Part I – Thesis Summary
4. Subsea Wellhead Analysis
4.3. Local response analysis
Discute-se, aqui, o momento da efetivação do planejamento na aula de leitura de textos literários pelos interlocutores da ação pedagógica: professoras-participantes e alunos. Considera-se, assim, de um lado, a atuação pedagógica das professoras-participantes na condução do processo ensino-aprendizagem, cujas experiências profissionais lhes possibilitam a mobilização de múltiplas e complexas competências “globais” e “específicas”, à medida que organizam e dirigem situações de aprendizagem, estabelecendo laços com as teorias subjacentes às atividades de ensino (PERRENOUD, 2000a). E, de outro lado, têm-se os alunos que, ao reconhecerem o papel assumido pelas professoras, seguem pistas e indicações destas na mediação do processamento da leitura, sendo-lhes
destinado importante papel de atribuição de sentido, na interlocução com as atividades propostas.
Sendo o plano da sessão de leitura fio condutor do processo ensino- aprendizagem, considera-se, ainda, como aporte, o texto literário selecionado, pelo qual professoras e alunos estabelecem o ponto de encontro e de interlocução.
4.1.1 O plano da sessão como instrumento e a sua função mediadora
Objetiva-se, nesta seção, compreender a função mediadora do plano implementado em cinco sessões desenvolvidas pelas professoras- participantes, distribuídas em três sessões, para o conto “Tampinha” e duas para “Negócio de menino com menina”.
As sessões do conto Tampinha correspondem à seguinte ordem: a primeira sessão5 (professora Karla), a terceira6 (professora Dóris) e a quinta7
sessão (professora Ângela). Com o conto “Negócio de menino com menina” trabalhou-se na segunda8 sessão (professora Karla) e na quarta 9sessão
(professora Ângela). O tempo previsto e decorrido nas sessões corresponde a duas horas/aulas de 50min cada.
Para a analisar a função mediadora do plano, partiu-se do desempenho das professoras, na qualidade de mediadoras do processo ensino-aprendizagem, nas transcrições dos dados, bem como na observação direta em sala de aula. Para efeito de análise, apresentam-se, inicialmente, as resenhas do conto; em seguida, os respectivos planos de trabalho implementados em sala de aula.
5 Sessão 1 (13º Encontro) desenvolvida aos 07/11/2002, numa turma de 5ª série (3º ciclo); 6 Sessão 3 (14º Encontro) ocorrida aos 08/11/2002 numa turma de 6ª série (3º ciclo); 7 Sessão 5 (15º Encontro) implementada numa turma de 5ª série (3º ciclo), aos 08/11/2002. 8 Sessão 2 (13º Encontro) realizada numa turma de 6ª série (3º ciclo) aos 07/11/2002. 9 Sessão 4 (15º Encontro) trabalhada numa turma de 5ª série (3º ciclo) aos 08/11/2002.
4.1.2 O conto “Tampinha”, de Ângela Lago10
Esse texto, inserido no livro “Historinhas pescadas”, faz parte da coleção “Literatura em minha casa – Volume 2”, enviada pelo MEC/FNDE para as crianças de 5ª série, por meio do programa Biblioteca da Escola, objetivando o incentivo à leitura. “Tampinha” é altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. O próprio título do livro remete a uma variedade de narrativas selecionadas e designadas de contos, cuja coletânea é apresentada por Marisa Lajolo (2001). São dez, no total, de autoria de diferentes escritores brasileiros, de épocas e regiões distintas, conforme é ressaltado na apresentação.
A seleção do conto para as sessões foi feita, inicialmente, por todos os professores-participantes, durante o segundo momento da pesquisa-ação, destinado às sessões de leitura realizadas com os próprios livros, e, depois, escolhidos pelas professoras-participantes entre os seis selecionados para o planejamento de cada sessão.
A justificativa apresentada pelos segmentos da escola para escolha desse conto, como registrado na resenha do plano dessa sessão, é que ele focaliza “a auto-estima, mostrando que é possível quebrar obstáculos” (cf. registro no Plano). Apoiando-se na Lingüística Textual, as professoras vêem nas atividades propiciadas pela leitura do referido conto diversificadas estratégias para trabalharem a oralidade e a escrita no âmbito da sala de aula, objetivando à produção de sentido.
