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A meta do atual Governo é situar o Brasil entre os países emergentes deste século. Para isso, há que se estabelecer um sistema de educação forte, sustentável e coerente. Há que se construir um projeto de Estado que privilegie a educação em todas as suas etapas e a coloque no patamar das necessidades básicas da população. Para um projeto desta envergadura, necessita-se de um Governo que assuma e defenda um Projeto de Educação para a Nação que esteja acima de ideologias e de partidos políticos e que tenha como meta uma educação inclusiva e de qualidade como fatores principais para o crescimento e desenvolvimento do país.

Segundo Morosini (2000, p. 301), para que se construa um futuro de educação em nosso país, o importante é reafirmar:

[...] a necessidade de conciliar a expansão do Sistema Superior com sua crescente necessidade de qualificação; o compromisso da sociedade e de seus dirigentes com a inversão no conhecimento, na ciência e na tecnologia; o gerenciamento das tensões advindas pela imposição abrupta, sobre um modelo nato, de universidade pública, autônoma e com liberdade acadêmica, de um modelo “novo”, único, externo e com

parâmetros internacionais de avaliação, e a busca da coesão social através da construção/consolidação da comunidade latino-americana.

Para que o país cresça e melhore seus índices em relação aos demais em desenvolvimento, é preciso haver forte investimento, o que, ainda hoje, é um problema, apesar de o Brasil investir 4,5% do seu Produto Interno Bruto - PIB em educação, esse índice é considerado baixo para um projeto ousado de crescimento. O ideal definido pelo Ministério da Educação seria um investimento de 8%, como o fazem os países desenvolvidos da União Européia e os Estados Unidos. No Brasil, há uma acentuada desigualdade na distribuição deste montante entre as regiões, fato que gera o crescimento das desigualdades sociais, já que existem regiões mais desenvolvidas e ricas no país que permitem um investimento maior em educação, como se registra nos estados do Sul e do Sudeste.

Há problemas muito sérios que ainda necessitam ser solucionados na educação brasileira, que atingem a educação básica e refletem na educação superior, como, por exemplo, resolver o acesso de crianças e de adolescentes em escolas, que, hoje, ainda registram índices relevantes de ausência e de evasão. Além disso, outros fatores auxiliam no resultado do baixo rendimento da educação no Brasil que são os baixos salários dos professores, espaços escolares inadequados, a baixa qualidade de ensino e a falta de preparação e formação de alunos para ingressar na educação superior.

Uma educação de qualidade exige planejamento a longo prazo e é esse um dos problemas para um país como o Brasil, cujas políticas públicas mudam ao sabor da alternância de quem assume o poder. De caráter importantíssimo para o desenvolvimento de uma Nação, a educação não deveria ser exclusiva da política dos governos, sujeita às opiniões e aos temperamentos transitórios. Precisaria sim, ser uma Política de Estado, com prioridade nacional e estabelecida ao longo de um horizonte de tempo mais amplo.

Felipe González, ex-primeiro ministro espanhol e secretário-geral do Partido Comunista, quando esteve presente perante uma platéia de empresários brasileiros, no ano de 2004, reafirmou que a educação é a única variável estratégica que nunca falta para o desenvolvimento de um país e completou que “o projeto educacional de um país que deseja vencer suas desigualdades deve ter, no mínimo, 20 anos”.

A realidade tem mostrado muitos fatores que esta nova política de expansão tem ocasionado no sistema educacional superior brasileiro, pois, com o aumento da oferta de vagas em determinadas regiões de forma descontrolada, tem ocasionado o inchaço do mercado educacional que acaba desencadeando uma concorrência desleal entre as instituições de ensino.

As experiências administrativo-organizacionais das Universidades, dos Centros Universitários e das Faculdades Isoladas confirmam a difícil situação em que as instituições se encontram, pois, além de se submeterem à instabilidade econômico-financeira do país, submetem-se às mudanças de governos e planos para a educação nacional, quando cada Ministro da Educação assume um novo mandato. Também, estão sujeitas a administrações frágeis e inconsistentes, provenientes das políticas internas de cada organização e que resultam na falência e na dissolução de muitas delas. Além disso, muitas das IES adotam modelos organizacionais baseados nas Universidades Federais, com um quadro docente e um quadro administrativo onerosos e, além disso, mantêm relações burocratizadas baseadas na concentração e na centralização de poder. Esta realidade do ensino superior não é privilégio apenas das universidades privadas brasileiras, pois este contexto é percebido, também, nas universidades européias e norte-americanas que se obrigam a buscar novas formas de organização e de gestão para a sua sobrevivência, principalmente, pela necessidade da busca da sustentabilidade econômico-financeira para a viabilização de um projeto de futuro.

Uma instituição de ensino superior tem se caracterizado pela complexidade como organização. A razão que a leva ser complexa é a sua peculiaridade inerente a sua natureza socioeconômica e política como formadora de pessoas e de profissionais e produtora de novos conhecimentos. A dinâmica gerencial que envolve o nível de interação, de exigência e de participação no desenvolvimento nacional e regional são fatores fundamentais para o desenvolvimento de um país, por isso o alto nível de complexidade e de responsabilidade de uma instituição de ensino superior como organização para a evolução e desenvolvimento da sociedade.

A complexidade da organização define-se pelas suas relações e interfaces criadas em relação às demais micro-organizações que fazem parte do todo. Assim, neste universo, deve haver uma sinergia qualificada entre os integrantes da organização para que as relações se estabeleçam, em diferentes níveis, de forma a dar unidade às ações e, assim, haver crescimento em toda a organização.

4.4 MODELO DE GESTÃO POSSÍVEL PARA AS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO

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