• No results found

Mål og budsjett for 2015

In document Innhold 1. (sider 6-10)

Marlene optou pelo Curso de Licenciatura em Matemática, mas não tinha a docência como projeto profissional inicial: “Eu não pensava em ser professora de matemática.” Depois, ela justificou sua escolha pelo Curso de Licenciatura em função do “gosto pela Matemática, pela área de exatas e também o gosto por ensinar". Marlene disse que gostava de ensinar desde criança, ainda que não pensasse em ser professora. Então, ela juntou "as duas coisas: o gosto por ensinar e as exatas”, manifestando o desejo de assumir uma identidade institucional de professora de matemática por vocação de ensinar.

O objetivo inicial de Evandro foi fazer o Curso de Ciências da Computação. Sem explicar o porquê, Evandro disse que desistiu desse curso em favor do Curso de Estatística que cursou por cinco semestres. Sua desistência da estatística se deveu ao fato de ter constatado que esse curso “não era (sua) praia”. Como Evandro já fazia disciplinas isoladas

no Curso de Bacharelado em Matemática, decidiu trancar matrícula na graduação em estatística e solicitar transferência para esse curso de bacharelado. Seu pedido foi indeferido. Para Evandro, cursar o bacharelado em matemática lhe possibilitaria fazer o mestrado em matemática, outro desejo revelado. Contudo, como sua solicitação de transferência havia sido negada, ele desistiu de tentar o bacharelado e optou por fazer novo vestibular para o Curso de Licenciatura em Matemática: “Eu estava numa época muito conturbada, porque eu estava precisando ganhar dinheiro, aí eu falei assim: vou fazer Licenciatura mais por causa da questão financeira, porque o Bacharelado ia demorar um pouco o retorno.” Ao dar esses depoimentos, Evandro mostrou que: (i) a construção de uma identidade institucional almejada, inicialmente como profissional da ciências da computação, posteriormente como bacharel em matemática, não foram conquistadas; (ii) não se identificava com uma identidade institucional de profissional da estatística; (iii) assumiu construir uma identidade institucional de professor de matemática pelas circunstâncias de seu contexto de vida.

Alana mencionou que tentou duas vezes o vestibular para o Curso de Engenharia Química, mas não obteve êxito. Ela revelou que, durante sua trajetória escolar, gostava de matemática e, então, decidiu fazer o curso de licenciatura nessa disciplina. Relatou, porém, que não tinha a intenção de construir uma identidade institucional de docente: “Na escola eu gostava de matemática. Era monitora, brincava de escolinha. Então, eu pensava assim: vou fazer matemática, mas não com aquela intenção realmente de dar aula, não tinha isso.”

Marta optou inicialmente pelo Curso de Engenharia Civil ao qual se dedicou durante seis meses. Nesse período, Marta teve a oportunidade de trabalhar como professora de matemática em um Projeto de Educação para Jovens e Adultos (EJA). Como gostou da experiência de dar aulas, decidiu deixar o Curso de Engenharia e mudar para o Curso de Licenciatura em Matemática, assumindo a criação de uma nova identidade institucional: professora de matemática por vocação. Sobre isso, vejamos seu depoimento abaixo.

“Quando eu comecei a fazer o Curso de Engenharia, a área não tava boa e aí nesse mesmo tempo eu consegui trabalhar com um projeto. Era um projeto

Acertando o passo. Um projeto do governo nas escolas públicas e aí eu

consegui dar aula aqui perto da minha casa. Eu adorei! A gente dava aula à noite. Eram alunos mais velhos, gente que não teve a oportunidade de estudar na época certa e voltou para a escola. Então, eu gostei muito e como eu já gostava de Matemática eu parei com a Engenharia e fiz o vestibular para Matemática.” (Marta)

Mário morava no interior de Minas Gerais e disse que sua única opção de formação profissional no ensino médio era o magistério: “Lá eu fiz o magistério, porque não tinha outra opção”. Ao concluir o ensino médio, ele fez vestibular em Belo Horizonte para os cursos de direito e matemática: “Tentei direito e matemática, mas não passei no direito. No mesmo ano eu tentei para os dois.” Como não foi aprovado no vestibular para o Curso de Direito, Mário fez o Curso de Licenciatura em Matemática assumindo a construção de uma identidade institucional de professor da disciplina por circunstâncias da vida. “Minha escolha seria o direito, porque, na minha cidade, minha região era carente de advogado.” Mário revelou ainda que sua formação profissional no Magistério o ajudou em seu movimento para o Curso de Licenciatura em Matemática. “Foi mais questão de espelho. Eu fiz magistério!”

Já Elisa gostava de matemática e da profissão docente. “Eu gostava muito dos meus professores e achava uma profissão muito bonita. E eu gostava muito de matemática, então juntou os dois e resolvi pela licenciatura.” Com esse depoimento, Elisa mostrou que assumiu a construção de uma identidade institucional de docente em matemática por vocação.

Inicialmente, Mariana quis ser engenheira (desejo de assumir uma identidade institucional de engenheira). Contudo, ela relatou que achava o Curso de Engenharia “muito pesado” e, como gostava de matemática, optou pelo Curso de Licenciatura em Matemática (identidade institucional: aluna de licenciatura por conveniência).“Eu optei por gostar mesmo da disciplina (Matemática). O foco na época era a engenharia. Só que o curso era muito pesado.” Mariana ainda revelou que seu objetivo era fazer a licenciatura para depois ingressar no Curso de Engenharia, pois, assim, eliminaria disciplinas comuns a esses cursos e minimizaria as possíveis dificuldades que poderia encontrar ao cursar a engenharia. Mariana desistiu de ser engenheira, mas não soube explicar o porquê de sua decisão.

