4. RESULTS
4.2 C LUSTER A NALYSIS
Associadas com frequência à depressão infantil e/ou perturbação de hiperactividade com défice de atenção, estão as dificuldades de aprendizagem, resultantes de um funcionamento mental, de modalidades comportamentais, do neurodesenvolvimento ou especificamente da aprendizagem.
As dificuldades de aprendizagem (DA) têm sido discutidas ao longo dos anos. Sendo o insucesso escolar a sua consequência mais visível, a preocupação com esta problemática tem aumentado, procurando-se estabelecer definições e procedimentos de intervenção (Fletcher, Coulter, Reschly, & Vaughn, 2004).
Perspectiva histórica.
Até aos anos 60, os termos disfunção/lesão cerebral mínima, dislexia, dificuldades de aprendizagem neuropsicológicas ou dificuldades perceptivas, eram utilizados por profissionais para referir a um conjunto de características que mais tarde seriam denominadas dificuldades de aprendizagem (Correia, 1991).
Em 1984 Vítor da Fonseca utilizou pela primeira vez em Portugal o termo Dificuldades de Aprendizagem como tradução do original Learning Disabilities no seu
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livro Uma Introdução às dificuldades de Aprendizagem. Actualmente o termo está generalizado, tanto por entidades oficiais (Ministério da Educação), como não oficiais (comunicação social, técnicos e pais) (Cruz, 2009).
Uma vez que os termos dificuldades de aprendizagem e dificuldades de aprendizagem específica são demasiado abrangentes, é importante que os investigadores adoptem definições mais restritivas na identificação da problemática na criança para que os serviços de apoio tenham mais objectividade na intervenção (Cruz, 2009).
Conceito.
A caracterização das dificuldades de aprendizagem ocorre quando se constata que o rendimento de uma criança se encontra inferior ao esperado para o nível escolar correspondente à idade da mesma. As DA têm repercussões no rendimento da vida diária da criança (APA, 2013).
As DA são designadas para caracterizar as crianças que apresentam dificuldades na aprendizagem, em assimilar e compreender métodos de ensino, bem como dificuldades associadas à perturbação da leitura, do cálculo e da escrita sem outra especificação dentro das normas à sua faixa etária (APA, 2013; Correia, 2004).
Para Lopes (2010), “o próprio termo dificuldades de aprendizagem não é pacifico, sendo que o problema das crianças que ao longo do seu percurso escolar revelam um insucesso crónico tem recebido diversas designações como: insucesso escolar, dificuldades de aprendizagem, subrealização escolar, dificuldades de aprendizagem específicas, distúrbio específico de desenvolvimento, problemas de aprendizagem.”.
De acordo com Kirk e Bateman (1962, in Muñoz, Fresneda, Mendoza, Carballo & Pestun, 2005), a perturbação é definida como um atraso ou desenvolvimento tardio num ou mais dos processos de fala, leitura, linguagem, escrita, aritmética ou outras matérias escolares, que resultam de uma deficiência psicológica causada por uma possível disfunção cerebral e/ou por perturbações emocionais ou de comportamento.
As dificuldades de aprendizagem podem variar em termos de gravidade, ou seja, podem ter um impacto a nível global sobre a aquisição de aprendizagens, como interferir apenas em algumas actividades específicas, por serem tão imperceptíveis.
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Assim, é essencial ter em conta que cada aluno com este tipo de perturbação é um caso único (Smith; Strick, 2001, in Leonhardt & França, 2007).
Semiologia.
De acordo com, (Citoler, 1996 cit. Por, Cruz, 2009), as dificuldades de aprendizagem específicas – (DAE) manifestam-se na aprendizagem por uma dificuldade específica em função de uma problemática, designadamente: dislexia, disortografia, disgrafia ou discalculia. Segundo o mesmo autor, não podem ser considerados como critério as classificações para as DAE um nível de QI abaixo da média. Por outro lado, também os défices sensoriais não devem ser incluídos no critério de DAE (Marques & Cepêda, 2009).
De acordo com Correia (2008), as dificuldades de aprendizagem específicas dizem respeito à forma como a criança processa a informação, a recebe, integra, retém e expressa, tendo em conta as suas capacidades e o conjunto das suas realizações. Assim, as dificuldades de aprendizagem específicas podem manifestar-se em áreas como a fala, leitura, escrita, matemática, memória, linguagem, pensamento ou motoras.
