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 Qual a importância das Tecnologias de Informação e Comunicação na sociedade contemporânea e como estas tem se configurado no cenário atual das práticas educativas no âmbito nacional e internacional?

 De que forma podemos romper com as antigas e cristalizadas formas de ensinar e aprender de maneira a reconstruir os processos de ensinagem em consonância com as DCN e com os preceitos da cidadania?

 Como levar os estudantes a desenvolver competências essenciais (gerais, específicas e digitais) de forma a prepará-los para a vida real e para o mundo do trabalho nos dias atuais?

 Como o processo educativo pode ser repensado e (re)inventado a partir de abordagens que contemplem a inserção de novas tecnologias educacionais?

 Que competências os estudantes precisam desenvolver a fim de se tornarem profissionais e cidadãos engajados, eficientes, produtivos e acima de tudo éticos e humanos no século XXI?

 Como colocar a informação a serviço do desenvolvimento, da solidariedade, alteridade e equidade entre os indivíduos, considerando os princípios da cidadania?

4 JUSTIFICATIVA

O estudo insere-se na linha de pesquisa: “Saúde e nutrição de indivíduos e populações” do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Nutrição (PPGCN) da Universidade Federal de Viçosa, e tem como eixo temático: Saúde Pública/ Políticas de Saúde/Ensino na Saúde; integrante do grupo de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) “Saúde coletiva e ensino na saúde”. É parte do projeto financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Edital Pró-Ensino Saúde 2034/2010, “Programa de inovação em docência universitária dos cursos da área da saúde da Universidade Federal de Viçosa (PRODUS): uma proposta de

(trans)formação no processo de ensino e aprendizagem”, e pela FAPEMIG - Processo N°: APQ-00197-09. O PRODUS é vinculado à Pró-Reitoria de Ensino (PRE) da UFV e tem como objetivo central desenvolver e implementar estratégias de formação e inovação pedagógica junto aos docentes da UFV.

O desenvolvimento do projeto vem possibilitar a análise e o registro de informações acerca da criação de TEE em articulação com as TIC no contexto do ensino no âmbito universitário, tendo em vista a existência de poucos estudos que objetivam retratar e qualificar essa temática sob a ótica abordada na atualidade.

Nesta perspectiva destaca-se o objeto desta proposta de trabalho, que centrou-se num desenho educacional inovador e arrojado no âmbito do ensino universitário, ao propor o “encontro” de estudantes distantes geograficamente, situados em distintos campi da UFV, objetivando contribuir para o rompimento de barreiras físicas, para o exercício do trabalho em equipe e para a troca de saberes transdisciplinares, possibilitado pela utilização de TEE e de metodologias ativas de ensinagem tanto em momentos presenciais como em AVA.

De forma complementar, a proposta de planejar e oferecer uma disciplina na modalidade semipresencial que tratou de temáticas transversais a estudantes de quaisquer áreas do conhecimento objetivou: a formação de profissionais diferenciados, pautada na visão ampliada dos acontecimentos e politicas sociais; a construção do conhecimento de forma crítica e reflexiva; o estabelecimento de diálogos entre o processo de trabalho (conhecimento extraído e construído sobre a vida real) e as estratégias pedagógicas; o desenvolvimento das competências de acordo com os preceitos da UNESCO (aprender a ser, a conhecer, a fazer, a conviver junto) e das competências digitais; a necessidade do fortalecimento da

dimensão didático-pedagógica fundamentada na inovação tecnológica; a possibilidade de diminuir o descompasso tempo-espaço entre as práticas sociais e acadêmicas, ao reduzir a distância geográfica entre os campi da UFV; a inovação de mesclar metodologias ativas de ensinagem no AVA com atividades práticas integradoras, realizadas em grupos heterogêneos (distintas áreas e cursos de graduação).

Complementarmente, na 14ª. Conferência Nacional de Saúde, realizada no ano de 2011, em seu relatório parcial, defendeu-se em um dos eixos debatidos o fortalecimento da Política de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde, com investimento na formação profissional e reestruturação curricular dos cursos da área da saúde de acordo com as necessidades sociais da população e do SUS no território brasileiro. Além disso, na diretriz relacionada à defesa do SUS, ficou acordada a instituição pelos Ministérios da Educação e da Saúde, nos conteúdos curriculares, temáticas relacionadas com as políticas públicas, SUS, cidadania, participação da comunidade, controle social, educação em saúde, nas matrizes curriculares do ensino fundamental e médio e dos cursos de graduação de universidade públicas e privadas (CNS, 2011). O que se pretendeu, portanto, foi a disseminação de conhecimento sobre os princípios e diretrizes do SUS aos cidadãos da comunidade acadêmica, de forma a construir um SUS amplo, democrático e com a participação de todos, requisitos indispensáveis à sua consolidação.

Além disso, a Política Nacional de Educação (PNE), em sua última versão, traçou como metas a universalização do acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidade e aumentar a relação computadores/estudante nas instituições de ensino, promovendo a utilização pedagógica das TIC; além disso, propôs o fomento e o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticas pedagógicas nos sistemas de ensino, que assegurassem a melhoria do fluxo escolar e a aprendizagem dos estudantes (BRASIL, 2012b).

