8.3 Sammenlikning med ulike energikilder
8.3.4 Vann-veske varmepumpe
vezes, para o noticiário econômico. Nem o caso Celso Daniel, presente em várias chamadas, mereceu manchetes.
Ainda contaminado pelo escândalo do mensalão, o ano da reeleição de Lula, 2006, manteve em alta as notícias sobre corrupção, presentes em três quartos das 138 capas analisadas, índice superior ao de 2005 (Gráfico 28). Mas, se aumentou a presença (chamadas), diminuiu bastante a relevância dada ao assunto: caiu de 46% par 26% a proporção de edições com manchetes principais para as denúncias (Gráfico 29). Em março, por exemplo, a Folha de S. Paulo deu como manchete principal o resultado de mais uma pesquisa eleitoral, deixando em uma chamada menor notícia importante sobre a quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa.
No ano eleitoral de 2010, as denúncias estiveram presentes em 40% das 138 edições analisadas, e as manchetes em apenas 15% desse total. Além das negociações políticas para a disputa presidencial, os interesses manifestados pelos jornais nas manchetes eram variados, com grande concentração em questões regionais.
É em 2014 que a pesquisa identifica alteração significativa no interesse dos jornais pelo tema corrupção em um ano de eleição presidencial. O fato de as denúncias (chamadas e manchetes) de corrupção estarem presentes em 70% das 140 edições analisadas (Gráfico 28) sustenta o entendimento de que se estabeleceu naquele momento uma nova postura, perceptível já nos primeiros meses do ano. Essa mudança foi provocada, principalmente, pela entrada em cena da Operação Lava Jato e as denúncias de desvios e corrupção na Petrobras. Um novo escândalo político midiático que superou o escândalo do mensalão.
Antes do noticiário sobre a Lava Jato, que surgiu nos jornais em março, as notícias sobre as condenações e prisões dos réus do mensalão no final de 2013 ainda repercutiam. Os dois assuntos, e outras denúncias, garantiram percentuais recordes de edições com denúncias (chamadas e manchetes) em 2014 (Gráfico 28). No caso das edições com manchetes sobre corrupção, embora tenham se mantido em patamar superior a 20% do total analisado no ano, houve pequena queda na comparação com 2013 (Gráfico 29).
Significa que, mesmo com o aumento substancial da presença das denúncias nas edições, a agenda eleitoral e os assuntos econômicos continuaram tendo maior destaque
nas capas no ano da sucessão presidencial. No dia, por exemplo, em que o petista João Paulo Cunha foi preso, os três jornais deram manchetes semelhantes, mas para outro assunto: uma notícia sobre o apagão de energia.
A constatação, com base nos dados, de que a redução de notícias sobre corrupção ocorreu em praticamente todos os anos de eleição, abarcando, portanto, todos os governos – de Sarney a Lula – é um indicativo, apenas um indicativo, de que não havia, neste caso, intenção de proteger um ou outro candidato, ou um ou outro partido. Se configura mais como resultado de uma rotina pré-estabelecida nas redações de jornais para as grandes coberturas como as eleições presidenciais. Uma agenda que se sobrepõe ao noticiário rotineiro de denúncias.
5.2 Comparativo entre os três jornais – chamadas e manchetes
O comportamento similar dos três jornais na forma e no conteúdo de suas edições, verificado pela análise qualitativa em vários momentos deste estudo, refletiu no resultado final do levantamento, com uma divisão equânime dos dados quantitativos. Cada um publicou um terço das 3.165 chamadas de capa sobre corrupção, com pequena variação nominal. Embora com resultado final semelhante, os jornais adotaram posturas diferentes em momentos variados, como será mostrado a seguir.
Gráfico 30: distribuição das 3.165 denúncias (chamadas e manchetes) por jornal – 1985-2014
Quando se considera a atuação doa jornais por períodos de governos, por exemplo, o comportamento já não é tão similar. O Globo publicou o maior número de denúncias (chamadas e manchetes) em quatro dos oito governos analisados (Itamar, Lula1, Lula2 e Dilma1); a Folha de S. Paulo esteve à frente em três governos (Sarney, FHC1 e FHC2); e O Estado de S. Paulo apenas em um governo (Collor).
