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3.6 Populasjonstilhørighet

3.6.4 Lunde

1. O que levou a utilizar a estrutura em aço no projeto do edifício da Universidade Anhembi Morumbi? A estrutura metálica foi determinante para resolver problemas projetuais? Porque?

O ponto de partida pela escolha do aço foi a opção por uma questão econômica. Porque ainda hoje ele é muito mais caro, até porque o uso do aço é praticamente muito recente aqui no Brasil, a não ser pelas pontes ferroviárias e algumas estações antigas que usavam praticamente o aço. Só para você saber, eu estive em Brasília na sua inauguração e todos os edifícios do ministério foram construídos com perfis de aço importados dos Estados Unidos, porque não tínhamos nenhum conhecimento de estrutura metálica. A estrutura chegou e foi só montar aqui. Tanto que até hoje se faz esse processo. As construtoras em aço são praticamente montadoras, porque quem usina os perfis é a indústria, que manda para o canteiro aonde é montado. Então consequentemente, por ser feito na usina, o preço era muito mais caro.

Porém, quando se avalia o quanto um prédio, que pode abrigar até dois mil alunos, pode render em um semestre, o tempo passa ser um fator determinante. Ou seja, se ele levaria um ano meio para ser construído e podemos fazer isso em apenas seis meses, é um ano de mensalidade de dois mil alunos que serão contabilizados, e esse foi o grande motivo.

Na época eu era o coordenador e fui convidado para fazer o projeto. No início, propus uns elementos desnecessários que depois foram retirados do projeto, como umas pérgolas de aço, umas coberturas de aço. Nunca tinha enfrentado uma estrutura de aço. Sou um “concreteiro” e acho que arquitetura é estrutura. Estrutura é arquitetura. Então sou uma pessoa que sempre dei muita ênfase a estrutura. Isso foi bom quando migrei pro aço pois, por ser arquiteto mais estruturalista, digamos assim, tive uma certa facilidade de dominar e usar os predicados do aço, como o grande vão e dessa condicionante quase que mecânica que levaram a definir os perfis. Tivemos inicialmente uma certa dificuldade em relação aos perfis porque tínhamos algumas opções, ou o duplo “T” ou “I”, ou o caixão (perfil com seção retangular). Isso a aproximadamente dez anos atrás. Naquela época me recomendaram a não utilizar o

caixão porque no “I” e no “T” você consegue visualizar qualquer processo corrosivo, e no caixão ele pode aparecer na parte interna e não ser percebido. No prédio do Itaú por exemplo optaram, por opção estética, por utilizar o perfil caixão. Então o aço é muito bom de trabalhar porque se você prevê uma arquitetura onde prevalece a estrutura, você pode explorar essas qualidades, esse predicados do aço, como na proposição de grandes vãos. Na Universidade Anhembi Morumbi, se você observar, tem uma viga na entrada com mais de 30 metros, que é uma treliça de aço que costumava chamar de “São Tomé”, que é, no projeto, a mais carregada de aço, caracterizada pelo “X” mais as verticais e funcionam como contraventamento da estrutura. E esse prédio tem essa característica de não utilizar um núcleo rígido. Por exemplo, quando fiz aquele projeto, propus uma planta mais ou menos quadrada, formada por duas alas e um vazio central com uma circulação em volta. Então eram dois blocos de salas de aula, apoio, coordenações, salas de professores e outros ambientes, e uma circulação vertical, aonde projetei uma escada metálica.

Quando comecei a desenvolver o projeto e conversei com o construtor, que não construía em aço, ele chegou a propor que colocássemos um núcleo rígido no vão compreendido entre os dois blocos, como era relativamente tradicional desde Mies Van der Rohe, onde tínhamos um núcleo rígido e uma estrutura mais livre em volta permitindo uma certa liberdade de uso. Nesse momento eu expliquei que ia deixar esse grande vazio central e que não utilizaria o núcleo rígido, o que causou um grande espanto para o construtor que estava certo que faria um núcleo rígido em concreto aonde seriam apoiadas as estruturas em aço. Foi então que eu disse que teríamos que pensar uma outra maneira de viabilizar a obra porque o partido proposto previa esse grande vazio que serviria como uma grande praça, o ponto de encontro. E realmente ficou muito bonito. Então a estrutura se caracteriza por esse grande vão, que por ser uma universidade, tinha que ter uma fusão entre o espaço privado e publico onde tentei que esse espaço transmitisse uma mensagem de convite a esse uso pois a proposta era não ter apoios no meio desse vão.

