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4  RESULTAT OG DISKUSJON

4.1  I DAS HISTORIE

4.1.4  Målrettet trening

O primeiro aspecto, que explora a noção de obra, subdivide-se em três perspe- tivas: noção de obra; noção de documento em Documentação; e noção de obra em Biblio- teconomia, conforme quadro teórico da página seguinte.

Na primeira perspetiva, entendemos que a noção de obra precisa ser compre- endida nos termos apresentados em dicionários etimológico e plurilíngue e nas abordagens que estudiosos, como Michel Guérin (1995), Hannah Arendt (2007) e Martin Heidegger (2010), fizeram dessa entidade. Posteriormente, buscamos compreender a obra nos proces- sos envolvidos no ato de sua criação, de sua materialização e de sua recepção pelo público. A noção de obra nos aspectos relativos ao ato de criação pode ser analisada a partir dos textos de Arthur Koestler (1964), Fayga Ostrower (2012) e Antoine Compagnon (2007; 2012), os quais discutem os atos da criatividade e os modos que antecedem e levam à criação de obras em diferentes contextos.

Em termos de materialização, a noção de obra implica considerar os instantes em que ela é criada e materializada, bem como as entidades e os relacionamentos que ela apresenta, os quais são discutidos por pesquisadores como Barbara Tillett (1992; 2001; 2003), que apresenta as entidades e os relacionamentos da obra, Richard Smiraglia (2001a; 2001b; 2002; 2003; 2004; 2005), que discute os instantes da obra em processo a que ele denomina de instanciação, e Robert Maxwell (2008), que apresenta reflexões sobre expres- sões da obra.

O ato de criação da obra Compangon (2007; 2012) Ostrower (2012), Koestler (1964) e outros materialização da obra: instanciações e relacionamentos Tillett (1992; 2001; 2003)

Smiraglia (2001ab-2005), Maxwell (2008)

reproduções

Benjamin (1975), Tillett (1991b) Spaggiari & Perugi (2004)

derivações Bryant (2002), Eggert (1994) Laufer (1980) traduções Campos (1987), Rónai (2012) Britto (2012) e Derrida (2002) performances Glusberg (2009), Chartier (2002) Zumthor (2007), Thom (2009) adaptações Hutcheon (2011) mutações instanciações de obra

recepção da obra pelo público Compagnon (2012), Barthes (2012), Martins (1994), Eco (2002; 2004; 2005) Barthes & Compagnon (1987) e outros

noção de obra dicionários, Guérin (1995) Arendt (200&0, Heidegger (2010)

constituição da Documentação

Otlet (1934), Briet (1951), López Yepes (1981; 2006) Moreiro González (1998), Rendón Rojas (2011), Ortega (2009abc) e outros.

em francês Otlet (1934), Briet (1951), Meyriat (1981), Escarpit (1991) em espanhol

López Yepes (1997), Moreiro González (1998), Martínez Comeche (1995;1996; 2006), Rendón Rojas (2005) e outros em português Lara (2010) e Ortega (2009b; 2010) noção de documento Meyriat (1981), Lund (2009), López Yepes (1981; 1995; 1997; 2006) Buckland (1991) e outros.

noção de unidade documentária Otlet (1934), Santos (2007) Fondin (1998), Ortega (2009b)

noção de documento em Documentação

A obra nos Catálogos da Biblioteca Bodleiana Norris (1939), Strout (1956) Frost (1976) e outros A obra nas 91 Regras de Antonio Panizzi

Lehnus (1972), Norris (1939), Battles (2003), British Museum (1985) e outros

A obra nas Rules for a dictionary catalog de Charles Cutter Miksa (1974)

Cutter (1876; 1904) Os estudos de

Lubetzky e de Eva Verona Lubetzky (2001), Verona (1963; 1985) ICCP (1963), Wilson (1989b) e outros

noção da obra em Biblioteconomia

aspectos fundamentais

Figura 1 – Referencial teórico dos aspectos fundamentais Fonte: Elaborado pelo autor.

A partir das análises desses autores, identificamos que o significado das instan- ciações, que podem ser reunidas em três grupos (reprodução, derivação e mutação), é um aspecto pouco explorado pelos autores e, por isso, recorrermos a outros autores, a maioria de áreas distintas da Organização da Informação, como segue.

A reprodução é um processo discutido por Walter Benjamin (1975) e aborda sua evolução tecnológica como meio de representação visual – como ocorre na fotografia. Ele, no entanto, não distingue a reprodução como representação e a reprodução em série, no sentido de réplica, aspecto que é tratado por Barbara Tillett (1991b). A propósito, este aspecto é o fundamento da entidade ‘item’ dos FRBR (INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND INSTITUTIONS, 2009b). Completamos a discussão apre- sentando alguns conceitos pertinentes à reprodução nos termos de Barbara Spaggiari & Maurizio Perugi (2004).

A derivação refere-se às alterações e às revisões textuais que inevitavelmente provocam outras instanciações documentais de uma obra, sem, no entanto, descaracterizá- la, pois a intenção é que ela seja reconhecida como tal, apesar das alterações, das revisões e de outros processos derivativos. Nesse sentido, John Bryant (2002), que discute a fluidez do texto, Paul Eggert (1994), que compara e percebe similaridades entre restaurações de pintura e os processos de editoração de publicação, e Roger Laufer (1980), que aborda a textologia, discutem aspectos relativos a tais instanciações. Os estudos desses autores nos permitem afirmar que a instabilidade do texto de uma obra é regra, pois, em muitos casos, a derivação começa antes da materialização da obra, embora haja exceções difíceis de determinar.