Do período Sarney até o primeiro mandato de Fernando Henrique não foi identificado no levantamento numérico das denúncias publicadas nas capas nenhum resultado muito superior ou inferior, entre um jornal e outro. A primeira alteração significativa se deu no segundo mandato de Fernando Henrique, quando a Folha de S. Paulo ampliou significativamente o número de chamadas e de manchetes, se distanciando dos concorrentes. Ou seja, foi o primeiro dos três jornais a ampliar a presença do noticiário de corrupção nas suas capas.
Por outro lado, verifica-se que depois, no segundo mandato de Lula e no primeiro de Dilma, a Folha reduziu tanto o número de chamadas quanto o de manchetes em relação aos concorrentes. Reduções que sugerem um recuo do noticiário de denúncias da Folha no período relativo às duas últimas gestões do PT no governo federal, mas elas, por si só, não são suficientes para estabelecer a influência, ou não, de um componente ideológico.
A partir do primeiro governo Lula foi a vez de O Globo ampliar o número de chamadas e de manchetes principais sobre corrupção, mantendo-se à frente dos outros dois jornais nos períodos relativos às três gestões petistas. São dados que contribuem para a tese do viés ideológico, à medida que em quatro dos cinco governos anteriores – Sarney, Collor, FHC e FHC2 – o jornal do Rio apresentou em suas capas volumes menores de denúncias em relação aos concorrentes.
Soma-se aos dados quantitativos a interpretação, a partir da análise do conteúdo, de que O Globo imprimiu um tom mais ofensivo às notícias sobre corrupção contra integrantes dos governos do PT, se comparado com os governos do PSDB. Substanciam essa análise os editoriais de capa do jornal, nos quais evidenciou em diversas oportunidades suas preferências partidárias e políticas. Mais um elemento em favor da tese do viés ideológico. O Gráfico 30 mostra a distribuição numérica das 3.165 denúncias (chamadas e manchetes) capturadas nas capas dos três jornais ao longo dos 30 anos.
Gráfico 30: distribuição das denúncias (chamadas e manchetes) por jornal e por governo
Fonte: levantamento próprio da pesquisadora nos endereços eletrônicos das publicações
O jornal O Estado de S. Paulo, como já dito, superou os dois concorrentes apenas na gestão de Fernando Collor, quando publicou mais chamadas e mais manchetes sobre corrupção em suas capas. E publicou mais que O Globo no governo Sarney. Nos governos Itamar e FHC-1, O Estado manteve resultados parecidos com os de O Globo. No segundo mandato mudando de Fernando Henrique, O Estado de S. Paulo já deu maior visibilidade nas capas para as notícias de corrupção, mas a mudança significativa ocorreu, assim como o jornal do Rio, a partir dos governos do PT.
Do conjunto de 670 manchetes sobre corrupção capturadas pela pesquisa em 30 anos, a distribuição entre os jornais também é equitativa, com pequena vantagem para O Estado de S. Paulo, que publicou 35% do total. O Globo, 33% das manchetes, e a Folha de S. Paulo, 32%. Ou seja, O Estado valorizou, um pouco mais que os outros, a denúncia publicada. Considerando períodos de governos, no entanto, O Estado de S. Paulo ficou à frente dos concorrentes, em número de manchetes, apenas nos governos Itamar e Dilma.
Gráfico 31: Distribuição das 670 manchetes sobre corrupção, por jornal - 1985-2014
11 6 10 9 83 10 4 16 9 19 9 12 5 16 9 71 10 3 10 0 91 10 6 21 3 16 7 19 4 10 8 12 7 91 91 13 7 17 3 13 4 18 5
SARNEY COLLOR ITAM AR FHC1 FHC2 LULA1 LULA2 DILM A1