4 Lokale kontroller og samlet armeringsbehov
4.1 Lokale effekter ved kabelforankringer
A partir do ano de 2009 a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) iniciou propostas de formação para ampliar a escolaridade de seus servidores. Inicialmente foram criadas oportunidades para os servidores que já possuíam ensino superior cursarem Especialização em Gestão Pública e no ano de 2009 iniciou-se um debate junto à sua comunidade de funcionários para a criação de turma(s) na modalidade de EJA, para os que não tinham concluído o Ensino Fundamental ou Médio na idade certa. O levantamento feito pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (ProGPe) mostrou que 10 pessoas não possuíam o primeiro ciclo do Ensino Fundamental concluído (equivalente à antiga 1ª à 4ª séries), 48 não tinham completado o 2º segmento do Ensino Fundamental (equivalente a 5ª à 8ª séries) e 22 não haviam completado o Ensino Médio, totalizando 80 servidores.
Para suprir esta demanda bastante urgente de formação do seu quadro de funcionários, a ProGPe estabeleceu parceria com o Núcleo de Extensão UFSCar- Escola, ficando este responsável por selecionar o corpo docente, ministrar e fazer o acompanhamento pedagógico das aulas, e acompanhar o desempenho dos estudantes. Isto porque este Núcleo já tinha mais de 10 anos experiência de ensino em curso pré-vestibular e também configura-se, para estudantes dos cursos de
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graduação e pós-graduação da UFSCar, como um espaço de formação de professores. O Núcleo de Extensão UFSCar-Escola compreende que mesmo o estudante que não cursa alguma das licenciaturas pode atuar como professor, ao mesmo tempo, acredita que o exercício da docência deve ser permeado de reflexões críticas sobre a atuação docente. Por isso se configura como mais um espaço na universidade para a formação de professores. Ali os estudantes que não cursam licenciatura e desejam atuar como professores encontram espaço para a sua formação, já que, para atuar no projeto é necessário que participem de atividades que contribuam para isso. Como exemplo delas temos: reuniões entre as áreas de conhecimento nas quais são discutidos os objetivos de ensino e os conteúdos a serem trabalhados ao longo do período letivo; reuniões pedagógicas dos membros envolvidos com os distintos projetos; e reuniões entre todo o corpo docente, que consiste em discutir com o conjunto dos professores e monitores a organização do cursinho (período e locais das aulas, processo seletivo de ingresso de professores e alunos, aplicação de simulados etc) e que se configura como outro momento de formação. Além do trabalho pedagógico, estes estudantes, quando têm horários livres entre as atividades de aula no projeto e acadêmicas, também compõem uma Comissão Coordenadora em que são responsáveis pela gestão dos projetos, ou seja, toda a organização de horários, controle de presença dos alunos, avaliação de evasão etc, é realizada por este grupo.
De acordo com o Projeto Pedagógico da EJA para Servidores Públicos (2011), este foi vinculado ao Programa de Extensão “Democratização do conhecimento e do acesso à educação” e compartilhava dos princípios e diretrizes orientadores do programa, tendo se desenvolvido com características similares às do Projeto de Extensão Curso Pré-vestibular, quais sejam:
(1) Destinado a Servidores Públicos da UFSCar9
(2) Desenvolvido por meio de um trabalho pedagógico em que estudantes da universidade (submetidos a processo de seleção), com orientação da coordenação pedagógica do projeto, são responsáveis pelo planejamento, desenvolvimento e avaliação do trabalho com os estudantes do curso;
, mas pessoas da comunidade interessadas em frequentar a EJA, são incluídas no projeto;
(3) O trabalho pedagógico orienta-se para a aprendizagem dos conteúdos de ensino exigidos para integralizar o Ensino Fundamental e Médio na Modalidade Educação de
9 O Curso pré-vestibular é destinado à todas as pessoas da comunidade que se enquadram em uma classificação socioeconômica específica. Os funcionários e seus familiares da universidade são enquadrados nesta classificação.
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Jovens e Adultos e para o desenvolvimento da formação social e política dos estudantes;
(4) O corpo docente do curso é constituído por estudantes de graduação e pós- graduação que assumem as funções de professor e monitor; o trabalho das disciplinas é sempre compartilhado, em seu planejamento e desenvolvimento, por um professor e um monitor;
(5) A gestão do projeto é participativa, ou seja, as decisões e a execução de tarefas sejam elas de gestão ou pedagógicas, são compartilhadas entre a coordenação e o corpo docente.
