tiram de cena, para as participantes, o excesso de realizações que tornam as narrativas das revistas irreais. Elas tornam visíveis os conflitos, os sofrimentos, as dores, as buscas dessas mulheres entrevistadas. O processo está em primeiro plano, segundo as leitoras, nessa forma distintiva da enunciação de TPM. A realização não está distante, não está ao final, no objeto a ser alcançado, e também não se trata de um dever conquistar um padrão ideal exterior. Está, antes, no processo e na relação do sujeito consigo mesmo.
Valéria: A TPM é legal por isso também. Você não precisa chegar lá,
pode ter uma vida razoável. [...] Na TPM é você ter o seu apartamento alugado, com suas contas pagas, um cara legal que te ajude nos afazeres domésticos, não precisa estar sempre perfeita... se divertir um pouco. Uma coisa mais equilibrada, sabe? Menos perfeição. Acho que a TPM é também um pouco mais flexível. Nas outras você só vai chegar lá quando for tudo aquilo.
Valéria: [...] continuo achando que todas querem que as mulheres estejam
bonitas e arrumadas, só que a diferença é: “seja feliz com você mesmo” e no outro às vezes é “seja feliz porque a sociedade exige isso de você”.
De modo geral, elas dizem ler a revista porque nela identificam suas formas de agir e pensar, que não são contempladas em outros veículos da imprensa destinada às
mulheres. A leitura de TPM traz então os sentimentos de conforto, alento e alívio. A maior parte delas, por exemplo, conta que não quer ser mãe e encontra na revista espaço para legitimar essa escolha, além de argumentos que sustentem esse posicionamento ante outras pessoas. Não se sentem, assim, excluídas e, sim, pertencendo a algum grupo que partilha dos mesmos valores.
Patricia: [...] eu gosto de me sentir amparada, sabe? De pensar, ‘alguém
da minha idade pensa como eu’.
Valéria: Você falou uma coisa no começo de encontrar pessoas que não
querem ser mães na revista. Então, eu leio a TPM e penso “Ufa”, sabe?
Valéria: Gosto da TPM porque ela me permite falar com pessoas, argu-
mentar com pessoas que pensam muito diferente. Por exemplo, eu não quero ser mãe. [...] E vejo pessoas que pensam muito parecido. Isso me dá uma força..
Valesca: É um conforto.
Patrícia: É um conforto, é um alento.
Patrícia: [...] eu gosto muito da posição da revista. Ela me ajuda nesse
momento. O que eu posso falar. Eu digo, ‘vai ler lá’, ‘tá lá na TPM’. Eu sempre compartilho os posts mais conflituosos pra ver as pessoas pensando semelhante.
Nesta última fala destacada Patrícia mostra a revista TPM como enunciadora com a qual partilha um modo de ser e de pensar que é diferente do modelo hegemônico, chegando a aparecer em suas discussões pessoais. Assim como ela, Valéria já recomendou matérias para argumentar contra algum pensamento com o qual não concordava.
Valéria: [...] Eu estava com umas seis edições em casa. Dai veio meio pai,
acho que ele é meio machista, e disse que todo mundo fala de feminismo, mas ninguém tem soluções práticas. Eu disse que não existem soluções práticas, são milhares de questões... e dei uma revista pra ele dar uma olhada. Era uma revista que falava bastante sobre a questão da mulher que quer ter filho, mas que não quer largar o trabalho. Acho que muita gente pensa isso, “a função da mulher é ter filho” e como ela vai ocupar outros cargos na carreira? Mas não sei se ele leu.
Além disso, a revista costuma convocá-las a questionarem suas próprias crenças e valores. Tal convocação à reflexão as leva a uma nova leitura do social. Elas afirmam que se sentem provocadas pela revista no momento da leitura. Destacam, especialmente, o questionamento dos valores associados ao casamento e à maternidade, referidos à realização feminina. Valéria conta que pelas reflexões provocadas pela revista passou a identificar atitudes como machistas que antes concebia como normais. Já Samanta repensou sua noção de fidelidade num relacionamento por meio de uma entrevista com a psicanalista Regina Navarro Lins. Nas palavras delas:
Valéria: E a TPM também [...] virou um hábito. Então, aquela coisa de
poder ler. E é aquela coisa de desconectar, mas eu sei que a revista vai me provocar, vai me trazer algo interessante, algo instigante. Por isso eu continuo lendo.
Samanta: de alguma maneira, tem alguma coisa de comportamento que
dá um clique, assim.
Valéria: na TPM acho que tem muita matéria de comportamento feminino
que provocam em mim uma certa curiosidade. Inclusive me fazem refletir sobre muitas coisas. Sobre minhas próprias convicções e certezas. [...] Meus valores. E minha família, o que minha família acredita...Acho que a TPM tem bastante disso. Quando fala de comportamento feminino eu penso “Nossa! A sociedade é machista”. Isso é legal. Que ela provoca isso de refletir.
