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Ao analisar o comportamento das exportações brasileiras desde os anos 90, pode-se observar que no triênio 2003 a 2005 houve um aumento mais expressivo de nossas vendas externas. Convém mencionar que como pano de fundo ao aumento das exportações, o Real se valorizava frente ao dólar no mesmo período. De acordo com a teoria econômica, mantendo-se as demais variáveis constantes, uma valorização cambial tende a contrair as exportações. No entanto, essas cresceram a taxas médias superiores aos 25% a.a. no referido triênio.

Para explicar esse fenômeno, podem-se destacar alguns fatores que contribuíram para o aumento das exportações recentemente: aumento no comércio mundial, aumento no preço das commodities, consolidação e retomada de novos destinos de exportação e ganhos de produtividade oriundos da abertura comercial.

Tratando-se do comércio mundial nos anos 2003 a 2005, pode-se observar um crescimento a taxas médias de 17,1% a.a. no referido triênio, enquanto as exportações brasileiras cresceram a taxas médias de 25,1%. Com o comércio mundial em ascensão, ocorre a expansão da demanda externa e uma parcela do aumento das importações mundiais recaem sobre os bens brasileiros, assim expandindo as exportações do Brasil. Nesse sentido, parte desse boom exportador recente pode ser atribuído ao crescimento do comércio mundial.

No que concerne ao preço internacional das commodities, tem-se a partir de 2002 uma ascensão nos preços de diversas commodities brasileiras, o que, por sua vez, proporcionou aumento nas quantidades e preço das exportações brasileiras de commodities, que corresponderam cerca de 40% da pauta exportadora brasileira no referido triênio. Dessa forma, o ganho de preços nas exportações do Brasil de 2003 a 2005 foram concentrados em commodities. Esse movimento, concomitantemente ao aumento do comércio mundial, pode contribuir para o aumento das exportações brasileiras nos referidos anos.

Outro motivo que contribuiu para o boom exportador em 2003 a 2005 foi a consolidação e retomada de outros destinos. Nesse sentido, pode-se observar um aumento expressivo das exportações destinadas à China e Argentina. Tratando-se das exportações com destino a China, percebe-se que em grande parte estão relacionadas com o minério de ferro e soja. De 2003 a 2005, os valores exportados com destino a China aumentaram

171%. As exportações destinadas à Argentina se recuperaram após a crise de 2001, assim também contribuído para o aumento das exportações brasileiras, visto que os valores exportados a esse país aumentaram 323% de 2003 a 2005.

O último ponto a ser destacado, trata-se da reestruturação do parque industrial brasileiro propiciada pela abertura comercial no fim dos anos 80. O modelo de industrialização por substituição de importações deixou um parque industrial defasado se comparado com padrões internacionais. A abertura comercial na década de 90 possibilitou uma reestruturação e modernização do parque industrial brasileiro, assim ganhando produtividade, diversificação e especialidade nos setores mais intensivos em capital (com maior valor agregado), que vêm ganhando maior participação na pauta exportadora brasileira, assim também contribuindo para um aumento das exportações brasileiras.

Contudo, não se pode afirmar com precisão de como esses fatores – aumento do comércio mundial, aumento do preço das commodities, consolidação e retomada de outros destinos e ganhos de produtividade – contribuíram para o aumento expressivo das exportações brasileiras. No entanto, destaca-se que a interação desses fatores possibilitou a expansão das exportações brasileiras no triênio 2003 a 2005, mesmo com uma valorização do Real.

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