6 Departementet si vurdering av lukkingsgrunnlaga
6.6 Lukking av omsyn til den interne sakshandsaminga
O nosso mundo está cada vez mais rodeado de ciência, tecnologia e desenvolvimento constante, deste modo é impensável educar os nossos alunos sem educar para a literacia científica, já que esta visa dotar o aluno de competências e conhecimentos que possa aplicar no dia-a-dia e na tomada de decisões (Pereira, 2002). Em suma, dar ferramentas ao aluno para ser um cidadão crítico, reflexivo e ativo na sociedade.
Indo ao encontro do estudo realizado por Reis, Rodrigues & Santos (2006), esta investigação revela que os alunos, antes da implementação da proposta pedagógica, tinham uma imagem caricaturada do cientista, referindo-se aos mesmos como uma pessoa com alguma idade, que usa óculos, com pouco cabelo, com bata branca, que aparentemente trabalha sozinho e que faz experiências perigosas num laboratório ou numa cave.
Ao analisar os desenhos e as respostas às entrevistas dos alunos antes e após a implementação da proposta pedagógica, foi possível responder à seguinte questão:
Quais as ideias dos alunos do 3.º ano de escolaridade acerca do que é ser cientista? Os
resultados obtidos sugerem que, a proposta pedagógica implementada terá sido preponderante na mudança para ideias menos estereotipadas. Estas mudanças verificam- se em todas as categorias, com exceção da categoria de género do cientista, em que nenhum dos alunos estereotipou o género de cientista em nenhuma das duas fases do estudo.
No que concerne ao aspeto físico do cientista, quatro dos cinco alunos revelaram uma ideias estereotipada antes da implementação da proposta pedagógica, revelando que o
cientista usa óculos, tem o cabelo em pé e membros mecânicos. Após a implementação da proposta pedagógica apenas três dos quatro alunos mudaram as suas ideias para ideias menos estereotipadas, afirmando que não existem características específicas para um cientista. Apenas um aluno manteve a sua ideia estereotipada, tendo em conta que continuou a apresentar um cientista com o cabelo em pé e com “eletricidade estática” e que necessita de tecnologia para se mover. Talvez, para este aluno, tivesse sido necessário mais contra-exemplos da imagem do cientista.
Antes da implementação da proposta pedagógica quatro dos alunos em estudo tinham ideias estereotipadas acerca do trabalho do cientista, ligando-o ao mundo da magia e apenas às experiências. Apenas um dos alunos considerava o cientista como investigador. Após a implementação da proposta pedagógica três dos alunos mudaram as suas ideias para ideias menos estereotipadas referindo-se ao cientista como um investigador. Um dos alunos manteve a sua ideia estereotipada enquanto que outro regrediu a sua ideia, passando a referir que os cientistas apenas realizam experiências. Estes resultados levam a uma reflexão acerca do que poderá não ter sido significativo para estes dois alunos, considerando-se a importância da utilização de um leque mais variado de possíveis trabalhos do cientista na proposta de pesquisa que a investigadora facultou aos alunos.
Quanto ao local de trabalho do cientista quatro dos cinco alunos revelam uma ideia estereotipada, referindo que o cientista apenas trabalha num laboratório, enquanto que apenas uma aluna considera que o cientista pode trabalhar noutros locais, dando o exemplo da rua. Após a implementação da proposta pedagógica apenas três dos alunos mudaram as suas ideias, parecendo compreender que o cientista trabalha noutros locais para além do laboratório, dependendo da sua área de estudo.
No que se refere aos materiais, antes da implementação da proposta pedagógica um aluno apenas enumerou materiais não laboratoriais como sendo o único recurso do cientista. Três alunos referiram que apenas utilizam materiais laboratoriais e um dos alunos considerou que os cientistas utilizam materiais laboratoriais e não laboratoriais. Após a implementação da proposta pedagógica, um aluno manteve a sua ideia estereotipada, três evoluíram para ideias menos estereotipadas e um dos alunos regrediu, considerando que os cientistas apenas utilizam materiais não laboratoriais. Estes resultados exigem uma reflexão, de modo a compreender por que razão um aluno não
mudou a sua ideia e outro regrediu. A investigadora considera que talvez tivesse sido importante uma outra apresentação de proposta pedagógica, tendo em conta os materiais utilizados pelos cientistas.
No que respeita ao vestuário quatro dos alunos apresentam uma ideia estereotipada, antes da implementação da proposta pedagógica, considerando que o cientista só utiliza bata e que todos os cientistas o fazem, com exceção de um aluno que refere que o seu cientista veste umas calças e uma t-shirt, acrescentando que outros podem vestir uma bata. Após a implementação da proposta pedagógica três dos quatro alunos mudaram as suas ideias, passando a afirmar que os cientistas podem vestir outras peças de vestuário para além da bata, parecendo compreender que o vestuário depende da área que o cientista estuda. Mais uma vez, a implementação da proposta pedagógica parece não ter tido qualquer influência num dos alunos.
Os resultados sugerem que os alunos, expostos a outras influências compreendem que ser cientista não é só estar num laboratório, com uma bata branca e manipular materiais laboratoriais. Os resultados desta investigação desafiam a reflexão sobre a necessidade de se falar, em sala de aula, no trabalho de um cientista e alertar os nossos alunos para o vasto mundo da ciência. A análise feita às entrevistas e desenhos dos alunos também sugerem que existe uma falta de reflexão, por parte dos alunos, acerca do que é ser um cientista, podendo estes serem influenciados pelo que veem na televisão, tal como sugere Reis, Rodrigues & Santos (2006), e por isso, criam ideias cientificamente incorretas acerca desta profissão.
No que concerne à proposta pedagógica implementada, esta parece ter contribuído para a mudança das ideias da maioria dos alunos, acerca do que é ser cientista, na medida em que foram evidentes as alterações das ideias dos alunos, quando estas são comparadas com os dados recolhidos antes da implementação da proposta pedagógica. Importa referir que um dos alunos não parece ter sido influenciado pela proposta pedagógica em nenhuma das categorias, o que sugere à investigadora que a proposta de pesquisa dos cientistas poderá não ter sido a mais adequada para este aluno ou simplesmente o aluno não se sentiu motivado para aprender/conhecer mais os cientistas.