O personagem Bradley Collins nos é apresentado nas primeiras cenas do filme. Uma tomada em close da mão de Brad escrevendo no bilhete de check-in Bradley Collins + wife, sendo corrigido por Nan, que risca wife e escreve Mr & Mrs à frente de Bradley Collins, que nos situa no hotel onde o casal passará sua lua de mel, já nos denuncia certa frieza e falta de intimidade de Brad com os costumes familiares. Muito rapidamente Brad deixa claro que é muito tarde para que Nan tente mudá-lo. Brad também não se mostra disposto a conversar sobre o passado. Apesar de certa insistência de Nan para que os dois se conheçam melhor, Brad a interrompe com um beijo após dizer que ela fala demais. Essa resistência de Brad em conhecer sua esposa e deixar-se conhecer por ela será rapidamente esclarecida ao sermos informados de que Brad é um comunista. Porém, não deixa de dificultar a criação de certa empatia pelo o casal.
Na cena seguinte, em que Brad e Nan encontram Christine Norman ainda no bar do hotel, surge os primeiros indícios de que Brad havia sido um comunista. Christine Norman pede sua bebida, Ward 864, três dedos de bourbon e cerveja. Quando indagada por Nan
62 Cf. BRENNAN, Mary C. – op. cit. p. 24. 63 Ibdi. p. 25.
64 A relação feita pelo filme entre a bebida e os comunistas não parece algo despretensioso. Possivelmente a
descrição posterior feita por de Christine sobre ser a bebida da classe pobre de New Jersey é suficiente para a ligação e caracterização desejada, mas o nome Ward 8 abarca um conteúdo histórico que o carrega de
sobre a bebida escolhida, Christine diz ser a bebida da classe pobre de New Jersey e que crê ter sido inventada por Brad nos “bons tempos”. A menção à bebida aparecerá em outras duas cenas do filme. Marca a visita de Brad a Christine, que ansiosa lhe servirá o drink65 e apresenta o espanto de Nan quando seu irmão, Don, pede a bebida na ocasião em que lhe apresenta Christine como sua nova namorada66, onde a bebida surge como indício de que Christine está seduzindo Don para a causa comunista. Curiosamente, Nan reage com espanto na cena em que seu irmão pede a bebida, mas não demonstra preocupação quando recebe a informação de que seu marido a havia inventado, o que possivelmente tem ligação com a apresentação de um processo de amadurecimento político de Nan ao longo da narrativa.
Apesar de serem apresentados os primeiros indícios de que Brad havia sido um comunista, ainda há uma busca de reafirmá-lo como um homem maduro, de convicções firmes e disposto a deixar seu passado para trás. Na cena já citada, em que o casal encontra Christine Norman, as tomadas de câmera e figurino, com tomadas do casal, sempre juntos, de roupas claras em ângulo oposto à loira vestida de preto, sugerem a oposição entre o par amoroso e a mulher representante dos comunistas (figura 13). Essa oposição parece estabelecer o lado de Brad, que no decorrer das próximas cenas se mostrará ainda muito leal à empresa Cornwall, com sua disposição em trabalhar pela resolução de conflitos entre os trabalhadores e a presidência da companhia de navegação, ao lado do representante do sindicato dos trabalhadores, Jim, antigo pretendente de Nan. Até que um membro do Partido Comunista, Vanning, aparentemente líder do partido em São Francisco, o procura e lhe traz de volta o passado.
significados. O Ward 8 hoje é um drink conhecido com diferentes composições. Mas seu nome está ligado ao bairro West End em Boston, que, nas primeiras décadas do século XX, se constituía como um bairro operário, formado principalmente por imigrantes irlandeses e judeus, alguns italianos, além de afrodescendentes. Ward 8 era o distrito eleitoral que tinha como “chefe” político Martin Lomasney e a bebida teria sido inventada em sua homenagem. Nos primeiros anos da década de 1900, se iniciou a discussão sobre as reformas progressistas na organização política de Boston. As reformas propunham, entre outras coisas, o fim das organizações partidárias locais, que propiciavam que chefes políticos como Lomasney mantivessem seu poder baseado muitas vezes em trocas de favores pessoais. A historiografia sobre as discussões da reforma é muito polarizada. Lomasney é até hoje referenciado como figura importante de West End, e defendido por alguns como um dos poucos homens honestos dentro da política de Boston. Porém, o Ward 8 ao ser opositor à reforma, alegando que ela diminuiria a representatividade dos trabalhadores imigrantes, teve sua imagem ligada à tentativa de manter uma política clientelista e corrupta na cidade de Boston. Sobre o assunto ver: CONNOLLY, James J. - The triumph of ethnic Progressivism: urban political culture in Boston, 1900–1925. Harvard University Press, 1998; MINICHIELLO, Susan - The life, legend and lessons of Martin
Lomasney: Ward boss, West End icon. The West End Museum, 2012; TEBBETTS, Charlie - Charter
Changes in Boston from 1885-1949. Historical Journal Massachusetts. Volume 32, N. 1 (Winter 2004).