A mutação da obra em tradução, em performance e em adaptação, altera a mesma de modo substancial, acirrando ainda mais a instabilidade da obra quando compa- rada às instanciações anteriores, mas isso não implica que a obra se torne irreconhecível. Em ‘tradução’, de forma geral, os estudos de Geir Campos (1987), Paulo Rónai (2012) e Paulo Britto (2012) mostram que os tradutores buscam oferecer aos leitores da língua meta, para a qual se traduz, a mesma experiência dos leitores da língua nativa da obra original; em performance, analisamos a obra destinada a ser ou que é encenada, declamada, interpretada, executada ou submetida a qualquer outra performance a partir dos aportes teóricos de Roger Chartier (2002), Jorge Glusberg (2009) e Paul Zumthor (2007); e em adaptação, Linda Hutcheon (2011) chama a atenção para três modos de se adaptar (contar, mostrar e participar), que podem ser replicados aos processos de criação de qualquer obra.

Na recepção pelo público, a noção de obra implica compreender a sua significação para o público-alvo que a aprecia ou avalia em nível sensorial, emocional e racional. Nesses termos, a obra está aberta a interpretações independente do seu criador e do seu leitor, desde que elas sejam plausíveis. Tais aspectos são abordados nos estudos de Umberto Eco (2002; 2004; 2005), de Antoine Compagnon (2012), de Roland Barthes (2012), de Lúcia Santaella (2011), de Maria Helena Martins (1994) e de Roland Barthes & Antoine

Compagnon (1987).

Na segunda perspetiva, noção de documento em Documentação, buscamos explorar o documento como obra a partir dos aportes teóricos da Documentação, pois é a ele que o usuário de sistema de informação documentária acessa para chegar à obra.

O estudo da obra em Biblioteconomia parece desconsiderar a teoria do documento produzida pela Documentação. A causa provável pode ser explicada historica- mente, pois esta área desenvolveu-se com mais intensidade na Europa Continental. Em outro viés, a Documentação nos Estados Unidos seguiu um caminho mais associado à infor- mação especializada produzida em suportes distintos do papel. Embora, no início, antes dos anos 1950, o papel fosse o principal suporte, já havia audiovisuais, por exemplo, mas não o documento eletrônico. Desse modo, acreditamos que o viés europeu da Documentação, que explorou de modo efetivo a noção de documento, pode contribuir relevantemente para a noção de obra em Organização da Informação.

Esses e outros fatos históricos são discutidos por autores como Paul Otlet (1934), Suzanne Briet (1951), José López Yepes (1981; 2006), Jose A. Moreiro González (1998), Miguel Rendón Rojas (2011) e outros, inclusive no cenário nacional, como Cristina Ortega (2009a; 2009b; 2009c) e Marilda Lara (2010).

A noção de documento é amplamente debatida desde os primórdios da Documentação, com Paul Otlet (1934) e Suzanne Briet (1951), passando por autores posteriores de expressão francesa, como Robert Escarpit (1991) e Jean Meyriat (1981) e por pesquisadores de expressão espanhola como José López Yepes (1981, 1995, 1997, 2006), Jose A. Moreiro González (1998), Juan Martínez Comeche (1995; 1996; 2006) e Miguel Rendón Rojas (2005), dentre outros. Tais autores nos permitem analisar a evolução do termo documento nos aspectos filológicos e nas mensagens que ele carrega, funcionando como instrumento de comunicação, de cultura e de fixação do conhecimento.

Além da noção de documento, há que se considerar a noção de unidade documentária discutida por Suzanne Briet (1951), mas iniciada no Princípio Monográfico de Paul Otlet (1934). A análise de autores como Hubert Fondin (1998), Paola Santos (2007) e Cristina Ortega (2009b), mostra que tal conceito permite identificar a unidade de representação em registro bibliográfico, seja em subconjuntos, em conjunto ou em sobreconjuntos documentais de modo independente da unidade física documental.

Dissemos anteriormente que o Modelo FRBR não dá os devidos créditos àqueles que possibilitaram a sua elaboração, pois não faz o resgate histórico dos aportes teóricos da Catalogação. Considerando que tal resgate é pertinente, na terceira perspetiva,

noção de obra em Biblioteconomia, constatamos que a maior parte da literatura existente inicia a abordagem da entidade obra nos aportes teóricos de Antonio Panizzi, italiano que, no final do século XIX, elaborou as “Rules for the Compilation of the Catalogue”, conhecidas como “91 Regras” da Biblioteca do Museu Britânico. Todavia, a trajetória histórica da obra em Biblioteconomia não pode ser ignorada, pois, ainda que sua existência não se apresentasse explicitamente ou ainda que não formulada como fundamentos, estava presente nos estudos e em catálogos anteriores ao de Panizzi.

Nessa direção, buscamos explorar a noção de obra na Biblioteca Bodleiana (da Universidade de Oxford, Inglaterra), nos textos de autoras como Dorothy Norris (1939), Ruth Strout (1956) e Carolyn Frost (1976), que abordam os precedentes históricos do catálogo inventário e dos catálogos dicionários. Inclusive, nesse período, o catálogo era um reflexo da ordenação de documentos em estantes.

A partir da Biblioteca Bodleiana, traçamos a trajetória da análise explorando a noção de obra: nas “91 Regras” de Panizzi (BRITISH MUSEUM, 1985), abordadas por Donald Lehnus (1972), por Dorothy Norris (1939) e por Matthew Battles (2003); nas Regras de Charles Cutter (1876; 1904), discutidas por Francis Miksa (1974); e nos escritos de Seymour Lubetzky (2001), reunidos em uma coletânea organizada por Elaine Svenonius & Dorothy McGarry, e nos textos de Eva Verona (1963; 1985), os quais são discutidos por Patrick Wilson (1989).