Partindo de um conceito de leitura mais abrangente do que a mera decodificação de palavras, e sabendo-se que é a prática pedagógica adotada
10Escritora mineira que há quase vinte anos é autora e ilustradora de variadas obras literárias. Conta, ainda, com
os seguintes títulos, apenas de imagens: Outra vez (1984), Chuiquita bacana e as outras pequititas (1986), O cântico dos cânticos (1992), Cena de rua (1994). Como ilustradora, têm-se: A formiga Aurélia (de Regina Machado), Pedacinhos de poemas (de Fernando Pessoa).
que orienta o professor na escolha de determinada estratégia de trabalho, é que se postula aqui o ato de ler como atividade de atribuição de sentido, excluindo-se a possibilidade de uma atividade mecânica ou mera emissão de voz.
É, ainda, com base na relação oral/escrito, desencadeada pela mediação do professor, bem como na possibilidade de estabelecer ponte com a semântica propiciada pelo texto, que o trabalho com a literatura é entendido como experiência humana que envolve tanto a afetividade quanto o cognitivo e o social.
A estrutura narrativa do conto, logo no início, evoca no leitor a lembrança dos contos de fadas, ao ser introduzido com “Era uma vez...”. No entanto, a “economia dos meios narrativos” utilizada pela contista sugere que ele seja inserido na “evolução do modo tradicional para o modo moderno de narrar”, mediante de uma “mudança de técnica”, mas não de sua “estrutura” (GOTLIB, 1999).
Ao discutir a rapidez como um dos valores a ser considerado na literatura para esse milênio, Calvino afirma que o segredo na economia da narrativa está no fato de que “os acontecimentos, independentemente de sua duração, se tornam punctiformes, interligados por segmentos retilíneos, num desenho em zigue-zague que corresponde a um movimento ininterrupto” (CALVINO, 2000, p. 48). Ou seja, a sucessão de acontecimentos que vão sendo suprimidos ou prolongados pela contista obedece a determinado movimento e ritmo, por meio de critérios que respeitam a concisão, porém sem perder os elementos essenciais com que os contos são narrados.
Para Eco (1994, p. 15 -16), a expressão “Era uma vez...” significa que o texto está sinalizando para a escolha do seu próprio leitor-modelo, que pode ser uma criança ou alguém disposto a aceitar as regras estabelecidas no acordo ficcional. Aceitar tacitamente esse acordo pressupõe que o leitor saiba que o que está sendo narrado é uma história imaginária, o que não
significa que o escritor está mentindo; ou seja, ao entrar no jogo da ficção o leitor-modelo, definido pelo autor como “alguém que está ansioso para jogar”, finge que o narrado de fato aconteceu, até porque “o texto é uma máquina preguiçosa que espera muita colaboração da parte do leitor” (ECO, 1994, p. 34). Esse chamado à ficção através do Era uma vez retroage o leitor ao passado “com os que, em épocas idas, forjaram gozaram e sonharam com esses textos” (LLOSA, 2004, p. 381) que ainda hoje são desfrutados. Como ressaltado por Llosa, a ficção existe para enriquecer de forma imaginária a vida de todos. “De onde resulta que a irrealidade e as mentiras da literatura são também um precioso veículo para o conhecimento de verdades profundas da realidade humana” (LLOSA, 2004, p. 393). Por isso, criar realidades possíveis é o maior legado que se pode atribuir ao texto literário.
Ainda sobre a estrutura do conto, vê-se que apresenta três personagens, sendo Tampinha a principal. Com base neles a autora explora relações e conflito de valores. O conto amplia e enriquece a visão da realidade de um modo específico, peculiar, permitindo ao leitor a vivência intensa e, ao mesmo tempo, a contemplação crítica das condições e possibilidades humanas.
A protagonista Tampinha, na sua condição de transgressora, comporta tamanha teimosia que lhe permite avançar no sentido de vencer obstáculos, apesar do seu tamanho; o conto suscita a sensibilidade do leitor para a problemática central do texto, que é a resolução de problemas por parte dos personagens, o que faz com que mais uma vez se aproxime da estruturação do conto de fadas, porém se assemelhando mais com o mito dos heróis.
Dentre as várias características da heroína, Tampinha tem a da esperteza, associada a uma certa magia que, como um anjo da guarda, ajuda à protagonista a se dar sempre bem. A passagem de Tampinha pelas águas do rio “no seu barquinho de papel, com uma agulha servindo de espada, uma
colherzinha de café como remo e a pimenta dependurada no pescoço” (LAGO, 2001) determina o rito de iniciação, ou de passagem, no seu sentido pleno, marcando a busca da aventura que representa a ruptura do passado, a infância, em relação ao futuro, a maturidade da heroína.
