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Luftens innhold av forurensninger i 2009

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2. Innholdet av hovedkomponenter i luft

2.1 Luftens innhold av forurensninger i 2009

Os processos anafóricos em que participam sintagmas nominais plenos enquanto expressões anafóricas são, geralmente, designados por anáfora nominal. Nesta, a relação anafórica é avaliada, sobretudo, em relação à existência ou não de correferência, visto que os sintagmas nominais plenos são expressões referencialmente autónomas.

De acordo com Figueiredo (2000:217), a anáfora nominal «ou resulta de um prolongamento natural do antecedente por meio de repetição ou de substituição, o que se traduz em uma anáfora correferencial, ou resulta de processos inferenciais, de saberes enciclopédicos, o que se traduz em uma anáfora não referencial (associativa)». Nesta perspetiva, podem distinguir-se, geralmente, dois tipos de anáfora nominal: a anáfora por retoma – em que se inclui a anáfora fiel, a anáfora infiel e a anáfora resumativa ou conceptual – e a anáfora por associação – que corresponde à anáfora associativa.

Na anáfora fiel, há identidade referencial plena entre o antecedente e a expressão anafórica, ocorrendo repetição lexical do nome do antecedente, com variação do determinante, que, tipicamente, é indefinido no sintagma nominal antecedente e definido ou demonstrativo8 na expressão anafórica, como se observa no

exemplo (11). Por sua vez, na anáfora infiel, em lugar de se utilizar a repetição lexical do nome, a retoma ocorre por substituição, através de uma expressão com o mesmo referente, mas com uma denotação diferente9 (cf. (12)) ou, ainda, através de uma

expressão que apresenta relações léxico-semânticas10 com a expressão retomada, tais

como a sinonímia e a hiperonímia, como se observa em (13) e (14), respetivamente.

8 Para uma distinção de valores específicos associados à ocorrência do definido ou do demonstrativo nos

diferentes tipos de anáfora nominal, ver Figueiredo (2000).

9 Neste caso, existe uma cadeia referencial (mas não uma cadeia anafórica) entre os dois elementos,

visto que têm o mesmo referente. A interpretação das duas expressões como correferentes está dependente do conhecimento do mundo.

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(11) Estreou um filme muito interessante. O / Este filme tem recebido boas críticas. (12) Mia Couto tem um novo livro. O escritor moçambicano tem uma vasta obra. (13) Corri para apanhar o metro. Não consegui entrar, porque o comboio já estava

cheio.

(14) O metro está sempre cheio. Mesmo assim, é o transporte em que prefiro andar.

Ainda no âmbito da anáfora por retoma, na anáfora resumativa, o sintagma nominal anafórico não só retoma um antecedente que, geralmente, é proposicional, como o resume e interpreta, como ocorre no exemplo (15), de Figueiredo (2000: 31), com o uso da expressão este argumento. Outras expressões demonstrativas tipicamente usadas nesta construção são, por exemplo, esta ideia, esta afirmação,

esta situação, este problema.

(15) O Pedro veio visitar-me esta semana e disse-me que ia deixar de fumar, porque o tabaco estava cada vez mais caro. Este argumento não basta para eu acreditar que ele vá deixar de fumar.

Relativamente à anáfora associativa, trata-se de um tipo de anáfora nominal que se distingue dos restantes tipos mencionados, visto não existir identidade referencial entre a expressão anafórica e o antecedente. Este processo anafórico corresponde, basicamente, à relação léxico-semântica meronímica de parte-todo, que só pode ser interpretada a partir de saberes partilhados. Assim, em (16), ainda que não exista correferencialidade, a relação anafórica que se estabelece entre a porta e a casa é possibilitada pelo nosso conhecimento do mundo de que as casas têm portas.

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De forma resumida, pode afirmar-se que a anáfora nominal se estabelece a partir de processos de repetição, substituição e associação, fortemente apoiados em relações semântico-lexicais e no nosso conhecimento do mundo. Estes processos estabelecem-se, sobretudo, em unidades linguísticas superiores à frase11.

De facto, no interior de uma frase, não há identidade referencial entre dois sintagmas nominais plenos, a não ser que se verifiquem condições sintáticas particulares, relacionadas com a função desempenhada pelos constituintes. Partindo da noção de proeminência estrutural12, Lobo (2013a) examina, precisamente, as

condições sintáticas que possibilitam ou impossibilitam a correferência entre dois sintagmas nominais numa frase, concluindo que, ao nível da frase simples ou complexa, «independentemente de se tratar de estruturas de subordinação completiva ou adverbial, é possível a correferência entre sintagmas nominais quando um antecedente é um constituinte propriamente incluído no sujeito ou no complemento direto da frase» (Lobo 2013a: 2191). Em termos de proeminência estrutural, isso corresponde a dizer que só é possível – ainda que nunca seja obrigatória – a identidade referencial entre dois sintagmas nominais plenos quando nenhum deles é mais proeminente do que o outro13. Para além disso, parece ser

também uma condição necessária que o sintagma nominal com maior autonomia referencial, isto é, aquele tem um nome próprio, preceda o sintagma nominal com menor autonomia referencial14. Os exemplos (17)-(19), selecionados de um conjunto

11 Para um tratamento dos processos anafóricos ao nível do texto, leia-se, por exemplo, Lopes &

Carapinha (2013), secção 2.2.2.