Ao contextualizar as práticas pedagógicas sob a ótica das TEE e TIC, com um olhar voltado à formação por competências aliadas às metodologias ativas de ensinagem, possibilitou-se a implementação de mudanças voltadas ao resgate e desenvolvimento de valores humanos nas práxis educativas, em consonância com os princípios norteadores do SUS e com as DCN, tomando o estudante como sujeito central nesse processo.

Essas características tornam-se importantes nos processos de ensinagem da atualidade, porque muitas vezes, influenciados pelas regras de vida e cultura impostas pela sociedade da informação (isolamento, individualismo, competitividade, privilegiamento de espaços e ambientes virtuais em detrimento de relações humanas, dentre outros) deixam de serem desenvolvidas pelos estudantes as dimensões afetivas, cognitivas e intelectuais. Assim, torna-se importante o resgate da humanidade nas relações e no (con)viver com o outro, indispensáveis às práticas de vida e profissional. Extrapola-se, dessa forma, objetivos educacionais de formação de profissionais capacitados tecnicamente, para uma práxis que privilegia, sobretudo, a formação para a vida.

Desta forma, foram contemplados alguns obstáculos à difusão e construção do conhecimento, ao integrar saberes multiprofissionais e transdisciplinares entre campi distintos, sem deslocamento geográfico, na busca de alternativas para aproximação de pessoas e práticas sociais; as TEE surgem, nesse contexto, como possibilidades de ruptura com a aprendizagem tradicional, individualista, que esmera-se na formação de profissionais acabados e resolutivos para o mercado, mas que não conseguem lidar com problemas complexos; oportunizando aos estudantes a conscientização de que a aprendizagem não ocorre somente nos limites físicos da escola (ZIDÁN e TELIZ, 2012).

Destarte, as TEE, as TIC e a tendência à virtualização e inovação pedagógica apontam para uma nova relação educativa na comunidade virtual, rompendo com a assimetria presente na escola; há um deslocamento da dimensão presencial para a dimensão virtual; quebra do binômio ensino-aprendizagem representando a aprendizagem pensada como autoaprendizagem, incentivando o desenvolvimento da autonomia pelos estudantes e o livre pensamento, com estímulo à criatividade (BARRETO, 2006); extrapola o espaço físico da sala de aula e da escola, propiciando também a ruptura com espaços e lugares tradicionais de educação. A questão central é que não se trata apenas de deslocamento de espaços de aprendizagem ou de meios distintos de aprendizagem, mas também de outro fim, sustentado por outra concepção de educação, centrada na autoaprendizagem, na colaboração e cooperação, e na concepção pedagógica inovadora.

Assim, na era da informação e comunicação torna-se premente que os profissionais de educação estejam aptos para a construção e o manejo das TEE e

inovadoras nos contextos de ensinagem, que leve em consideração uma perspectiva ética, que sustente a vivência da cidadania plena, algo que não se refere somente à dimensão política da vida social, mas à própria construção do sujeito (TEIXEIRA e MELO, 2011). O que se objetivou foi uma discussão e execução prática de uma proposta de trabalho que implicou e almejou qualidade na formação competente de profissionais de diversas áreas, explorando possibilidades e superando limites, fiéis à idéia de que nos atos que compreendem o ensinar e o aprender, o mais importante é levar ao aluno uma construção de conhecimentos para além dos ambientes acadêmicos, num esforço de superação de tendências tecnicistas, transcendendo a imitação e “decoreba” de conteúdos (ANASTASIOU e ALVES, 2010).

Para tal, a proposta de trabalho foi desenvolvida mediante a criação de duas disciplinas semipresenciais – NUT493- Tópicos Especiais em Politicas de Saúde e Cidadania (Campus Viçosa) e NUR493- Tópicos Especiais em Politicas de Saúde e Cidadania (Campus Rio Paranaíba), onde foi oferecida a possibilidade de os alunos de qualquer curso de graduação destes dois campi da UFV matricularem-se. Cabe ressaltar o caráter inovador desta disciplina na UFV, referente tanto pelo seu caráter intercampi, como pela possibilidade de discussão de importantes temas transversais à formação de estudantes, ancorada no trabalho multidisciplinar e transdisciplinar como eixo central.

Ademais, foram capacitados docentes de diferentes cursos e departamentos da UFV e estudantes de pós- graduação (Mestrado e Doutorado) do PPGCN para atuação como tutores, cotutores, orientadores de aprendizagem e supervisores da disciplina em metodologias ativas de ensino, aprendizagem e avaliação no âmbito das TIC.

Ressalta-se que este estudo teve por finalidade central desenvolver ferramentas que contribuíssem para a formação de profissionais-cidadãos, por meio do uso e exercício de TEE, o que para Anastasiou e Alves (2010, p. 8) vai ao encontro do papel da universidade, já que:

“[...] a universidade é formadora da cidadania e que uma cidadania democrática implica o exercício dos direitos de todos na sociedade. Um dos direitos dos estudantes é exatamente o de apropriar-se do conhecimento e transformá-lo, para coloca-lo a serviço do bem comum. Para concretizar esse direito, faz-se necessário, por parte dos professores, um trabalho competente, marcado pelo rigor e pela solidariedade”.

5 OBJETIVOS