As definições político-administrativas ocorridas em Pacajus foram, de certo modo, responsáveis pelo atraso no desenvolvimento econômico e social do município, assim como por seu íntimo progresso urbano durante várias décadas. Com a construção da estrada de rodagem, a BR-116, iniciada em 1932, a cidade passou a crescer no sentido oeste, acompanhando o seu traçado. Antes mesmo de receber o capeamento asfáltico, já era o ponto de referência da vida da cidade, de suas atividades comerciais, de encontros pessoais e de diversões, uma vez que, na falta de uma praça, seria o local escolhido para o encontro da juventude.
A partir de 1940, Pacajus tornou-se a parada obrigatória dos veículos de carga ou de passageiros que trafegavam pela BR-116, indo ou voltando da capital do estado. O contato do viajante com a cidade provocou, de imediato, a imigração de pessoas de outros municípios, de modo especial da zona jaguaribana e até de estados vizinhos. É considerável o número de pessoas de Aracati, Jaguaruana, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Mossoró, Russas, dentre outros locais, que, fugindo da epidemia da malária, grassou no Baixo Jaguaribe, de 1938-1940, vindo fixar residência em Pacajus.
O “forasteiro”, pessoa vinda de outras localidades, sendo bem recebido pelos pacajuenses, fez aumentar a população do município, que era de 19.662 habitantes em 1950, elevando-se para 23.194 pessoas em 1957, segundo estimativa da Inspetoria de Estatística, verificando-se, assim, um aumento populacional de 3.532 indivíduos, ou seja, houve um aumento de 17.96% da população em apenas sete anos.
O Censo Demográfico de 1980 acusou uma taxa anual de crescimento de 3,5%, apresentando Pacajus como o município mais populoso da microrregião do litoral, com 46.976 habitantes e densidade demográfica de 76,01 habitantes por quilômetro quadrado. Em 1985, a população cresceu para 54.543 habitantes. A estimativa populacional do IBGE para 1989, depois do desmembramento dos distritos de Horizonte e Chorozinho, transformados em município, foi de 32.144 pessoas. Os novos moradores, adquirindo sítios, explorando o comércio, montando indústrias ou participando da política local, integraram-se à vida da cidade como filhos da terra. O aumento populacional e os consideráveis desenvolvimentos comerciais e industriais mudaram o perfil da economia de Pacajus. A economia, anteriormente baseada na agricultura, privilegiava a cultura temporária.
Destacavam-se o plantio da cana-de-açúcar, para o fabrico de rapadura e seus derivados, da mandioca, para a produção da farinha e da goma (polvilho), e de outros
produtos sem maiores significações no contexto econômico. Posteriormente, passou a dar maior importância à cultura permanente, merecendo especial atenção o cultivo de árvores frutíferas, com destaque para o cajueiro. Também foram cultivadas mangueira, goiabeira, gravioleira e outras espécies, visando a atender ao comércio e à indústria de transformação.
O baixo preço da cera de carnaúba no exterior, em concorrência com produtos sintéticos, desativou a exploração do carnaubal, de plantio sistematizado, localizado na Fazenda Campestre, de propriedade dos irmãos Manoel Franklin da Costa e José Chaves. Os cereais atendiam praticamente apenas ao consumo interno. A comercialização dos produtos era feita no Mercado Central, construído em 1925, para atender, de modo especial, aos sitiantes que procuravam a cidade para fazer suas transações comerciais na feira semanal ali existente. Os produtos secos e molhados eram encontrados nas mercearias (bodegas) que circundavam o mercado, as quais existiam em número considerável, apesar das poucas iguarias.
Tecidos e outras miudezas necessárias ao vestuário constituíam especialidade das três mais antigas lojas, de propriedade dos comerciantes Celso Nogueira de Oliveira, Lúcio José Menezes e Raimundo Costa Amaral. O aumento populacional e o crescimento do movimento rodoviário na BR-116 trouxeram a expansão do comércio. A transferência do comércio para a margem da estrada modificou também o tipo de transação mercantil. A venda a varejo de frutas, castanhas e outros produtos da terra passou a ser feita também em atacado, de preferência a farinha e a rapadura, atendendo à demanda dos municípios do Estado do Ceará e de outros estados servidos pela rodovia.
