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Litteratur og kilder

In document A 360 Hessdalen kirke (sider 28-33)

A pesquisa teve como participantes doze profissionais da educação que atuam nos segmentos da Educação Infantil e Ensino Fundamental I (até o 3º ano) da escola lócus. Durante as rodas de conversa realizadas com a pesquisa, esse número de participantes mostrou-se instável, pois nem sempre todas estavam presentes. O recorte se deu, compreendendo que é no decorrer das séries iniciais desses segmentos que existe o processo de alfabetização, assim como a busca por um disciplinamento e imposição de regras e condutas que devem ser cumpridas no espaço escolar. Em meio a isso, foi possível presenciar nessas etapas um forte aparecimento de queixas e discursos acerca das inadaptabilidades e fracassos escolares.

Para exemplificar, vamos expor uma cena que ocorreu em uma reunião da equipe pedagógica para discutir acerca do resultado e desempenho dos alunos em uma avaliação externa.

Como o fechamento do ciclo e do segmento do Ensino Fundamental I se dá com a turma de quinto ano, esses alunos foram submetidos a uma avaliação externa para constatar os seus conhecimentos em Língua Portuguesa e Matemática. Quando o resultado foi repassado à direção e coordenação da escola, constatou-se que as turmas que realizaram a prova não haviam obtido bom desempenho. Com isso, na

reunião realizada, muito se discutia sobre as causas desse “fracasso”: o que houve para a o nível de educação da escola estar no patamar “básico” e ficar em 42º lugar entre 50 escolas, daquele sistema, avaliadas? Logo, de forma majoritária, a culpa recaiu nas séries iniciais, pois, segundo a equipe, é nesse período que se forma a base; se o ensino fracassa nessas series iniciais, nada pode ser feito posteriormente, no fim do ciclo. Então, acreditou-se que não seria a equipe de professores das séries finais que precisavam rever suas práticas, mas sim a equipe que compunha as séries iniciais (do 1º ao 3º ano). Desse modo, observamos que, algumas vezes, a culpa pelo “fracasso” não recai apenas sob os alunos ou suas famílias, mas também sob a equipe de educadores daquelas séries iniciais, que se responsabilizam pela tarefa de formar “a base” da educação e do saber (DIÁRIO DE CAMPO – 20.06.2016).

O grupo escolhido se constitui em sua completude por mulheres, de faixa etária entre trinta e sessenta anos. A maioria delas trabalha há bastante tempo na escola, algumas próximas de completar trinta anos de serviço prestado naquele local. Mais da metade do grupo tem graduação em Pedagogia, porém um menor número possui apenas o Curso Normal. Há alguns anos atrás, a empresa possibilitou que os educadores que ainda não possuíssem o curso de graduação fizessem vestibular em uma faculdade particular específica, em que a formação seria custeada pela empresa. Porém, nem todas conseguiram ingressar no ensino superior, porém continuaram exercendo sua função como antes.

No decorrer da pesquisa, foi possível perceber que muitas delas estão prestes a se aposentar e mostram-se desgastadas pelo tempo de serviço e pelos desafios cotidianos que se impõem no ambiente de trabalho. Essas observações também serviram como pistas para que fosse possível compreender a produção do fracasso escolar e os processos de medicalização que ocorriam naquele espaço. Outro acontecimento que nos auxilia na análise desses fenômenos, consiste nos pequenos trechos produzidos por algumas das participantes em nossa terceira roda de conversa, na qual as mesmas tiveram oportunidade de falar sobre “como se tornaram professoras”. Daqui para frente utilizaremos nomes de flores como nomenclatura para a identificação das participantes de nossa pesquisa.

Quadro 1 - “Como me tornei professora...”

PARTÍCIPE COMO ME TORNEI PROFESSORA...

Rosa

“Quando fiz o vestibular escolhi pedagogia porque era o mais barato, era o que minha vó podia pagar. Mas quando fiz meu primeiro estágio, vi uma cena que me incentivou, uma professora colocar a criança para fora de sala e jogar as coisas dele no meio do pátio, chamando-o de desgraça. A partir dessa situação, jurei que iria me formar e nunca iria tratar uma criança daquela maneira.”

Verbena

“Desde criança era a brincadeira que eu mais gostava. Na adolescência já ganhava dinheiro preparando tarefas de crianças (reforço escolar). E cada dia gostava mais do que fazia. Então percebi que era o que eu queria para mim. E, há 30 anos, continuo tendo a mesma paixão pela minha profissão. Eu sou professora de coração”

madrinha. Eu me achei o máximo. Peguei e fui ler para as minhas amigas como se eu fosse professora. Li tão bem que parecia uma professora de verdade”

Orquídea

“Em primeiro lugar essa não seria minha profissão, pois eu era muito nova e ainda não tinha traçado o que eu queria ser. Como minhas irmãs eram todas professoras, mamãe decidiu me matricular no curso normal. Até hoje sinto saudade daquela escola, pois lá aprendi muitas coisas boas. Quem dera ter hoje uma escola normal da vida.”

Lírio

“Desde criança tinha vontade. Quando terminei o ensino fundamental, fiz o teste de pedagogia para a escola normal, mas não passei. Fiz o segundo ano científico e fiz novamente o teste e passei. Estudei os quatro anos e depois passei para o curso de pedagogia na UFPI. Logo depois comecei a trabalhar em uma escola. Depois trabalhei com jovens e adultos, uma experiência maravilhosa. Aí fiz o teste seletivo pra cá e passei e estou aqui aprendendo a cada dia.”

Acácia “Eu me tornei professora com a sugestão de meu primeiro patrão, que me sugeriu dizendo que eu seria uma ótima professora, porque eu gosto

de ensinar tudo o que aprendo.”

Gardênia “Quando eu era criança, adorava ver minha professora expor sua aula no método dela “tradicional”. Suas letras no quadro, seu jeito de pegar os

livros, de contar histórias...” Fonte: Elaborado pela autora

Estas falas nos ajudam, de certo modo, a conhecer os perfis das participantes e a compreender como as mesmas ingressaram no contexto educacional, observando, assim, as motivações, afinidades, expectativas que as mesmas trazem em sua bagagem. Esse exercício mostrou-se válido, também, no sentido de rememorar o que fez com que elas chegassem onde hoje estão. Isso, muitas vezes, é esquecido devido às atribuições diárias e sobrecarga a que estão submetidas.

Mesmo tendo como principais participantes as professoras da escola lócus, é importante ressaltar que não foram apenas elas que serviram como fonte para a produção dos dados, mas também, alunos, familiares e funcionários em geral que compõem o quadro da escola. A partir de observações, conversas informais, práticas cotidianas e momentos de roda de conversa, foram entrando em contato com inúmeras pessoas que, de algum modo, auxiliaram na produção desses dados e na problematização do contexto investigado.

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