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In document Fiskeundersøkelser i Rogaland i 2010 (sider 35-38)

O modelo de investigação em análise apresentado, na Figura 5.1, serviu de orientação teórica ao longo da fase concetual sendo, igualmente, completado ao longo da fase empírica da investigação.

A intenção deste modelo é pensar claramente acerca do contexto da prática profissional dos assistentes sociais, em especial na Região Autónoma dos Açores, início do século XXI, e aumentar o nível de compreensão prática, tendo por base teorias das ciências Sociais e Humanas, ou seja, facultar o pensamento acerca dos conhecimentos, habilidades, valores e considerações éticas que possam ser trabalhadas e contribuírem para a melhor prática profissional dos assistentes sociais.

Falamos da importância da relação entre teoria e prática. Em relação à teoria, baseamo-nos na categorização das diferentes teorias que influenciam o Serviço Social, segundo a perspetiva da autora Trevithick (2008), nomeadamente as teorias que elucidam a nossa compreensão acerca das pessoas, situações e eventos, teorias que analisam o papel, tarefa e finalidade do Serviço Social e as teorias que se relacionam diretamente com a prática.

Completamos o estudo com dimensões em presença na prática profissional dos assistentes sociais, realçando a influência da temporalidade – contexto da prática - (com destaque para os momentos de crise económica, social e política e políticas sociais) na prática

Figura 5.1. Modelo de investigação em análise

Comparar espaços temporais e respetivos contextos, (momentos de crise e políticas sociais) e a implicação destes com as práticas profissionais

Crises Novos Problemas Sociais Novas Políticas Sociais Práticas Sociais Inovadoras

Contexto da Prática (variável independente) Práticas Profissionais (variável dependente) Analisar e escrutinar espaços temporais, nomeadamente o século XXI na Região Autónoma dos Açores Identificar o contexto (novos contextos) que tem surgido neste início do século XXI na Região Autónoma

dos Açores

Identificar a rede e organização dos serviços

sociais, no âmbito das políticas públicas e sociais

(áreas de intervenção do assistente social) Caracterizar de forma sociodemográfica os assistentes sociais da RAA; Traçar perfis profissionais dominantes dos assistentes sociais na RAA; Refletir práticas profissionais dos assistentes sociais na RAA durante o século XXI. Relação Teoria/Prática

Sentido que os assistentes sociais atribuem às suas práticas Inovações na Intervenção

142 profissional dos assistentes sociais, nomeadamente características dos assistentes sociais, a dimensão axiológica, teórica e metodológica, onde destacamos Modelos, Teoria da Comunicação, Resiliência, Empowerment, Advocacy, Trabalho em Rede e Parceria, e a dimensão político/organizacional e cultural, a dimensão do sujeito da prática do Serviço Social e a dimensão política da prática em Serviço Social, que nos revelaram sugestões de análise.

Falar no contexto da prática profissional dos assistentes sociais início do século XXI na Região Autónoma dos Açores permite comparar espaços temporais e respetivos contextos e a implicação destes com as práticas profissionais. Dentro do contexto da prática, e segundo Karen (2014), deu-se enfase às políticas públicas e sociais, políticas organizacionais e a outros fatores que também fazem parte do contexto da prática profissional que são as crises, a dimensão pessoal e profissional do assistente social, do sujeito da prática profissional do Serviço Social e as áreas onde o assistente social exerce a sua prática.

A teoria e o conhecimento são componentes cruciais, para além da ética e dos valores como forma de garantir a excelência da prática profissional (habilidades) dos assistentes sociais (Davies, 2008). As habilidades profissionais destes profissionais surgem do apreender e absorver de uma grande variedade de teorias e pesquisas baseadas em evidências.

As crises levam ao surgimento de novos problemas sociais e ao agravamento dos antigos, proporcionando novas políticas sociais e respostas a estes problemas e logicamente a práticas sociais inovadoras.

O contexto social, político e económico trouxe impactes nas práticas profissionais dos assistentes sociais.