No ramo do novo negócio, foram pioneiros os Srs. José Nogueira de Oliveira (Caboclo Nogueira), Joaquim Guerra (Quinca Guerra) e Francisco Leite (Chico Leite). O abastecimento desses armazéns se fazia como produção dos sítios, não só do município, mas especialmente de Cascavel, grande produtor de rapadura e farinha. Curioso é que, em razão da falta de estradas vicinais e de transporte mais rápido, as mercadorias eram transportadas em costas de burros ou em carros de boi.
É, porém, ao Sr. José Leite de Carvalho, “forasteiro” filho de Russas, que deve Pacajus muito de seu desenvolvimento comercial. Instalando, de início, uma bomba de gasolina para abastecer os veículos em trânsito, logo passou a representante dos derivados de petróleo, comercializando também pneus de carro de marcas diversas. Diversificou suas atividades com iniciativas pioneiras, explorando o transporte de caminhões mistos, empresas de ônibus (quando teve como sócio o Sr. Isauro Dionísio de Lima) e outros negócios, sempre
demonstrando capacidade de trabalho e honradez. Trouxe familiares que, com ele, integraram-se ao cotidiano da cidade. Comprovação disso é o Sr. João Crisóstomo Filho, ou Sr. Janjão, como é conhecido, que, seguindo o exemplo do cunhado, radicou-se em Pacajus desde 1940, iniciando-se no comércio varejista, sendo proprietário do Posto Guararapes, representante da Atlantic. Apesar de se dizer apolítico, participou por vários anos da administração do município como delegado de polícia e promotor adjunto.
Os ensinamentos de trabalho e iniciativa do Sr. José Leite foram bem aprendidos pelo Sr. Benedito Almeida, proprietário da empresa de ônibus São Benedito, que conta até hoje com um número considerável de carros a serviço da população pacajuense e de outros municípios mais próximos.
O Guaratur Hotel foi o sucessor das duas primeiras pensões instaladas na BR-116. As pensões de D. Etelvina e a de D. Marica, ainda que com precárias instalações, eram solicitadas pelos viajantes que muitas vezes pernoitavam em Pacajus em trânsito para a capital.
Figura 5 – Guaratur Hotel
Fonte: Girão (1990).
Já o pioneirismo na indústria coube a uma mulher, Belar Girão, filha de Morada Nova, que, por força das funções do marido, radicou-se em Pacajus de 1940 a 1947, onde instalou a fábrica B. Girão, de doce de caju e cajuína. Essa indústria, embora artesanal, ficou conhecida nacionalmente pela excelente qualidade de seus produtos.
Com a política de atração industrial do Governo do Estado do Ceará, chegaram as primeiras grandes indústrias ao município na década de 1980, promovendo certa alteração nas atividades econômicas locais. A agricultura perderia gradativamente seu espaço para a
fábrica, ao mesmo tempo que o comércio foi impulsionado pela grande quantidade de trabalhadores formais e pela injeção de capital na região. Apesar do processo industrial pioneiro da empresa Agroindústria Jandaia por volta dos anos 1950, a efetiva industrialização do município ocorreu na década de 1990, com a chegada de grandes indústrias, como a Vicunha e a Rigesa.
Figura 6 – Rigesa
Fonte: Acervo próprio (2015).
A economia do município hoje em dia é baseada no comércio em geral e na agricultura, principalmente no cultivo do caju, com a produção de doces e cajuína, bebida feita a base do caju, como também da castanha, que possui um grande número de exportação. Além da mão de obra na agricultura, comportando grandes empresas que produzem sucos, sendo comercializados para todo o Brasil. Atualmente, o número de indústrias tem crescido, principalmente com a parceria do município de Horizonte, localizado na microrregião de Pacajus, que emprega a grande maioria dos pacajuenses em suas indústrias. O citado processo de industrialização contribuiu para dinamizar o comércio local, que já era uma atividade de destaque, acelerando, portanto, a expansão imobiliária. Outra área de economia da cidade é o turismo, que também tem sua participação com os eventos culturais e religiosos.