Enfrentei nesse projeto ainda a questão da inércia do aço que é mínima, diferente do concreto que é muito inerte. O aço flamba, sofre torção, e apresenta outras características que devem ser previstas para dar maior rigidez a estrutura. Como não tínhamos um centro rígido, a estrutura era muito instável, e quando o calculista me

chamou para conversar e me mostrou as simulações no computador, a gente via que a estrutura literalmente dançava. A solução foi dada por essa treliça contraventada que acompanha toda o perímetro do projeto. Então o prédio é composto a rigor de dois anéis de treliças contraventadas nos quatro lados do prédio, uma em cima e outra em baixo, ligadas por outras treliças verticais contraventadas, o que proporcionou uma maior rigidez a todo o conjunto. É uma proposta que muito me orgulho pois conseguimos viabilizar esse vão que ficou muito interessante propiciando essa praça de uso comum, e, apesar de ser um projeto relativamente pequeno, tem todos os elemento construtivos necessários a um sistema de estrutura em aço bem resolvidos. Mesmo assim, um fato curioso, foi que um dia passou um avião muito baixo e o prédio entrou em ressonância. O fato fez com que muita gente saísse apavorada e chegaram a chamar os bombeiros e tudo mais. Na ocasião, me ligaram para ir lá ver o que tinha acontecido. Então projetar em aço, exige um cuidado com a falta de inércia que é característica do aço. Por isso que é muito comum o uso de estruturas hibridas com o uso do aço e do concreto. Usando as peculiaridades dos dois materiais.

2. Qual o tipo de material foi utilizado nos fechamentos internos e externos do edifício? Foi especificado o Pumex, que são blocos de concreto celular que vinham em placas na altura do pé direito e eram montadas no local.

3. Qual o tipo de laje foi utilizada no projeto?

O sistema de laje especificado foi o Steel Deck, apesar de gostar de trabalhar mais com a laje alveolar, pois a steel deck tem limitação em uso de grandes vãos. Aqui não temos no mercado chapas para steel deck que tenham uma altura muito grande, o que não permite vencer grandes vãos. No projeto, havia uma preocupação com a flexibilidade do uso do espaços, pois uma sala que hoje está sendo usada por 50 alunos, amanhã pode ser utilizada por 30 pessoas, ou ainda em determinados casos, poderá ser necessário reduzir ou dividir o espaço para o uso de 15 pessoas. Dessa forma, era imperativo prever a colocação das divisórias aonde fosse necessário, e no caso do steel deck os condicionantes são maiores para o seu uso, mas isso conseguimos resolver tendo cuidado de especificar a laje sempre vencendo os menores vão entre as vigas. O interessante que essas vigas de apoio das lajes, muitas

vezes não são muito exigidas e podem ser vazadas para a passagem de todo tipo de cabeamento e tubulação de infraestrutura.

4. A estrutura proposta para a edificação teve algum tratamento preventivo contra o fogo?

Houve uma preocupação muito grande a respeito da prevenção contra incêndios. As exigências dos bombeiros são enormes. Todas as vigas principais tiveram que receber um tratamento especifico contra incêndio, e esse resultado é alcançado a partir de dois processos. Um, é a utilização de tintas que são caríssimas, e outra, é a utilização do revestimento com um tipo de espuma química que esteticamente é horrível. Além das vigas principais, todos os pilares do subsolo são protegidos contra avarias. Os perfis dos pilares na garagem são preenchido de concreto para aumentar a sua rigidez contra eventuais batidas. Mas são cuidados pontuais que merecem uma maior atenção e que tornam a estrutura em aço mais dispendiosa.

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