A ludicidade do texto instaurada pelo jogo ficcional provoca o leitor, dele exigindo a sua participação à medida que, por meio de sua estrutura cumulativa e de sua função comunicativa, assume o caráter de previsibilidade, apostando no equívoco (erro) que se transforma sempre em acerto. É nesse aspecto que se justifica a importância do papel que exerce a literatura para a criança; em virtude da sua riqueza simbólica, o que torna “acessível ao leitor experiências imaginárias que sejam catalisadoras dos problemas do desenvolvimento humano e assim proporcionar autoconfiança sobre o seu próprio crescimento” (AMARILHA, 1997, p. 73).
O conto Tampinha remete à aventura do herói apresentado por Campbell (1995), que tem por base a “Jornada do herói mitológico”. Fazendo- se um paralelo entre o itinerário de Tampinha, personagem central do conto, e as características do roteiro apresentado por Campbell, a respeito do herói mitológico, percebe-se até que ponto a trajetória da protagonista no conto se constitui de fato em uma heroína. Por isso, confronta-se o conto com os passos da jornada do herói mitológico e a sua identificação com o percurso na história de Tampinha, buscando-se, assim, um fio condutor em comum.
Durante o contato inicial do leitor com o texto, que corresponde à apresentação do conto, alguns passos constituem o caminhar do herói. Entre eles, o conhecimento por parte do leitor do seu mundo comum, para contrastar com o mundo especial que a heroína adentrará. Tampinha é apresentada pelo narrador como uma menina como qualquer outra de sua idade, que morava com sua avó, à margem de um rio.
A “aventura do herói”, como descrita por Campbell (1995) e adotada nesse trabalho, compõe-se de três estágios. O primeiro estágio, “A partida”,
está subdividido em cinco momentos distintos, destacando-se, aqui, três que foram vividos por Tampinha: “o chamado da aventura; o auxílio sobrenatural e a passagem pelo primeiro limiar” (p. 59, 74 e 82).
No segundo estágio, o da “iniciação”, no conto Tampinha destacam- se os seguintes momentos: “o caminho de provas, a apoteose e a benção última”. No terceiro estágio, o “retorno”, ressalta-se “a fuga mágica, o resgate com auxílio externo, a passagem pelo limiar do retorno, senhor de dois mundos e liberdade para viver”.
No “chamado à aventura” – etapa inicial da “Partida” de Tampinha – sobressai o seu tamanho como maior obstáculo que poderia impedi-la de empreender suas aventuras, na busca de uma flor para fazer um chá e salvar o moço Bonito. Porém, o seu tamanho que parecia ser um erro, conforme analisa Campbell (1995, p. 60),
o erro pode equivaler ao ato inicial de um destino [...] um erro – aparentemente um mero acaso – revela um mundo insuspeito, e o indivíduo entra numa relação com forças que não são plenamente compreendidas.
O erro representa, assim, um dos modos pelos quais a aventura do herói pode começar. Conforme Campbell (1995), o herói pode recusar o
chamado; no entanto, somente para aquele que não recusa, como ocorrido no
conto de Ângela Lago, que, sem relutar no seu empreendimento, Tampinha recebe o “auxílio sobrenatural”, por intermédio de sua avó, “uma figura protetora (que, com freqüência, é uma anciã ou um ancião) que fornece ao aventureiro os amuletos que o protejam” (CAMPBELL, 1995, p. 60). A avó de Tampinha, mentora do plano, assumiu a função, no enredo, de preparar a heroína para enfrentar o desconhecido, amarrando uma pimenta-malagueta em seu pescoço e lhe ensinando palavras mágicas.
A “passagem pelo primeiro limiar” se constitui um dos passos da partida do herói: é quando a aventura realmente tem início. A partir desse ponto, o herói não tem mais como voltar atrás. No conto Tampinha, esse momento é marcado por seu encontro com a cobra grande. Mesmo se opondo ao tamanho da menina, e esta, por sua vez, esquecendo as palavras mágicas, limitando-as a um fiapinho de voz, obriga a cobra a se curvar para escutá-la, fazendo com que um forte cheiro de pimenta provoque coceira no nariz da cobra grande, que dá espirros e leva a heroína pelos ares, para o segundo ato: o conflito, nomeado por Campbell (1995), como a iniciação.