Alguns estudos revelam que as crianças com DA apresentam problemas de ordem emocional e comportamental. Estas crianças apresentam muitas vezes dificuldades intra e interpessoais como depressão e solidão. (Adrián et al., 2002). O mesmo autor refere que estas crianças apresentam níveis de ansiedade elevada, e por vezes chegam mesmo a rejeitar a escola, por a considerarem ameaçadora.
Descrição clínica e critérios de classificação.
De acordo com o D.S.M–V (2013), os critérios de diagnóstico para perturbação de aprendizagem especifica, são para as crianças que apresentam dificuldades na aprendizagem e de competências académicas, indicando a presença de um dos seguintes sintomas onde deve-se manifestar-se pelo menos há 6 meses:
(1) leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta e com esforço (por exemplo, lê palavras isoladas em voz alta de forma incorrecta ou lenta e hesitante, frequentemente adivinha palavras, tem dificuldade de soletrá-las); (2) dificuldade em compreender o sentido do que é lido (pode ler o texto
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com precisão, mas não compreende a sequência, as relações, as inferências ou os sentidos mais profundos do que é lido); (3) dificuldades ortográficas (exemplo: pode adicionar, omitir ou substituir vogais e consoantes); (4) dificuldades na expressão escrita (comete múltiplos erros de gramática ou pontuação nas frases; organização inadequada de parágrafos; expressão escrita das ideias sem clareza); (5) dificuldades para dominar factos numéricos ou cálculo (p. ex., entende números, sua magnitude e relações de forma insatisfatória; conta com os dedos para adicionar números de um dígito; perde-se no meio de cálculos aritméticos e pode trocar as operações); (6) dificuldades no raciocínio (dificuldade em aplicar conceitos, factos ou operações matemáticas para solucionar problemas quantitativos);
(B) as habilidades académicas afectadas estão abaixo do esperado para a idade cronológica do indivíduo, causando interferência significativa no desempenho académico ou profissional ou nas actividades quotidianas, confirmada por meio de medidas de desempenho padronizadas administradas individualmente e por avaliação clínica abrangente. Para indivíduos com dezassete anos ou mais, história documentada das dificuldades de aprendizagem com prejuízo pode ser substituída por uma avaliação padronizada;
(C) as dificuldades de aprendizagem iniciam-se durante os anos escolares, mas podem não se manifestar completamente até que as exigências pelas habilidades académicas afectadas excedam as capacidades limitadas do indivíduo (por exemplo, em testes cronometrados, na leitura ou escrita de textos complexos longos e com prazo curto);
(D) as dificuldades de aprendizagem não podem ser explicadas por deficiências intelectuais, acuidade visual ou auditiva não corrigida, outros perturbações mentais ou neurológicas, adversidade psicossocial, falta de proficiência na língua de instrução académica ou instrução educacional inadequada.
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Quanto à etiologia, não existe consenso entre os diversos investigadores, existindo, no entanto, três factores predominantes na literatura: factores fisiológicos, socioculturais e institucionais (Cruz, 2009). Poderá, assim, considerar-se ter etiologia multifactorial: baixa de auto-estima (Lopes, 2010); factores fisiológicos – disfunção neurológica, factores biológicos, factores endócrinos e causas genéticas ou hereditárias (Cruz, 2009). As DA podem estar ainda associadas a outros factores, nomeadamente de carácter emocional e afectivo, ambiental, cultural, dificuldade de memorização e de memória de trabalho (Cruz, 2009).
Para Adrián, Fernández. & Gómez-Rubio, (2002), a etiologia desta problemática deve-se a factores orgânicos: os défices orgânicos, o controle motriz, incapacidade de manter a atenção e défices sensoriais e perceptivos. A hereditariedade tem também um papel importante nos factores orgânicos. Outros autores apontam para problemas de foro cognitivos, perceptivos, atenção, psicolinguísticos, emocionais e psicomotores (Marinho-Araújo & Neves, 2006).
Por outro lado, parece haver DA provocada pelo programa do trabalho pedagógico, método de ensino e por limitações do próprio professor (Adrián, et al. 2002).
Finalmente, Ballone (2005) sistematiza, dividindo as DA em primária e secundária: (1) As primárias não se podem atribuir a elementos psico-neurológicos, isto é, são disfunções cerebrais nas quais se inserem as perturbações da leitura, as perturbações da matemática, as perturbações da expressão escrita e as perturbações da linguagem expressiva, linguagem receptiva e mista; (2) As secundárias são causa de alterações biológicas/ neurológicas, alterações emocionais e comportamentais.
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Parte II – Trabalho de Estágio