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2.8 Summary

3.1.1 Lithography

“Bom dia, João. Bom dia, Mayara”. Chamando cada um pelo nome, a inspetora Isabel Cristina da Silva recepciona os jovens. Trabalhando há 14 anos na instituição ela sabe o nome de todo mundo. “Só uns últimos [educandos] que entraram agora que são todos parecidinhos e ainda não consegui de- corar”, conta sorridente. A feição doce pode enga- nar, já que Isabel é quem bota ordem no dia a dia do ICA e gera o respeito nas crianças. “Esconde que a

Isabel Cristina tá vindo!”, fala uma menina à outra, tentando evitar que a inspetora visse que elas estavam jogando “stop” ao invés de fazer as atividades da turma. Ela ainda é a responsável pela organização geral da escola e pela assistência aos educandos, desde consultas médicas até atendimento aos pais.

A ONG fica mais de dez horas por dia aberta, e não fecha durante as férias escolares, ficando disponível para os educandos. Às 7h da manhã, os alunos começam a chegar e 30 minutos depois devem estar todos no refeitório para tomar o café da manhã. Em seguida vão para as primei- ras atividades do dia, separados por turmas de idades. Esse também é o momento de algumas crianças receberem atendimentos específicos, como ir ao dentista, fonoaudiólogo ou psicólogo. Duas horas depois é a hora do lanche, seguida por outras atividades. O almoço para a turma da manhã é servido às 11h20. As últimas crianças saem para a escola às 12h45, e é quando chega a turma da tarde, vinda das escolas. Logo é servido outra vez o almoço e o cronograma se repete, agora em ordem contrária. Às 5h30 da tarde todos já se foram.

Por um momento, na hora do almoço, é possível imaginar que se está em um restaurante. Copos de vidro, talheres de aço, pratos de por- celana e comida servida em um buffet, que mantêm a comida sempre quente. Bem diferente de algumas escolas públicas, onde a comida é servida em pratos, talheres e copos de plástico. De igual para igual, os educadores, bem como os demais colaboradores, almoçam junto dos jovens. A mesma comida, no mesmo refeitório.

Arroz, feijão, salada, algum vegetal refogado e um tipo de carne, além de suco e fruta de sobremesa. Assim são os almoços diários, elabo- rados por nutricionista. O desperdício é inaceitável. Dois tonéis ficam dispostos: um para os talheres e outro para os guardanapos sujos. Não há lugar para resíduos. “Comeu tudo? Muito bem!”, fiscaliza a cozinhei- ra Nicolina que fica de prontidão na porta da cozinha, ao lado dos lixos. A orientadora educacional Roberta Cutri conta que essa cultura é dada desde o primeiro dia na instituição, orientando os jovens a colocar no prato somente o que se quer comer, assim, não há por que desperdiçar. ▼

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O ICA não é uma escola, e nem pretende ser. Quem escuta o educador de teatro Wilson Martins falando alto no meio do pátio há de estranhar. “As- sembleia!”. No mesmo instante, todos os jovens próximos a ele param o que estavam fazendo e se sentam nos degraus que servem de arquibancada. Silên- cio total – sem ninguém precisar pedir – e olhos vidrados no educador. Ele começa a falar sobre uma gincana que acontecerá nos próximos dias. “Alguma sugestão?”, abre o profissional e várias crianças levantam a mão. “Futebol”, “Vai valer pontos?”, “Tem que vir de uniforme?”, para que não vire bagunça, um a um palpitam. A reunião não dura mais que trinta minutos e é recorrente no dia a dia das atividades. Outra característica incomum em escolas tradicionais.

O pátio na área inferior serve como picadeiro para os treinos e apresentações dos jovens.

As risadas e conversas faziam parecer que havia bem mais pessoas na van. O destino era um evento da secretaria de educação, em mais uma das apresen- tações dos educandos. “Vâmo acalmar, aí! Ó Deus! Faz deste jovem um iluminado...”, começou Danilo, o assessor de imprensa que era responsável pelos jovens. “Con- cede-lhe conhecimentos e...” Continuou todos. Mas antes de chegarmos ao local, já estão rindo e falando alto. Nas re- feições, também era feita uma oração. No começo do dia, a Oração do Amanhecer, de origem cristã, e nas demais, a Oração dos Jovens, (a mesma do episódio da van) da fé Bahá’í – religião que mescla os ensinamentos de várias crenças. Nenhum jovem parecia se incomodar com os rituais, por mais que sempre havia algum que não seguia o coro.

O contato com a religiosidade também poderia ser percebido com a presença da imagem de Nossa Senhora na entrada e no refeitório. A devoção dava seus sinais mais concretos com a realização anual do café da manhã de Páscoa, no qual muitos educandos e seus familiares comparecem.

Essa relação da religião católica com o ICA definitivamente é fruto de Sofia, que era praticante e levou sua devoção para a ONG. Embora a organização não se posi- cione como tendo cunho religioso, de acordo com Tarcísia, o ICA trata a relação do homem com Deus como algo impor- tante e natural de todo ser humano. Sem hesitar, ela frisa que ali se aceita todas as religiões e nenhuma é imposta.

Diário de plat

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Onde a magia

acontece

Também há uma pequena quadra, improvisada com traves e marcações no chão. Os equipamentos e

figurinos ficam amontoados em um canto.

Panos pendurados no teto, argolas e cabos de aço, dão a sensação de se estar em um circo sem lona e sem público.

No tatame de E.V.A. os educandos fazem as acrobacias.

Cartazes de apresentações e eventos passados estão pela parede.

O fácil acesso aos instrumentos faz com que o local tenha um ar de quintal de casa. Tudo pode ser usado, ao menos que seja guardado novamente em seu devido lugar.

ilustração: Claric

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