É na comunidade que se sentem os problemas sociais, logo a importância de envolver os cidadãos nas propostas de respostas e políticas sociais. Nesta lógica faz todo o sentido a proposta de Carmo e Ferreira (2008: 53, citado por Costa, 2014: 117) através do mapa concetual representativo de uma estratégia de educação para a cidadania que permita dotar as pessoas das competências necessárias para participarem ativamente na resolução dos problemas. A análise das políticas, para que estas passem a ser usadas pelos decisores políticos, carece de uma mudança já que os processos de decisão estão em contínua alteração, pois as mudanças sociais e estruturais são cada vez mais rápidas e profundas.

Em relação ao contexto da prática, considerada a nossa variável independente, foram analisados espaços temporais, nomeadamente o século XXI, foco da nossa investigação, na Região Autónoma dos Açores. Desta forma, foram explorados teoricamente os conceitos de

143 sociedade de risco segundo Beck et al. (2002), que têm como princípio a modernização reflexiva, contrapondo um evolucionismo utópico específico das diferentes teorias da modernização, e a implicação do contexto com a prática profissional dos assistentes sociais.

A prática profissional dos assistentes sociais está intimamente relacionada com e dependente do contexto histórico, social e político, as crises que vão surgindo e o que se realizou, ou não, para fazer face às situações de crise. As práticas profissionais dos assistentes sociais foram consideradas a variável dependente deste estudo, pois, dependem do contexto da prática.

As práticas de intervenção dos assistentes sociais são explicadas também por outros fatores, nomeadamente pela identidade, perfil profissional e autoconhecimento que permitem um panorama acerca da dimensão do assistente social na sua prática profissional. Destacamos a inteligência emocional como sendo um conceito com a relevância assumida pelas emoções em qualquer relação interpessoal. Howe (2008) defende mesmo que usar o self, valorizando também a sua inteligência emocional, é essencial para o sucesso do assistente social e da sua prática profissional. Esta relevância atinge maior dimensão na sua transposição para a intervenção do assistente social, nomeadamente no que concerne à Relação de Ajuda em Serviço Social.

O sujeito da prática do Serviço Social é um elemento determinante na existência da intervenção profissional do assistente social e de organizações e serviços sociais.

O Serviço Social está intimamente relacionado com os ideais da justiça social, do bem-estar, da realização dos direitos e da promoção da igualdade, na direção da realização plena da cidadania, e tem uma dimensão política que se fortalece através da sua colaboração em projetos societários e responsabilidade na vida pública, sendo ele plataforma privilegiada da ação política.

De facto o contexto social, político e económico, o contexto da prática profissional, onde fazem parte as crises enquadradas no tempo, os problemas sociais novos e os antigos com roupagens diferentes e as respostas e políticas sociais a estes mesmos problemas trouxeram impactes nas práticas dos assistentes sociais.

Nesta investigação pretende-se dar enfase ao sentido que os assistentes sociais atribuem às suas práticas profissionais perante as crises que surgiram no século XXI na Região Autónoma dos Açores e o que foi realizado e produzido em termos de respostas.

Em concomitância com os objetivos definiram-se as seguintes questões de investigação:

144 1- Que acontecimentos significativos ao nível social, económico, político e de crises marcaram o século XXI, na Região Autónoma dos Açores e que suscitaram a criação de Políticas Sociais ou reajustes das mesmas?

2- Quais as singularidades das Políticas Sociais face às características peculiares das crises e contexto na Região Autónoma dos Açores devido à sua autonomia, insularidade, ultraperiferia, história e cultura, num funcionamento político próprio? 3- Quais os perfis dos assistentes sociais da Região Autónoma dos Açores?

4- Como os assistentes sociais encaram as mutações sociais, políticas e económicas, em curso, início do século XXI, na Região Autónoma dos Açores, e como consideram que o Serviço Social se deve posicionar perante tais alterações?

