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Makkah ou Meca (em português) é uma cidade da Arábia Saudita considerada sagrada para os muçulmanos. Segundo estes;

a cidade foi fundada pelo Profeta Abraão e seu filho Ismael há milhares de anos, por ordem divina, para ser símbolo da unicidade de Allah, [pois] ali foi construída a primeira casa para a adoração de Allah sobre a terra, que é Kaaba. É para ela que os muçulmanos se voltam em suas orações, e para ela que partem em peregrinação para cumprir o quinto pilar do Islã (SAIFI, 2012, p.20).

Diferentemente de outros espaços sacros, onde as fronteiras entre o sagrado e profano são visíveis e delimitadas geograficamente (BERGER, 2012, p.39), Makkah exerce poderosa influência regendo de forma espaço-temporal a vida e conduta dos muçulmanos que estão fora dos seus limites geográficos. Ela “orienta a humanidade”, pois segundo o alcorão:

A primeira Casa (Sagrada), erigida para o gênero humano, é a de Bakka, onde reside a bênção, servindo de orientação para a humanidade. Encerra sinais evidentes: lá es- tá a Estância de Abraão, e quem quer que nela se refugie estará em segurança. A pe- regrinação à Casa é um dever para com Allah, por parte de todos os seres humanos, que estejam em condições de empreendê-la; entretanto, quem se negar a isso saiba que Allah pode prescindir de todas as criaturas (ALCORÃO 3.96,97).

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A percepção espaço-temporal do muçulmano é aguçada por este princípio corânico, pois os mais diversos ritos religiosos devem ser balizados através da orientação para Makkah. A construção de uma mesquita ou mussala, as orações dentro ou fora destas, o abate halal, os cemitérios islâmicos, a face do morto na hora do sepultamento; todos estes, para serem vali- dados, devem ser orientados para Makkah.

A hajj127,peregrinação para Makkah, é o último pilar do Islã. Prática “obrigatória, pelo menos uma vez na vida, para qualquer muçulmano, homem ou mulher, que for mental, finan- ceira e fisicamente apto.” (ABDALATI, 2008, p.132).

Antes de realizá-la, o muçulmano na condição de aspirante (Al Ihram), pode procurar alguma organização islâmica que lhe forneça o preparo.

Al Ihram é a intenção de cumprir a peregrinação, onde o aspirante propõe-se a iniciar

os seus rituais. Estando em Makkah, ele procura sua classificação no Mikat128, veste duas pe- ças de tecido preferencialmente brancas com a finalidade de eliminar qualquer tipo de dife- rença cultural ou econômica.

O objetivo central: Al Tawaf – consiste em cumprir sete voltas em torno de Kaaba (se-

gundo o Islã, ato realizado pelo profeta Abraão e seu filho Ismael), que seria um ato simbóli-

co do que os anjos fazem no céu circundando o Trono de Deus.

Outros atos simbólicos também são realizados: Al Sai – o percorrer a distância entre os montes Al Safa e Al Marua, sete vezes (ato que teria sido realizado por Agar, esposa de

Abraão, quando procurava água para o seu filho Ismael); Jamarat – repetição do ato do pro-

feta Abraão, quando este estava cumprindo a ordem de sacrificar o seu filho Ismael129; e, a

127 “A peregrinação que é feita anualmente à Makkah (cidade sagrada que se encontra na Arábia Saudita) é obri- gatória a todo muçulmano uma vez na vida para aqueles que são física e financeiramente capazes de fazê-la, ela é realizada no décimo segundo mês do calendário lunar islâmico. Os peregrinos usam roupas brancas e simples que retiram as distinções de classe e cultura, todos se apresentam iguais perante Allah, ricos e pobres, pessoas de todas as raças juntas e com humildade. A peregrinação a Makkah faz com que os peregrinos que- brem as barreiras raciais, econômicas e sociais que ainda possam existir nas suas sociedades. Constitui tam- bém um convite a cada peregrino praticar a paciência, o auto controle e a piedade” (SAIFI, 2012, p.10). 128 Existem cinco mikats, que são: 1) Zul Khuleifa – para aqueles que vêm da direção de Madina; 2) Al Jahfa –