12 Segundo Raposo (2013), a relação de proeminência estrutural capta a diferença de nível hierárquico

entre dois constituintes, relacionando, em termos de representação em árvore, um nó x mais alto na estrutura com um nó y mais baixo, sem que y esteja incluído em x. Esta noção traduz a relação estrutural de c-comando, definida na teoria de princípios e parâmetros da gramática generativa, segundo a qual a c-comanda b sse (i) a é distinto de b, (ii) a não dominar b e (iii) o primeiro nó ramificante que domina a domina b (Raposo 1992). Assim, de acordo com posição ocupada e a função desempenhada, os constituintes podem ser mais proeminentes que outros, de acordo com a seguinte hierarquia (Lobo 2013a:2192): a) sujeito > complemento direto > SN ou oração dentro de complemento preposicionado, indireto ou oblíquo; b) sujeito > adjunto adverbial pós-verbal.

13 A relação de proeminência estrutural, ou de c-comando, é fundamental para a Teoria da Ligação, que

estabelece princípios que regulam a interpretação de expressões anafóricas ao nível da frase. Segundo esta teoria, os sintagmas nominais plenos, designados expressões-R, são livres em qualquer domínio (princípio C). Como se verá adiante, os pronomes estão sujeitos a outros princípios.

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de paradigmas15 apresentados por Lobo (2013a: 2190-2193), parecem poder confirmar

esta generalização.

(17) a. O João adora o miúdo. (o João ≠ o miúdo)

b. [O pai do João] adora o miúdo. (o João = o miúdo/outro) c. [O pai do miúdo] adora o João. (o João ≠ o miúdo)

(18) a. O João disse que o miúdo estava doente. (o João ≠ o miúdo)

b. [O pai do João] disse que o miúdo estava doente. (o João = o miúdo/outro) c. [O pai do miúdo] disse que o João estava doente. (o João ≠ o miúdo) (19) a. O João zangou-se quando o miúdo começou a fazer barulho.

(o João ≠ o miúdo)

b. [O pai do João] zangou-se quando o miúdo começou a fazer barulho. (o João = o miúdo/outro)

c. [O pai do miúdo] zangou-se quando o João começou a fazer barulho. (o João ≠ o miúdo)

No contexto apresentado em (17), uma frase simples, observa-se o contraste entre (17a) – em que o João não pode ser antecedente de o miúdo nem pode haver uma leitura correferencial entre os dois sintagmas nominais, uma vez que o João (sujeito) é mais proeminente do que o miúdo (complemento direto) – e (17b) – em que a leitura correferencial é possível pelo facto de nenhum dos sintagmas ser mais proeminente do que o outro (o João é um constituinte incluído num sintagma nominal mais alargado, o pai do João). Por sua vez, em (17c), ainda que o princípio sobre a relação de proeminência estrutural esteja assegurado, a correferência entre os dois sintagmas,

15 Lobo (2013a) não só apresenta paradigmas para frases simples e complexas (subordinada completiva

e subordinada adverbial), como considera a posição dos sintagmas nominais, dando conta de contextos em que, na frase complexa, o SN o João é sujeito ou complemento direto da oração principal e sujeito ou complemento direto da oração subordinada e o SN o miúdo é sujeito ou complemento direto da oração subordinada. Os exemplos selecionados apenas dão conta dos contextos para frases simples e para frases complexas em que os sintagmas nominais são sujeitos ou estão incluídos nele.

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como consequência da inversão da ordem dos sintagmas apresentada em (17a) e (17b), deixa de ser possível por não ser satisfeita a condição de que o sintagma nominal mais autónomo preceda o outro sintagma nominal.

Nos exemplos (18) e (19), observa-se o mesmo contraste entre (a) e (b), mas em estruturas de subordinação completiva (18) e adverbial (19), só sendo possível obter uma leitura correferencial nestes contextos quando o sintagma nominal antecedente está contido num sintagma nominal mais vasto (neste caso, o sujeito), não tendo, dessa forma, proeminência estrutural sobre qualquer outro sintagma nominal. À semelhança de (17c), os exemplos (18c) e (19c) evidenciam como continua a ser uma condição necessária, agora em contextos de subordinação, que o sintagma com nome próprio preceda o outro sintagma nominal.

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