5- Quais as práticas, ao nível dos conhecimentos, competências e valores, utilizadas pelos assistentes sociais para fazer face a novos contextos que tenham surgido neste início do século XXI, na Região Autónoma dos Açores?

2. Campo

O campo de investigação deste estudo reflete-se nas organizações sociais da Região Autónoma dos Açores, nas quais os assistentes sociais desenvolvem metodologias e diferentes abordagens no quadro das políticas públicas.

A Região Autónoma dos Açores concentra algumas particularidades consideradas essenciais para a abordagem aqui seguida. As nove ilhas do Arquipélago dos Açores são todas de origem vulcânica e encontram-se em pleno Atlântico Norte, dispersas ao longo de uma faixa com cerca de 600 km de extensão de Santa Maria ao Corvo e sensivelmente entre 37° e 40° de latitude norte e 25° e 31° de longitude oeste. Residem 246 772 pessoas (dados de

2011) neste território insular de 2 325 km2, que está a uma distância de 1 600 km do

continente europeu e 2454 km do continente norte-americano (Canadá). As ilhas do

arquipélago foram divididas em três grupos geográficos: o Grupo Oriental, composto por Santa Maria e São Miguel, o Grupo Central integra as ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge,

Pico e Faial, e o Grupo Ocidental constituído pelas ilhas Corvo e Flores 48.

A ilha de Santa Maria estende-se por 16,6 quilómetros de comprimento e 9,1

quilómetros de largura máxima, ocupando uma superfície de 97 km2, onde habitam 5 552

pessoas (dados de 2011). São Miguel é a maior ilha do arquipélago, com 62,1 quilómetros de

145

comprimento e 15,8 quilómetros de largura máxima. A área de 744,7 km2 alberga mais de

metade da população açoriana: 137 856 habitantes (dados de 2011). A segunda ilha mais habitada dos Açores, com 56 437 residentes (dados de 2011), é a ilha Terceira e tem 401,9

km2 de superfície, com 30,1 quilómetros de comprimento e 17,6 quilómetros de largura

máxima. Os 12,5 quilómetros de comprimento e 7 quilómetros de largura máxima da ilha Graciosa conferem-lhe uma forma alongada de Noroeste para Sudeste. Os 4 391 habitantes

(dados de 2011) espalham-se pelos 60,66 km2 que constituem a superfície da ilha. Com 54

quilómetros de comprimento e 6,9 quilómetros de largura máxima, São Jorge apresenta-se como uma longa cordilheira vulcânica alongada de noroeste para sudeste. A sua área total é

de 243,9 km2 e alberga 9 171 habitantes (dados de 2011). O Pico é a segunda maior ilha dos

Açores, com 444,9 km2 de área e forma alongada, graças aos seus 46,2 quilómetros de

comprimento e 15,8 de largura máxima. Dominada pelo vulcão da Montanha do Pico na sua metade ocidental, a ilha está afastada 6 km da vizinha ilha do Faial e é povoada por 14 148 habitantes (dados de 2011). Com 19,8 quilómetros de comprimento e 14 quilómetros de

largura máxima, os 173,1 km2 da área do Faial apresentam um contorno grosso modo

pentagonal. É a terceira ilha mais habitada do arquipélago, com 14 994 residentes (dados de 2011). Os 16,6 quilómetros de comprimento e 12,2 quilómetros de largura máxima da ilha das

Flores estão traduzidos nos 141,4 km2 da sua superfície. É neste pedaço de terra habitado por

3 793 pessoas (dados de 2011) que o continente europeu tem o seu ponto mais ocidental. A menor ilha dos Açores, o Corvo, tem 6,24 quilómetros de comprimento e 3,99 quilómetros de largura máximos. A sua superfície ovalada e alongada segundo uma direção norte-sul ocupa

uma área de 17,1 km2 sendo habitada por 430 residentes (dados de 2011).49

Ora, estas caraterísticas tornam a Região Autónoma dos Açores o universo ideal para o estudo de práticas inovadoras: a população, a sua geografia, cultura, história e ultraperiferia. O desafio desta pesquisa é precisamente o de analisar práticas profissionais de Serviço Social numa região tão peculiar e de que forma isto pode influenciar as práticas dos assistentes sociais.