Valéria: Acho que teve uma entrevista que [...] falava de fidelidade, que
não necessariamente você trair era...
Valesca: Era a Regina Navarro.
Patrícia: Isso. Essa eu achei muito boa. Foi a primeira vez que eu pensei
sobre isso. Que fidelidade não tem a ver com você ficar com outras pessoas ou não ficar.
Patrícia: Por exemplo, nessa questão aqui do casar. Aqui, “elas não têm
medo da solidão, têm medo do estigma da solteirona”. Minha mãe espera que eu vá casar. Ela acharia estranho ter uma filha solteirona. Mas você pensa, “a mulher tem o direito de decidir, não tem?”. Por que ela não pode ser solteirona? [...] Talvez eu mesma pense que a vida ideal é casada e com um filho. Mas a vida não precisa ser assim, tem outras opções. [...] Tipo, toda mulher tem que entender que ela tem liberdade e que se ela não quiser isso ela tem liberdade.
Frustração
Assim como a enunciadora convoca suas leitoras à reflexão e questiona seus valores, suas leitoras também passam a ler criticamente a revista TPM. Os aspectos destacados como negativos pelas participantes ao longo da discussão são aqueles em que ela se aproxima, seja pelo conteúdo, seja pela forma, às convocações das revistas femininas hegemônicas. São elementos, então, que não atendem às expectativas das leitoras criadas pela própria revista em outros momentos e nos espaços que já exploramos aqui.
Matérias de comportamento ou entrevistas curtas com celebridades ou ainda capas de edições que não sejam temáticas, isto é, que não tratem de um mesmo assunto a partir de diversos ângulos e em diferentes espaços numa mesma edição, são, para as participantes, itens que poderiam encontrar “em qualquer outro lugar”. Somente a celebridade na capa não é motivo de compra ou leitura de um exemplar da TPM, no entanto, elas entendem as celebridades das capas como uma estratégia de venda e, por isso, de sobrevivência da revista no mercado. Apesar dessa afirmação, elas justificam o ato de compra da TPM em razão de temas enunciados nas capas.
Samanta: Por exemplo, Maya Gabeira não comprei. Eu não sabia bem
quem era Maya Gabeira e como a capa só me dizia “ela”, não me dizia tema, não me dizia nada. Então eu bati o olho na banca e falei “ah, deve ser filha do Gabeira” e só.
Samanta: Quando é um artista, sei lá, eu poderia ler em qualquer lugar. Valéria: Acho que ela é melhor nas edições temáticas. Algumas ela borda
de uma forma muito legal. Essa de carreira, por exemplo, tem coisas que não concordo 100%, mas ela não aborda como as outras. Ela não diz como ser bem-sucedida, como chegar lá, como ser respeitada por homens sendo chefe, etc. A TPM aborda isso de formas diferentes. Mas tem algumas matérias isoladas que não são tão interessantes, poderiam estar em qualquer outra revista.
Ao referirem-se às capas da revista TPM, salientaram a edição 134, de agosto de 2013, como um caso exemplar. Trata-se de uma edição cuja capa é uma paródia das revistas femininas hegemônicas. A atriz Alice Braga está com cabelos esvoaçantes, volumosos, com fios brilhantes e modelados, veste um maiô preto ajustado ao corpo. Suas mãos, apoiadas na cintura, evidenciam sua sexualidade e a colocam em posição de desafio, reiterada também pelo bracelete preto que cobre seu punho esquerdo. Seu rosto serrado e olhar firme encaram a leitora, convocando-a a engajar-se nas promessas milagrosas dispostas nas laterais da capa. A enunciadora extrapola as chamadas para evidenciar os valores modais das demais revistas femininas: “Bumbum de aço: ele quer e você vai ter”, “Fique mais magra que sua melhor amiga”, “Horóscopo funcional: descubra o alimento funcional do seu signo”, “Como gabaritar o teste do sofá”. Assim que se vira a primeira folha, há uma segunda capa, na página 3, revelando a farsa com o questionamento: “Pra quê mentir? Por que se mente tanto para as mulheres quando o assunto é beleza, moda, relacionamento ou, para dizer a verdade, qualquer coisa?". Nela a mesma atriz agora veste roupas que não constringem seu corpo e não ressaltam suas curvas. Suas mãos estão nos bolsos de um
short, o bracelete cede lugar a uma pulseira delicada que não está presa e, sim, solta em
seu punho. Ela abre um sorriso largo e marcas de expressão são visíveis em seu rosto. Sua postura é de conforto e descontração (Figura 22). Nesta edição o tema central trabalhado pela enunciadora foi sua crítica às “falsas promessas vendidas pela indústria e pela mídia”, como se lê na matéria principal de título “Me engana que eu gosto?”.
As duas capas foram publicadas lado a lado, como acima, pela revista em sua
fanpage no Facebook, ganhando grande repercussão9