para aqueles que vêm da direção da Síria e adjacências; 3) Karam Al Manazil – para aqueles que vêm da di- reção de Nadj; 4) Yalam Lam – para aqueles que vem da direção do Lêmem; e, 5) That Irrq – para aqueles que vêm da direção do Iraque (ISBELLE, 2003, p.229).

129 Mais uma vez as tradições judaica/islâmica ou cristã/islâmica demonstram os seus tangenciamentos nas ima- gens simbólicas em espelho (ABDALATI, 2008, p.134). Para os cristãos, segundo a bíblia, Abraão, a pedido de Deus (Javeh), foi oferecer Isaque em sacrifício. Para os muçulmanos “Deus a fim de testar o profeta Abra- ão ordenou que ele sacrificasse o seu filho Ismael que lhe era muito querido e que o havia gerado depois de uma idade avançada. O profeta Abraão quando estava se dirigindo ao local em que iria cumprir a ordem de Deus, deparou-se com o Diabo em três pontos diferentes do caminho, o tentando para que não seguisse a or- dem de Deus de sacrificar o seu filho querido. Então, a cada uma das três aparições do Diabo ele o apedreja- va com sete pedras pequenas.” (ISBELLE, 2003, p.230). Hoje os muçulmanos atiram pedras nos locais em que o Diabo teria aparecido ao profeta Abraão, a fim de rememorar simbolicamente este ato.

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parada em Arafat – consiste em permanecer neste lugar até o entardecer do dia 9 (pôr do sol). Este é o único lugar, no ato da peregrinação, onde todos os peregrinos ficam juntos; passando momentos em oração e pedindo perdão a Allah, numa espécie de antevisão do dia do Juízo Final.

No Brasil, a hajj é amplamente estimulada entre os muçulmanos através dos jornais e revistas islâmicos. E, quando ela é realizada por um revertido acaba tornando-se manchete.

No jornal “A Alvorada” há um destaque na realização da hajj pelos revertidos Leandro de Arruda e Rosângela França, onde esta última afirma:

Peregrinação o quinto pilar do Islam, fantástico para quem consegue por determina- ção de Allah Subhanahu Wa Ta’ala, chegar a cumpri-lo. Algo acontece realmente de maravilhoso na vida desta pessoa. Ser Hajj, é praticar uma essência significativa que invade o coração e deixa a alma aliviada. A valorização de ser muçulmano fortalece acredito eu, ainda mais, quando Allah Subhanahu Wa Ta’ala nos abençoa com o privilégio de se fazer a peregrinação, percebo agora que é um milagre; milhões de pessoas com várias histórias, mas com o mesmo motivo. A minha experiência auto- maticamente colocou uma felicidade em meu coração e a sensibilidade da certeza que tudo, mais tudo mesmo, só é pela vontade de Allah Subhanahu Wa Ta’ala. A pe- regrinação, passa por muitas etapas e quando o peregrino consegue chegar no nível de ver Kaaba na Arábia Saudita e sentir a energia, tomar várias vezes o quanto qui- ser água de Zamzam, então neste momento este peregrino, encontrou a paz interior, enfim o sentido da própria vida (ALVORADA, 2011b, p.8).

Depois de Makkah, Jerusalém também constitui-se como cidade sagrada para os mu- çulmanos. Ela é a terceira em grau de importância, vindo depois de Madina (a primeira capi-

tal do Islã).

A sua importância deve-se porque por Jerusalém “passaram e viveram muitos profetas e mensageiros de Allah”, além de ter sido o lugar de onde o Profeta teria sido assunto aos céus (SAIFI, 2012, p.21).