146 3. Método

Estamos perante, e segundo Sampieri et al. (2006), um modelo de duas etapas, ou seja, numa primeira etapa a abordagem será quantitativa, portanto o tipo de estudo será extensivo e numa segunda etapa a abordagem será qualitativa, logo o tipo de estudo será intensivo. A primeira etapa irá permitir identificar as áreas de intervenção dos assistentes sociais, bem como os anos de serviço dos mesmos, para que numa segunda etapa a escolha da amostra seja mais reduzida e incidirá em um ou dois assistentes sociais por área de intervenção e com mais anos de serviço e disponíveis para contribuir para este estudo. Ou seja, “(…) dentro de uma mesma pesquisa, aplica-se primeiro um enfoque e depois o outro, de forma quase independente, e a cada etapa seguem-se as técnicas correspondentes a cada enfoque” (Sampieri et al., 2006: 16).

Conforme Creswell (2010: 27) a pesquisa de métodos mistos “é uma abordagem de investigação que combina ou associa as formas qualitativa e quantitativa”. Como são duas abordagens com caraterísticas antagónicas, elas combinam-se de forma que uma prevalecerá sobre a outra ao mesmo tempo em que se podem complementar na apresentação de resultados.

A escolha do método misto deveu-se ao facto de ser o mais adequado para conhecer os assistentes sociais da Região Autónoma dos Açores, através da abordagem quantitativa, porque não havia dados disponíveis para este efeito, e depois através da abordagem qualitativa, e com um número reduzido de assistentes sociais, a criação de conhecimento aprofundado acerca do sentido que estes profissionais atribuem às suas práticas num contexto específico.

Para falar em métodos mistos importa definir cada uma das abordagens. No método quantitativo "as estratégias tais como o controlo, os instrumentos metodológicos e a análise estatística visam tornar os dados válidos, isto é, assegurar uma representação da realidade, de modo a que estes dados sejam generalizáveis a outras populações” (Fortin, 1999: 322). A investigação qualitativa concede profundidade aos dados, a dispersão, a riqueza interpretativa, a contextualização do ambiente, os detalhes e as experiências únicas (Sampieri et al., 2006: 15). O método qualitativo “concentra-se em demonstrar a relação que existe entre os conceitos, as descrições, as explicações e as significações dadas pelos participantes e investigador relativamente ao fenómeno e sobre a descrição semântica” (Fortin, 1999: 322).

147 A utilização de métodos mistos prende-se com a constante evolução que o campo da pesquisa vai sofrendo, aliado ao facto de se construir uma abordagem que procura utilizar os pontos fortes de ambas as metodologias (quantitativa e qualitativa) (Creswell, 2010).

Todos os métodos possuem as suas vantagens e constrangimentos, pelo que Creswell (2010: 242) alerta para quatro fatores a ter em conta aquando do planeamento da abordagem com recurso a método mistos, nomeadamente a distribuição de tempo (recolha em simultâneo, dados qualitativos recolhidos primeiro e dados quantitativos recolhidos primeiro), a atribuição de peso (igual, qualitativo e quantitativo), combinação (integrado, por ligação, por incorporação) e teorização (explicita e implícita). Nesta investigação em especial os dados quantitativos foram recolhidos primeiro, por forma a ser possível ter um panorama da população em estudo, em relação ao peso, nesta investigação deu-se primazia ao método qualitativo pela informação recolhida em profundidade e também permitindo uma maior proximidade do investigador com os entrevistados, a combinação fez-se de forma integrada e a teorização explícita. Porque esta investigação pretende saber quais as práticas profissionais dos assistentes sociais num determinado contexto, tempo e espaço bem definido e o sentido que estes profissionais atribuem às suas práticas.

In document Fiskeundersøkelser i Rogaland i 2010 (sider 35-38)

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