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In document Lovavdelingen (sider 66-70)

Os conceitos de tecnologia, mudança tecnológica e funções de produção apresentados nessa seção, bem como todo o desenvolvimento teórico, são baseados nos estudos de CAVALLO e MUNDLAK (1986), MUNDLAK (1983)

e MUNDLAK (1988), bem como nas aplicações desse modelo na economia argentina, feita por CAVALLO e MUNDLAK (1984), e na economia brasileira, feita por TEIXEIRA (1991) e GARCIA e TEIXEIRA (1991).

Segundo CAVALLO e MUNDLAK (1982), todas as firmas têm acesso a um grupo de técnicas, cada uma identificada como uma função de produção, que constitui a tecnologia de produção. Desse modo, a tecnologia é um conjunto de técnicas que estão disponíveis para serem implementadas.

Uma técnica particular é escolhida com base nas restrições das firmas e no ambiente econômico por elas vivenciadas. Esse procedimento na escolha de técnicas é considerado endógeno ao sistema econômico, pois as firmas tomam por base, para suas decisões, variáveis exógenas que captam os efeitos econômicos envolvidos no processo de escolha da técnica mais adequada ao processo produtivo. GARCIA e TEIXEIRA (1991) citaram, como exemplo de variáveis importantes nessa escolha, o volume do estoque de capital da economia, o nível do investimento, a taxa de retorno do capital investido e os preços dos fatores e dos produtos. Essas variáveis refletem o ambiente econômico que influencia as decisões sobre o produto e sobre o uso dos insumos. Os agentes econômicos, quando deparam com uma oportunidade de investimento, preocupam-se com a rentabilidade do investimento, ou seja, como e onde aplicar seus recursos, com vistas em maximizar o retorno do capital investido ao menor risco possível. Portanto, maior taxa de retorno ao capital investido, ligado a uma nova técnica de produção, resulta em mudança tecnológica naquele setor produtivo onde a nova técnica é adotada. O volume de recursos destinado ao investimento no setor produtivo é reflexo das condições favoráveis da economia, o que possibilita a promoção da mudança tecnológica.

O estoque de capital acumulado na economia é também importante para promover o uso de atividades intensivas em capital, as quais contribuem para a mudança tecnológica. Logicamente, o inverso também é verdadeiro, dado que o maior nível de atividade intensiva em capital eleva a acumulação de capital na economia.

A implementação de novas técnicas também depende da razão salário- preço do capital, que representa a relação entre a remuneração do trabalho e do capital. Certamente, essa relação está relacionada com a abundância ou com a limitação desses fatores produtivos. O preço do produto é também outra variável importante. Quando não é homogêneo, o produto de cada técnica recebe um preço diferente. Um aumento nesses preços, associado à nova técnica, aumenta a taxa de retorno do investimento e, conseqüentemente, a velocidade da mudança tecnológica.

Portanto, o processo de escolha da técnica está relacionado com o progresso tecnológico, que relaciona o progresso com o investimento, com a abundância de capital e com um ambiente econômico favorável. Todos esses elementos podem ser aproximados por variáveis econômicas mensuráveis, denominadas, no modelo, como variáveis de estado, que tornam a escolha da técnica endógena ao sistema econômico.

Segundo GARCIA e TEIXEIRA (1991), mudanças nas variáveis de estado causam mudanças no conjunto de técnicas implementadas. Consideram- se, portanto, mudanças contínuas entre técnicas feitas pelas firmas, nas quais as principais mudanças que ocorrem, no tempo, são nos fatores e na produção, geradas de movimentos por meio de funções, em vez de ao longo de uma função de produção particular. A motivação para mudanças nas técnicas implementadas depende das mudanças não apenas no preço do fator, mas também, e mais importante, no nível de acumulação de capital na economia. O estoque de capital da economia limita a taxa de adoção de novas técnicas.

TEIXEIRA (1991) analisou melhor o papel da acumulação de capital na mudança tecnológica, considerando uma situação em que duas técnicas coexistem no setor agrícola. Considerou a técnica “a” como tradicional, intensiva em mão-de-obra, e a “b” como moderna e, portanto, intensiva em capital. As duas técnicas são definidas por suas funções de produção, representadas por

Ya = Fa(Ka, La), (31)

em que Yi é função de produção agrícola para a técnica i (i = a e b); Ki representa o capital; e Li, trabalho. Admite-se que haja retorno constante à escala na produção por trabalhador, expressa por

ya = lafaka, (33)

yb = lbfbkb, (34)

em que yi é produção per capita para a i-ésima técnica; li=Li/L, proporção do trabalho agrícola empregado na técnica i; ki=Ki/Li, razão capital/trabalho na técnica i; e fi(ki), produtividade média do trabalho na técnica i. Admite-se que cada função seja côncava e duas vezes diferenciáveis. As duas técnicas não necessitam ser empregadas simultaneamente. Para todos os valores da razão salário/preço do capital (w), supõe-se que a técnica b seja sempre mais intensiva em capital do que a técnica a.