Márcia fez o Curso de Magistério, numa época em que tinha apenas duas opções para o ensino médio: contabilidade e magistério. Ela não conhecia as especificidades do Curso de Contabilidade e, portanto, decidiu pelo magistério assumindo a construção de uma identidade institucional como aluna do Curso de Magistério devido às circunstâncias da vida. Além da falta de opção por outros cursos, Márcia mencionou que sua escolha foi influenciada por sua ex-professora de matemática: “Incentivo e, talvez, um pouco de falta de opção. Na oitava série eu tive uma professora de matemática excelente que, inclusive, hoje é minha amiga e ela me incentivou. Aí, em vista disso, eu fui fazer o ensino médio de magistério.” Após cursar o magistério, Márcia ingressou na docência para lecionar matemática na 5ª série do ensino fundamental. “Fiz o magistério e aí comecei a dar aula no estado para 5ª série. Na época quem

tinha magistério podia dar aula para 5ª e 6ª séries. Inclusive uma primeira designação que eu peguei no estado foi aula de matemática.”

Márcia declarou ainda seu desejo de cursar psicologia, mas como já estava trabalhando como professora de matemática pensou na possibilidade de cursar a licenciatura em matemática. “Eu dava aula de matemática e, assim, fui tomando gosto pela coisa. Quando eu fui fazer vestibular eu ficava na dúvida. Eu queria psicologia.” Além disso, disse que sua desistência pela psicologia em favor da licenciatura em matemática foi influenciada pela ex- professora mencionada acima. “Ela falava assim: não, faz matemática, porque psicologia é um campo mais difícil de arrumar emprego.” Márcia disse que não se arrependeu de sua decisão pelo curso de licenciatura, mas que, se fosse hoje, sua opção não seria pela docência.

“Hoje eu entendo assim... que se era para ter pago alguma coisa, sofrido o tanto que eu sofri para fazer matemática, eu deveria ter investido em outro curso. Qual? Não sei! Talvez eu deveria ter feito contábeis. Eu acho assim... pela opção que eu tenho hoje, que eu enxergo a educação hoje, talvez eu tivesse feito uma opção diferente da matemática. Mas, não me arrependo de ter feito.” (Márcia)

Odilon também relatou que um professor marcou de maneira especial a sua vida escolar, exercendo forte influência em seu desejo de construir uma identidade institucional de professor de matemática por vocação. “Eu escolhi o magistério justamente influenciado pelo meu professor. Eu pensei em ser professor, porque, se eu formasse professor, eu poderia dar aula igual a ele. Eu gostava muito do jeito dele dar aula, dele explicar. Então, isso me encantava!”.

Rodrigo mencionou que sua escolha pelo Curso de Licenciatura em Matemática estava relacionada à sua aptidão para a área de ciências exatas (indicativo de um possível desejo de assumir uma identidade institucional de estudante na área de ciências exatas por vocação): “Fui fazendo o curso por comodismo. Aptidão também. A área que eu tinha mais afinidade era a área de exatas”. Rodrigo utilizou a expressão por comodismo para explicar que o curso na área de exatas que era oferecido próximo à sua casa era a licenciatura em matemática. Por essa facilidade de acesso, assumiu a construção de uma identidade institucional de aluno do Curso de licenciatura em Matemática por conveniência. Nessa ocasião, ele não tinha planos profissionais de construir uma identidade institucional de docente. “Pensar em ser professor, não”.

Para Carla, a opção pelo Curso de Licenciatura em Matemática foi circunstancial. Sua pretensão inicial foi pelo Curso de Ciências Contábeis. Entretanto, avaliou que o mercado de

trabalho não estava favorável para essa área profissional e, por isso, decidiu fazer o Curso de Licenciatura em Matemática. Além disso, Carla acreditava que não faltariam oportunidades de trabalho para o professor como relata abaixo.

“O primeiro curso foi ciências contábeis. Mas, eu vi que o mercado de trabalho estava muito ruim. Aí eu gostava de matemática, então eu fiz o curso para dar aula mesmo. Porque, professor não faltava emprego. Só pensava nisso, fazer um curso que tivesse emprego.” (Carla)

A fala acima mostra que Carla assumiu uma identidade institucional de professora de matemática em função, no seu entender, do fácil acesso do professor ao mercado de trabalho. Como no caso dos professores que permaneciam na docência, predominou, para o grupo de ex-professores, a manifestação da identidade institucional na escolha pelo Curso de Licenciatura em Matemática. A maioria deles (Alana, Evandro, Mário, Mariana, Márcia, Rodrigo e Carla) escolheu a docência (assumir uma posição sustentada institucionalmente) por conveniência ou pelas circunstâncias a que estavam submetidos em determinada época de suas vidas. Somente Marlene, Marta, Elisa e Odilon manifestaram o desejo de construir uma identidade institucional como professores de matemática por vocação.

Na próxima seção destaco os tipos de identidade manifestados na trajetória profissional dos ex-professores até chegarem à decisão de abandono da docência.

In document Innhold 1. (sider 6-10)