Apesar de muitos trabalhos salientarem a necessidade de campanhas educacionais para a população com protocolos de atendimentos urgenciais diante dos traumatismos envolvendo a dentição, pode-se perceber que poucos trabalhos têm relatado a efetividade das informações passadas à população.
Bartlett (1981) avaliou o papel da educação em saúde dentária no ambiente escolar. Percebeu grande efetividade dos programas educacionais destinados a esse fim. Concluiu que programas educacionais sobre saúde no ambiente escolar têm significante e essencial contribuição para a promoção da saúde comunitária.
Çaglar; Ferreira; Kargul (2005) concordam que escolas são lugares excelentes para iniciar programas de educação sobre trauma dentário e para educar as pessoas que lidam com a criança (pais, babás e professores).
Perri de Carvalho (1988) empreendeu “Campanha de Reimplante Dental” patrocinado pelo Departamento de Diagnóstico e Cirurgia da Faculdade de Odontologia de Araçatuba (UNESP). Foram preparados cartazes com informações objetivas, folheto reduzindo o cartaz, um texto explicativo e material didático para palestras. A divulgação foi feita em escolas, creches, associações sociais, clubes, imprensa, hospitais, farmácias, bancos, jornais, rádios e TV da cidade de Araçatuba. Voluntários da Faculdade de Odontologia de Araçatuba (FOA) foram treinados para dar a palestra para quem demonstrou interesse sobre o tema. O autor concluiu que durante e após a campanha, os pacientes atendidos, orientados pela mesma, trouxeram os dentes avulsionados em melhores condições ou com o tratamento urgencial já realizado. Além disso, a Campanha de reimplante dentário propiciou a atuação do leigo em situações de urgência, favoreceu um maior entrosamento e participação educativa do cirurgião-dentista junto à comunidade.
Poi e colaboradores (1999) avaliaram a influência da educação no sucesso do reimplante em 368 alunos com 15 a 23 anos na cidade de Araçatuba – São Paulo. O estudo foi realizado em três etapas. Na primeira etapa (pré-avaliação), buscou-se o conhecimento dos escolares sobre o assunto. Na segunda, aplicou-se o mesmo questionário após palestras educativas utilizando um painel educativo, para avaliar a efetividade da informação. Na terceira etapa (após seis meses), avaliou-se a efetividade da campanha educativa novamente por meio de um terceiro questionário. Os resultados mostraram que, na pré-avaliação, 84% dos respondentes não conheciam o reimplante dentário, 21% não sabiam da
possibilidade de realizá-lo e 59% conservariam o elemento avulsionado em meios inadequados. Após seis meses da realização da palestra, esses números modificaram para 24%, 4% e 8%, respectivamente. Os autores concluíram que a metodologia empregada (painel ilustrativo) foi capaz de promover favorável mudança no comportamento da população estudada com relação aos cuidados básicos dispensados aos casos de avulsão dentária. Salientaram também o baixo custo e a fácil confecção do método utilizado que mostrou ser bastante efetivo para atingir a proposta, podendo ser aplicado a um grande número de pessoas.
Kahabuka e colaboradores (2001), avaliaram a influência de folhetos e seminários a respeito de primeiros socorros em traumatismos dentários, para professores de maternais e escolas primárias. Os dados foram coletados 6 meses antes e 5 meses depois da provisão das informações. As crianças das escolas participantes que procuraram consulta odontológica, após as informações, portando avulsão dentária foram observadas. Os autores constataram que não houve aumento significante nas condutas corretas em relação ao tempo ideal para se procurar atendimento odontológico, quanto ao meio de manutenção apropriado para o dente avulsionado por parte das crianças que pertenceram aos grupos dos seminários e por parte das professoras escolares que receberam o folheto com as diretrizes de atendimento do trauma. Mesmo depois das informações, 29% dos 87 estudantes tratados procuraram a consulta odontológica depois de 7 horas. Nenhum dos pacientes acidentados armazenou o dente avulsionado em meio apropriado. Os autores concluíram que o estudo indicou que uma simples informação para professores escolares não é suficiente para promover os corretos cuidados após as injúrias dentárias envolvendo a dentição. De 78 escolas, 156 professores participaram do seminário, 11 escolas receberam folhetos explicativos sobre traumas
dentários enviados pelo correio ou pela secretaria de educação. Presumivelmente, os resultados poderiam ser melhores se fosse instituído um programa envolvendo pais, professores e os próprios alunos simultaneamente.
