Relembrando a presente pesquisa foi realizada com jovens freqüentadores da IPDA da região leste de Goiânia, precisamente nos bairros Jardim Novo Mundo e Vila Pedroso. A aplicação dos questionários da pesquisa foi no mês de setembro de 2008, contando com a participação de 45 jovens, tanto do sexo feminino como do sexo masculino com contemplação de uma faixa etária de idade que varia entre 13 e 30 anos.
A aplicação dos questionários aconteceu em um domingo pelo fato de, neste dia da semana, o número de jovens nas duas igrejas pesquisadas, ser bem maior do que em outros dias. Isto porque este dia é destinado ao culto especifico para esse grupo social. Momento este em que eles próprios têm liberdade para direcionar as atividades. Por esse motivo, o processo de aplicação e coleta dos questionários se deu de forma eficaz por termos conseguido um número considerável de participantes, o que, provavelmente, não seria possível se tivéssemos feito a opção de entregar os questionários para serem recolhidos posteriormente visto que vários fatores poderiam representar empecilhos para o prosseguimento da pesquisa.
O contato com as igrejas onde seriam aplicados os questionários aconteceu em outros momentos em que estivemos no local fazendo observação participante. No bairro Jardim Novo Mundo primeiro local em que os questionários foram
aplicados, tivemos uma receptividade maior por parte dos pastores e liderança de jovens que inclusive incentivou os participantes à pesquisa, destacando que se tratava de uma pesquisa acadêmica a qual não divulgaria nomes.
Já na Vila Pedroso, segunda igreja onde a aplicação dos questionários se daria, apesar da boa receptividade por parte dos pesquisados, observamos certa resistência por parte dos pastores e obreiros em relação à pesquisa. Num dado momento, antes de iniciarmos a pesquisa, o pastor responsável pelo templo pediu a um obreiro e uma obreira que entregassem a todos os jovens uma publicação da IPDA, intitulada “Cuidado com o lobo”. Na publicação, o missionário David Miranda chama atenção de todos os fiéis para tomarem cuidado com as coisas do mundo, que muitas vezes são introduzidas na igreja por pessoas que não têm compromisso, que são denominadas na revista de “lobos devoradores”.
O episódio em questão, apesar de ter provocado constrangimento, revela como a IPDA se apresenta fechada em relação a pesquisadores que objetivem com seriedade entender sua estrutura organizacional. A resistência dos lideres, como a citada, confirma como as igrejas de cunho pentecostal, em sua maioria, são extremamente radicais e sequer abrem espaço para realização de pesquisas em seus templos. Evidente que a reação do pastor não condiz com a postura dos jovens que, ao contrario receberam-nos de forma tranqüila e entusiasmada. Mas não descartamos a hipótese de que, em algum momento, a intransigência pastoral tenha influenciado na resposta dos entrevistados.
Assim, a análise e aferição dos dados foram feitas de forma criteriosa na tentativa de captar, com maior precisão possível, o perfil do jovem pentecostal. O questionário aplicado foi elaborado com 44 perguntas semi-estruturadas, em três blocos, em que são propostas diversas questões para análise e escolha de alternativas que, a principio, correspondam às respostas desejadas. No bloco, perfil em que os jovens devem identificar sua cor/etnia e na opção estado civil foram acrescidos outras formas de identificação que não são oficiais, de acordo com o IBGE.
A inserção dessas formas de identificação, apesar de fugir à regra oficial, foi colocada por julgarmos importante, visto que entre os jovens são utilizados outros signos de identificação, como o termo “moreno” para referir-se a um negro e “ficar” para quem está apenas namorando sem compromisso. Além do que, grande parte dos jovens vive um dilema tipicamente brasileiro; não podem se identificar como brancos, pois não o são, não se identificam como pardos porque nem sequer sabem que cor é essa; e, ainda, não querem se identificar como pretos pela negatividade construída em torno da palavra.
No item estado civil, novamente foram utilizadas outras categorias não padronizadas. A inserção das categorias teve como finalidade captar formas de linguagem e seus significados muito comuns entre os jovens (ex: “ficar” e “namorar”). Isto na direção de identificar se, entre os jovens pesquisados, havia essas práticas e se elas apareciam em suas falas, uma vez que estaríamos usando signos lingüísticos comuns do grupo. Como dito alhures apesar dos temos
utilizados não fazerem parte das categorias analíticas de órgãos, como o IBGE, são signos lingüísticos que fazem parte do cotidiano da juventude. Sua utilização nos questionários não deve ser entendida como pretensão de se criar elementos extra-oficiais ou outras categorias de análise, mas como tentativa de captar com maior precisão a forma de expressão de um grupo que está em constante transformação e que faz uso peculiar de uma linguagem para se comunicar com seus pares.
Os dados da pesquisa que seguem trazem à tona elementos relevantes sobre a forma de pensar e expressar dos jovens freqüentadores da IPDA, de modo especial o seu perfil socioeconômico, seu cotidiano além de captar como estes manifestam sua opção religiosa.
Já as entrevistas feitas com pastores da instituição, aconteceram em momentos distintos respeitando os horários e as disponibilidades dos mesmos em nos atender. Nas entrevistas foram abordados diversos assuntos como juventude, instituição, meios de comunicação e mundo secular. Possibilitando assim um confronto entre a visão dos lideres que representam a instituição e as respostas coletadas no decorrer dos questionários aplicados aos jovens.
Esta pesquisa se junta às demais pesquisas do campo das ciências da religião fomentando discussões, questionamentos e até outras possibilidades de pesquisa.