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I. Automatic Generation 27

5. Connectivity 39

5.1.4. Loops on Branched Coverings

Os deslocamentos do foco do olhar, como por exemplo, quando se realiza uma sacada a partir do texto para a figura que o acompanha, estas movimentações afetam a Memória de Trabalho Espacial? Estes deslocamentos do olhar podem ser classificados como uma tarefa espacial? Algumas das evidências da natureza espacial dos deslocamentos do olhar encontramos em pesquisas feitas sobre a busca visual. Vejamos o que descobriram estas pesquisas.

Segundo Repovs e Baddeley (2006) “a pesquisa sobre papel da memória de trabalho na busca visual tem mostrado que as tarefas de Memória de Trabalho Visual e

Espacial interagem diferentemente com a busca visual” (REPOVS; BADDELEY, 2006, p. 8). Estes autores citam três artigos que investigaram se a busca visual interage preponderantemente com a MT Visual ou com a Espacial:

1) Woodman et al. (2000); 2) Woodman e Luck (2004); 3) Oh e Kim (2004).

A questão comum à pesquisa dos três artigos acima citados era: Uma tarefa concomitante a busca visual interfere com a busca visual? Previa-se que se os recursos cognitivos que a busca visual utiliza pertencem a Memória de Trabalho, então se a MT fosse sobrecarregada por outra tarefa que utilizasse os mesmos recursos cognitivos que a busca visual, esta poderia ser prejudicada. Vejamos como os três autores acima citados por Repovs e Baddeley (2006) investigaram esta questão.

Woodman; Vogel e Luck (2001) realizaram uma experiência onde utilizaram a técnica das duplas tarefas. Em uma das tarefas o participante realizava uma busca visual e na outra tarefa o participante “tinha de manter, nenhum, 2, ou 4 objetos, na memória de Trabalho Visual” (WOODMAN; VOGEL; LUCK, 2001, p. 219). Esperavam que ao serem realizadas concomitantemente as duas tarefas, a tarefa de manter na memória certo número de objetos afetaria o desempenho na tarefa de busca visual. Contudo seus resultados não “forneceram nenhuma evidência clara de uma interação específica entre o armazenamento de memória de trabalho e o processo de busca” (WOODMAN; VOGEL; LUCK, 2001, p. 219).

Os resultados dessa experiência de Woodman; Vogel; Luck em 2001, foram por eles mesmos comentados novamente em artigo publicado em 2004:

[...] estudo recente mostrou que eficiência da busca visual não era prejudicada quando a Memória de Trabalho era preenchida até sua capacidade por uma tarefa concomitante de memorização de objetos (Woodman, Vogel, & Luck, 2001) [...] surpreendentemente pouca interferência foi observada entre a busca visual e a Memória de Trabalho Visual (WOODMAN; LUCK, 2004, p. 269).

Por que Woodman, Vogel e Luck (2001) não conseguiram detectar nenhuma interferência da tarefa de busca visual com a tarefa de manter na memória (durante a busca visual) um certo número de objetos? Porque estas duas tarefas não competem pelos mesmos recursos eis que a busca visual é uma tarefa que demanda recursos cognitivos predominantemente da MT espacial (eles ainda não sabiam disso) e a tarefa de manter certo número de objetos na memória é uma tarefa que demanda predominantemente recursos

da MT Visual. Tarefas visuais não interferem com tarefas espaciais pois não competem pelos mesmos recursos.

Para que no experimento de Woodman, Vogel e Luck (2001) houvesse interferência entre as duas tarefas seria necessário que ambas fossem espaciais. Em sua conclusão Woodman, Vogel e Luck (2001) chegam a sugerir que para que ocorra a interferência com a tarefa de busca visual seria necessária uma tarefa de memória de trabalho diferente da que utilizaram, porém não chegam a especificar que esta deveria ser espacial:

Embora a carga sobre a Memória de Trabalho neste estudo não tenha tido efeito sobre a eficiência da busca, é possível que uma tarefa de Memória de Trabalho diferente possa interferir com o processo de busca. (WOODMAN; VOGEL; LUCK, 2001, p. 224).

Três anos mais tarde Woodman e Luck (2004) tentaram novamente em um experimento perturbar a busca visual sobrecarregando a Memória de Trabalho com outra tarefa, porém desta vez foram bem-sucedidos, pois escolheram uma tarefa que ao invés de gerar carga sobre a MT Visual, gerava carga sobre a MT Espacial. Ao invés de pedirem aos participantes para memorizarem objetos, como em Woodman, Vogel e Luck (2001), pediram aos participantes para memorizarem posições. Eles verificaram que: “[...] manter um número relativamente modesto de posições espaciais interferia com a eficiência da busca visual” (WOODMAN; VOGEL; LUCK, 2001, p. 272). Ou seja, verificaram que uma tarefa que gerava carga cognitiva sobre a Memória Espacial (lembrar de posições) afetava o desempenho nas buscas visuais. Isto lhes permitiu concluir que “[...] mecanismos comuns são usados para processar a informação durante uma difícil busca visual e para manter a informação espacial na Memória de Trabalho” (WOODMAND; LUCK, 2004, p. 269).

Woodman e Luck (2004) destaca ainda que seus resultados ajudam a consolidar a hipótese de que a Memória de Trabalho Visuoespacial não é um sistema único, mas sim está fracionada em subsistemas:

[…] a observação de que manter as localizações espaciais, mas não as representações de objetos, na Memória de Trabalho prejudica a busca visual fornece um maior suporte as propostas existentes de que as informações de localização e de objeto são tratadas por subsistemas separados da Memória de Trabalho (WOODMAND; LUCK, 2004, p. 273).

Ainda em 2004, Oh e Kim publicam pesquisa onde reinvestigam os resultados de Woodman; Vogel; Luck (2001), e obtém resultados experimentais divergentes: [...] Nós verificamos que o processo de busca interferiu com uma carga sobre a Memória de Trabalho Espacial, mas não com uma carga sobre a Memória de Trabalho não espacial”

(OH; KIM, 2004). As conclusões de Kim e Oh (2004) refutam as conclusões de Woodman; Vogel; Luck (2001), mas coincidem com as de Woodman; Luck (2004). Os três artigos que acabamos de analisar (WOODMAN; VOGEL; LUCK, 2001; WOODMAN; LUCK, 2004; OH; KIM, 2004), serviram ao propósito de mostrar a natureza espacial da busca visual.

Contudo, ao contrário das situações descritas nos três artigos que acabamos de analisar, onde a tarefa de busca visual é a tarefa principal e outra tarefa espacial é a tarefa interferente (secundária), nas situações típicas de um estudo de material instrucional onde ocorre a atenção dividida, ocorre o inverso; é a busca visual (movimentação dos olhos) que é tarefa interferente de outra tarefa espacial, a tarefa de retenção das informações espaciais extraídas das fontes de informação do material instrucional.

Exemplos de experiências onde foi confirmado o efeito da movimentação dos olhos sobre a retenção de informações espaciais10 são as experiências de Poste et al., (2006), descrita na seção 3.5 e a experiência de Pearson e Saharie (2003), descrita na seção 3.6.

3.3 O efeito da movimentação do olhar sobre a retenção de informações espaciais e