A implantação do Projeto de EJA envolveu: (i) a organização de uma ou mais turmas do Ensino Fundamental e Médio na Modalidade Educação de Jovens e Adultos oferecida no período firmado entre os servidores interessados, seus superiores e a coordenação do projeto; (ii) o desenvolvimento dos processos de ensino e aprendizagem e sua avaliação durante os semestres necessários para a certificação, com aulas de segunda a sexta-feira; (iii) a seleção de corpo docente – professores e monitores para o desenvolvimento das aulas; (iv) a organização de coordenação administrativa e pedagógica do trabalho desenvolvido. Sob coordenação geral da Profa. Dra. Ana Luiza Rocha Vieira Perdigão, estudantes da UFSCar atuaram em todas as atividades necessárias à organização administrativa, ao planejamento e coordenação administrativos e pedagógicos, ao desenvolvimento e avaliação do curso.
O contexto da EJA para os Servidores Públicos da UFSCar tinha algumas especificidades que se refletem na prática educativa realizada ao longo do projeto. A mais significativa diz respeito ao direito garantido aos servidores de serem dispensados do trabalho para poderem estudar. Ao se propor o aumento da escolaridade de seus funcionários, a dispensa do trabalho garantiu romper com uma das inúmeras barreiras que são impostas para que os adultos retornem à escola. Desta forma, a equipe da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, juntamente com profissionais do Núcleo de Extensão UFSCar-Escola, convidaram pessoalmente os funcionários que não tinham completado os Ensinos Fundamental e Médio a participarem do projeto. Neste diálogo inicial foi definido o turno de estudo mais adequado para realizar as aulas.
O Projeto Político Pedagógico da EJA voltada aos servidores também incluiu momentos e condições para que os estudantes pudessem ser ouvidos em relação aos seus interesses, limites, dificuldades, descontentamentos em relação à metodologia, avaliação e conteúdos de ensino trabalhados em sala de aula. Esses momentos, junto
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aos professores, monitores e coordenação, possibilitaram também expor quais são os interesses da equipe docente e os objetivos dos ensinos Fundamental e Médio em uma modalidade de EJA. O diálogo sobre as necessidades dos estudantes e as expectativas da equipe docente refletiu-se nas práticas educativas desenvolvidas em sala de aula. Esta perspectiva de ensino levou em consideração as experiências de vida e as escolares dos estudantes, atreladas àquilo que se esperava ensinar no Ensino Básico; tomou como um tipo de referência os objetivos dos ensinos Fundamental e Médio, tanto os estabelecidos pela equipe de docentes quanto aqueles propostos nas matrizes curriculares do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA) e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)10
De acordo com o Projeto Político Pedagógico da EJA (2011), ao considerar aquilo que já é sabido pelos estudantes e o ritmo imposto pelo próprio processo de aprendizagem de cada turma criam-se melhores condições para que os adultos permaneçam na escola. Isso porque é importante que estas pessoas sejam reconhecidas como possuidoras e produtoras de conhecimentos não apenas através das experiências de vida, mas também pela capacidade de aprender os conhecimentos escolares que são altamente valorizados pela sociedade.
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Em função do reconhecimento de que voltar para a escola exige do adulto superar uma série de medos e preocupações, além de ser necessário administrar todas as responsabilidades da vida, como o trabalho, a família e os cuidados domésticos, este projeto primou por criar uma estrutura acolhedora para os estudantes, que diz respeito ao período do dia em que as aulas são oferecidas, às condições do local de estudo e a forma como as práticas pedagógicas são desenvolvidas. O cuidado com os conhecimentos dos adultos foi elemento central das aulas de todas as disciplinas; estas, em geral, foram ministradas por um(a) professor(a) e um(a) monitor(a), para que as dificuldades que os estudantes apresentassem nas aulas fossem trabalhadas principalmente no próprio momento da aula. Porém, se houvesse necessidade, aulas extras de reforço seriam oferecidas para aqueles estudantes que apresentassem a demanda para tal; existia formação continuada para os professores e monitores, que acontecia semanalmente, na qual, a
10 Estas referências foram discutidas e sugeridas ao corpo docente, principalmente no Ensino Médio em que os estudantes tinham o desejo e interesse de realizar este exame e também quando não havia sido firmada a parceria de certificação. Contudo, nunca foi imposto aos professores que se orientassem por estas referências.
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partir da prática educativa, são discutidas e estudadas as especificidades da EJA (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA EJA, 2011).