ka(w)< kb(w). (35)

Supõe-se que os produtores sejam maximizadores de lucro, em um sistema competitivo no qual os preços são dados. As condições de primeira ordem, com respeito ao capital e ao trabalho da função lucro setorial, são:

pf'i(ki) r, (36)

p[fi(ki) – f'i(ki)] w, i = a, b (37)

em que p é preço do bem agrícola homogêneo, em relação a algum bem composto não-agrícola; w e r, salário rural e taxa de rendimento do capital, respectivamente. Para cada técnica, as expressões (36) e (37), em conjunto, implicam que

Como conseqüência das suposições de retorno constante à escala e competição perfeita, a equação (38) representa uma condição de lucro zero, quando uma técnica é usada. A igualdade nessa expressão significa que a receita unitária é igual ao custo unitário. Quando o custo de produção for maior que a receita, a técnica não será usada; este é o caso de uma desigualdade restrita em (38). Quando (38) representar uma igualdade para ambas as técnicas, estas serão usadas simultaneamente.

Danin e Mundlak (1979), citados por GARCIA e TEIXEIRA (1991), afirmaram que técnicas coexistem quando a economia tem mais capital do que o necessário para implementação de uma técnica intensiva em trabalho ou tradicional sozinha, mas não dispõe de capital suficiente para implementação de uma técnica intensiva em capital ou moderna sozinha.

A presente discussão é graficamente ilustrada na Figura 4. As isoquantas unitárias das duas técnicas disponíveis tangenciam a linha de isocusto, cuja inclinação é igual à razão salário/preço do capital (w~). As razões capital/trabalho, requeridas pelas técnicas a e b, são ka e kb, respectivamente, e k é a razão capital/trabalho disponível. Observa-se que, quando ww~, a escolha de uma técnica é determinada pela razão salário/preço do capital, mas quando w=w~, a escolha de uma técnica depende da razão capital/trabalho disponível.

Quando kka, o fator trabalho será abundante; se a técnica a for intensiva

em trabalho, será mais barato usar essa técnica sozinha na produção agrícola. Da mesma forma, quando kkb, será mais barato usar a técnica b. Portanto, quando

um fator for encontrado em abundância, será mais eficiente usar uma técnica intensiva nesse fator. Observa-se também que, quando kakkb, as técnicas

coexistirão, isto é, ter-se-á mais capital do que o necessário para se adotar a técnica a sozinha, mas não haverá capital em quantidade suficiente para se adotar a técnica b sozinha, ficando a mudança de técnicas na dependência da acumulação de capital. As linhas, cujas inclinações são iguais às inclinações dos raios ka e kb e que se originam no ponto onde o raio k intercepta a linha de isocusto, indicam a contribuição relativa de cada técnica para a produção

k de kb e maior será a participação da técnica b na produção agrícola (como

indicam as flechas sobre os raios ka e kb).

Fonte: TEIXEIRA (1991).

Figura 4 - Coexistência de técnicas de produção e mudança tecnológica.

A situação de coexistência de técnicas de produção também é ilustrada na Figura 5. A produtividade média do trabalho das duas técnicas, isto é,

) ( a a k

f tradicional e fb(kb)moderna, é mostrada como funções da razão

capital/trabalho. A linha pontilhada, cuja inclinação é igual a r/p, indica a taxa de retorno do capital agrícola. Para uma razão agregada capital/trabalho entre ka e

kb, esta linha tangente às funções de produção reflete a produtividade média do

trabalho na agricultura, como uma combinação convexa das duas técnicas.

K

L

kb ka k’ k fb=1 fa=1

w~

Fonte: TEIXEIRA (1991).

Figura 5 - Função de produção com diferentes técnicas.

Para sumarizar, este capítulo se baseou na pressuposição que o setor produtivo da economia seja formado por variadas técnicas de produção. Cada técnica é identificada com uma função de produção. O produto da economia é obtido pela implementação de um subconjunto de técnicas disponíveis, o qual é determinado pelas várias restrições deparadas pelas firmas e pelo ambiente econômico, denominadas no modelo de variáveis de estado. Essas variáveis de estado, que são definidas juntamente com o modelo empírico, garantem que a mudança tecnológica seja determinada endogenamente.

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