Stangler e colaboradores (2002) avaliaram o conhecimento dos estudantes do curso de Pedagogia da Universidade de Passo Fundo (RS). O instrumento de avaliação foi aplicado em três fases. Na primeira fase, um questionário foi aplicado para verificar o grau inicial de conhecimento sobre o assunto. Na segunda fase, realizou-se uma palestra educativa sobre o assunto avulsão-reimplante e reaplicou- se o questionário, sendo avaliados o entendimento e o aprendizado dos alunos acerca das informações transmitidas na palestra; na terceira fase, quatro meses após a realização da palestra, o questionário foi reaplicado. Os resultados das três fases foram analisados de forma quantitativa. Os autores verificaram que o conhecimento do público-alvo antes da palestra foi “pouco” e “confuso”. Houve grande assimilação do conhecimento após a palestra, porém perda de parte desse conhecimento após quatro meses foi observada. Os autores concluíram que é importante a transmissão desses conhecimentos às professoras que terão contato com as crianças no ambiente escolar. Só assim, saberão como proceder mediante acidentes traumáticos envolvendo a dentição. Sugeriram também, que além da comunicação oral às professoras, seja distribuído material impresso às escolas sobre o assunto para favorecer o prognóstico dos dentes traumatizados.
Day e Duggal (2003) estudaram o papel da História Médica Estruturada nos casos de avulsão dentária para a melhoria dos registros destes casos. A História Estruturada (SH) é uma série de lembretes que ajudariam o clínico a questionar pontos relevantes diante de um determinado caso clínico. Concluíram que os hospitais que utilizaram a História Estruturada obtiveram registros significantemente
melhores do que os hospitais que não fizeram seu uso, até mesmo quando os registros eram preenchidos por residentes. Desta forma a História Estruturada pode aumentar a qualidade de registro no caso de avulsões dentárias.
Estudo realizado por Ferrucio et. al. (2004), observou melhora substancial de 95,35% nas atitudes tomadas pelas crianças de 9 a 14 anos (faixa etária susceptível a sofrer trauma dentário), participantes do Programa de Saúde Bucal Escolar de uma escola da rede pública de Curitiba. Foram aplicados dois questionários. Um antes da palestra para verificar os conhecimentos já existentes sobre o assunto e outro após a palestra para conferir o ganho de conhecimento adquirido na mesma. De posse das respostas dos questionários antes e depois das informações, procedeu-se à análise dos resultados, verificando a importância da educação odontológica escolar. Foram avaliados 159 alunos. Nos questionários antes da palestra, foi observado que 64% das crianças já haviam sofrido queda no ambiente escolar das quais 39% relataram ter machucado o dente ao baterem a boca. Foi comum a manutenção do dente avulsionado em álcool. Respostas como jogar o dente fora, colocar um algodão no espaço vazio deixado pelo dente, colocar o dente debaixo do travesseiro, jogar o dente em cima do telhado, dentre outras, foram comuns. Após a palestra, houve uma melhora substancial nas respostas dos alunos sobre as atitudes corretas a serem tomadas diante de traumatismos dentários. Os autores concluíram que a falta de conscientização dos alunos, pais e professores é significativa no que diz respeito à manutenção de um dente traumatizado. Destacaram a importância da informação na melhoria desta baixa conscientização.
Gois e colaboradores (2004) compararam a efetividade do conhecimento adquirido sobre traumatismos dentários por meio de “folder” ou de palestra numa amostra de 31 pais ou responsáveis por crianças pré-escolares. Os autores
dividiram a amostra em dois grupos. Para averiguação dos conhecimentos prévios foi aplicado questionário sobre o assunto. Após esta etapa um dos grupos leu um folder e o outro assistiu a uma palestra sobre traumatismos dentários e, em seguida, responderam novamente o questionário inicial. Na análise dos resultados, os autores perceberam que no primeiro questionário houve uma homogeneidade no índice de acertos e erros. Após a intervenção, constataram que as duas técnicas proporcionaram a aquisição de novos conhecimentos sobre o assunto, sendo que a utilização do folder ocasionou aumento significante de acertos.
Estudo realizado por Reis e colaboradores (2004) avaliou o conhecimento prévio, o adquirido e conhecimento residual dos alunos de educação física da Universidade de Santa Cruz (UNISC) sobre a avulsão e reimplante dentário. Os autores aplicaram os questionários em três momentos: um antes da palestra (conhecimento prévio), o outro logo após a palestra (conhecimento adquirido) e o último três meses depois da palestra (conhecimento residual). Os resultados do estudo mostraram um baixo conhecimento prévio dos estudantes, com apenas 47,6% das respostas corretas. Foi percebido um aumento do conhecimento no segundo (89,88% de respostas corretas) e, após três meses, percebeu-se ainda 84,81% de respostas corretas. Os autores concluíram que foi alto o índice de conhecimento adquirido e residual. Salientaram que o baixo conhecimento dos futuros educadores sobre o assunto avulsão-reimplante dentário pode ser superado mediante a transmissão da informação de forma oral ou por meio de material impresso.