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Os resultados confirmam a hipótese de que dados multifonte de Sensoriamento Remoto, mesmo em diferentes níveis de aquisição, permitem detectar a ocorrência de clorofila a e ficocianina, assim como o comportamento sazonal de cianobactérias. Contudo, a detecção pela resposta espectral destes pigmentos fotossintetizantes está condicionada a ocorrência em concentrações mínimas. Assim, para um acompanhamento do comportamento sazonal da ocorrência das cianobactérias, equipamentos de detecção por fluorescência são complementares haja vista que medidas fluorimétricas realizam inferência em baixas concentrações.

Foi verificado que as cianobactérias têm um comportamento sazonal, dependente de diversos fatores meteorológicos que inter-relacionados propiciam condições ideais para proliferação e dispersão ao longo do reservatório, considerando as variáveis obtidas: temperatura do ar, velocidade dos ventos e precipitação. Também se verificou pelos levantamentos de campo realizados que a dispersão espacial da ficocianina foi diferente para todas as épocas.

Em relação às variações na concentração de cianobactérias, constata-se que o segundo levantamento de campo (fevereiro/2012) foi o mais representativo de uma região eutrofizada, com algumas áreas superando os valores máximos estabelecidos para ficocianina e clorofila a. Nesse levantamento, na média, a concentração de ficocianina foi inferior ao limite proposto por Brient et al. (2008) de 10 µg/L, contudo a concentração de clorofila a média superou os 30 µg/L estabelecidos na resolução CONAMA n° 357/2005 para águas de Classe 2. Esses resultados podem ser preocupantes, pois o reservatório de Nova Avanhandava não possui ponto de monitoramento da Cetesb. Nos demais levantamentos, de um modo geral, foram detectadas concentrações relativamente baixas. A relação entre as variáveis foi de, aproximadamente, 1 μg/L para ficocianina para cada 6 μg/L de clorofila a, exceto o quarto levantamento (dezembro/2011) no qual as concentração de ficocianina e clorofila a foram similares.

De acordo as análises realizadas, no segundo levantamento, o período chuvoso proporcionou efeitos de longo prazo, no qual a entrada de compostos orgânicos auxilia na proliferação do fitoplâncton e na redução das taxas de oxigênio dissolvido na água. Além disso, os ventos fracos não induzem a agitação das águas, facilitando a formação de zonas de estratificação (TUNDISI et al., 2010; REICHWALDT e GHADOUANI, 2012). Não foi avaliado o tempo de retenção do reservatório nesse período, mas é evidente que longos períodos de retenção da água auxiliam no processo de reprodução de cianobactérias em detrimento de

muitas outras espécies de algas (MUR et al., 1999). Já em março, a ocorrência de chuvas de verão frequentes pode ter provocado a diluição dos compostos, tornando o ambiente homogêneo com menor turbidez e maior transparência. Em setembro, houve uma redução da produção de cianobactérias, que pode ter sido ocasionada pela ocorrência de ventos de velocidade média e baixas temperaturas, contudo, deve-se considerar que essa afirmação depende da intensidade da frente fria e sua capacidade em realizar trocas de calor entre a superfície da água e atmosfera. Em dezembro, inicia-se o período de verão, no qual os efeitos de curto prazo das chuvas podem estar atuando no ambiente por meio da entrada de nutrientes no corpo d’água com o estimulo da produção de cianobactérias.

A identificação de espécies e densidade total dos fitoplânctons realizadas para o primeiro e segundo levantamentos de campo (dezembro de 2011 e fevereiro de 2012, respectivamente) mostraram que o grupo de cianobactérias dominou o ambiente nas duas épocas, mesmo em baixas concentrações do fitoplâncton.

Pela análise da ocorrência espacial e temporal de cianobactérias, por meio das medidas fluorimétricas da concentração do pigmento ficocianina, percebe-se que sua distribuição é variável ao longo do reservatório independente da baixa ou alta concentração. No segundo levantamento (fevereiro de 2012), as maiores concentrações de ficocianina e clorofila a foram observadas na parte sul do reservatório, contudo, espacialmente, nem sempre as altas concentrações de ficocianina coincidem com os locais de altas concentrações de clorofila a. Nos terceiro e quarto levantamentos, nos quais se obtiveram as menores concentrações, observa-se maior uniformidade na distribuição espacial da clorofila a e ficocianina.

O segundo levantamento de campo, realizado em fevereiro de 2012, foi o que propiciou melhores relações com os dados multifonte, que pode ser explicado pelo fato de haver maior concentração do pigmento fitoplanctônico ficocianina. Destaca-se, contudo, que as concentrações encontradas no meio, na média, estiveram abaixo do máximo proposto por Brient et al. (2008), estabelecido como seguro para a ocorrência de cianobactérias em consonância com os usos múltiplos do reservatório.

As técnicas de análise espectral, análise derivativa, razão de bandas e remoção do contínuo, aplicadas nas curvas espectrais, permitiram uma melhor caracterização do comportamento óptico da ficocianina. Verifica-se que valores de correlação significativos foram observados, principalmente, nas regiões espectrais de 620 e 650 nm, já destacadas na literatura como sensíveis à ocorrência de ficocianina em obras como as de Marion et al. (2012), Song et al. (2012), Le et al. (2011), Londe (2008), Ruiz-Verdú et al. (2008), Weaver e Wrigley (1994) e Dekker (1993). Além disso, destaca-se também a razão espectral apresentada por

Mishra et al. (2009), em 654nm/617nm a qual, mesmo para concentrações relativamente baixas como do primeiro levantamento de campo, resultou em uma correlação significativa.

A utilização de imagens multiespectrais não foi bem sucedida em decorrência do amplo intervalo das bandas na região espectral de interesse para detecção de ficocianina, ou seja, entre 610 e 670 nm. Além disso, é importante frisar que a aplicação de alguns pré- processamentos às imagens podem mascarar a resposta sutil da ficocianina. As imagens RapidEye, por exemplo, passam por um processo de interpolação por convolução cúbica na ortorretificação, resultando em um excesso de suavização da cena.

Recomenda-se para os próximos trabalhos a realização e estudos voltados para a modelagem bio-ótica do pigmento ficocianina, pois os estudos existentes ainda são incipientes, principalmente no Brasil. Esses tipos de pesquisas representam um avanço na discriminação da contribuição da ficocianina na reposta espectral, na tentativa de melhor compreender quantitativa e qualitativamente as variações espectrais obtidas por Sensoriamento Remoto, relacionadas à ocorrência de cianobactérias. Também é relevante a realização de testes com modelos empíricos, semi-analíticos ou analíticos propostos na literatura em regiões tropicais brasileiras, para validar os métodos em outras regiões.

Sugere-se também a realização de outros testes com imagens multiespectrais. Especificamente para as imagens utilizadas neste trabalho, recomendam-se mais aquisições ao longo do tempo para a realização de análises detalhadas do comportamento espectral, de acordo com a variação temporal e espacial da concentração dos pigmentos. Considera-se que a utilização de imagens hiperespectrais, podem alcançar resultados mais significativos em virtude da possibilidade de configuração de bandas específicas para a detecção de ficocianina.