No estágio da “iniciação”, visto como o momento do conflito na história, tem-se o primeiro deles: “o caminho de provas”, que representa os testes, aliados e inimigos que o herói passa a enfrentar, qualificando-o, assim, como digno de vencer. O desafio enfrentado por Tampinha, nesse aspecto, diz respeito a sua entrada na praia da onça pintada, apresentada pelo narrador como um perigo visível para a protagonista. No entanto, atingida pela coceira no nariz, provocada pelo cheiro da pimenta, a onça agiu como sua aliada, ao espirrar, levando Tampinha pelos ares, aproximando, assim, a heroína do próximo passo do conflito, que é a chegada ao covil do inimigo. Ou seja, um lugar perigoso onde está o objeto da sua busca; considerado como o lugar mais ameaçador em que enfrentará a morte ou o perigo supremo; é nesse ponto que ocorre o embate do herói com o antagonista.
A “apoteose”, vista por Campbell como a própria divinização do herói, corresponde, na história, ao encontro de Tampinha com a árvore do Curupira, na qual encontrará a “flor preta” objeto de sua busca. O problema é que, devido ao seu tamanho, “Tampinha não dava conta de subir nem no primeiro galho” (LAGO, 2001). É nesse ínterim que a história desemboca em seu momento crítico: a “benção última” na qual ocorre a transformação da heroína.
No conto Tampinha, essa suprema benção ocorre em três estágios: no primeiro, a árvore joga um fruto, Tampinha come apenas um pouco, por considerá-lo muito doce, o que faz com que cresçam apenas os seus braços; no segundo estágio, a árvore solta o segundo fruto. Tampinha apenas o morde e despreza-o por considerá-lo muito amargo, de modo que somente suas pernas cresceram. No terceiro e último estágio, a árvore joga mais um fruto e Tampinha come-o todo, transformando-se, assim, em moça feita, possibilitando-lhe apanhar a flor.
O embate com o antagonista (Curupira) ocorre na história de Tampinha a partir do momento em que ela apanhava a flor e o Curupira aparece. Esse aspecto demonstra o livre acesso de Tampinha ao mundo mágico dos deuses, já que, nas lendas folclóricas brasileiras, o Curupira é um Deus que protege as florestas.
O momento final do conflito ou da recompensa é aqui entendido como o estágio em que a heroína tem motivos para celebrar pelo fato de ter conseguido a flor. Resta, portanto, o “retorno” – terceiro estágio da história – ou seja, a resolução.
O retorno de Tampinha, marcado por sua “fuga mágica”, demarca, no caso da protagonista, a facilidade do caminho de volta, uma vez que, ao tentar recitar as palavras mágicas ensinadas por sua avó, o Curupira se curvou para ouvi-la melhor; com isso aconteceu o “maior espirro que já houve no mundo” (LAGO, 2001), provocando o grande vôo de Tampinha.
Tal fato vem marcar, assim, o seu retorno com o elixir, aqui entendido como a porção mágica, traduzido no conto pela flor preta, considerada o objetivo maior da luta da heroína para salvar o moço Bonito. No conto, ocorre, com isso, um dos momentos do terceiro estágio, que é o “resgate com o auxílio externo”, uma vez que, através do espirro do Curupira, “a nossa moça, mesmo grande como estava, voou pelos ares, acima das árvores, sobre o rio [...]” (LAGO, 2001, p. 30).
Conforme Campbell (1995, p. 206), “o herói pode ser resgatado de sua aventura sobrenatural por meio da assistência externa”; no caso de Tampinha, o resgate foi impulsionado pelo próprio antagonista, favorecendo, enfim, sua “passagem pelo limiar do retorno”.
Completando sua jornada com o triunfo obtido no seu percurso, o herói retorna ao mundo comum alcançando a glória de “senhor de dois mundos”, que, nas palavras de Campbell (1995, p. 225), representa “a liberdade de ir e vir pela linha que divide os mundos, de passar da perspectiva de aparição no tempo para a perspectiva do profundo causal e vice-versa” [...]. Em outras palavras, o herói é “o homem ou a mulher que conseguiu vencer suas limitações históricas, pessoais e locais e alcançou formas normalmente válidas, humanas” (CAMPBELL, 1995, p. 28).
Toda essa trajetória confere ao herói a “liberdade para viver”, considerado como o último momento do seu retorno, assim como ocorrido com Tampinha, que “aterrissou direto na casa do moço Bonito. O chá foi feito imediatamente. Bem, o final vocês já sabem, a avó ficou feliz de ver a neta grande, Bonito sarou e... – Vocês têm alguma coisa contra casamento?” (LAGO, 2001). Cumpre-se, portanto, a circularidade do itinerário da heroína Tampinha, cuja “partida, iniciação e retorno”, consoante Campbell, sintetiza estágios integrantes e inseparáveis de sua aventura, constituindo-se padrões próprios da trajetória de um herói que é o valor atribuído à coletividade.