65 The woman on Pier 13, 13m 46s – 16m 27s 66 Ibid., 2m 12s.
Figura 13: Print Screen de The Woman on Pier 13, 4m 32s
Em um primeiro momento Vanning nos apresenta o porquê de Brad, que tinha como nome em sua juventude Frank Johnson, se tornar um comunista:
“Vanning: - O típico jovem da geração perdida dos 30, anos da depressão. Ele
deixou os estudos, era ambicioso, inteligente, começou a buscar por trabalho, infelizmente não havia.
Brad: - Porque me conta isso?
Vanning: - Estou chegando nisso, Sr. Collins. Amargurado e violento por
natureza, Frank Johnson se uniu aos jovens comunistas e eventualmente se tornou membro do partido. Carteirinha do partido: Frank J.. Atividades de agitação e propaganda, greves em New Jersey, destacou-se em ações de confronto.” 67
Os anos da depressão realmente foram de visível crescimento do Partido Comunista nos Estados Unidos. Mesmo que os dados sobre o crescimento do número de membros sejam imprecisos, o candidato pelo partido à presidência nas eleições de 1932, William Z. Foster, que tinha como vice, James W. Ford, negro e antigo operário, ganhou 103.307 votos, enquanto que em 1928 o mesmo candidato havia recebido apenas 48.551. Em termos percentuais, quando comparado aos outros candidatos parece irrisório, mas a porcentagem de votos recebidos pelo partido mais que dobrou em quatro anos. Em 1938, o partido tinha
78 mil membros,68 e exercia bastante influência em vários sindicatos e movimentos sociais e, especialmente no periodo da Frente Popular no fim dos anos 1930, atraía muitos artistas, escritores e intelectuais. Alias, o partido comunista representava uma parte de uma longa tradição de radicalismo político nos Estados Unidos desde o fim do século XIX.69 Porém, teóricos do início da Guerra Fria passaram a interpretar o crescimento do partido baseados em problemas ligados à insatisfação pessoal e a um mal estar psíquico em detrimento dos problemas sociais e econômicos. Arthur Schlesinger Jr., historiador da Universidade de Harvard, ativista do Partido Democrata e, durante a II Guerra Mundial, oficial do Escritório de Serviços Estratégicos e do Escritório de Informações de Guerra, defendia em sua teoria, em 1949, que:
...o “reinado de insegurança” e “medo do isolamento” que a modernidade trouxe teve o efeito de incentivar “o homem ansioso” a buscar segurança no conforto de visões utópicas e na promessa de ordem e certeza que o totalitarismo oferece; isso o faz abraçar o totalitarismo numa “fuga frenética da dúvida”, em um “voo de ansiedade.”70
A visão acima parece explicitar a razão pela qual, segundo o filme, Frank Johnson (Brad) se tornou um comunista. A partir disso, podemos considerar que o jovem Frank Johnson, por sua insegurança, ansiedade e revolta, foi quem condenou o maduro Brad, que pagará pela imaturidade de sua juventude até seus últimos dias.
O personagem de Brad, dessa forma, poderia ser visto como vítima dos comunistas e de seu próprio passado. Do ponto de vista temático, essa composição de Brad, nos remete inevitavelmente à composição dos personagens dos filmes de influência noir.
