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Neste ponto deixaremos algumas considerações sobre a legislação brasileira acerca da formação de professores, cuja, existência e características contribuem para impulsionar e orientar as mudanças exigidas pelo governo e pela sociedade.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996)8, refere que a Educação Superior deve estimular a criação cultural, o desenvolvimento do espírito científico, conduzindo à formação de pessoas reflexivas, aptas para inserir-se em diferentes setores da sociedade e para contribuir para o desenvolvimento. Neste âmbito os currículos dos cursos de formação de professores devem ser adaptados ao novo perfil de competências exigidas a estes profissionais.

De igual modo, as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Química (2001)9,

estabelecem, agora mais especificamente, um perfil de competências e habilidades que são esperadas de um professor de Química, quer ao nível do bacharelato, quer ao nível da licenciatura. Neste documento são apresentadas considerações sobre os vários pontos de abrangência deste perfil que apresentamos de seguida de uma forma condensada.

Neste documento, este perfil abrange competências e habilidades com relação:

a) À formação pessoal (o professor deve possuir conhecimento sólido e abrangente na área de atuação; deve possuir capacidade crítica; deve identificar aspectos filosóficos e sociais que definem a realidade educacional; identificar o processo de ensino aprendizagem como processo humano em construção; deve ter uma visão crítica com relação ao papel da Ciência e à sua natureza epistemológica, compreendendo o processo histórico-social de sua construção; saber trabalhar em equipe; deve ter interesse no auto-aperfeiçoamento contínuo; ter formação humanística; deve ter habilidades que o capacitem para a preparação e desenvolvimento de recursos didáticos e instrucionais).

b) À compreensão da Química (o professor deve compreender os conceitos, leis e princípios da Química; deve conhecer as propriedades físicas e químicas principais dos elementos e compostos; deve acompanhar e compreender os avanços científico- tecnológicos e educacionais; deve reconhecer a Química como uma construção humana e compreender os aspectos históricos de sua produção e suas relações com o contexto cultural, socioeconômico e político).

c) À busca de informação e à comunicação e expressão (o professor deve saber identificar e fazer busca nas fontes de informações relevantes para a Química; deve ler, compreender e interpretar os textos científico-tecnológicos em idioma pátrio e num idioma estrangeiro; deve saber escrever e avaliar criticamente os materiais didáticos; deve demonstrar bom relacionamento interpessoal e saber comunicar corretamente os projetos e resultados de pesquisa).

d) Ao ensino de Química (o professor deve refletir de forma crítica a sua prática em sala de aula; deve compreender e avaliar criticamente os aspectos sociais, tecnológicos, ambientais, políticos e éticos relacionados às aplicações da Química na sociedade; deve saber trabalhar em laboratório e saber usar a experimentação em Química como recurso didático; deve possuir conhecimentos básicos do uso de computadores e sua aplicação em ensino de Química; deve possuir conhecimento dos procedimentos e normas de segurança no trabalho; conhecer teorias psicopedagógicas que fundamentam o processo de ensino- aprendizagem, bem como os princípios de planejamento educacional; deve conhecer os fundamentos, a natureza e as principais pesquisas de ensino de Química; deve conhecer e vivenciar projetos e propostas curriculares de ensino de Química; deve ter atitude favorável à incorporação, na sua prática, dos resultados da pesquisa educacional em ensino de Química).

e) À profissão (o professor deve ter consciência da importância social da profissão como possibilidade de desenvolvimento social e coletivo; deve ter capacidade de disseminar e

magistério, em nível de ensino fundamental e médio, de acordo com a legislação específica; deve exercer a sua profissão com espírito dinâmico, criativo, na busca de novas alternativas educacionais, enfrentando como desafio as dificuldades do magistério; deve conhecer criticamente os problemas educacionais brasileiros; deve identificar no contexto da realidade escolar os fatores determinantes no processo educativo; deve assumir conscientemente a tarefa educativa, cumprindo o seu papel social de preparar os alunos para o exercício consciente da cidadania; deve desempenhar outras atividades na sociedade, para cujo sucesso uma sólida formação universitária seja importante fator).

Como se pode observar pela proposta do governo do início desta década, um professor deverá ser um profissional muito completo, do qual se espera um excelente desempenho, para o qual, e de acordo com outro documento do próprio governo (BRASIL, 2001)10, infelizmente a

formação inicial e continuada ainda não contribui como se esperaria para a formação destes professores. De acordo com este documento, são “[...] crônicos e reconhecidos os problemas da formação docente [...]”(BRASIL, 2001, p. 139), que acabam por se tornarem um obstáculo para o desempenho do professor. Neste mesmo documento é referido que a revisão da formação inicial terá de ser enfrentada tanto no campo institucional como curricular. No campo institucional é referida, por exemplo, a ausência de espaços para os estágios, falta de integração da escola com os diversos espaços educacionais na sociedade e o distanciamento entre as instituições de formação de professores e os sistemas de ensino da educação básica. Salientamos, ainda que, neste documento se referem quais as competências que deve possuir um aluno ao completar o

10Parâmetros Nacionais Curriculares para o Ensino Médio, disponível em :

ensino médio, assim como, os temas organizadores do ensino de Química, orientações para a organização do trabalho escolar e ainda estratégias para a ação do professor.

Do elenco de competências que deve ter um aluno no final do ensino médio, destacamos a primeira e a segunda, que consideramos relevantes para o tema deste trabalho. Neste documento refere-se o desenvolvimento de competências no domínio da representação e comunicação, que envolve a leitura e interpretação de códigos, nomenclaturas próprias da Química, a transposição entre diferentes formas de representação e o desenvolvimento de competências no domínio da

investigação e compreensão, com ênfase no uso de idéias, conceitos, leis, modelos e

procedimentos científicos associados à Química. Sendo assim, só um professor com uma formação adequada será capaz de corresponder aos desafios colocados pelo ensino/aprendizagem de Química, neste virar de século.

2.4 Pesquisas na área: a formação do professor e o uso de visualizações no ensino de