De acordo com Brandão (2001, p. 15), a etimologia do termo herói provém do latim e significa o “guardião, o defensor, o que nasceu para servir”, permitindo-se, assim, definir a sua jornada mitológica:
Separando-se dos seus e, após longos ritos iniciáticos, o herói inicia suas aventuras, a partir de proezas comuns num mundo de todos os dias, até chegar a uma região de prodígios sobrenaturais, onde se defronta com forças fabulosas e acaba
por conseguir um triunfo decisivo. Ao regressar de suas misteriosas façanhas, ao completar sua aventura circular, o herói acumulou energias suficientes para ajudar e outorgar dádivas inesquecíveis a seus irmãos (BRANDÃO, 2001, p. 23).
Com essa assertiva, resume-se, aqui, uma trajetória também comum à heroína do conto, pois como assinala Brandão no enunciado destacado, são justamente as qualidades de “honorabilidade pessoal” e “excelência” inerentes à sua condição e natureza de herói que trazem à tona essa superioridade de Tampinha em relação aos outros mortais e à predispõe a gestos gloriosos. 4.1.3 Planejando o encontro dos alunos com “Tampinha”
O plano das sessões de leitura desse conto foi implementado em três turmas, sendo duas de 5ª série e uma de 6ª séries (3º ciclo). Este plano foi mediado por três diferentes professoras-participantes: Karla, Dóris e Ângela, respectivamente.
A organização do plano segue a orientação de leitura por “andaimagem”, que pressupõe “provimento ou assistência” e é entendido na escola como ações pedagógicas mediadas pelo professor, que possibilitam a aprendizagem de tarefas complexas (COSTA, 2000, p. 30). O plano dessa sessão está estruturado com base nesses três momentos distintos: pré- leitura, leitura e pós-leitura, mas interligados entre si.
Para a análise dessa seção, retomam-se os objetivos pretendidos durante o processo de planejamento das atividades, registrados no plano da sessão, no qual identificam-se três aspectos a serem considerados na atuação da professora-participante: o trabalho com as especificidades do conto literário; a apreciação do gênero conto e a especificidade do professor como referência de leitor. Para os aprendizes, considera-se a prática de
reconto oral e escrito, como referendado no objetivo específico do plano. Para efeito desta pesquisa, adota-se a definição de reconto como uma
[...] produção textual, oral ou escrita, na qual o sujeito (re) constrói o sentido de uma história recém-narrada, retomando tanto o seu conteúdo como o modo de organização das informações, fazendo uso de funções como a memória, o pensamento e a linguagem [...] (FREITAS, 2002, p. 45).
No contexto desta investigação, o reconto é mediado pelas professoras-participantes. Para o momento que precede à leitura (pré-leitura) elegeram-se, no plano, os seguintes procedimentos: a) motivação dos alunos para a discussão do gênero conto; b) apresentação das características principais do conto, inclusive diferenciando-o de outros gêneros; c) breve discussão sobre o livro, autor e título; e d) levantamento de previsões acerca do conto, com base no título.
Ficou acertado, no momento da elaboração do plano, que, antes da leitura, os livros deveriam ser entregues aos alunos e que a leitura deveria ser feita preferencialmente pelo professor, não impedindo que fosse feita uma segunda leitura pelos alunos, dependendo, assim, do interesse e do envolvimento da turma com a atividade.
A pós-leitura, momento privilegiado para professores e alunos “avaliarem a compreensão” de um texto (GRAVES e GRAVES, 1995), contemplava no plano as seguintes discussões: a) confirmação ou não de previsões; b) discussão sobre a parte considerada mais interessante pelos alunos; c) opinião dos aprendizes acerca da história, incluindo uma discussão se a história já era do conhecimento dos mesmos; d) avaliação dos alunos em relação à solução encontrada pela avó de Tampinha; e) relação entre o texto
a vida dos aprendizes; f) discussão acerca do foco central do texto; e g) identificação de quem já passou por algo semelhante e como resolveu.
Na pós-leitura, o plano sugere, ainda, uma atividade de produção oral e escrita que se concretizaria mediante o reconto oral por um aluno e o reconto escrito coletivo, coordenado pela professora ou em duplas, pelos