Para o protagonista, aprisionado no centro deste mundo instável e moralmente ambíguo, fica reservado o papel ambivalente de herói-vítima, o que compele a que se atribua ao noir uma visão do mundo eminentemente existencial: o protagonista está amiúde enclausurado entre o desejo de sua liberdade pessoal e o carácter inexorável do destino, preso numa armadilha claustrofóbica de pesadelo, solidão e alienação, ou envolvido numa dolorosa confrontação com seu passado. Perante o antagonismo destas forças, o film noir é frequentemente uma
68 Soviet and American Communist Parties. In: Revelations from the Russian Archives, Library of Congress,
January 4, 1996.
69 A literatura sobre o Partido Comunista dos Estados Unidos é vasta. Para uma introdução, ver PALMER,
Bryan D. Rethinking the historiography of United States Communism. American Communist History. V.2, n.3 (2003), pp.139-173; BUHLE, Paul. Marxism in the United States: a History of the American Left. New York: Verso, 2013; KELLEY, Robin. Hammer and Hoe: Alabama Communists During the Great Depression. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1991;
70 CUORDILEONE, K. A. - Manhood and American political culture in the cold war. New York: Routledge.
arena que a inevitabilidade de um destino negro no qual a morte violenta é inevitável.71
Mas a condição de herói-vítima de Brad acaba por ser bastante desgastada na composição da narrativa.
Ao ser ameaçado por Vanning, que tem provas sobre um homicídio que teria cometido durante uma agitação do partido, Brad passará a cumprir suas ordens, dificultando as negociações entre o sindicato dos trabalhadores e os associados da companhia de navegação. Brad ainda se omite sobre quem seria realmente Christine Norman e deixa que Don se envolva com ela. O segredo acerca do passado de Brad leva à morte de Don. Depois disso, Brad busca reiterar a mentira criada pelos comunistas de que a morte de Don foi um acidente. E Nan se coloca nas mãos dos comunistas ao buscar descobrir sozinha o que realmente houve com seu irmão. Mesmo que o sofrimento e angústia de Brad sejam revelados em algumas tomadas de sua expressão, essa série de acontecimentos ao longo do filme, mesclada às mentiras e as grosserias de Brad a cada investida de Nan e Jim pela verdade, acaba desgastando sua condição de vítima e conferindo-lhe certa tacha de traidor, normalmente dada aos comunistas.
Dentro do contexto macarthista a caracterização de Brad leva-nos a perceber que o filme busca fortalecer a natureza violenta dos comunistas, assim como, representa-os intimamente ligados ao crime. Como coloca Ellen Schrecker, a aura de criminalidade que rondava a realidade do tratamento aos comunistas, a partir da criação de todo um aparato repressivo em torno deles, ajudou a transformá-los em bandidos.72 Brad como comunista tornou-se naturalmente um assassino. Essa visão do comunista como um verdadeiro bandido, que levou a um isolamento social de suspeitos, causou ainda, segundo Vitor Navasky, uma internalização da culpa por antigos simpatizantes do comunismo, que passaram a sentir-se como criminosos, mesmo que não tivessem cometido crime algum.73 Desse modo, Brad, por mais que se arrependa, carregará sempre o peso de sua traição.
Seu heroísmo só aparece nas últimas cenas do filme. Quando ele expressa a dureza e virilidade masculina, tão presentes nos discursos políticos da época. K. A. Cuordileone destaca a intensidade da polarização criada entre hard e soft nas discussões sobre a postura
71 FONTES, Bruno - Num mundo sempre noir : um estudo do film noir moderno, seguido de uma análise de
Chinatown, de Roman Polanski. Coimbra : [s.n.], 2011. p.02.
72 Cf. SCHRECKER, Ellen – 1998. op. cit. p. 120. 73 Cf. NAVASKY, Victor - 1980. pp. 351-352.
dos homens em assuntos políticos.74 Essa oposição teria permeado as disputas políticas da época. Nas eleições de 1952, grande parte dos ataques feitos pela campanha de Dwight Eisenhower ao opositor Adlai Stevenson, teriam se baseado nessa forte oposição. Nixon teria se utilizado da caracterização de Stevenson como um joguete Comunista irremediavelmente soft.75 A atualidade da discussão política trazida pelo filme, retira a
narrativa do campo do existencialismo e traz as ações do personagem ao patamar de interesse nacional. Por mais que se possa dizer que Brad, como protagonista noir, esteja sobre o domínio da força obscura do comunismo, esperava-se dele a virilidade, força e coragem tão caras à figura masculina desse momento histórico. Assim, o heroísmo de Brad está em sua composição final. Quando o homem forte que faz o necessário para defender sua família, acaba, a partir dessa postura, por contribuir com uma luta nacional. Sua morte, tema de discussão durante as reelaborações do roteiro, é sua redenção. Mas reforça também os riscos da imaturidade e fraqueza dos jovens frente ao perigo representado pelos comunistas, trazendo a certeza do destino trágico daqueles que se deixam enganar por seus ideais.
Don, irmão de Nan, também nos é apresentado no início do filme. Já em suas primeiras cenas podemos identificar as principais características que guiarão o desenrolar da história do personagem. Don, ao atender um telefonema de Christine, já se apresenta como “o lindo irmão da noiva”.76 A partir disso, Christine, que pelas informações
recebidas anteriormente sobre ele o identificou como “altamente impressionável”, passa a flertar com Don para conseguir mais informações. Na cena seguinte, Nan diz que Brad fez com que Don amadurecesse mais em duas semanas do que ela em toda sua vida.77 Nas discussões acerca da masculinidade e do fortalecimento da família nuclear no imediato pós-Guerra, Mary Brennan destaca que se colocava o problema de uma sociedade que, com certo destaque à responsabilidade das mulheres, estava criando meninos fracos fisicamente e mentalmente. Para os anticomunistas isto se constituía como um perigo real, uma vez que consideravam que tais homens poderiam facilmente sucumbir à tentação do
74 Cf. CUORDILEONE, K. A. – “Politics in an Age of Anxiety": Cold War Political Culture and the Crisis in
American Masculinity, 1949-1960. The Journal of American History, Vol. 87, No. 2. (Sep., 2000), pp. 515- 545.
75 Ibid. p. 540.
76 The Woman on Pier 13, 05m 55s. 77 Ibid., 07m 41s.
comunismo.78 Com isso, podemos perceber certa responsabilização de Nan que acabou por contribuir para criação de um homem fraco e imaturo em tempos tão perigosos.
Em sua próxima aparição, Don vai ao encontro de Brad e Nan, no aniversário de um mês de casamento do casal, para apresentar-lhes sua nova namorada, Christine. Brad e Nan não gostam de saber quem é a namorada de Don e demonstram certo espanto quando Don pede sua bebida, o Ward 8. Don não se mostra aberto a discutir com Nan sobre seu relacionamento. E Christine provoca Brad dizendo que Don a faz lembrar Frank Johnson, referindo-se à juventude de Brad, o que pode ser interpretado como a colocação da possibilidade de levar Don ao comunismo. A sedução de Don por Christine continua nas próximas cenas, e a relação sexual também fica subentendida. Em uma festa no apartamento de Christine, Don conhecerá seus amigos. Quando Christine o deixa em companhia de alguns amigos, para atender a uma ordem de Vanning, se passa uma discussão sobre a possível greve dos trabalhadores do porto. Após a discussão, dois comunistas comentam entre si que Don é “o típico seguidor”, “ideologicamente imaturo, mas muito receptivo”.79 Confirmando a ligação feita entre imaturidade e predisposição em
sucumbir ao comunismo.
Nas sequências seguintes, em rápidas tomadas, nos é apresentada a ruína das negociações entre os trabalhadores e os associados da companhia de navegação. Temos entre as cenas Brad agindo para travar as negociações, mas apresentando-se angustiado por isso, Jim buscando apaziguar a situação para que as negociações possam seguir e os comunistas com seus sádicos sorrisos diante do acirramento dos ânimos. Don aparecerá como um agitador no sindicato sob o olhar orgulhoso de Christine e o olhar assustado de Jim.80 Quando as negociações são interrompidas Jim procura Brad em sua casa para tentar esclarecer as coisas. Nesse momento, Nan, que havia acabado de receber a ligação de Don avisando-a sobre seu possível casamento com Christine, conta a Jim sobre sua preocupação com a notícia. Jim então lhe diz que Don tem expressado ideias comunistas nas reuniões do sindicato, possivelmente sobre influência de Christine, que ele diz acreditar ser comunista.81 Sabendo do envolvimento de Don com Christine, Jim vai procurá-lo no porto para uma conversa. Don durante a conversa demonstra um total desconhecimento do risco que os comunistas representam. Jim o alerta para o risco de o sindicato ser tomado pelos
78 Cf. BRENNAN, Mary C. – op. cit. pp. 116-117. 79 The Woman on Pier 13, 33m 13s.
80 Ibid., 37m 18s – 39m 21s.
comunistas, Don destaca o fato de haverem poucos comunistas no sindicato, acreditando que eles não representam perigo. Jim então o alerta de que podem fazer muito, pois sabem como fazê-lo.
Basta selecionar alguns, mas todos agentes do partido, treinados para recrutar seguidores, seguidores que são usados sem perceber. Liberais, classes desfavorecidas, desempregados e garotos doentes de amor como você. Você não expressa suas ideias, mas as ideias daquela mulher. Te diz em que acreditar e te faz acreditar. Usa você como usou todos os outros antes de você.82
Don tenta, então, bater em Jim que se defende e o sugere que pergunte a Christine se ela é uma comunista. Essa discussão entre Jim e Don, coloca uma clara demonstração da incapacidade de um homem seduzido de interpretar suas ações e ideias como fruto do processo de “doutrinação” que vinha sofrendo. O comunismo é assim colocado como algo que se alastra e toma a mente mesmo daqueles que a princípio seriam contra ele. Em vista disso, se a consciência do perigo que ele representa não for total, qualquer um pode acabar por contribuir para o crescimento do comunismo. Essa representação do comunismo como algo que toma as pessoas sem que elas percebam também ficou muito marcada no filme
Vampiros de Almas83 de 1956. No filme, as pessoas ao dormir eram trocadas por seres que cresciam a partir de uma espécie de casulo. Eram idênticos fisicamente, mas sem o “brilho nos olhos”, “a emoção”, “o sentimento”.84
Parece importante destacar uma das falas de Jim na discussão com Don. Quando Don ironiza a preocupação de Jim com os comunistas no sindicado, Jim diz que se pessoas como Don não acordarem os comunistas encontrarão uma maneira de se apoderar do sindicato e se utilizar dele. Nesse sentido cabe destacar que, segundo Mary Brennan, os anticomunistas ressaltavam a necessidade de programas educacionais contra o comunismo, pois, segundo eles, os estadunidenses simplesmente não conseguiam entender a situação. Diante disso, teriam gasto muito tempo e esforço tentando acabar com a apatia das pessoas frente ao perigo comunista. Houve inclusive certa frustração com o que chamavam de uma ignorância das pessoas sobre os perigos do comunismo.85 Em 1958, em seu livro best- seller Masters of Deceit, J. Edgar Hoover chegou a encorajar os estadunidenses a serem
82 Fala de Jim - Ibid., 47m 14s.
83Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers). Direção: Don Siegel. Roteiro: Daniel Mainwaring.
EUA. Produção: Walter Mirisch, 1956. 80 min. p&b.
84 No filme, uma garota, ao explicar por que acredita que o homem que vive em sua casa não é seu tio de
verdade, diz que, apesar de idêntico fisicamente, ele não tem o brilho especial que seu tio tinha nos olhos. Alegando, que, apesar de o homem se lembrar de tudo, não há emoção, apenas a intensão dela, tudo está igual, menos o sentimento. Vampiros de Almas, 11m 13s – 11m 55s.
vigilantes na busca de comunistas na vida cotidiana. Destacava que os comunistas estavam em todos os lugares, eram difíceis de identificar e por isso poderiam operar livremente em qualquer lugar, inclusive nas salas de aula incutindo sutilmente em seus alunos a doutrina comunista.86
Apesar de Don não ter recebido muito bem o alerta feito por Jim, ele acaba por questionar Christine, que lhe confessa ser uma comunista e que havia a princípio se envolvido com ele em nome do partido, mas que acabou se apaixonando. Em busca de ser aceita por Don, Christine revela que Brad também faz parte do partido. Nesse momento Vanning chega e diz a Don que ele deve ficar calado sobre Brad. Don lhe dá um murro na cara e sai. Vanning então encomenda a morte de Don, que é propositalmente atropelado